quinta-feira, abril 03, 2008

Passear com o Tejo...

Estes dias com cheiro a Verão, são óptimos para passear de mão dada com o Tejo, em ambas as margens, ou então, mesmo no coração do Rio, em qualquer barca...
É por isso que recomendo o "cruzeiro" Cacilhas-Belém, no "Ferry-Boat". Ele oferece mais minutos de travessia e também uma visão mais ampla das duas margens do rio e a passagem pela parte inferior da Ponte 25 de Abril...

A fotografia que ilustra o "post" foi tirada por mim, durante um destes cruzeiros e esteve em exposição na Festa das Artes da SCALA, em Almada...

terça-feira, abril 01, 2008

Conversas de Café (1)


- Se já mentimos tanto, diariamente, porquê um dia das mentiras?
- Porque não? Não há dias para quase tudo, porque não também um dia para as saborosas mentiras?
- Isso era se fossem todas saborosas...
- Agora fizeste-me rir!

sábado, março 29, 2008

Convicções, Mentiras & Demagogias

Podia dizer que José Pacheco Pereira ensandeceu, mas não, ele esta a ser igual e ele próprio.

Ao ler o "Público" de hoje, só posso acrescentar que fiquei ainda mais esclarecido sobre a sua seriedade.
Não posso deixar de transcrever algumas das palavras de JPP: [...] «Não houve mentiras porque Bush e Blair estavam convencidos de que armas de destruição maciça existiam no Iraque, como também o estavam Chirac, Putin e o Estado-Maior iraquiano. Os interrogatórios feitos aos responsáveis militares iraquianos mostram que também eles estavam convencidos da existência destas armas e ficaram surpreendidos quando Saddan lhes disse no príncipio da guerra que não existiam. Muitos, aliás, continuaram convencidos de que as armas existiam em unidades muito especiais sob o controlo dos filhos de Saddan, Uday e Quday, e que Saddan os estava a enganar. [...]»
Melhor que estas palavras, só mesmo o "chamada de atenção" do artigo: «Sim, algumas "provas" eram "mentira, mas a convicção de que havia armas de destruição maciça não era mentira.»
Quando acabei de ler o artigo de JPP, esta manhã, no café, passei da "convicção" para a "certeza" de que ele é uma pessoa pouco séria (até por não ter a coragem de sair definitivamente do PSD, já que é incapaz de respeitar os seus dirigentes, eleitos democraticamente, por muito maus que sejam, há uma década...).
Quando alguém, que se tem em grande conta, continua a defender a legitimização da "convicção" de que existiam armas de destruição maciça, depois da destruição de um país e do assassínio de centenas de milhares de inocentes, só posso dizer que o mundo está realmente de pernas para o ar...

quinta-feira, março 27, 2008

Almada Cidade-Teatro

O teatro de Almada tem palcos, grupos, actores e até poetas, como a Anyana, que escreveu este bonito poema, do qual transcrevo o início e o final:

O Teatro é fantasia, é sonho, é arte, é magia,
Desde os críticos e coloridos “Autos de Gil Vicente”,
Às magníficas e históricas pelas de Shakspeare,
Passando por tantas e tantas obras de incalculável grandiosidade;
É algo que o actor sente,
Sente o poder de ser outro ser, outro alguém,
De outras vidas viver...
[...]
De pé, de pé como as árvores, não desfalece nunca...
Mas que sã compensação, que transmissão vem do público,
Que corre em transcendente, vigorosa e sólida corrente
De pura admiração...
Com um fluído profundo, envolve o actor em seu mundo...
Porque o teatro é sem dúvida, mensagem, comunicação.
É algo de fantástico e maravilhoso, embriaguez dos sentidos...
É marca vinculada de uma eterna missão.

A imagem é do CIA (Cénico Incrível Almadense), da peça "A Cantora Careca", numa homenagem ao teatro amador e também à Incrível Almadense, que sempre foi uma boa escola de actores...

quarta-feira, março 26, 2008

A Festa das Artes da SCALA


Esta noite foi inaugurada a Festa das Artes da SCALA, na Oficina de Cultura de Almada.
Registei várias curiosidades: a ausência de qualquer elemento do Município na inauguração (penso que pela primeira vez...); e também a ausência de bastantes artistas, naquela que deveria ser a sua Festa...
Se a primeira, não me merece qualquer comentário, em relação à segunda, sou incapaz de encontrar uma explicação lógica por este "desamor" dos artistas pela sua própria Arte...

quinta-feira, março 20, 2008

As Crianças do Tibete...

Há dois ou três anos, o meu filho perguntou-me, se as crianças na Palestina e em Israel, também brincavam...

Disse-lhe que sim.
Algumas brincam mesmo nos cenários de batalhas, porque são quase "filhas da rua". Gozam de uma liberdade excessiva, com todos os perigos que existem nos territórios de guerra, com minas e bombas perdidas aqui e ali...
Outras mais resguardadas pelas famílias, brincam fechadas em casa...
As crianças do Tibete, também brincam, quando e onde os chineses deixarem...
O mais grave disto tudo, é serem sempre as crianças, as principais vitimas dos erros dos adultos...
Na Páscoa, costuma haver tréguas, mas no dia seguinte, volta tudo à "normalidade"...

terça-feira, março 18, 2008

A Minha Primeira Viagem à Margem Sul

As primeiras imagens que guardo na memória, do Tejo e de Cacilhas, são dos anos sessenta, pouco tempo depois da inauguração da Ponte Salazar.

Devia ter quatro, cinco anos. Lembro-me de poucas coisas. A mais agradável é a viagem de cacilheiro, que devia furar as águas e fazer aquela espuma branca que encanta qualquer criança. Lembro-me especialmente, por estar sentado ao colo do meu pai, colado a uma das janelas, com frisos de madeira, envernizados, tal como os bancos, a olhar as águas do Rio mais lindo do mundo...
Mas a "excursão" familiar não se ficou por aqui, também fomos visitar o Cristo Rei. Fez-me alguma confusão ver os barcos no rio, muito pequenos. Da nova ponte, quase não me recordo de nada. Claro que devia ser possível contar os carros que passavam pelo tabuleiro, até porque a portagem nessa época era um "luxo"...
Nesta altura estava longe de imaginar que duas décadas depois, iria escolher Cacilhas para viver...
E pensar que nunca te agradeci, Pai, por me teres trazido à Margem Sul...

sábado, março 15, 2008

A Palavra Exterminar...

As palavras nunca precisaram de ficar reduzidas a palavrões para nos incomodarem. Por exemplo a palavra exterminar, sempre me irritou. Talvez por estar ligada a vários holocaustos.

