quarta-feira, abril 30, 2008

Os Sinais e as Riscas...

Ao fim da manhã assisti a uma discussão estúpida, e ao mesmo tempo, normal, pelo menos nesta Almada em constantes mudanças...
Uma senhora farta de esperar e ao ver que nenhum carro parava para a deixar passar, resolveu aproveitar uma aberta para atravessar a passadeira...
Num ápice apareceu um condutor apressado a apitar e a mandar a senhora atravessar a estrada na passadeira... a senhora respondeu-lhe à letra, perguntando-lhe se ele era céguinho, apontando para o sinal.
O homem ainda barafustou, até que percebeu que tinha feito asneira e arrancou apressado, sem abrir mais à boca, enquanto a senhora abanava a cabeça.
Eu que vinha atrás, sorri com aquele quadro.
Como condutor que sou, sei que muitas vezes esquecemos os sinais e olhamos apenas para a estrada, e como não vemos as riscas da passadeira, é sempre a andar.
Só que os sinais são soberanos.

terça-feira, abril 29, 2008

Cada Livro Tem a Sua Própria História

O livro, "25 Olhares de Abril", é apresentado hoje, em Lisboa, na livraria "Circulo das Letras".
Tem uma história simples, houve alguém que achou que era importante recolher histórias de como tinha sido o dia 25 de Abril de 1974. Estou a falar do economista, Carlos Garrido, que também adora escrever - está a preparar a edição da sua terceira obra de contos - e cordenou a edição.
Começou a pedir a amigos e conhecidos, que escrevessem uma crónica sobre este dia especial. Não fez qualquer selecção, apostou na diversidade, em pessoas de gerações, credos e gostos diferentes.
E o resultado é este livro...
Agradeço desde já ao Carlos Garrido, por me ter dado a oportunidade de contar a história do meu 25 de Abril (muito pouco recheado de aventuras, diga-se de passagem...) e aos outros 23 companheiros de aventura (Maria Luísa Baptista, Manuela Marujo, Manuel Freire, Kalidás Barreto, José Nascimento, José Carlos Fonseca, Jorge Paulos, Joaquim Alves Lavado, Ilda Januário, Gabriela Silva, Fernando Vasco, Fernando Barão, Domingos Marques, Cristovão de Aguiar, Cid Simões, Carlos Pimenta, Carlos Cardoso Luís, Artur Vaz, Ana Júlia Sança, Alice Tomé, Albino Moura, Aida Baptista, Abrantes Raposo) entre amigos, conhecidos e ilustres desconhecidos, que espero conhecer logo, ao fim da tarde...

segunda-feira, abril 28, 2008

Conversas de Café (7)


- Gostaste do discurso do Cavaco no 25 de Abril?
- Não me aqueceu nem arrefeceu. Depois do que não foi capaz de dizer na Madeira, em que foi um autêntico senhor Silva, para o Alberto João, perdeu a pouca credibilidade que tinha...
- O gajo não usa cravo na lapela mas armou-se em revolucionário. Conseguiu culpar toda a gente da ignorância dos jovens e do mau estar que se sente no país.
- Menos ele, que foi o primeiro-ministro que mais desumanizou o país e cometeu tantos erros com a educação, com não sei quantos ministros, no tempo da famosa "geração rasca".
- A sorte dele é os portugueses terem a memória curta e não se preocuparem com os verdadeiros problemas do país. Caso contrário, de certeza que não tinha sido eleito presidente da República...
- Não sei. A concorrência não foi muito forte...
- Pode ser que seja o primeiro Presidente eleito a ser corrido no primeiro mandato...
- A ver vamos, mas lá que tinha a sua graça, tinha...

sexta-feira, abril 25, 2008

O Melhor da Noite de Abril


O 25 de Abril é sempre comemorado com festa de arromba em Almada.
Há boa música, discursos e muito fogo de artíficio...
Já conhecia os The Gift. Eles são de facto um espectáculo, uma banda de nível internacional.
Foram sem sombra dúvida o melhor da noite...
O único momento próximo foi o coro anónimo colectivo habitual, que cantou, "Grandola Vila Morena", ainda com emoção, trinta e quatro anos depois da Revolução...

quinta-feira, abril 24, 2008

Conversas de Café (6)

- Lembras-te do teu 24 de Abril de 1974?
- Não... não deve ter sido muito diferente do 23... casa, trabalho, trabalho, casa...
- Não tinhas nenhum amigo que soubesse da Revolução?
- Não... acho que depois do 16 de Março, a malta não acreditava em golpes militares, pensava que estava tudo controlado pelos generais, nos quartéis. E que os revolucionários estavam todos na prisão.
- É no mínimo curioso...
- Sabíamos que o Estado estava podre, velho, caduco, mas como tinha a PIDE a segurar as pontas...
- A PIDE, sempre a PIDE...
- Era o que mais nos assustava, sabíamos do que eram capazes. Eram o garante da ditadura...
O desenho é de Alberto de Sousa.

quarta-feira, abril 23, 2008

Não Um, Mas Dez Livros Especiais...


Como é que vou conseguir explicar que não tenho apenas um livro da minha vida, mas, no mínimo, uma dezena?
Claro que, se fizer um esforço, talvez os possa reduzir para metade, mas para quê?
A minha geração, de uma forma geral, teve os primeiros contactos com a literatura na escola, através das leituras obrigatórias dos programas escolares. Eu não fugi à regra.
Destas primeiras leituras, surgiram os primeiros encantamentos, por razões várias.
Por exemplo, nunca esqueci a “Engrenagem”, de Soeiro Pereira Gomes, não tanto pela sua qualidade literária, mas sim, por me ter dado uma visão real do mundo do trabalho, da transição entre o campo e a cidade, no começo da adolescência... muito menos “O Malhadinhas”, que me apresentou o grande escritor, que é Aquilino Ribeiro, e que fez com que nunca mais virasse costas aos livros, tornando-me desde então, leitor por prazer e não por obrigação.

