sábado, janeiro 26, 2008

A Feira da Ladra


Há bastante tempo que não me perdia pela Feira da Ladra.
Gostei de assistir a todo aquele movimento de vendedores, clientes e curiosos.
Continua a haver um pouco de tudo: livros, revistas, discos, electrodomésticos, quadros, louças, roupas, calçado, relógios, ferramentas, antiguidades, etc, a preços quase sempre convidativos.
Felizmente ainda há ali um bocado da Lisboa bairrista e até marginal, distante das ASAE's...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Madrugada Negra na Trafaria


Na madrugada de 24 de Janeiro de 1777, Trafaria foi vitima de uma acção cobarde e miserável, de duas figuras cimeiras do poder de então, o Marquês Pombal e o intendente Pina Manique.
Tudo teve início quando o governo do Marquês resolveu fazer um recrutamento, rápido e obrigatório, para fazer frente à ameaça de invasão, espanhola, provocando a fuga de muitos jovens, que se refugiaram na Trafaria, com a protecção da povoado de pescadores, de cerca de 5000 habitantes.
A forma de castigo escolhida pelo homem que governava o país, foi queimar, pescadores e fugitivos, numa grande fogueira, como exemplo para o país.
O intendente Pina Manique foi o chefe operacional desta vingança monstruosa. Na calada da noite atravessou o Tejo, juntamente com trezentos soldados, para de seguida fazer um cerco ao aldeamento de casas de madeira, cobertas por colmo. Depois deu ordens para os soldados acenderem os archotes e começarem a incendiar as casas, que em poucos minutos, envolveram toda a área em chamas e fumo, semeando o pânico entre as gentes da Trafaria, que corriam para todos os lados, quase sem roupa no corpo, muitas transportando crianças ao colo e velhos às costas...
A chacina não foi completa porque alguns soldados, compadecidos com a aflicção dos habitantes da aldeia, transgrediram as ordens de Pina Manique e deixaram algumas clareiras abertas, para que pudessem escapar...
A povoação, essa ficou reduzida a cinzas...
Este foi um dos actos mais bárbaros da governação do Marquês de Pombal, ao qual não tem sido dado grande relevo, pelos nossos historiadores.

A fotografia que ilustra este texto é de uma casa tipica de pescadores das praias da Margem Sul, com uma das habitantes a provar a comida. Se quiserem conhecer este episódio com mais pormenores, aconselho-vos a leitura da obra, "Perfil do Marquês de Pombal", de Camilo Castelo Branco.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

A Liberdade nas Escolas


As escolas e os programas de ensino de hoje não têm nada a ver com as do passado. Apesar das críticas que escutamos todos os dias, penso que estão muito melhor.
Os alunos podem escrever com mais erros e não saber toda a tabuada, mas possuem um maior grau de conhecimentos sobre o mundo que nos rodeia.
De longe a longe sou convidado por professores amigos, para participar em acções nas suas escolas, sobre a importância da leitura.
Normalmente as conversas não incidem apenas sobre a minha pessoa, embora fale de experiências pessoais, de como era a escola no meu tempo, da quase ausência de livros nos nossos lares, da utilidade das bibliotecas públicas da Fundação Calouste Gulbenkian, dos primeiros livros que li, das viagens que fiz através dos livros, etc.
Na semana passada os alunos tiveram uma parte mais activa, porque tinham vários trabalhos de grupo para fazer, sobre o tema. Fizeram-me inclusive uma entrevista, com perguntas que nunca me tinham feito e que me deixaram quase sem resposta. Perguntas objectivas mas um pouco para o "cor de rosa". Há três que me ficaram na retina, e que decidi partilhá-las convosco: «A quem se compara como escritor?» perante a surpresa, disse: «A ninguém». A segunda foi ainda mais inesperada: «Como descreve os seus livros?» com um sorriso disse que: «não os descrevia, só os escrevia...» A terceira também foi gira: «Em quem se inspira?», pois, como não me inspiro em nada especial, disse a verdade: «No mundo que nos rodeia.» Claro que não ficaram muito convencidos, com estas respostas curtas...
Os miúdos de hoje são completamente diferentes do meu tempo. São sobretudo mais livres, na maneira de pensar e de agir, com tudo o que isto tem de positivo e de negativo.
Acho que é essa liberdade que ainda nos divide, em casa e nas escolas, que nos coloca dúvidas sobre quais são os melhores métodos de educação.
A perfeição, essa, continua a ser uma utopia...