É por isso que não entendo a possibilidade de se exterminarem algumas raças de cães, por serem nocivas aos seres humanos.
Todos nós sabemos que há vários animais selvagens, extremamente perigosos, em perigo de extinção, e apesar da sua perigosidade, continua a fazer-se um esforço titânico para que não desapareçam do planeta.
Gostava sim de ver a lei ir mais longe - e claro, ser aplicada, - em relação aos donos dos cães de raças perigosas, com multas elevadas, e até com a prisão. Não tenho dúvidas que são eles os verdadeiros "assassinos" e causadores dos acidentes graves que têm acontecido no nosso país, já que adoram "exibir" os seus animais de estimação (?) na via pública, sem açaimes e trelas, como se fossem o prolongamento da sua virilidade.
Os patuscos da fotografia, são uns cães dóceis do casario do Ginjal (no verdadeiro sentido da palavra), que por ali andam à solta e até posam para a fotografia...

quinta-feira, março 13, 2008

Orfandades 21

As pessoas deixaram de acreditar no colectivo, abandonaram bandeiras, que também funcionavam como âncoras, noutros tempos...

Nunca houve tantos jovens sem partido ou clube desportivo. «Para quê?», questionam eles, com a irreverência e a liberdade de escolherem o seu próprio caminho. Claro que não estou a falar das minorias que fazem parte dos "jotas" (a pensarem no futuro como "boys"...) ou nos "hooligans" das claques (a pensar na força cega da bestialidade que se enrosca na multidão).
Os meus sobrinhos cresceram, feliz ou infelizmente, sem estas febres. O mais velho, com vinte e dois anos, nunca votou. Eu já lhe tentei explicar a importância do voto, mas ele insiste, «para quê?». Falo-lhe de outros tempos, ele sorri, pouco convencido. Fala-me de anedotas, de gente como o Portas, Santana, Menezes, Durão ou Sócrates.
Futebol? Fala-me de apitos, de Loureiros, Pintos, Azevedos, e eu calo-me, sem deixar de sorrir...
Eu não consigo deixar de gostar do Benfica, apesar da equipa nunca ter jogado tão mal, como nestes tempos.
Já na política, as coisas são diferentes. Nunca fui militante em nenhum partido mas nunca me senti "orfão". Sempre votei, a pensar nas pessoas que me davam mais garantias de defender os meus ideais. Sempre votei à esquerda do PS ou em branco. Quero votar sempre, pelas vezes que os meus pais e os meus avós não votaram...
Mas não consigo fazer com que o meu sobrinho acredite que o voto é a arma do povo...
Será que ele tem razão, quando me diz: «para quê?»
A fotografia, "Homem Sentado ao Sol", é de Roy DeCarava.

quarta-feira, março 12, 2008

Novos Partidos

Não é de espantar que apareça por aí um novo partido e que queira ocupar o espaço entre o PS e o PSD.

Na minha modesta opinião há espaço ainda para mais partidos. Têm é de ser partidos com pessoas e para as pessoas, sem esta gente que fez carreira política, desde os "jotas", habituados a jogos de bastidores pouco recomendáveis, que se iniciam logo nas eleições para as associações de estudantes.
Tal como o Francisco, também estou farto destes pantomineiros (adoro esta palavra...) e sei que não são os meneses, os santanas ou os ribaus, que vão tirar o tapete aos socráticos. Além de não terem uma noção do país real, são incultos e não sabem, nem querem saber, o que significa sentido de Estado. Encaram a política como um "tacho", que se estende aos familiares e amigos, empurrados para cargos públicos, sem terem a mínima competência para os exercer.
Se pensarmos que metade dos portugueses não votam, percebe-se bem que tem de se fazer alguma coisa. O ideal seria uma limpeza geral, "varrer" esta gente sem qualidade que se tem afirmado na política e que tem a lata de se olhar ao espelho e compor a gravata, com a vaidade de pertencer à "élite" deste país...
O desenho é do Rui, ainda do tempo de "O Jornal", assinado em 1989, mas serve para caracterizar esta classe política que nos (des)governa...

terça-feira, março 11, 2008

Rogério Ribeiro Partiu...


Rogério Ribeiro despediu-se de nós, hoje...
Foi um artista plástico notável, que esteve ligado a Almada, como director da Casa da Cerca, o nosso Centro de Arte Contemporânea.
Também nos legou algumas obras públicas, das quais realçamos o painel sobre Fernão Mendes Pinto junto à entrada do "Fórum Romeu Correia".

O desenho é "O Pintor e o Modelo"...

domingo, março 09, 2008

Naide Campeã do Mundo




A atleta almadense, Naide Gomes, sagrou-se campeã do Mundo de pista coberta, na prova do salto em comprimento, com 7,00 metros, novo recorde nacional.

Parabéns Naide, por mais este extraordinário feito, com o qual tanto honras o nosso país, a nossa cidade e as mulheres portuguesas.

sábado, março 08, 2008

As Mulheres, Claro...

Hoje é o Dia Internacional da Mulher.

Poderia publicar um poema ou escrever sobre o porquê de gostar de mulheres. Se o fizesse, teria obrigatoriamente de falar da sua beleza, das suas curvas, da sua pele macia, do seu olhar, do seu cheiro, da sua sensibilidade, e de tantas outras coisas, que todos nós conhecemos e adoramos. Mas não vou por aí, prefiro falar de coisas mais “terra a terra”, como a forma aparentemente fácil, como me entendo com estes seres quase “divinais”...
Até podia dar como exemplo a blogosfera, onde visito e sou mais visitado, por mulheres que por homens, mas este espaço é virtual, e como diz o meu amigo Zé Gomes, está tão longe de ser um exemplo do mundo. É por isso que vos vou oferecer um exemplo mais concreto, de muitos que fazem parte do meu dia a dia, e que diferenciam o homem da mulher.

As duas primeiras vezes que levei o carro à inspecção, fui atendido por uma técnica. As coisas correram normalmente, com naturalidade, simpatia e respeito mútuo. Este ano, para variar, calhou-me um “macho”...
Acho que as coisas começaram logo ligeiramente estranhas, porque o sujeito olhou-me quase como o ar daqueles polícias, das “operações-stop”, que andam à procura de alguma coisa para nos ensaboar o juizo, com o seu tom ameaçador característico, deixando no ar a forte possibilidade de sermos multados, embora depois acabem por nos mandar embora, com a promessa que para a próxima não escapamos (felizmente as poucas vezes que me mandaram parar, só encontrei destes agentes e ainda não fui multado...).
Como diz o povo, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, e tem toda a razão, pois as coisas lá foram correndo para o torcido, quase sem palavras. O melhor exemplo disto foi a meu pouco à vontade com o homem, ao ponto de acontecer a coisa caricata de ele me mandar travar e eu acelerar...
O ar pouco simpático do fulano, quase que deixava no ar, “desta não escapas” (embora acabasse por passar, com a anotação de ter de mudar as lâmpadas dos piscas...), e eu fiquei um pouco nervoso, o que não acontecera das duas vezes que tinha sido atendido por duas benditas mulheres, que simplesmente me trataram de uma forma normal, naquele centro de inspecções...