(continua no "Largo da Memória", neste Dia de Todos os Livros do Mundo...)

segunda-feira, abril 21, 2008

Um dos Jardins do Tejo

A Casa da Cerca, além do Museu de Arte Contemporânea de Almada, tem um óptimo miradouro virado para Lisboa e um Jardim Botânico, cuja beleza e variedade são dignos de realce...

É um dos poucos espaços agradáveis e sossegados, desta cidade em mudança, completamente absorvida pela força das máquinas e dos projectos dos homens...
Se puderem, passem por lá. Vão gostar...

sábado, abril 19, 2008

Conversas de Café (5)


- Há quanto tempo não pegas numa viola?
- não sei... há imenso tempo...
- Porquê?
- Não sei... se calhar cansei-me de tocar para o boneco...
- Não acredito nisso.
- E tu, há quanto tempo não corres?
- Há muito tempo...
- Porquê?
- Porque me desabituei...
- Comigo aconteceu o mesmo, com a viola...
- É diferente...
- Na tua cabeça, na minha não...

quinta-feira, abril 17, 2008

Saídas Quase Com Música...


- Filha, não corras dessa forma, ainda te aleijas. Deixa de ser parva.
- Pai, eu não sou parva, sou maluquinha...

quarta-feira, abril 16, 2008

Cantores de Abril

O espectáculo "Vozes de Abril", no Coliseu, foi um êxito em toda a linha.
Isto só fio possível, graças aos Cantores de Abril.
É por isso que realço aqui o livro, "Cantores de Abril", de Eduardo M. Raposo, historiador radicado no concelho de Almada, com entrevistas aos muitos trovadores do "Canto de Intervenção", título de outra obra do autor.
Palmas para ele e para todos os Cantores e Poetas de Abril, que já cantavam aqui e ali, antes de 1974, meio às escondidas (muitas vezes a brincarem ao gato e ao rato, com a gentalha da PIDE), de Norte a Sul.
A capa não podia ser mais bem escolhida, com o Zeca e o Adriano.

domingo, abril 13, 2008

Conversas de Café (4)


- Li o que escreveste ontem.
- E então?
- Até consegui imaginar o tédio de uma cidade sem crianças... vê lá por onde andei...
- Se as coisas continuarem assim, é para lá que caminharemos...
- Achas?
- Acho. As cidades estão cada vez mais desumanizadas. Fazer filhos continua a ser fácil e agradável. O problema é o resto. Educá-los e dar-lhes uma vida digna, é cada vez mais difícil...
- Sim, é muito mais fácil comprar e educar um cão...
- Não foi por acaso que me cruzei com tantas pessoas a passearem os seus bichos.
- Achas que há volta a dar?
- Há. Só não sei é se quem nos governa, está interessado em tornar o mundo mais humano...
- Pois...

O Boneco é do José de Lemos.

sábado, abril 12, 2008

As Cidades Estão Tão Diferentes...


Hoje de manhã fui a pé até Cacilhas, de mão dada com a minha filhota, que queria ver os barcos no cais...
A caminhada deu-me que pensar, pois nunca tinha pensado que as mudanças que se têm dado na sociedade, eram tão visíveis nas ruas...
No passeio de ida e volta até ao Largo de Cacilhas, não me cruzei com nenhum pai (ou mãe...) de mão dada com os filhos. Estranhamente ou não, cruzei-me com mais de uma dúzia de pessoas que passeavam os seus cãezinhos, no mesmo percurso...
O mundo está mesmo a mudar. Inclusive as famílias...

quinta-feira, abril 10, 2008

O Tejo-Mar


Nestes dias de chuva e vento, o Rio ganha alma de Mar...
Perde a sua habitual harmonia e deixa-se enrolar com o sopro do vento, ganhando ondas que fazem dançar todas as embarcações do Tejo...
É por isso que lhe chamo Tejo-Mar...

quarta-feira, abril 09, 2008

Conversas de Café (3)


- Ainda não escreveste nada nos teus blogues sobre o novo acordo ortográfico...
- Pois não...
- Por alguma razão especial?
- Não. Embora esteja dividido, concordo com algumas coisas, discordo de outras. Mas penso que se foi longe demais, pelo menos para o verdadeiro português...
- Longe demais?
- Sim, há alterações que me soam estranhas. O nosso português pode se tornar demasiado brasileiro...
- Tem graça. Mas eles não são muito mais que nós?...
- São, e depois?...

terça-feira, abril 08, 2008

Quando Combateremos a Sombra?

Estou a ler e a gostar muito do último romance de Lídia Jorge, "Combateremos a Sombra".
É uma história aparentemente simples, sobre a complexidade do mundo de hoje, através do dia a dia de um psicanalista, Osvaldo Campos.
Hoje ao escutar a notícia de que os helicópteros "Puma" (com quase quarenta anos de voo...) vão ter de voltar ao activo, porque não há peças para os substitutos, "Merlin", pensei na irresponsabilidade e incompetência de vários governantes portugueses, que a única coisa que têm feito é desperdiçar milhões e milhões de euros ao erário público. O mais grave é ninguém os colocar em causa ou investigar as suas negociatas, com seriedade...
Por isso, quando li: [...] «Segundo ela, o culpado pela meteorologia era Deus, mas os responsáveis pelos pilares de ferro e betão tinham de ser pessoas concretas. Porque não havia no país inteiro um homem ou uma mulher que dissesse, em tal data fui eu?» (p. 334) [...] Senti pena de viver neste país, onde o ministro que se demitiu devido à tragédia relatada (Ponte de Entre-os-Rios), disse após pedir a demissão, que a culpa não podia morrer solteira...
Claro que podia e pode. E vai continuar assim, porque esta gente que nos governa acha que as punições são quase exclusividade dos pobres e desgraçados...
Já tinha comprado o livro da Lídia Jorge há algum tempo, mas foi a Totoia, que fez com que o lesse. Obrigado Totoia...

segunda-feira, abril 07, 2008

Conversas de Café (2)


- Não gosto nada da palavra camarada...
- Eu gosto... assim como a de companheiro.
- Porquê?
- Sinto alguma proximidade, e até nostalgia...
- Proximidade? Bahh... Conta-me outra.
- Desde a minha recruta, na Marinha, que um dos meus instrutores me elucidou, que ali éramos todos camaradas. Colegas eram as "putas"...