A Fotografia é de Alfredo Cunha, datada de 1974, pouco tempo antes da revolução, onde a timidez e a vergonha eram qualidades escolares...

domingo, janeiro 20, 2008

Pombal de Cacilhas

Com os primeiros casos da "gripe das aves", à boa maneira portuguesa, fez-se um grande alarido, com muita "intoxicação informativa" à mistura. O Estado também resolveu participar de uma forma activa neste episódio. Chegou a proibir a venda de aves em mercados públicos e a planear a quase "exterminação" dos pombos das cidades, inclusive em Almada...
Claro que pouco tempo depois, esqueceu-se o assunto, como se ele tivesse deixado de existir...
Em Almada, apesar das queixas de muitos moradores, nunca foi feito nada pelo Município, para controlar a natalidade destas aves. Alguns habitantes continuam a alimentá-las (assim como aos gatos e cães vadios...), ao fim da tarde, nas praças da cidade, contrariando as normas de higiene, que foram e são difundidas...
Quem também contribui para o crescimento desta população, são os proprietários de habitações, completamente degradadas, como a do exemplo da fotografia, na rua António Feio, em Cacilhas, que devem estar à espera que surja algum furacão, que as transforme num monte de entulho...

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Crónica Curta de Um Bom Malandro


Há quem adore espalhar a ideia de que essa coisa da "malandragem" é coisa recente, coisa de "Abril"...
Eduardo Gageiro com o seu extraordinário "Cais da Memória", demonstra-nos o contrário.
Em 1960 (data da fotografia...) já havia quem oferecesse a "Sina Pensativa" por vinte centavos, nos Restauradores, com a contemplação das autoridades...
E o "passarão" da pose, contava com a ajuda de outras aves, nos seus jogos do "Sim é Certo"...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

A Vitória de Cadilhe...


Sempre me fez confusão o discurso político pós-eleições, em que todos os partidos se declaram vencedores, apesar de todos sabermos que só houve um vencedor...
Este facto deveria fazer com que não me admirasse muito da reacção de Miguel Cadilhe, depois da Assembleia Geral do BCP, em que a sua lista obteve apenas 2,14% dos votos dos accionistas. Estas duas unidades com catorze décimas foram suficientes para que ele cantasse vitória, em directo na televisão, adjectivando-a como uma coisa extraordinária...
Extraordinário é a noção do ridículo destas nossas personagens, quase todas "romanescas", ao jeito do Eça...

O boneco é do Rui, recorda-nos o episódio da "casinha" do Cadilhe, nas Amoreiras, explorado pelo "Independente", do Portas, até ao tutano, ao ponto de o levar à demissão. No tempo em que se demitiam ministros...

terça-feira, janeiro 15, 2008

Não é o Mundo, nem os Deuses, Somos Nós...


Embora este "nós" seja demasiado vasto (quase planetário), de certeza que não é o Mundo, nem são os Deuses, os grandes culpados da ascensão ao poder de figuras como Bush, Sarkozy ou Chavez, para não divagar mais...
Somos nós, através do poder do voto popular, que colocamos gente desta, a liderar os nossos países...
Somos quase sempre enganados pelas promessas populistas, ou então queremos, pura e simplesmente, "castigar" a incompetência de quem (se) governou anteriormente...

A "Recriação do Mundo", de António...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

E se Utilizassem os Lucros?

Na edição de sábado do semanário "Semmais", é atribuída a seguinte frase a Maria Emília de Sousa: «Os resultados não podem ser medidos só em números, mas também em qualidade de vida para as populações».