Embora as minhas palavras tenham “viajado” uns quilómetros, até ao centro de inspecções, não deixam de ser um elogio às mulheres, por serem diferentes, por não terem medo de tratar os clientes com cordialidade, com as devidas distâncias...

A fotografia é um hino à beleza da Mulher (é de 1989, com o exemplo de cinco modelos estupendos, que passados quase vinte anos, ainda continuam em grande forma...), e como é óbvio, também é dedicada, aos pobres homens, que se têm de contentar, discretamente, com 364 míseros dias, sem festas, flores, aplausos, etc.

sexta-feira, março 07, 2008

Só Sei Que Quase Nada Sei...

Os dias vão passando, a um ritmo cada vez mais avassalador...

Acho que não devia, mas cada vez tenho mais dúvidas, sobre quase tudo.
Até quando escrevo, consulto cada vez mais o dicionário.
Apesar de tudo, gosto da sensação de não saber tantas coisas. Porquê? Porque faz com que continue a querer aprender e a descobrir coisas novas, por muito simples que sejam.
Por exemplo, não me lembro de as grades da cerveja Sagres terem sido de madeira...

quarta-feira, março 05, 2008

Basta de Agressões e Falta de Respeito!

Não queria escrever mais sobre as obras do "metro", mas é impossível passar ao lado de tanta "agressão" diária aos peões almadenses.

Hoje de manhã, descobri que, pura e simplesmente, tinham eliminado a passadeira provisória onde costumo passar com o meu filho, quando o levo à escola. A única solução que nos restou foi atravessar a estrada, mesmo no meio da rotunda, com a compreensão habitual dos condutores, que até aceleram, para que fiquemos quietinhos no nosso canto.
E nem vou falar dos buracos, que têm provocado tantas quedas, especialmente nas pessoas mais idosas (algumas tem sido mortais, conheço pelo menos três casos de pessoas idosas, que depois de hospitalizadas, acabaram por falecer, devido às lesões sofridas na cabeça, devido aos vários objectos perigosos que são deixados nos carreiros, sem qualquer segurança...).
Gostava que fosse feito um estudo independente (e divulgado, claro), sobre o desleixo com que é tratada a segurança, quer dos trabalhadores, quer dos transeuntes, em Almada.
Lastimo ainda mais o silêncio do Município, que continua a afirmar-se humanista e solidário para com os almadenses, sempre que lhe dá jeito...

segunda-feira, março 03, 2008

Precisamos de Mostrar Que Somos Cultos?

A fotografia que escolhi, quase de certeza, que foi tirada como resposta à pergunta que faço, por parte da Catarina Furtado, que nunca quis ser apenas um "bibelot" televisivo.

Talvez exista encenação a mais, até na escolha do jornal de leitura.
Bárbara Guimarães também quis andar pela "SIC Notícias" a dar cultura, para mostrar que era mais que um rosto sensual, um corpo curvo, ou a esposa de um filósofo ex-ministro.
Acho que existem sempre situações em que nos tentam menorizar, de alguma forma, e em que temos de puxar de alguma coisa, para mostrar, que somos mais que o tal ser insignificante, prestes a ser "fotografado" pelos retratistas mundanos, sem olho clinico...
Claro que também há o reverso da medalha. Há quem quase tome banhos de cultura, apenas para se exibir, para demonstrar em público qualquer coisa como: «Vêem? Eu sou muito culto!»
Claro que estes "cromos" em vez de ler, decoram os títulos de livros, em vez de ouvirem música, memorizam os nomes dos compositores, e mais tarde ou mais cedo, são apanhados na curva como o Secretário de Estado da Cultura, que adorava os violinos de Chopin...

sábado, março 01, 2008

A Liberdade...

Não fui, mas apeteceu-me bastante ir, marchar pela Liberdade e Democracia...
Recebi ontem uma mensagem e um poema de um Senhor Democrata, chamado Cid Simões, que fez muita cultura e política, quando as paredes tinham ouvidos, inclusive no concelho de Almada, na sua Freguesia mais democrata, onde Humberto Delgado conseguiu vencer as presidenciais, apesar das chapeladas salazaristas...
Exactamente, na Cova da Piedade!
O Poema é lindo e é da Cecília Meireles.

Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.

Obrigado Cid Simões

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Um Poema para Edgar...


Edgar, é um nome que se mistura com o de Alexandre, Castanheira, o poeta, o professor, o político, o associativista, o operário, já para não falar das mil e uma ocupações que teve, durante os quinze anos, que passou na clandestinidade, ao serviço do PCP, onde foi um dos seus principais dirigentes (no final da década de cinquenta, princípio de sessenta).
Hoje Edgar faz oitenta anos. Tal como o seu irmão gémeo, Alexandre. Para ambos o meu aplauso e um poema:

Olhas o Rio

Olhas o rio com ternura,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste,
Para uma viagem
Quase sem destino...

Depois foram anos de luta,
Quase sempre “escondido”
No porão da barca vermelha
Que navegava de terra em terra,
Em busca da Liberdade sonhada...

Olhas o rio com saudade,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste...

Luís Milheiro


O desenho que acompanha o texto é da Ligia e faz parte do livro "Almada e a Resistência Antifascista", da minha autoria.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Alexandre Castanheira Homenageado

Os "Poetas Almadenses" promovem amanhã, às 21.30 horas, no Salão de Festas da Incrível Almadense, o lançamento do livro de poemas, "Tempo Meu", da autoria de Alexandre Castanheira, um dos grandes vultos da cultura almadense, que festeja a bonita idade de oitenta anos.
A festa será animada com música e poesia, com a colaboração de Francisco Naia, Cénico Incrível Almadense, Cantadeiras da Alma Alentejana, Os Cantadores de Rusga e Poetas Almadenses.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Voltaram as "Marmitas"...

Quando me dirigia para casa, cruzei-me com dois jovens funcionários da "TV Cabo", que estavam a petiscar algo parecido com um almoço, numa escadaria.