O desenho, "Conversas de Café", é de Bernardo Marques.

domingo, abril 06, 2008

Janela Para o Tejo

Como gostaram de uma das fotografias com que participei na Festa das Artes da SCALA, resolvi postar uma outra, da qual também gosto muito, e que retrata o actual estado de degradação da Quinta da Arealva, rente ao nosso Tejo...
Ofereci-lhe o título, "Janela para o Tejo".
Só nós, humanos, é que somos capazes de encontrar beleza em ruínas...

quinta-feira, abril 03, 2008

Passear com o Tejo...

Estes dias com cheiro a Verão, são óptimos para passear de mão dada com o Tejo, em ambas as margens, ou então, mesmo no coração do Rio, em qualquer barca...
É por isso que recomendo o "cruzeiro" Cacilhas-Belém, no "Ferry-Boat". Ele oferece mais minutos de travessia e também uma visão mais ampla das duas margens do rio e a passagem pela parte inferior da Ponte 25 de Abril...

A fotografia que ilustra o "post" foi tirada por mim, durante um destes cruzeiros e esteve em exposição na Festa das Artes da SCALA, em Almada...

terça-feira, abril 01, 2008

Conversas de Café (1)


- Se já mentimos tanto, diariamente, porquê um dia das mentiras?
- Porque não? Não há dias para quase tudo, porque não também um dia para as saborosas mentiras?
- Isso era se fossem todas saborosas...
- Agora fizeste-me rir!

sábado, março 29, 2008

Convicções, Mentiras & Demagogias

Podia dizer que José Pacheco Pereira ensandeceu, mas não, ele esta a ser igual e ele próprio.

Ao ler o "Público" de hoje, só posso acrescentar que fiquei ainda mais esclarecido sobre a sua seriedade.
Não posso deixar de transcrever algumas das palavras de JPP: [...] «Não houve mentiras porque Bush e Blair estavam convencidos de que armas de destruição maciça existiam no Iraque, como também o estavam Chirac, Putin e o Estado-Maior iraquiano. Os interrogatórios feitos aos responsáveis militares iraquianos mostram que também eles estavam convencidos da existência destas armas e ficaram surpreendidos quando Saddan lhes disse no príncipio da guerra que não existiam. Muitos, aliás, continuaram convencidos de que as armas existiam em unidades muito especiais sob o controlo dos filhos de Saddan, Uday e Quday, e que Saddan os estava a enganar. [...]»
Melhor que estas palavras, só mesmo o "chamada de atenção" do artigo: «Sim, algumas "provas" eram "mentira, mas a convicção de que havia armas de destruição maciça não era mentira.»
Quando acabei de ler o artigo de JPP, esta manhã, no café, passei da "convicção" para a "certeza" de que ele é uma pessoa pouco séria (até por não ter a coragem de sair definitivamente do PSD, já que é incapaz de respeitar os seus dirigentes, eleitos democraticamente, por muito maus que sejam, há uma década...).
Quando alguém, que se tem em grande conta, continua a defender a legitimização da "convicção" de que existiam armas de destruição maciça, depois da destruição de um país e do assassínio de centenas de milhares de inocentes, só posso dizer que o mundo está realmente de pernas para o ar...

quinta-feira, março 27, 2008

Almada Cidade-Teatro

O teatro de Almada tem palcos, grupos, actores e até poetas, como a Anyana, que escreveu este bonito poema, do qual transcrevo o início e o final:

O Teatro é fantasia, é sonho, é arte, é magia,
Desde os críticos e coloridos “Autos de Gil Vicente”,
Às magníficas e históricas pelas de Shakspeare,
Passando por tantas e tantas obras de incalculável grandiosidade;
É algo que o actor sente,
Sente o poder de ser outro ser, outro alguém,
De outras vidas viver...
[...]
De pé, de pé como as árvores, não desfalece nunca...
Mas que sã compensação, que transmissão vem do público,
Que corre em transcendente, vigorosa e sólida corrente
De pura admiração...
Com um fluído profundo, envolve o actor em seu mundo...
Porque o teatro é sem dúvida, mensagem, comunicação.
É algo de fantástico e maravilhoso, embriaguez dos sentidos...
É marca vinculada de uma eterna missão.

A imagem é do CIA (Cénico Incrível Almadense), da peça "A Cantora Careca", numa homenagem ao teatro amador e também à Incrível Almadense, que sempre foi uma boa escola de actores...

quarta-feira, março 26, 2008

A Festa das Artes da SCALA


Esta noite foi inaugurada a Festa das Artes da SCALA, na Oficina de Cultura de Almada.
Registei várias curiosidades: a ausência de qualquer elemento do Município na inauguração (penso que pela primeira vez...); e também a ausência de bastantes artistas, naquela que deveria ser a sua Festa...
Se a primeira, não me merece qualquer comentário, em relação à segunda, sou incapaz de encontrar uma explicação lógica por este "desamor" dos artistas pela sua própria Arte...

quinta-feira, março 20, 2008

As Crianças do Tibete...

Há dois ou três anos, o meu filho perguntou-me, se as crianças na Palestina e em Israel, também brincavam...