Como na dita reportagem o Município congratula-se com o saldo positivo de 9,5 milhões de euros (nós também...), com o pensamento na qualidade de vida dos almadenses, sugerimos que parte desse dinheiro (que não deixa de ser um bom "euromilhões"...), seja investido nas estradas do concelho, em péssimo estado, para evitar males maiores, pois os acidentes rodoviários não são provocados apenas pelos condutores...
Outra parte poderia muito bem ser utilizada para recuperar os edifícios de renda económica, que agora são da Autarquia e que tanta polémica têm causado, devido aos aumentos de rendas. Não basta colocar placares e escrever cartas aos municípes, para fazerem obras de oito em oito anos, nas suas casas. É bom que os exemplos venham de cima...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Nunca Digas Nunca, Muito Menos "Jamais"...


Sei que uma das condições para se ser ministro ou secretário de estado, além dos dotes artísticos (que lhes permitem dizer mentiras com o ar mais sério do mundo...), é ter um estômago de "aço", capaz de digerir um sapo do tamanho de um aeroporto...
A malta dos "Desertos do Sul", congratula-se com esta viragem a Alcochete, por uma única razão: a forma como um simples ministro, tratou os habitantes de um dos distritos mais povoados e industrializados do país e que agora teve de encher-se de desculpas e cair no ridículo, quando o caminho lógico seria a demissão.
Já houve quem fosse demitido por muito menos, como o senhor da anedota de mau gosto...

Razão tinha Rafael Bordalo Pinheiro, quando comparou a política com a "Grande Porca"...

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Uma Escolha Difícil...

Sei que ultimamente ando a escrever coisas sérias demais (e longas), mas é difícil passar ao lado da realidade, tão travessa para algumas pessoas...
Muitos de nós temos a ideia peregrina que o subsídio de desemprego é vitalício, mas é mentira. Uma boa percentagem dos desempregados de média e longa duração já não recebem apoios do Estado.
É por isso que o Alberto, anda desesperado. Com apenas 49 anos, não consegue arranjar nenhum emprego decente, com um vencimento normal.
A companheira ganha menos de quinhentos euros e os seus dois filhos, adolescentes, estudam no ensino secundário...
Num dia mais cinzento que os outros, desabafou que só lhe restavam duas alternativas: andar por aí a mendigar ou começar a roubar. Como sabia que como pedinte não se ia governar, assumiu que só lhe restava roubar...
Armado em Robin dos Bosques, afirmou que se decidir mesmo roubar, só atacaria gente rica ou então as caixas de alguns bancos, antes da polícia chegar.
Nós não sabíamos se o deviamos levar a sério ou não, embora estivéssemos conscientes de que o desespero pode transformar qualquer cidadão digno, num potencial fora da lei, principalmente num país desigual como o nosso...

A fotografia expressiva da Baixa de Lisboa, é de Eduardo Gageiro...

terça-feira, janeiro 08, 2008

Resposta a um Amigo

Ao abrir a minha caixa postal, há minutos, dei de caras com um e-mail de um amigo, incomodado com o meu último "post". Como não lhe foi possível comentar, resolveu escrever-me, perguntando se tinha lido o artigo de Pedro Magalhães (publicado ontem no "Público"), lançando-me ainda duas questões com alguma pertinência, mas de fácil resposta.
Em relação ao artigo de Pedro Magalhães, é muito bonito, correcto, mas não entendo a diabolização que faz dos comentadores portugueses, como se as suas reacções fossem diferentes dos colunistas ingleses, espanhóis, franceses ou americanos, quando se tentam alterar os comportamentos da população, com proibições. Há vários exemplos de reacções iguais ou piores, nos ditos países civilizados.
E ainda bem que ele resolveu dar também exemplos de outros países, onde é perfeitamente natural respeitar as normas existentes, ao contrário do que acontece em Portugal. Os exemplos que Pedro dá do trânsito noutras cidades, não cabem em Lisboa nem nas nossas principais cidades, onde os transportes públicos, com a excepção do metro, são uma vergonha, onde os parques de estacionamento são caros e estão longe de satisfazer a procura, e onde a polícia continua a ter uma atitude permissiva, a não ser que seja dia de "caça" à multa...
Mas vamos lá às respostas às duas questões que o Rogério me colocou:
Só falei do António Barreto, porque os "outros remadores" contra toda esta corrente normativa, são sociais democratas e não socialistas (Pulido Valente, Sousa Tavares ou Pacheco Pereira).
Não, não quero que o nosso país continue a ser um paraíso da contrafacção nem que a falta de higiene seja a norma dos cafés e restaurantes, mas irrita-me que a ASAE funcione ao sabor das informações da "bufaria" e que telefone quase sempre para as redacções dos orgãos de comunicação social mais sonantes (especialmente a televisão, devem adorar ver-se no pequeno ecran, durante as notícias...), para aparecerem na hora do "ataque".
O que eu acho, é que a solução para os problemas deste país, não passa por encerramentos, como se tem feito na saúde. É preciso que se criem alternativas para as pessoas modificarem os seus hábitos, colocar apenas sinais de proibição, recorda-nos o salazarismo de tão má memória...