Sei que nos últimos anos, quem possui condições mínimas no trabalho (ou proximidades), para se acomodar a almoçar, trás esta refeição de casa, porque o dinheiro é um bem cada vez mais escasso, para a maior parte dos portugueses. Quem não deve achar muita piada a este facto, real, são os donos de restaurantes...
Apesar das palavras (que eu diria, quase injuriosas, para todos nós...) do primeiro-ministro, na entrevista encomendada pela SIC, em que, para variar, ofereceu-nos números, pouco consentâneos com a realidade portuguesa.
Como disse Mário Ramires, na sua coluna semanal no "Sol": «A propaganda vale o que vale. Só convence quem quer ou se deixa ser convencido.»
Infelizmente o país "inventado" por Socrates, está muito distante daquele que encontramos diariamente, feio, pobre e triste, cuja única virtude que oferece, é conseguir esvaziar-nos as "carteiras", quase sem darmos por isso...

Escolhi a "Sesta dos Ceifeiros", de José Malhoa, para colorir este pequeno texto...

sábado, fevereiro 23, 2008

Teatros Quase de Rua

No começo da tarde de hoje, discute-se o futuro de um pedaço de Cacilhas.

Se fosse um rapaz inocente até era capaz de imitar o outro e dizer: «porreiro, pá!», mas como já cresci um palmo, vou cada vez menos em conversas de políticos...
E nem sequer estou interessado em assistir a mais uma exibição da peça, "Monólogos da Maria Emília" (costuma ser a "animação-surpresa" do programa)...
Mas mesmo assim, estou indeciso, se devo ou não aparecer...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Olhar o Espelho...

A Maria Luar, que tem "O Quarto de Lua", quer conhecer-me melhor...

Tenho "fugido" a estes jogos, por não os achar importantes, já que penso que somos muito aquilo que escrevemos, por mais capas que utilizemos. Depois, como tudo isto continua a ser demasiado virtual, nem sequer acho que seja necessário mudar as coisas...
Por opção pessoal, assino os meus blogues com o meu nome. Não tenho mostrado o rosto - que acaba por ser público, pelo menos em Almada, onde sou conhecido, pelo menos nos meios culturais -, na tentativa de diminuir toda esta exposição...
É por isso que hoje vou abrir uma excepção. Vou abrir a janela e mostrar-me ao mundo, nesta minha casa, rente ao Tejo...
A Maria Luar pede-me seis características pessoais. Ai vão:
- Sou teimoso (especialmente quando penso que tenho razão...);
- Sou extremamente pontual (quem me rodeia acha um exagero...);
- Sou ligeiramente distraído com as coisas pequenas da vida (acaba por ser óptimo, viver acima das miudezas da nossa sociedade...);
- Gosto demasiado da Liberdade (toda, até da liberdade dos outros...);
- Gosto de andar (especialmente por caminhos agradáveis, com os cheiros a campo e mar...);
- Gosto de escrever, tudo (ficção, poesia, ensaios, notícias, diálogos...);
E já está, não custou quase nada...

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fidel e as Paixonetas Pelo Poder

Fidel disse finalmente adeus ao poder, alegando razões de saúde.

Podia ter abdicado há pelo menos vinte anos, invocando outras doenças graves da qual também sofre, como o "autismo", as "cataratas", a "limitação de movimentos" e, essencialmente, o medo da democracia, esse "monstro", etc.
Quase em simultâneo, Putin vai deixar de ser presidente da república da Rússia, mas mais jovem e dado a malabarismos, está a preparar o terreno para se manter no poder como primeiro-ministro, praticamente com os mesmos poderes (até já arranjou um "corta-fitas", como o Tomás, para o suceder...).
Por cá, alguns autarcas, que já conseguiram fintar alguns limites aos mandatos, se puderem, ficam no poder muito mais tempo que Salazar (36 miseros anos...).
Pois, o poder sempre foi uma coisa estranha, demasiado atractiva e perigosa. Parece que vicia como qualquer jogo, mas acaba por ser pior, já que as principais vitimas são os outros, e não o "jogador". Ainda não percebi qual é a coisa mais saborosa do poder, se a série de mordomias e atenções, os palcos de intervenção ou o poder decisório, que os vai transformando em pequenos e grandes tiranetes (aumentando ao mesmo tempo as contas bancárias...). Mas acredito que seja o todo da "refeição"...
A foto é de Burt Glinn, com Fidel num dos seus discursos vitoriosos, no longínquo ano de 1959...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

As Ironias da Natureza...

Este domingo, "gordo" em água, diz-nos tantas coisas...

Pena que existam tantos ouvidos surdos, tantos sorrisos patetas, tantos gestos imbecis...
Esta semana foi notícia em vários jornais, "a maior seca dos últimos anos" (os repórteres esqueceram-se que ainda estamos em Fevereiro...).
Os agricultores do costume tinham começado o habitual "choradinho", de que as colheitas estavam em risco, tal como as terras de pasto para os animais, e claro, preparavam-se para esticar as mãos ao Estado.
Azar dos azares, no domingo desatou a chover (e a bom chover...) e lá foram os primeiros planos para a substituição do "roles-roice" e remodelação da "pischina" no monte...
Mais previdente foi a Maria Elisa, na estreia do programa "Depois do Adeus", na RTP, que falou das cheias (que sempre apareceram, de madrugada na área de Lisboa...), do ordenamento do território, das quintinhas, de todas as asneiras que se têm feito nos últimos trinta anos, com o avassalador e selvático crescimento urbano.
E para terminar, não posso deixar de referir que não era acordado há bastante tempo, por verdadeiros trovões, daqueles que parecem bombas...
O óleo é de Turner...

domingo, fevereiro 17, 2008

Acidente Insólito


O "DN" de hoje relata mais um triste episódio nas nossas estradas, com mais uma vida perdida, numa situação completamente anormal, que, para variar, envolve o INEM.
A notícia publicada no diário realça o facto insólito de terem ocorrido dois acidentes à mesma hora, com o mesmo tipo de viaturas, na mesma estrada, separados apenas por dois mil metros...

Esta imagem com o dispositivo operacional do INEM foi retirada da revista "Sábado", de 14 de Fevereiro de 2008.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Olá Justiça!