Disse-lhe que sim.
Algumas brincam mesmo nos cenários de batalhas, porque são quase "filhas da rua". Gozam de uma liberdade excessiva, com todos os perigos que existem nos territórios de guerra, com minas e bombas perdidas aqui e ali...
Outras mais resguardadas pelas famílias, brincam fechadas em casa...
As crianças do Tibete, também brincam, quando e onde os chineses deixarem...
O mais grave disto tudo, é serem sempre as crianças, as principais vitimas dos erros dos adultos...
Na Páscoa, costuma haver tréguas, mas no dia seguinte, volta tudo à "normalidade"...

terça-feira, março 18, 2008

A Minha Primeira Viagem à Margem Sul

As primeiras imagens que guardo na memória, do Tejo e de Cacilhas, são dos anos sessenta, pouco tempo depois da inauguração da Ponte Salazar.

Devia ter quatro, cinco anos. Lembro-me de poucas coisas. A mais agradável é a viagem de cacilheiro, que devia furar as águas e fazer aquela espuma branca que encanta qualquer criança. Lembro-me especialmente, por estar sentado ao colo do meu pai, colado a uma das janelas, com frisos de madeira, envernizados, tal como os bancos, a olhar as águas do Rio mais lindo do mundo...
Mas a "excursão" familiar não se ficou por aqui, também fomos visitar o Cristo Rei. Fez-me alguma confusão ver os barcos no rio, muito pequenos. Da nova ponte, quase não me recordo de nada. Claro que devia ser possível contar os carros que passavam pelo tabuleiro, até porque a portagem nessa época era um "luxo"...
Nesta altura estava longe de imaginar que duas décadas depois, iria escolher Cacilhas para viver...
E pensar que nunca te agradeci, Pai, por me teres trazido à Margem Sul...

sábado, março 15, 2008

A Palavra Exterminar...

As palavras nunca precisaram de ficar reduzidas a palavrões para nos incomodarem. Por exemplo a palavra exterminar, sempre me irritou. Talvez por estar ligada a vários holocaustos.

É por isso que não entendo a possibilidade de se exterminarem algumas raças de cães, por serem nocivas aos seres humanos.
Todos nós sabemos que há vários animais selvagens, extremamente perigosos, em perigo de extinção, e apesar da sua perigosidade, continua a fazer-se um esforço titânico para que não desapareçam do planeta.
Gostava sim de ver a lei ir mais longe - e claro, ser aplicada, - em relação aos donos dos cães de raças perigosas, com multas elevadas, e até com a prisão. Não tenho dúvidas que são eles os verdadeiros "assassinos" e causadores dos acidentes graves que têm acontecido no nosso país, já que adoram "exibir" os seus animais de estimação (?) na via pública, sem açaimes e trelas, como se fossem o prolongamento da sua virilidade.
Os patuscos da fotografia, são uns cães dóceis do casario do Ginjal (no verdadeiro sentido da palavra), que por ali andam à solta e até posam para a fotografia...

quinta-feira, março 13, 2008

Orfandades 21

As pessoas deixaram de acreditar no colectivo, abandonaram bandeiras, que também funcionavam como âncoras, noutros tempos...

Nunca houve tantos jovens sem partido ou clube desportivo. «Para quê?», questionam eles, com a irreverência e a liberdade de escolherem o seu próprio caminho. Claro que não estou a falar das minorias que fazem parte dos "jotas" (a pensarem no futuro como "boys"...) ou nos "hooligans" das claques (a pensar na força cega da bestialidade que se enrosca na multidão).
Os meus sobrinhos cresceram, feliz ou infelizmente, sem estas febres. O mais velho, com vinte e dois anos, nunca votou. Eu já lhe tentei explicar a importância do voto, mas ele insiste, «para quê?». Falo-lhe de outros tempos, ele sorri, pouco convencido. Fala-me de anedotas, de gente como o Portas, Santana, Menezes, Durão ou Sócrates.
Futebol? Fala-me de apitos, de Loureiros, Pintos, Azevedos, e eu calo-me, sem deixar de sorrir...
Eu não consigo deixar de gostar do Benfica, apesar da equipa nunca ter jogado tão mal, como nestes tempos.
Já na política, as coisas são diferentes. Nunca fui militante em nenhum partido mas nunca me senti "orfão". Sempre votei, a pensar nas pessoas que me davam mais garantias de defender os meus ideais. Sempre votei à esquerda do PS ou em branco. Quero votar sempre, pelas vezes que os meus pais e os meus avós não votaram...
Mas não consigo fazer com que o meu sobrinho acredite que o voto é a arma do povo...
Será que ele tem razão, quando me diz: «para quê?»
A fotografia, "Homem Sentado ao Sol", é de Roy DeCarava.

quarta-feira, março 12, 2008

Novos Partidos

Não é de espantar que apareça por aí um novo partido e que queira ocupar o espaço entre o PS e o PSD.

Na minha modesta opinião há espaço ainda para mais partidos. Têm é de ser partidos com pessoas e para as pessoas, sem esta gente que fez carreira política, desde os "jotas", habituados a jogos de bastidores pouco recomendáveis, que se iniciam logo nas eleições para as associações de estudantes.
Tal como o Francisco, também estou farto destes pantomineiros (adoro esta palavra...) e sei que não são os meneses, os santanas ou os ribaus, que vão tirar o tapete aos socráticos. Além de não terem uma noção do país real, são incultos e não sabem, nem querem saber, o que significa sentido de Estado. Encaram a política como um "tacho", que se estende aos familiares e amigos, empurrados para cargos públicos, sem terem a mínima competência para os exercer.
Se pensarmos que metade dos portugueses não votam, percebe-se bem que tem de se fazer alguma coisa. O ideal seria uma limpeza geral, "varrer" esta gente sem qualidade que se tem afirmado na política e que tem a lata de se olhar ao espelho e compor a gravata, com a vaidade de pertencer à "élite" deste país...
O desenho é do Rui, ainda do tempo de "O Jornal", assinado em 1989, mas serve para caracterizar esta classe política que nos (des)governa...

terça-feira, março 11, 2008

Rogério Ribeiro Partiu...