Como muito bem disse Rafael Bordalo Pinheiro, com a "A Actualidade", de 1901: «A indifferença mascára a miséria.» E isso acontece no nosso país. Pelo que ainda bem que existem comentadores que escrevem "contra a corrente"...

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Há Orelhas a Arder no PS

De um momento para o outro, António Barreto é notícia em vários canais da "blogosfera". O principal motivo é a sua caminhada, quase solitária, contra o "socratismo".
Há mais algumas vozes, mas são pouco sonantes, como as de Medeiros Ferreira e Manuel Alegre, ainda muito dentro do partido. Mário Soares também diz umas graças, mas não quer deixar de ser imperador (de coisa nenhuma...), muito menos politicamente incorrecto.
De longe a longe aparece um estrangeirado, como aconteceu agora com Ferro Rodrigues (que fez um retrato realista do país, na entrevista que deu à "Visão", mesmo vivendo em Paris... o argumento usado para o "apanhador" de Canas do PS, para o distanciar do Portugal Socrático).
O que se percebe à légua, é que esta gente que governa não gosta mesmo nada de ser criticada. Aliás, Ele, não gosta de ser criticado (contrariando a tradição socialista...). O "Pá da Europa" só gosta de sorrir (em tons amarelados) ao humor dos Gato Fedorento, que para sua felicidade, foram de férias...
É no meio destes "embaraços" que vêm ao de cima as parecenças com Salazar e com o melhor Cavaco (ambos sócios do clube dos que nunca se enganam)...
Parecenças que aumentam com a sua notória capacidade em "manipular" a informação, com a televisão sempre à cabeça (se nos melhores tempos de Salazar existisse televisão ele tinha feito ainda mais "milagres"...).
Só com muita manipulação é que Sócrates consegue transmitir a imagem de alguém que está a fazer tudo para retirar Portugal da quase cauda da Europa, embora o país continue a perder pontos, com os seus "adversários" directos.
Não tenho dúvidas, que com todos estes sacrifícios exigidos aos portugueses, o nosso país devia oferecer-nos melhores perspectivas, em relação ao futuro.
É uma pena sentir que se está a perder mais uma oportunidade de ouro (talvez a última dos próximos anos), para nos aproximarmos dos países mais desenvolvidos.
É por isso que digo: abençoado Barreto, que não te falte o fôlego, para desmascarares esta farsa socrática, que não tem nada de socialista.

sábado, janeiro 05, 2008

As Minhas Janeiras


Plagiando ligeiramente o inesquecível Zeca Afonso, ofereço-vos as minhas Janeiras:

Vamos cantar as Janeiras,
Vamos cantar as Janeiras,
Pelo meio dos buracos de Almada,
preparados para todas as ratoeiras.

Vamos cantar as orvalhadas,
Vamos cantar as orvalhadas,
À porta dos Paços do Concelho,
Para a Maria Emília e camaradas.

Eles vão bater palmas e sorrir,
Eles vão bater palmas e sorrir,
Mesmo que não gostem das cantigas,
Porque querem tudo menos partir.

