Não me apetece muito escrever. Acho que ainda não me apetecia voltar, mas...
Ainda ontem dissemos adeus ao mar de águas temperadas e ondas curtas, caminhámos uma última vez pela ponte de madeira, para voltarmos, talvez para o ano...
Nasceu como um espaço de opinião, informação e divulgação de tudo aquilo que vivia ou sobrevivia nas proximidades do Ginjal e do Tejo, mas foi alargando os horizontes...
Só aqui,
se juntam os pássaros
Almada é um concelho extremamente rico e multifacetado no campo da Cultura.
Vale a pena passar pelo Fórum Romeu Correia, em Almada, e visitar a exposição itinerante, "Che! Mito e Revolução", que tem viajado pelo mundo inteiro.
A exposição está patente ao público até 7 de Setembro, e claro, merece uma visita dos almadenses e turistas, de passagem pela Margem Sul.
Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou. Na sexta-feira e no sábado à noite, voltei a assistir à apresentação das Marchas Populares de Almada, no pavilhão do Feijó.
O espectáculo do pavilhão é sempre de melhor qualidade, que na avenida, por razões óbvias. O apoio do público é mais sentido e isso aumenta, e de que maneira, a motivação dos marchantes.
- A praia é cada vez mais um pólo cultural, importante.
- Depende da "cultura" que falas...
- Duvidas que o mar ajuda a exercitar o corpo e o espírito?
- Não, especialmente o corpo...
- És capaz de ter razão, a chamada "alma" talvez ande mais leve nas férias, talvez esteja mais receptiva a novidades...
- Assim fico convencido, com estes teus exemplos, praia é mesmo igual a mais cultura, do corpo e da alma...
Sabe sempre bem, acabar a tarde no Ginjal, em qualquer estação do ano.
O Verão oferece-nos outros atractivos. Além de esticar o dia por mais duas, três horas, deixa-nos presos com o olhar, aos raios do Sol que se deitam nas águas do Tejo, dando-lhe um brilho mágico que se prolonga até ao Oceano.
E se o fizermos, sentados numa das cadeiras da esplanada, com uma boa companhia (que até pode ser um livro...), à procura do fundo de um copo de imperial...
Não foi por nos terem vingado, ao derrotarem a Alemanha, que fiquei feliz, por ver a Espanha sagrar-se campeã europeia. Foi sim, por serem a selecção que jogou melhor futebol durante o europeu (só a Holanda conseguiu rivalizar com os espanhóis...).
Continuo a pensar que o futebol não é essa coisa científica, que alguns "palradores" espalham pela televisão, é sim um desporto de muita intuição, e sobretudo de inteligência técnica, onde devia estar na primeira linha o aproveitamento exaustivo das características e do talento dos jogadores.

Tinha pensado escrever sobre a frase da semana do nosso primeiro, mas depois esqueci-me. Ao passar pelo Cinco Dias e ler o que o Nuno Ramos de Almeida escreveu, não pude deixar de sorrir, e claro, não arranjava um título melhor...
Em primeiro lugar, sei que o Vale Azevedo é um grande vigarista.
E foi graças a ele que o nome do Benfica andou pelas ruas da amargura.
Gostei de ver hoje a reportagem televisiva, sobre mais uma entrega de parte da colecção de arte de Mestre Cargaleiro, ao Município de Castelo Branco. Esta Autarquia, depois de criar um espaço museológico sobre a obra do autor, que viveu no concelho de Almada (veio para a Quinta da Silveira, na Sobreda, com um ano), até partir para Paris, na segunda metade dos anos cinquenta, aumentou a sua área, para puder acolher novos acervos artísticos da sua colecção.
Foi uma pena que Almada nunca tenha criado condições para que a sua obra, tal como a colecção particular de azulejos e peças de barro, que foi adquirindo, ao longo dos anos, que já tive a felicidade de conhecer, em visita guiada pelo próprio Mestre Cargaleiro (uma das mais importantes do país, da qual se incluem algumas peças assinadas por Picasso), ficasse no concelho.
Ontem foi noite de S.João em Almada, onde além dos bailaricos populares, houve as já tradicionais, Marchas Populares.
Quem acompanhe as marchas em Almada, nota, ano após ano, uma grande melhoria em praticamente todos os participantes neste concurso.
- Somos tão preconceituosos, mesmo sem querermos.
- Porque dizes isso?
- Falo por mim, claro. Tenho a mania que não sou racista e ainda ontem disse a um pseudo-chefe, que não era "preto".
- Não somos, mas para lá caminhamos, com este andar...
- É uma frase racista como o caraças.
- Pois é, mas todos a dizemos...
- E não apenas com esse sentido de escravo do trabalho.
- Já vivi uma experiência especial. Estive num bar de música africana em que era o único branco. Nunca senti tantos olhares fixos na minha pessoa. Embora não fosse hostilizado, percebi em parte o que sente um preto na terra de brancos...
A Companhia de Teatro de Almada apresenta hoje o 25º Festival de Almada, na Casa da Cerca, às 21.30 horas.
O festival visitará os vários palcos da cidade (e arredores), entre os dias 4 a 18 de Julho, com bons espectáculos teatrais.
Portugal foi à vida, mais uma vez graças aos alemães e àquele jeitoso do Schweinsteiger, que bem podia ter sido castigado por dois jogos, quando foi expulso (tinha-nos dado imenso jeito)...
- Viste por aí o PSD?
- Não, mas descobri que voltou a ser um partido à moda antiga, cheio de cavalheiros. Já reparaste que ninguém aparece por aí a dizer mal da doutora Manuela?