Rogério Ribeiro despediu-se de nós, hoje...
Foi um artista plástico notável, que esteve ligado a Almada, como director da Casa da Cerca, o nosso Centro de Arte Contemporânea.
Também nos legou algumas obras públicas, das quais realçamos o painel sobre Fernão Mendes Pinto junto à entrada do "Fórum Romeu Correia".

O desenho é "O Pintor e o Modelo"...

domingo, março 09, 2008

Naide Campeã do Mundo




A atleta almadense, Naide Gomes, sagrou-se campeã do Mundo de pista coberta, na prova do salto em comprimento, com 7,00 metros, novo recorde nacional.

Parabéns Naide, por mais este extraordinário feito, com o qual tanto honras o nosso país, a nossa cidade e as mulheres portuguesas.

sábado, março 08, 2008

As Mulheres, Claro...

Hoje é o Dia Internacional da Mulher.

Poderia publicar um poema ou escrever sobre o porquê de gostar de mulheres. Se o fizesse, teria obrigatoriamente de falar da sua beleza, das suas curvas, da sua pele macia, do seu olhar, do seu cheiro, da sua sensibilidade, e de tantas outras coisas, que todos nós conhecemos e adoramos. Mas não vou por aí, prefiro falar de coisas mais “terra a terra”, como a forma aparentemente fácil, como me entendo com estes seres quase “divinais”...
Até podia dar como exemplo a blogosfera, onde visito e sou mais visitado, por mulheres que por homens, mas este espaço é virtual, e como diz o meu amigo Zé Gomes, está tão longe de ser um exemplo do mundo. É por isso que vos vou oferecer um exemplo mais concreto, de muitos que fazem parte do meu dia a dia, e que diferenciam o homem da mulher.

As duas primeiras vezes que levei o carro à inspecção, fui atendido por uma técnica. As coisas correram normalmente, com naturalidade, simpatia e respeito mútuo. Este ano, para variar, calhou-me um “macho”...
Acho que as coisas começaram logo ligeiramente estranhas, porque o sujeito olhou-me quase como o ar daqueles polícias, das “operações-stop”, que andam à procura de alguma coisa para nos ensaboar o juizo, com o seu tom ameaçador característico, deixando no ar a forte possibilidade de sermos multados, embora depois acabem por nos mandar embora, com a promessa que para a próxima não escapamos (felizmente as poucas vezes que me mandaram parar, só encontrei destes agentes e ainda não fui multado...).
Como diz o povo, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, e tem toda a razão, pois as coisas lá foram correndo para o torcido, quase sem palavras. O melhor exemplo disto foi a meu pouco à vontade com o homem, ao ponto de acontecer a coisa caricata de ele me mandar travar e eu acelerar...
O ar pouco simpático do fulano, quase que deixava no ar, “desta não escapas” (embora acabasse por passar, com a anotação de ter de mudar as lâmpadas dos piscas...), e eu fiquei um pouco nervoso, o que não acontecera das duas vezes que tinha sido atendido por duas benditas mulheres, que simplesmente me trataram de uma forma normal, naquele centro de inspecções...

Embora as minhas palavras tenham “viajado” uns quilómetros, até ao centro de inspecções, não deixam de ser um elogio às mulheres, por serem diferentes, por não terem medo de tratar os clientes com cordialidade, com as devidas distâncias...

A fotografia é um hino à beleza da Mulher (é de 1989, com o exemplo de cinco modelos estupendos, que passados quase vinte anos, ainda continuam em grande forma...), e como é óbvio, também é dedicada, aos pobres homens, que se têm de contentar, discretamente, com 364 míseros dias, sem festas, flores, aplausos, etc.

sexta-feira, março 07, 2008

Só Sei Que Quase Nada Sei...

Os dias vão passando, a um ritmo cada vez mais avassalador...

Acho que não devia, mas cada vez tenho mais dúvidas, sobre quase tudo.
Até quando escrevo, consulto cada vez mais o dicionário.
Apesar de tudo, gosto da sensação de não saber tantas coisas. Porquê? Porque faz com que continue a querer aprender e a descobrir coisas novas, por muito simples que sejam.
Por exemplo, não me lembro de as grades da cerveja Sagres terem sido de madeira...

quarta-feira, março 05, 2008

Basta de Agressões e Falta de Respeito!

Não queria escrever mais sobre as obras do "metro", mas é impossível passar ao lado de tanta "agressão" diária aos peões almadenses.

Hoje de manhã, descobri que, pura e simplesmente, tinham eliminado a passadeira provisória onde costumo passar com o meu filho, quando o levo à escola. A única solução que nos restou foi atravessar a estrada, mesmo no meio da rotunda, com a compreensão habitual dos condutores, que até aceleram, para que fiquemos quietinhos no nosso canto.
E nem vou falar dos buracos, que têm provocado tantas quedas, especialmente nas pessoas mais idosas (algumas tem sido mortais, conheço pelo menos três casos de pessoas idosas, que depois de hospitalizadas, acabaram por falecer, devido às lesões sofridas na cabeça, devido aos vários objectos perigosos que são deixados nos carreiros, sem qualquer segurança...).
Gostava que fosse feito um estudo independente (e divulgado, claro), sobre o desleixo com que é tratada a segurança, quer dos trabalhadores, quer dos transeuntes, em Almada.
Lastimo ainda mais o silêncio do Município, que continua a afirmar-se humanista e solidário para com os almadenses, sempre que lhe dá jeito...

segunda-feira, março 03, 2008

Precisamos de Mostrar Que Somos Cultos?