Vira o vento e muda a sorte,
Vira o vento e muda a sorte,
Diz o Zeca, mas por aqui ninguém o ouve,
Continua tudo refém do vento norte.

O frio ocupa-se dos nossos corações,
O frio ocupa-se dos nossos corações,
Cansados desta camarilha
que nos governa aos repelões.

O óleo a "Lota" é de Júlio Pomar

sexta-feira, janeiro 04, 2008

As Bicicletas Vão Continuar na Garagem


As obras e o próprio planeamento do Metro têm sido alvo de muitas criticas. Infelizmente, grande parte delas fazem todo o sentido.
Um dos aspectos que me merece um maior reparo, é a ausência de ciclovias no coração da cidade, principalmente, quando se o utiliza o Metro com "arma", para se afastarem os carros de Almada e se fazem obras em toda a pavimentação das principais artérias, alargando os passeios, de uma forma aparentemente excessiva...
Hoje - e amanhã, claro -, quem quiser sair de bicicleta de casa, em segurança, terá de continuar a usar o carro como meio de transporte, levando-a no "tejadilho", até ao Parque da Paz ou até ao Monte de Caparica, únicos locais onde existem ciclovias que permitem que os almadenses circulem em segurança.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber que com a construção de ciclovias, promove-se o exercício físico, poupa-se energia e reduz-se a poluição na atmosfera.
Além das brechas já referidas, continuo à espera que aproveitem a larga avenida Aliança Povo-MFA (Bombeiros Voluntários de Cacilhas) para fazerem a ligação da Cova da Piedade ao Olho de Boi, através de uma ciclovia e de um caminho pedestre, assim como a via rápida, entre Almada e Costa de Caparica...
Pode ser que se lembrem da ideia, quanto mais não seja para a colocar no habitual caderno de promessas que invade as nossas caixas do correio, antes das eleições...

A fotografia é do final do século XIX, de autor desconhecido...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Natal Mais Tarde no Almada Fórum


Podia falar do mau tempo que se faz sentir em quase todos os canais, mas não. Prefiro falar do Natal de Cholocate do Almada Fórum...
Como gosto de publicidade, achei por bem colocar aqui o Audi R8, que vai ser sorteado no próximo dia 7 de Janeiro, entre todos os consumidores que colocaram nas tômbolas da "sorte", junto ao bólide, os seus cupões.
Até lá, boa sorte!

terça-feira, janeiro 01, 2008

Os Saltimbancos


"A Família de Saltimbancos" de Picasso simboliza muito o que somos, enquanto seres humanos...
Principalmente, nós portugueses, que deixámos raízes nos setes cantos do mundo, pelas melhores e piores razões.
Hoje é o dia primeiro de mais um ano, de um ano que se quer sempre diferente...
Provavelmente precisávamos de partir, de mudar, de oferecer um novo registo às nossas vidas, que não passa apenas pela visita ao cabeleireiro ou ao pronto a vestir...
É por isso que às vezes invejamos as famílias de saltimbancos. É por isso que os saltimbancos invejam as famílias tradicionais...

segunda-feira, dezembro 31, 2007

O Futuro Somos Nós


Que 2008 nos dê mais força, para lutarmos pelos nossos ideais e pelos nossos sonhos, abrindo-nos ao mesmo tempo a linha do horizonte que nos cerca, que não se reduz, de certeza, a tanta mediocridade.
Já é tempo de nos livrarmos da "grilhetas" do passado, que também incluem as duas emblemáticas figuras criadas por Rafael Bordalo Pinheiro, a Maria Paciência e o Zé Povinho...
Porque somos muito mais que estas personagens, embora as pessoas que nos governam continuem a olhar para nós como se fossemos meros "bonecos", ou pior, "marionetas".
É preciso acreditarmos que o futuro somos nós!