Pode parecer uma piada, mas não é...
A justiça portuguesa, é sim, uma coisa que nos vai envergonhando, a cada dia que passa, em que somos forçados a acreditar (através dos exemplos quase diários de arquivamento de processos...), que só existe para alguns, em completo desiquilibrio e desrespeito pelas regras elementares de qualquer Sociedade.
Ontem foi dia de uma blogagem colectiva, com um grito de "Não à Pedofília".
Por achar que dias não são dias, deixo aqui o repto, para não deixarmos silenciar o "Caso Casa Pia", em que toda a intoxicação posta em prática, um pouco por todo o lado (inclusive na blogosfera) pode mesmo fazer parir um rato, deixando os Ritos, os Cruzes, os Abrantes, os Bibis, os Marçais, os Pedrosos, e tantos outros seres disfarçados de humanos que conseguiram "apagar" os nomes do processo e que continuam a atacar pobres inocentes, na sombra (com mais cuidado, claro), para satisfazer as suas taras doentias...
Claro que é mais fácil chamar populista ao bastonário dos advogados e dizer: «prove!» A palavra chave desta nossa Justiça!
Só que, quando se tem poder para comprar testemunhas, advogados, polícias, juizes, jornalistas, etc, não há prova que resista...
O desenho é de Pedro Palma.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O Povo de Timor

Nunca estive em Timor e sempre evitei tecer grandes comentários sobre este pequeno país, que fez parte do nosso império colonial, porque um amigo que esteve por lá, durante seis meses, nos tempos de transição, no começo do século XXI, em que havia um força multinacional que governava a Ilha (com militares portugueses) ofereceu-me um retrato pouco positivo do povo timorense.

Durante esses tempos já era visível a luta de interesses entre as principais potências da região. O povo, esse, balançava ao sabor dos "doces" que lhe acenavam, tal como grande parte dos políticos timorenses, divididos em cada vez mais partidos...
Eu nessa época desculpei o povo timorense, pela pobreza e exploração de que sempre fora vitima, quer durante a nossa ocupação, quer com a ocupação indonésia. Pobreza que também chegava ao espírito...
Quando duas figuras cimeiras da luta pela independência, como Xanana Gusmão e Ramos Horta, que ocupam os principais cargos governamentais da Ilha, são alvo de atentados (dos quais o primeiro escapou ileso e o segundo ficou ferido com alguma gravidade), tenho de dar razão ao meu amigo João, há realmente muito volubilidade, muita intoxicação e também muita falta de memória do povo timorense.
Infelizmente, talvez nunca consigam ser completamente independentes, como todos nós gostávamos...

domingo, fevereiro 10, 2008

Chegada a Cacilhas


Domingo de manhã.

O cacilheiro aproxima-se do cais colorido,
transporta turistas, trabalhadores,
gente à procura de gente...
e porque não, também de almoço,
num dos muitos restaurantes cacilhenses?...

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Os Carnavais do Jornalismo


Os caminhos pela qual o nosso jornalismo tenta conduzir o país, estão longe de ser os mais recomendáveis.
Não gosto deste governo socrático, muito menos votei nele. Mas acho de uma estupidez gritante todas estas nuvens que se levantam à volta da figura do primeiro-ministro, com comentadores, jornalistas, todos cheios de moral (tal como na história do diploma...), em relação a factos menores do começo de carreira de um jovem que era uma espécie de engenheiro e assinou uma série de projectos de mau gosto, tão em voga na época.
Preferia ver estes jornalistas a investigarem os 300 documentos assinados pelo ministro do turismo, na noite mais longa que passou no ministério; a descobrir porque razão Portas gastou tanto papel em fotocópias quando abandonou a pasta da defesa; a conseguirem saber o que está por detrás da afirmação do director nacional da policia judiciária; a entrevistarem o engenheiro Ferreira do Amaral, administrador da lusoponte, sobre a assinatura do acordo de exclusividade; ou melhor ainda, a fazerem-nos o verdadeiro retrato do estado caótico da saúde, principalmente no interior, com as distâncias "mortais" que os doentes têm de fazer, da sua localidade até à unidade hospitalar mais próxima, etc.
Vou deixar de comprar jornais, que de "sério", só têm o nome. Prefiro comprar os desportivos, que pelo menos têm a vantagem de me distrair...

A ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro, publicada nos "Pontos nos ii", a 14 de Março de 1889, apesar de ter passado mais de um século, explica a lógica de algum jornalismo que se faz entre nós e se acha de referência... (aumentar para ler a legenda)

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Viver Além Tejo

Almada recebeu emigrantes do Sul do país durante praticamente todo o século XX. A maioria era de origem alentejana, embora também surgissem, aqui e ali, alguns algarvios.

Só depois da Revolução de Abril é que estas passagens dos campos do Sul para a indústria da área metropolitana da Capital, acalmaram.
Embora nunca tenha lido nada do género, penso que o facto de o Carnaval não ter grande sucesso entre nós, com grandes manifestações populares e desfiles expontâneos de mascarados pelas ruas, se deve a estas nossas origens, Além Tejo.
É curioso, não temos muitos "foliantes" mas temos bastantes poetas, músicos, escritores, pintores, etc, gente que interioriza mais do que exterioriza...
Eu com esta prosa apenas tento explicar o porquê desta pobreza carnavalesca almadense, onde não há desfile, não há corso, há sim uma apresentação de poucos minutos, à Rainha do Carnaval, Maria Emília de Sousa, que financia as colectividades que participam nesta brincadeira de discutível gosto, que antecede o espectáculo musical (desta vez foi o Bonga...) do costume.
Esta foto antiga mostra uma das bandas da Academia Almadense, a desfilar numa das ruas da vila, esta sim, uma tradição de Almada...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Um Tiro Certeiro no Dedo Grande do Pé

Embora este "blogue" seja regional, é impossível passar ao lado das afirmações de Alípio Ribeiro, director nacional da Polícia Judiciária.
A sua afirmação, de que, «houve uma certa precipitação», na constituição de Kate e Gerry McCann como arguidos, fazendo fé na sua experiência como magistrado do Ministério Público, abana mais a credibilidade desta nossa polícia, que as prováveis falhas que poderão ter existido na investigação dos casos mais mediáticos dos últimos anos: Casa Pia e Maddie.
Mas não fica por aí, abana todo o edifício da justiça, desde os juizes aos magistrados do Ministério Público, passando pelos inspectores e agentes da Polícia Judiciária...
Não percebo porque razão, não surge ninguém a pedir a "cabeça" do senhor...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A Filha de Alfredo Costa Viveu em Cacilhas


Hoje todos os jornais (e certamente muitos blogues...) falam do regicídio, com algum saudosismo, à boa maneira portuguesa.
Como não partilho desse sentimento, prefiro falar de alguns descendentes dos responsáveis directos pela morte do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe, aqui no "Casario" e também nas "Viagens".
Na primeira metade do século vinte, Ermelinda Costa, filha de Alfredo Costa, um dos autores materiais dos assassínios dos dois elementos da casa real, que ocorreram no Terreiro do Paço, vivia em Cacilhas. Era dona de uma Chapelaria na rua Cândido dos Reis.
Apesar de vivermos num regime republicano, os familiares de Costa e Buiça, não tiveram uma vida fácil, até ao 25 de Abril de 1974. Apesar de tentarem manter o anonimato, não deixavam se ser apontados a dedo e vitimas de alguma perseguição política, pelo regicidio e também pela ligação umbilical a movimentos extremistas, como a Carbonária, o braço armado da Maçonaria.
Este postal do primeiro quartel do século vinte, mostra-nos a rua Cândido dos Reis, próximo do local onde existiu a Chapelaria de Ermelinda Costa.

terça-feira, janeiro 29, 2008

E se Aproveitássemos Estes Ventos e Marés Rente ao Tejo?