A fotografia que escolhi, quase de certeza, que foi tirada como resposta à pergunta que faço, por parte da Catarina Furtado, que nunca quis ser apenas um "bibelot" televisivo.

Talvez exista encenação a mais, até na escolha do jornal de leitura.
Bárbara Guimarães também quis andar pela "SIC Notícias" a dar cultura, para mostrar que era mais que um rosto sensual, um corpo curvo, ou a esposa de um filósofo ex-ministro.
Acho que existem sempre situações em que nos tentam menorizar, de alguma forma, e em que temos de puxar de alguma coisa, para mostrar, que somos mais que o tal ser insignificante, prestes a ser "fotografado" pelos retratistas mundanos, sem olho clinico...
Claro que também há o reverso da medalha. Há quem quase tome banhos de cultura, apenas para se exibir, para demonstrar em público qualquer coisa como: «Vêem? Eu sou muito culto!»
Claro que estes "cromos" em vez de ler, decoram os títulos de livros, em vez de ouvirem música, memorizam os nomes dos compositores, e mais tarde ou mais cedo, são apanhados na curva como o Secretário de Estado da Cultura, que adorava os violinos de Chopin...

sábado, março 01, 2008

A Liberdade...

Não fui, mas apeteceu-me bastante ir, marchar pela Liberdade e Democracia...
Recebi ontem uma mensagem e um poema de um Senhor Democrata, chamado Cid Simões, que fez muita cultura e política, quando as paredes tinham ouvidos, inclusive no concelho de Almada, na sua Freguesia mais democrata, onde Humberto Delgado conseguiu vencer as presidenciais, apesar das chapeladas salazaristas...
Exactamente, na Cova da Piedade!
O Poema é lindo e é da Cecília Meireles.

Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.

Obrigado Cid Simões

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Um Poema para Edgar...


Edgar, é um nome que se mistura com o de Alexandre, Castanheira, o poeta, o professor, o político, o associativista, o operário, já para não falar das mil e uma ocupações que teve, durante os quinze anos, que passou na clandestinidade, ao serviço do PCP, onde foi um dos seus principais dirigentes (no final da década de cinquenta, princípio de sessenta).
Hoje Edgar faz oitenta anos. Tal como o seu irmão gémeo, Alexandre. Para ambos o meu aplauso e um poema:

Olhas o Rio

Olhas o rio com ternura,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste,
Para uma viagem
Quase sem destino...

Depois foram anos de luta,
Quase sempre “escondido”
No porão da barca vermelha
Que navegava de terra em terra,
Em busca da Liberdade sonhada...

Olhas o rio com saudade,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste...

Luís Milheiro


O desenho que acompanha o texto é da Ligia e faz parte do livro "Almada e a Resistência Antifascista", da minha autoria.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Alexandre Castanheira Homenageado

Os "Poetas Almadenses" promovem amanhã, às 21.30 horas, no Salão de Festas da Incrível Almadense, o lançamento do livro de poemas, "Tempo Meu", da autoria de Alexandre Castanheira, um dos grandes vultos da cultura almadense, que festeja a bonita idade de oitenta anos.
A festa será animada com música e poesia, com a colaboração de Francisco Naia, Cénico Incrível Almadense, Cantadeiras da Alma Alentejana, Os Cantadores de Rusga e Poetas Almadenses.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Voltaram as "Marmitas"...

Quando me dirigia para casa, cruzei-me com dois jovens funcionários da "TV Cabo", que estavam a petiscar algo parecido com um almoço, numa escadaria.

Sei que nos últimos anos, quem possui condições mínimas no trabalho (ou proximidades), para se acomodar a almoçar, trás esta refeição de casa, porque o dinheiro é um bem cada vez mais escasso, para a maior parte dos portugueses. Quem não deve achar muita piada a este facto, real, são os donos de restaurantes...
Apesar das palavras (que eu diria, quase injuriosas, para todos nós...) do primeiro-ministro, na entrevista encomendada pela SIC, em que, para variar, ofereceu-nos números, pouco consentâneos com a realidade portuguesa.
Como disse Mário Ramires, na sua coluna semanal no "Sol": «A propaganda vale o que vale. Só convence quem quer ou se deixa ser convencido.»
Infelizmente o país "inventado" por Socrates, está muito distante daquele que encontramos diariamente, feio, pobre e triste, cuja única virtude que oferece, é conseguir esvaziar-nos as "carteiras", quase sem darmos por isso...

Escolhi a "Sesta dos Ceifeiros", de José Malhoa, para colorir este pequeno texto...

sábado, fevereiro 23, 2008

Teatros Quase de Rua

No começo da tarde de hoje, discute-se o futuro de um pedaço de Cacilhas.

Se fosse um rapaz inocente até era capaz de imitar o outro e dizer: «porreiro, pá!», mas como já cresci um palmo, vou cada vez menos em conversas de políticos...
E nem sequer estou interessado em assistir a mais uma exibição da peça, "Monólogos da Maria Emília" (costuma ser a "animação-surpresa" do programa)...
Mas mesmo assim, estou indeciso, se devo ou não aparecer...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Olhar o Espelho...

A Maria Luar, que tem "O Quarto de Lua", quer conhecer-me melhor...