domingo, dezembro 30, 2007

Figuras & Figurões de 2007

No fim do ano é habitual fazerem-se "balancetes" sobre o que se passou de mais relevante nos últimos doze meses, de se escolherem figuras e acontecimentos, nacionais e internacionais.
Não há revista ou jornal, que não escolha os seus preferidos.
Alguns blogues fazem o mesmo, repetem as mesmas personagens, os mesmos acontecimentos, provando que somos um país realmente pequeno, até quando é preciso escolher alguém...
Provavelmente este "post" era escusado, mas acho que devo pelo menos escolher aqueles que considero as grandes figuras do ano e escolher também o acontecimento mais negativo, este local, porque o "Casario do Ginjal" é sobretudo um blogue regional...
Para mim, as grandes figuras nacionais são os Gato Fedorento, pelo seu humor inteligente e também pela sua coragem de ridicularizar figuras como José Sócrates, Marcelo Rebelo de Sousa ou Luís Filipe Scolari, que se julgam acima de qualquer mortal...
A máquina de propaganda e manipulação socrática, as manobras no interior na RTP de Marcelo e o falso unanimismo criado à volta de Scolari, não foram suficientes para silenciar este quarteto. Antes pelo contrário, ainda lhe deu mais motivação para fazer novos quadros, que assentaram que nem uma luva neste famoso trio, que já começa, no mínimo, a enjoar...
O acontecimento mais relevante, pela negativa claro, é a forma como as obras do Metro têm sido, quase interrompidas na Praça Gil Vicente, a artéria mais importante do centro de Almada, para onde confluem nada mais nada menos que oito vias de trânsito, tratando os moradores das redondezas como almadenses de segunda, já que outras vias, onde as obras começaram depois, já estão numa fase bastante mais avançada...
Responsáveis? O consórcio, e claro, o executivo do Município, que prometeu que até ao final do ano, a situação estava normalizada na Praça...
A imagem foi retirada da revista "Única" (Expresso), de 29 de Dezembro.

sábado, dezembro 29, 2007

A Cilada ao Padre-Treinador

Uma reportagem de ontem do "Público" procura fazer um retrato do padre António Aires, que foi vitima de uma cilada por um grupo de desconhecidos, que o agrediram, despiram e ataram a uma árvore, próximo de Alijó.
Além do relevo dado ao padre-treinador de futsal, o trabalho jornalístico de António e Pedro Garcias é muito pouco conclusivo em relação ao incidente que foi vitima, embora lance a suspeita de que se tratou de um assunto de mulheres e acrescente que o padre António também é visto como uma pessoa vaidosa, teimosa e autoritária, nas freguesias onde está inserido.
Ao qual não deverá ser indiferente o facto de se passear, com um Mercedes desportivo de dois lugares, entre as várias paróquias que dirige. Mas o que me chamou mais a atenção foi uma frase atribuída a si próprio: «Dentro da igreja, sou padre. Cá fora sou um homem igual aos outros.»
Se esta frase é verdadeira, é a primeira vez que ouço alguém, com coragem para assumir esta postura, de dentro para fora da Igreja.
A única coisa que me parece óbvia em toda esta reportagem, é que se o padre António, quer mesmo ser um homem igual aos outros, fora da igreja, deverá abandonar a batina...

Escolhi este retrato de Rafael Bordalo Pinheiro, "Moralidade e Marmeleiro!", do seu "Álbum das Glórias", em que satiriza o bispo de Viseu, uma personagem muito especial da Igreja no século XIX, pois além de liberal foi maçónico...

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Bater com a Porta 65

Este governo consegue bater tudo e todos, em demagogia e propaganda, com os seus projectos pomposos, cheios de alíneas e mentiras.
Podia falar dos apelos à maternidade, com promessas e incentivos diminutos para aumentar a tão desejada taxa de natalidade (será mesmo?...), que esbarram com o fecho de algumas maternidades no interior, que são o maior incentivo ao adiamento dos nascimentos nos nossos lares. Mas não, prefiro falar da "Porta 65"...
Porta essa que está a ser fechada a um número significativo de jovens, porque apesar da publicidade enganosa socrática, percebe-se que o objectivo desta lei, é evitar custos (para variar...), reduzindo o número de pessoas em começo de vida activa, que têm direito a este incentivo.
Este governo e estes governantes começam a não ter classificação possível.
Talvez precisem de ficar a falar sozinhos, num futuro próximo, talvez tenhamos de votar todos em branco, como ficcionou Saramago...
Podia ter escolhido um desenho de Rafael Bordalo Pinheiro, que seria actual, mas não quis ir tão longe, fiquei-me pelo Rui, em 1989, nos tempos do "Jornal"...