Era bom que o Município de Almada aproveitasse estes "ventos" e "marés" governamentais - e até o discurso socrático -, para lutar pela devolução da nossa Margem Esquerda, aos almadenses, tal como foi conseguido pela Autarquia Lisboeta.
Claro que esta devolução tem os seus quês. Depois deixa de haver espaço para culpar a Administração do Porto de Lisboa, do que não se faz, por exemplo, no nosso Ginjal...

sábado, janeiro 26, 2008

A Feira da Ladra


Há bastante tempo que não me perdia pela Feira da Ladra.
Gostei de assistir a todo aquele movimento de vendedores, clientes e curiosos.
Continua a haver um pouco de tudo: livros, revistas, discos, electrodomésticos, quadros, louças, roupas, calçado, relógios, ferramentas, antiguidades, etc, a preços quase sempre convidativos.
Felizmente ainda há ali um bocado da Lisboa bairrista e até marginal, distante das ASAE's...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Madrugada Negra na Trafaria


Na madrugada de 24 de Janeiro de 1777, Trafaria foi vitima de uma acção cobarde e miserável, de duas figuras cimeiras do poder de então, o Marquês Pombal e o intendente Pina Manique.
Tudo teve início quando o governo do Marquês resolveu fazer um recrutamento, rápido e obrigatório, para fazer frente à ameaça de invasão, espanhola, provocando a fuga de muitos jovens, que se refugiaram na Trafaria, com a protecção da povoado de pescadores, de cerca de 5000 habitantes.
A forma de castigo escolhida pelo homem que governava o país, foi queimar, pescadores e fugitivos, numa grande fogueira, como exemplo para o país.
O intendente Pina Manique foi o chefe operacional desta vingança monstruosa. Na calada da noite atravessou o Tejo, juntamente com trezentos soldados, para de seguida fazer um cerco ao aldeamento de casas de madeira, cobertas por colmo. Depois deu ordens para os soldados acenderem os archotes e começarem a incendiar as casas, que em poucos minutos, envolveram toda a área em chamas e fumo, semeando o pânico entre as gentes da Trafaria, que corriam para todos os lados, quase sem roupa no corpo, muitas transportando crianças ao colo e velhos às costas...
A chacina não foi completa porque alguns soldados, compadecidos com a aflicção dos habitantes da aldeia, transgrediram as ordens de Pina Manique e deixaram algumas clareiras abertas, para que pudessem escapar...
A povoação, essa ficou reduzida a cinzas...
Este foi um dos actos mais bárbaros da governação do Marquês de Pombal, ao qual não tem sido dado grande relevo, pelos nossos historiadores.

A fotografia que ilustra este texto é de uma casa tipica de pescadores das praias da Margem Sul, com uma das habitantes a provar a comida. Se quiserem conhecer este episódio com mais pormenores, aconselho-vos a leitura da obra, "Perfil do Marquês de Pombal", de Camilo Castelo Branco.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

A Liberdade nas Escolas


As escolas e os programas de ensino de hoje não têm nada a ver com as do passado. Apesar das críticas que escutamos todos os dias, penso que estão muito melhor.
Os alunos podem escrever com mais erros e não saber toda a tabuada, mas possuem um maior grau de conhecimentos sobre o mundo que nos rodeia.
De longe a longe sou convidado por professores amigos, para participar em acções nas suas escolas, sobre a importância da leitura.
Normalmente as conversas não incidem apenas sobre a minha pessoa, embora fale de experiências pessoais, de como era a escola no meu tempo, da quase ausência de livros nos nossos lares, da utilidade das bibliotecas públicas da Fundação Calouste Gulbenkian, dos primeiros livros que li, das viagens que fiz através dos livros, etc.
Na semana passada os alunos tiveram uma parte mais activa, porque tinham vários trabalhos de grupo para fazer, sobre o tema. Fizeram-me inclusive uma entrevista, com perguntas que nunca me tinham feito e que me deixaram quase sem resposta. Perguntas objectivas mas um pouco para o "cor de rosa". Há três que me ficaram na retina, e que decidi partilhá-las convosco: «A quem se compara como escritor?» perante a surpresa, disse: «A ninguém». A segunda foi ainda mais inesperada: «Como descreve os seus livros?» com um sorriso disse que: «não os descrevia, só os escrevia...» A terceira também foi gira: «Em quem se inspira?», pois, como não me inspiro em nada especial, disse a verdade: «No mundo que nos rodeia.» Claro que não ficaram muito convencidos, com estas respostas curtas...
Os miúdos de hoje são completamente diferentes do meu tempo. São sobretudo mais livres, na maneira de pensar e de agir, com tudo o que isto tem de positivo e de negativo.
Acho que é essa liberdade que ainda nos divide, em casa e nas escolas, que nos coloca dúvidas sobre quais são os melhores métodos de educação.
A perfeição, essa, continua a ser uma utopia...

A Fotografia é de Alfredo Cunha, datada de 1974, pouco tempo antes da revolução, onde a timidez e a vergonha eram qualidades escolares...

domingo, janeiro 20, 2008

Pombal de Cacilhas

Com os primeiros casos da "gripe das aves", à boa maneira portuguesa, fez-se um grande alarido, com muita "intoxicação informativa" à mistura. O Estado também resolveu participar de uma forma activa neste episódio. Chegou a proibir a venda de aves em mercados públicos e a planear a quase "exterminação" dos pombos das cidades, inclusive em Almada...
Claro que pouco tempo depois, esqueceu-se o assunto, como se ele tivesse deixado de existir...
Em Almada, apesar das queixas de muitos moradores, nunca foi feito nada pelo Município, para controlar a natalidade destas aves. Alguns habitantes continuam a alimentá-las (assim como aos gatos e cães vadios...), ao fim da tarde, nas praças da cidade, contrariando as normas de higiene, que foram e são difundidas...
Quem também contribui para o crescimento desta população, são os proprietários de habitações, completamente degradadas, como a do exemplo da fotografia, na rua António Feio, em Cacilhas, que devem estar à espera que surja algum furacão, que as transforme num monte de entulho...