Tenho "fugido" a estes jogos, por não os achar importantes, já que penso que somos muito aquilo que escrevemos, por mais capas que utilizemos. Depois, como tudo isto continua a ser demasiado virtual, nem sequer acho que seja necessário mudar as coisas...
Por opção pessoal, assino os meus blogues com o meu nome. Não tenho mostrado o rosto - que acaba por ser público, pelo menos em Almada, onde sou conhecido, pelo menos nos meios culturais -, na tentativa de diminuir toda esta exposição...
É por isso que hoje vou abrir uma excepção. Vou abrir a janela e mostrar-me ao mundo, nesta minha casa, rente ao Tejo...
A Maria Luar pede-me seis características pessoais. Ai vão:
- Sou teimoso (especialmente quando penso que tenho razão...);
- Sou extremamente pontual (quem me rodeia acha um exagero...);
- Sou ligeiramente distraído com as coisas pequenas da vida (acaba por ser óptimo, viver acima das miudezas da nossa sociedade...);
- Gosto demasiado da Liberdade (toda, até da liberdade dos outros...);
- Gosto de andar (especialmente por caminhos agradáveis, com os cheiros a campo e mar...);
- Gosto de escrever, tudo (ficção, poesia, ensaios, notícias, diálogos...);
E já está, não custou quase nada...

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fidel e as Paixonetas Pelo Poder

Fidel disse finalmente adeus ao poder, alegando razões de saúde.

Podia ter abdicado há pelo menos vinte anos, invocando outras doenças graves da qual também sofre, como o "autismo", as "cataratas", a "limitação de movimentos" e, essencialmente, o medo da democracia, esse "monstro", etc.
Quase em simultâneo, Putin vai deixar de ser presidente da república da Rússia, mas mais jovem e dado a malabarismos, está a preparar o terreno para se manter no poder como primeiro-ministro, praticamente com os mesmos poderes (até já arranjou um "corta-fitas", como o Tomás, para o suceder...).
Por cá, alguns autarcas, que já conseguiram fintar alguns limites aos mandatos, se puderem, ficam no poder muito mais tempo que Salazar (36 miseros anos...).
Pois, o poder sempre foi uma coisa estranha, demasiado atractiva e perigosa. Parece que vicia como qualquer jogo, mas acaba por ser pior, já que as principais vitimas são os outros, e não o "jogador". Ainda não percebi qual é a coisa mais saborosa do poder, se a série de mordomias e atenções, os palcos de intervenção ou o poder decisório, que os vai transformando em pequenos e grandes tiranetes (aumentando ao mesmo tempo as contas bancárias...). Mas acredito que seja o todo da "refeição"...
A foto é de Burt Glinn, com Fidel num dos seus discursos vitoriosos, no longínquo ano de 1959...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

As Ironias da Natureza...

Este domingo, "gordo" em água, diz-nos tantas coisas...

Pena que existam tantos ouvidos surdos, tantos sorrisos patetas, tantos gestos imbecis...
Esta semana foi notícia em vários jornais, "a maior seca dos últimos anos" (os repórteres esqueceram-se que ainda estamos em Fevereiro...).
Os agricultores do costume tinham começado o habitual "choradinho", de que as colheitas estavam em risco, tal como as terras de pasto para os animais, e claro, preparavam-se para esticar as mãos ao Estado.
Azar dos azares, no domingo desatou a chover (e a bom chover...) e lá foram os primeiros planos para a substituição do "roles-roice" e remodelação da "pischina" no monte...
Mais previdente foi a Maria Elisa, na estreia do programa "Depois do Adeus", na RTP, que falou das cheias (que sempre apareceram, de madrugada na área de Lisboa...), do ordenamento do território, das quintinhas, de todas as asneiras que se têm feito nos últimos trinta anos, com o avassalador e selvático crescimento urbano.
E para terminar, não posso deixar de referir que não era acordado há bastante tempo, por verdadeiros trovões, daqueles que parecem bombas...
O óleo é de Turner...

domingo, fevereiro 17, 2008

Acidente Insólito


O "DN" de hoje relata mais um triste episódio nas nossas estradas, com mais uma vida perdida, numa situação completamente anormal, que, para variar, envolve o INEM.
A notícia publicada no diário realça o facto insólito de terem ocorrido dois acidentes à mesma hora, com o mesmo tipo de viaturas, na mesma estrada, separados apenas por dois mil metros...

Esta imagem com o dispositivo operacional do INEM foi retirada da revista "Sábado", de 14 de Fevereiro de 2008.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Olá Justiça!

Pode parecer uma piada, mas não é...
A justiça portuguesa, é sim, uma coisa que nos vai envergonhando, a cada dia que passa, em que somos forçados a acreditar (através dos exemplos quase diários de arquivamento de processos...), que só existe para alguns, em completo desiquilibrio e desrespeito pelas regras elementares de qualquer Sociedade.
Ontem foi dia de uma blogagem colectiva, com um grito de "Não à Pedofília".
Por achar que dias não são dias, deixo aqui o repto, para não deixarmos silenciar o "Caso Casa Pia", em que toda a intoxicação posta em prática, um pouco por todo o lado (inclusive na blogosfera) pode mesmo fazer parir um rato, deixando os Ritos, os Cruzes, os Abrantes, os Bibis, os Marçais, os Pedrosos, e tantos outros seres disfarçados de humanos que conseguiram "apagar" os nomes do processo e que continuam a atacar pobres inocentes, na sombra (com mais cuidado, claro), para satisfazer as suas taras doentias...
Claro que é mais fácil chamar populista ao bastonário dos advogados e dizer: «prove!» A palavra chave desta nossa Justiça!
Só que, quando se tem poder para comprar testemunhas, advogados, polícias, juizes, jornalistas, etc, não há prova que resista...
O desenho é de Pedro Palma.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O Povo de Timor

Nunca estive em Timor e sempre evitei tecer grandes comentários sobre este pequeno país, que fez parte do nosso império colonial, porque um amigo que esteve por lá, durante seis meses, nos tempos de transição, no começo do século XXI, em que havia um força multinacional que governava a Ilha (com militares portugueses) ofereceu-me um retrato pouco positivo do povo timorense.