sábado, dezembro 22, 2007

Feliz Natal


Apesar da moda do senhor simpático das barbas brancas, que vem da Lapónia, na companhia das suas renas voadoras, para mim o Natal continua a ser a data em que se comemora o nascimento de Jesus de Nazaré.
Ofereço-vos a "Adoração dos Magos", retábulo do século XVI da autoria de Gaspar Vaz, da Igreja do Mosteiro de São João de Tarouca, como presente de Natal.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Sorte Ser Natal...

Esta época continua a inspirar novas histórias, entre os muitos usos e abusos que se fazem em nome do Menino Jesus e do Pai Natal, por aí...
A mais caricata a que assisti, passou-se num restaurante familiar do Bairro Alto, com uma senhora que já devia ter passado os sessenta, vestida e pintada de uma forma demasiado visível, que na hora de pagar a refeição, desculpou-se que se tinha esquecido de colocar dinheiro na carteira. O empregado, com a discrição possível chamou o dono. Quando este chegou ela perguntou-lhe se não a conhecia. Ele abanou a cabeça. Ela disse que era a Lena Alves, irmã da Laura Alves, e que também era actriz. O senhor Joaquim disse-lhe que nem sequer imaginava que a Laura Alves tivesse uma irmã, mas isso não era importante, até podia ser a esposa do presidente da República, ali toda a gente pagava a sua refeição. Frisando que a única excepção da casa era o Eduardinho, que tinha sempre direito a uma sopa, quando se encostava á soleira da porta. O dono referia-se a um dos pedintes do bairro que não tinha o tino todo, mas que não fazia mal a ninguém.
A senhora nunca perdeu aquele seu ar superior, provavelmente encenado para aquela fita do almoço, colocando um ar triste, exclamando que o senhor não acreditava nela, virada para a plateia, que se estava a divertir com o número.
O senhor Joaquim, como tinha mais que fazer, disse-lhe que podia fazer três coisas: colocá-la na cozinha a lavar louça, mas isso ia estragar-lhe as mãos e fazer saltar o verniz das unhas; chamar o polícia de serviço na esquadra mais próxima; ou deixá-la partir na paz dos anjos, por ser Natal...
Claro que pediu à senhora para se despachar, que estava um casal à espera para almoçar, não sem antes lhe, desejar Boas Festas e enviar recomendações à família Alves...

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Rostos Sem Natal...

Actualmente nem uma vez por semana vou a Lisboa.
Mas quando vou, encontro sempre motivos para escrever, mesmo que não sejam os mais felizes...
Ontem perdi-me pelas ruas de Alfama, onde acabei por almoçar numa tasca, com dois amigos, felizmente distante das festas do Tratado de Lisboa e do almoço "real", oferecido pelo senhor Silva no Museu dos Coches.
Claro que não trocava o cozido à portuguesa nem a companhia alegre destes dois companheiros pelos petiscos oferecidos por sua excelência...
Quando regressava a casa, olhei com atenção para os rostos com quem me cruzava, nas ruas e nos transportes e não consegui descobrir um sorriso nem sequer palavras soltas.
Deduzi que os "felizes da vida" andavam de viatura própria e não espalhavam a sua felicidade com a ralé, que tem de viver com salários a rondar os quinhentos euros e sente um calafrio no pescoço, quando ouve falar de desemprego.
Já no cacilheiro, a única excepção às pessoas de ar triste e silencioso, era um casal, aparentemente turco, com dois filhos. Esta família chamava a atenção graças ao seu dialecto imperceptível, bastante ruidoso, que contrastava com o silêncio da malta que regressava aos "desertos do sul"...