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Crónica Curta de Um Bom Malandro


Há quem adore espalhar a ideia de que essa coisa da "malandragem" é coisa recente, coisa de "Abril"...
Eduardo Gageiro com o seu extraordinário "Cais da Memória", demonstra-nos o contrário.
Em 1960 (data da fotografia...) já havia quem oferecesse a "Sina Pensativa" por vinte centavos, nos Restauradores, com a contemplação das autoridades...
E o "passarão" da pose, contava com a ajuda de outras aves, nos seus jogos do "Sim é Certo"...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

A Vitória de Cadilhe...


Sempre me fez confusão o discurso político pós-eleições, em que todos os partidos se declaram vencedores, apesar de todos sabermos que só houve um vencedor...
Este facto deveria fazer com que não me admirasse muito da reacção de Miguel Cadilhe, depois da Assembleia Geral do BCP, em que a sua lista obteve apenas 2,14% dos votos dos accionistas. Estas duas unidades com catorze décimas foram suficientes para que ele cantasse vitória, em directo na televisão, adjectivando-a como uma coisa extraordinária...
Extraordinário é a noção do ridículo destas nossas personagens, quase todas "romanescas", ao jeito do Eça...

O boneco é do Rui, recorda-nos o episódio da "casinha" do Cadilhe, nas Amoreiras, explorado pelo "Independente", do Portas, até ao tutano, ao ponto de o levar à demissão. No tempo em que se demitiam ministros...

terça-feira, janeiro 15, 2008

Não é o Mundo, nem os Deuses, Somos Nós...


Embora este "nós" seja demasiado vasto (quase planetário), de certeza que não é o Mundo, nem são os Deuses, os grandes culpados da ascensão ao poder de figuras como Bush, Sarkozy ou Chavez, para não divagar mais...
Somos nós, através do poder do voto popular, que colocamos gente desta, a liderar os nossos países...
Somos quase sempre enganados pelas promessas populistas, ou então queremos, pura e simplesmente, "castigar" a incompetência de quem (se) governou anteriormente...

A "Recriação do Mundo", de António...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

E se Utilizassem os Lucros?

Na edição de sábado do semanário "Semmais", é atribuída a seguinte frase a Maria Emília de Sousa: «Os resultados não podem ser medidos só em números, mas também em qualidade de vida para as populações».

Como na dita reportagem o Município congratula-se com o saldo positivo de 9,5 milhões de euros (nós também...), com o pensamento na qualidade de vida dos almadenses, sugerimos que parte desse dinheiro (que não deixa de ser um bom "euromilhões"...), seja investido nas estradas do concelho, em péssimo estado, para evitar males maiores, pois os acidentes rodoviários não são provocados apenas pelos condutores...
Outra parte poderia muito bem ser utilizada para recuperar os edifícios de renda económica, que agora são da Autarquia e que tanta polémica têm causado, devido aos aumentos de rendas. Não basta colocar placares e escrever cartas aos municípes, para fazerem obras de oito em oito anos, nas suas casas. É bom que os exemplos venham de cima...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Nunca Digas Nunca, Muito Menos "Jamais"...


Sei que uma das condições para se ser ministro ou secretário de estado, além dos dotes artísticos (que lhes permitem dizer mentiras com o ar mais sério do mundo...), é ter um estômago de "aço", capaz de digerir um sapo do tamanho de um aeroporto...
A malta dos "Desertos do Sul", congratula-se com esta viragem a Alcochete, por uma única razão: a forma como um simples ministro, tratou os habitantes de um dos distritos mais povoados e industrializados do país e que agora teve de encher-se de desculpas e cair no ridículo, quando o caminho lógico seria a demissão.
Já houve quem fosse demitido por muito menos, como o senhor da anedota de mau gosto...

Razão tinha Rafael Bordalo Pinheiro, quando comparou a política com a "Grande Porca"...

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Uma Escolha Difícil...

Sei que ultimamente ando a escrever coisas sérias demais (e longas), mas é difícil passar ao lado da realidade, tão travessa para algumas pessoas...
Muitos de nós temos a ideia peregrina que o subsídio de desemprego é vitalício, mas é mentira. Uma boa percentagem dos desempregados de média e longa duração já não recebem apoios do Estado.
É por isso que o Alberto, anda desesperado. Com apenas 49 anos, não consegue arranjar nenhum emprego decente, com um vencimento normal.
A companheira ganha menos de quinhentos euros e os seus dois filhos, adolescentes, estudam no ensino secundário...
Num dia mais cinzento que os outros, desabafou que só lhe restavam duas alternativas: andar por aí a mendigar ou começar a roubar. Como sabia que como pedinte não se ia governar, assumiu que só lhe restava roubar...
Armado em Robin dos Bosques, afirmou que se decidir mesmo roubar, só atacaria gente rica ou então as caixas de alguns bancos, antes da polícia chegar.
Nós não sabíamos se o deviamos levar a sério ou não, embora estivéssemos conscientes de que o desespero pode transformar qualquer cidadão digno, num potencial fora da lei, principalmente num país desigual como o nosso...

A fotografia expressiva da Baixa de Lisboa, é de Eduardo Gageiro...

terça-feira, janeiro 08, 2008

Resposta a um Amigo

Ao abrir a minha caixa postal, há minutos, dei de caras com um e-mail de um amigo, incomodado com o meu último "post". Como não lhe foi possível comentar, resolveu escrever-me, perguntando se tinha lido o artigo de Pedro Magalhães (publicado ontem no "Público"), lançando-me ainda duas questões com alguma pertinência, mas de fácil resposta.
Em relação ao artigo de Pedro Magalhães, é muito bonito, correcto, mas não entendo a diabolização que faz dos comentadores portugueses, como se as suas reacções fossem diferentes dos colunistas ingleses, espanhóis, franceses ou americanos, quando se tentam alterar os comportamentos da população, com proibições. Há vários exemplos de reacções iguais ou piores, nos ditos países civilizados.
E ainda bem que ele resolveu dar também exemplos de outros países, onde é perfeitamente natural respeitar as normas existentes, ao contrário do que acontece em Portugal. Os exemplos que Pedro dá do trânsito noutras cidades, não cabem em Lisboa nem nas nossas principais cidades, onde os transportes públicos, com a excepção do metro, são uma vergonha, onde os parques de estacionamento são caros e estão longe de satisfazer a procura, e onde a polícia continua a ter uma atitude permissiva, a não ser que seja dia de "caça" à multa...
Mas vamos lá às respostas às duas questões que o Rogério me colocou:
Só falei do António Barreto, porque os "outros remadores" contra toda esta corrente normativa, são sociais democratas e não socialistas (Pulido Valente, Sousa Tavares ou Pacheco Pereira).
Não, não quero que o nosso país continue a ser um paraíso da contrafacção nem que a falta de higiene seja a norma dos cafés e restaurantes, mas irrita-me que a ASAE funcione ao sabor das informações da "bufaria" e que telefone quase sempre para as redacções dos orgãos de comunicação social mais sonantes (especialmente a televisão, devem adorar ver-se no pequeno ecran, durante as notícias...), para aparecerem na hora do "ataque".
O que eu acho, é que a solução para os problemas deste país, não passa por encerramentos, como se tem feito na saúde. É preciso que se criem alternativas para as pessoas modificarem os seus hábitos, colocar apenas sinais de proibição, recorda-nos o salazarismo de tão má memória...