Durante esses tempos já era visível a luta de interesses entre as principais potências da região. O povo, esse, balançava ao sabor dos "doces" que lhe acenavam, tal como grande parte dos políticos timorenses, divididos em cada vez mais partidos...
Eu nessa época desculpei o povo timorense, pela pobreza e exploração de que sempre fora vitima, quer durante a nossa ocupação, quer com a ocupação indonésia. Pobreza que também chegava ao espírito...
Quando duas figuras cimeiras da luta pela independência, como Xanana Gusmão e Ramos Horta, que ocupam os principais cargos governamentais da Ilha, são alvo de atentados (dos quais o primeiro escapou ileso e o segundo ficou ferido com alguma gravidade), tenho de dar razão ao meu amigo João, há realmente muito volubilidade, muita intoxicação e também muita falta de memória do povo timorense.
Infelizmente, talvez nunca consigam ser completamente independentes, como todos nós gostávamos...

domingo, fevereiro 10, 2008

Chegada a Cacilhas


Domingo de manhã.

O cacilheiro aproxima-se do cais colorido,
transporta turistas, trabalhadores,
gente à procura de gente...
e porque não, também de almoço,
num dos muitos restaurantes cacilhenses?...

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Os Carnavais do Jornalismo


Os caminhos pela qual o nosso jornalismo tenta conduzir o país, estão longe de ser os mais recomendáveis.
Não gosto deste governo socrático, muito menos votei nele. Mas acho de uma estupidez gritante todas estas nuvens que se levantam à volta da figura do primeiro-ministro, com comentadores, jornalistas, todos cheios de moral (tal como na história do diploma...), em relação a factos menores do começo de carreira de um jovem que era uma espécie de engenheiro e assinou uma série de projectos de mau gosto, tão em voga na época.
Preferia ver estes jornalistas a investigarem os 300 documentos assinados pelo ministro do turismo, na noite mais longa que passou no ministério; a descobrir porque razão Portas gastou tanto papel em fotocópias quando abandonou a pasta da defesa; a conseguirem saber o que está por detrás da afirmação do director nacional da policia judiciária; a entrevistarem o engenheiro Ferreira do Amaral, administrador da lusoponte, sobre a assinatura do acordo de exclusividade; ou melhor ainda, a fazerem-nos o verdadeiro retrato do estado caótico da saúde, principalmente no interior, com as distâncias "mortais" que os doentes têm de fazer, da sua localidade até à unidade hospitalar mais próxima, etc.
Vou deixar de comprar jornais, que de "sério", só têm o nome. Prefiro comprar os desportivos, que pelo menos têm a vantagem de me distrair...

A ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro, publicada nos "Pontos nos ii", a 14 de Março de 1889, apesar de ter passado mais de um século, explica a lógica de algum jornalismo que se faz entre nós e se acha de referência... (aumentar para ler a legenda)

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Viver Além Tejo

Almada recebeu emigrantes do Sul do país durante praticamente todo o século XX. A maioria era de origem alentejana, embora também surgissem, aqui e ali, alguns algarvios.

Só depois da Revolução de Abril é que estas passagens dos campos do Sul para a indústria da área metropolitana da Capital, acalmaram.
Embora nunca tenha lido nada do género, penso que o facto de o Carnaval não ter grande sucesso entre nós, com grandes manifestações populares e desfiles expontâneos de mascarados pelas ruas, se deve a estas nossas origens, Além Tejo.
É curioso, não temos muitos "foliantes" mas temos bastantes poetas, músicos, escritores, pintores, etc, gente que interioriza mais do que exterioriza...
Eu com esta prosa apenas tento explicar o porquê desta pobreza carnavalesca almadense, onde não há desfile, não há corso, há sim uma apresentação de poucos minutos, à Rainha do Carnaval, Maria Emília de Sousa, que financia as colectividades que participam nesta brincadeira de discutível gosto, que antecede o espectáculo musical (desta vez foi o Bonga...) do costume.
Esta foto antiga mostra uma das bandas da Academia Almadense, a desfilar numa das ruas da vila, esta sim, uma tradição de Almada...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Um Tiro Certeiro no Dedo Grande do Pé

Embora este "blogue" seja regional, é impossível passar ao lado das afirmações de Alípio Ribeiro, director nacional da Polícia Judiciária.
A sua afirmação, de que, «houve uma certa precipitação», na constituição de Kate e Gerry McCann como arguidos, fazendo fé na sua experiência como magistrado do Ministério Público, abana mais a credibilidade desta nossa polícia, que as prováveis falhas que poderão ter existido na investigação dos casos mais mediáticos dos últimos anos: Casa Pia e Maddie.
Mas não fica por aí, abana todo o edifício da justiça, desde os juizes aos magistrados do Ministério Público, passando pelos inspectores e agentes da Polícia Judiciária...
Não percebo porque razão, não surge ninguém a pedir a "cabeça" do senhor...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A Filha de Alfredo Costa Viveu em Cacilhas


Hoje todos os jornais (e certamente muitos blogues...) falam do regicídio, com algum saudosismo, à boa maneira portuguesa.
Como não partilho desse sentimento, prefiro falar de alguns descendentes dos responsáveis directos pela morte do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe, aqui no "Casario" e também nas "Viagens".
Na primeira metade do século vinte, Ermelinda Costa, filha de Alfredo Costa, um dos autores materiais dos assassínios dos dois elementos da casa real, que ocorreram no Terreiro do Paço, vivia em Cacilhas. Era dona de uma Chapelaria na rua Cândido dos Reis.
Apesar de vivermos num regime republicano, os familiares de Costa e Buiça, não tiveram uma vida fácil, até ao 25 de Abril de 1974. Apesar de tentarem manter o anonimato, não deixavam se ser apontados a dedo e vitimas de alguma perseguição política, pelo regicidio e também pela ligação umbilical a movimentos extremistas, como a Carbonária, o braço armado da Maçonaria.
Este postal do primeiro quartel do século vinte, mostra-nos a rua Cândido dos Reis, próximo do local onde existiu a Chapelaria de Ermelinda Costa.