Como muito bem disse Rafael Bordalo Pinheiro, com a "A Actualidade", de 1901: «A indifferença mascára a miséria.» E isso acontece no nosso país. Pelo que ainda bem que existem comentadores que escrevem "contra a corrente"...

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Há Orelhas a Arder no PS

De um momento para o outro, António Barreto é notícia em vários canais da "blogosfera". O principal motivo é a sua caminhada, quase solitária, contra o "socratismo".
Há mais algumas vozes, mas são pouco sonantes, como as de Medeiros Ferreira e Manuel Alegre, ainda muito dentro do partido. Mário Soares também diz umas graças, mas não quer deixar de ser imperador (de coisa nenhuma...), muito menos politicamente incorrecto.
De longe a longe aparece um estrangeirado, como aconteceu agora com Ferro Rodrigues (que fez um retrato realista do país, na entrevista que deu à "Visão", mesmo vivendo em Paris... o argumento usado para o "apanhador" de Canas do PS, para o distanciar do Portugal Socrático).
O que se percebe à légua, é que esta gente que governa não gosta mesmo nada de ser criticada. Aliás, Ele, não gosta de ser criticado (contrariando a tradição socialista...). O "Pá da Europa" só gosta de sorrir (em tons amarelados) ao humor dos Gato Fedorento, que para sua felicidade, foram de férias...
É no meio destes "embaraços" que vêm ao de cima as parecenças com Salazar e com o melhor Cavaco (ambos sócios do clube dos que nunca se enganam)...
Parecenças que aumentam com a sua notória capacidade em "manipular" a informação, com a televisão sempre à cabeça (se nos melhores tempos de Salazar existisse televisão ele tinha feito ainda mais "milagres"...).
Só com muita manipulação é que Sócrates consegue transmitir a imagem de alguém que está a fazer tudo para retirar Portugal da quase cauda da Europa, embora o país continue a perder pontos, com os seus "adversários" directos.
Não tenho dúvidas, que com todos estes sacrifícios exigidos aos portugueses, o nosso país devia oferecer-nos melhores perspectivas, em relação ao futuro.
É uma pena sentir que se está a perder mais uma oportunidade de ouro (talvez a última dos próximos anos), para nos aproximarmos dos países mais desenvolvidos.
É por isso que digo: abençoado Barreto, que não te falte o fôlego, para desmascarares esta farsa socrática, que não tem nada de socialista.

sábado, janeiro 05, 2008

As Minhas Janeiras


Plagiando ligeiramente o inesquecível Zeca Afonso, ofereço-vos as minhas Janeiras:

Vamos cantar as Janeiras,
Vamos cantar as Janeiras,
Pelo meio dos buracos de Almada,
preparados para todas as ratoeiras.

Vamos cantar as orvalhadas,
Vamos cantar as orvalhadas,
À porta dos Paços do Concelho,
Para a Maria Emília e camaradas.

Eles vão bater palmas e sorrir,
Eles vão bater palmas e sorrir,
Mesmo que não gostem das cantigas,
Porque querem tudo menos partir.

Vira o vento e muda a sorte,
Vira o vento e muda a sorte,
Diz o Zeca, mas por aqui ninguém o ouve,
Continua tudo refém do vento norte.

O frio ocupa-se dos nossos corações,
O frio ocupa-se dos nossos corações,
Cansados desta camarilha
que nos governa aos repelões.

O óleo a "Lota" é de Júlio Pomar

sexta-feira, janeiro 04, 2008

As Bicicletas Vão Continuar na Garagem


As obras e o próprio planeamento do Metro têm sido alvo de muitas criticas. Infelizmente, grande parte delas fazem todo o sentido.
Um dos aspectos que me merece um maior reparo, é a ausência de ciclovias no coração da cidade, principalmente, quando se o utiliza o Metro com "arma", para se afastarem os carros de Almada e se fazem obras em toda a pavimentação das principais artérias, alargando os passeios, de uma forma aparentemente excessiva...
Hoje - e amanhã, claro -, quem quiser sair de bicicleta de casa, em segurança, terá de continuar a usar o carro como meio de transporte, levando-a no "tejadilho", até ao Parque da Paz ou até ao Monte de Caparica, únicos locais onde existem ciclovias que permitem que os almadenses circulem em segurança.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber que com a construção de ciclovias, promove-se o exercício físico, poupa-se energia e reduz-se a poluição na atmosfera.
Além das brechas já referidas, continuo à espera que aproveitem a larga avenida Aliança Povo-MFA (Bombeiros Voluntários de Cacilhas) para fazerem a ligação da Cova da Piedade ao Olho de Boi, através de uma ciclovia e de um caminho pedestre, assim como a via rápida, entre Almada e Costa de Caparica...
Pode ser que se lembrem da ideia, quanto mais não seja para a colocar no habitual caderno de promessas que invade as nossas caixas do correio, antes das eleições...

A fotografia é do final do século XIX, de autor desconhecido...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Natal Mais Tarde no Almada Fórum


Podia falar do mau tempo que se faz sentir em quase todos os canais, mas não. Prefiro falar do Natal de Cholocate do Almada Fórum...
Como gosto de publicidade, achei por bem colocar aqui o Audi R8, que vai ser sorteado no próximo dia 7 de Janeiro, entre todos os consumidores que colocaram nas tômbolas da "sorte", junto ao bólide, os seus cupões.
Até lá, boa sorte!

terça-feira, janeiro 01, 2008

Os Saltimbancos


"A Família de Saltimbancos" de Picasso simboliza muito o que somos, enquanto seres humanos...
Principalmente, nós portugueses, que deixámos raízes nos setes cantos do mundo, pelas melhores e piores razões.
Hoje é o dia primeiro de mais um ano, de um ano que se quer sempre diferente...
Provavelmente precisávamos de partir, de mudar, de oferecer um novo registo às nossas vidas, que não passa apenas pela visita ao cabeleireiro ou ao pronto a vestir...
É por isso que às vezes invejamos as famílias de saltimbancos. É por isso que os saltimbancos invejam as famílias tradicionais...