terça-feira, dezembro 11, 2007

O Buraco Já Vai em 70 Milhões


Já não é segredo, só falta apurar o resultado final...
O A-Sul informou-nos que no "buraco" financeiro do Metro Sul do Tejo, estão incluídos os atrasos provocados pelo Município de Almada, ao não disponibilizar os terrenos necessários para as obras em tempo útil...
A única dúvida que não existe em todo este processo, é que este, é mais um "buraco" a ser coberto por todos nós...

sábado, dezembro 08, 2007

A Minha Florbela Espanca


Porque hoje comemora-se o aniversário do nascimento de Florbela Espanca, ofereço-vos um poema meu, escrito para a colecção "Index Poesis", criada por Ermelinda Toscano, mãe e pai dos "Poetas Almadenses". Sei do que falo, porque sou apenas tio...


Florbela,

Mulher doce e amarga

refém de palavras belas e sofridas
e também de aventuras amorosas,
fugazes e perdidas...

Mulher próxima e distante

refém de um tempo masculino
sem espaço para sentimentos
ou devaneios pintados no feminino...

Mulher apaixonada
capaz de amar perdidamente...

Mulher poema
capaz de escrever de uma forma diferente...



sexta-feira, dezembro 07, 2007

A Estação de Cacilhas


Esta fotografia acabou por não entrar no livro, "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", depois de ter sido localizada, mas não deixa de ser interessante, divulgá-la aqui no "Casario", como um registo documental do principio do século vinte.
Quando a descobri, pensei que se tratava do lugar de Cacilhas, mas depois percebi que se tratava da bilheteira junto ao cais de embarque em Lisboa, sempre com grande afluência de gente, aos fins de semana...
Foi por essa razão que acabou por ficar de fora, apesar do cartaz identificativo de Cacilhas...

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Este Tempo de Cuspidores na Sopa...


No final do clássico Benfica-Porto, as palavras que Nuno Gomes dirigiu a Jesualdo Ferreira, dizendo-lhe para não cuspir no prato onde já tinha comido, algum tempo antes, chocaram algumas pessoas mais susceptíveis.
Agora foi a vez de Fernando Santos - o pior treinador do Benfica da última década, falho de alegria e ideias sobre o que é futebol, na minha opinião claro -, armar-se em vitima, dizendo que nunca lhe perdoaram ter treinado o F.C.Porto, entre outras coisas... e também do "inocente" José Veiga, que parece ter descoberto a receita para tornar o Benfica campeão, depois de ter feito quase nada como director desportivo. O "penteadinho" anda por aí, à solta, transformado em escritor, tal como a Carolina Salgado, a quem deu a mão, e com quem se reuniu, num hotel de Lisboa, próximo da Avenida 5 de Outubro, juntamente com a escritora-fantasma e com a Leonor Pinhão, antes da publicação do "best-seller" que também anda por aí nos cinemas (pois, afinal não foi o "orelhas" que se reuniu com esta gente das letras...), virem cuspir na sopa, por sinal, canja de águia...
No Sporting as coisas também não estão famosas, com o bom do Carlos Queirós a insurgir-se com o presidente Soares Franco, nos jornais e na televisão, a querer hipotecar (será de propósito?) as hipóteses de um regresso a Portugal, como Seleccionador Nacional ou outra coisa qualquer...
Eles esquecem-se que no futebol os golos marcam-se dentro do terreno, metendo a bola nas balizas e não nos jornais e revistas...
Grande Nuno Gomes, tu é que tens toda a razão, estamos mesmo no tempo dos cuspidores na sopa...

terça-feira, dezembro 04, 2007

As Ruas de Almada


Há vinte anos que vivo em Almada e não me lembro de ver tanto lixo amontoado, junto aos caixotes, nas ruas da cidade.
Pergunto: como é possível, que no final do dia 4 de Dezembro ainda sejam tão evidentes, os sinais da greve geral de 30 de Novembro? Será que existe outra greve, no interior da Autarquia?
Felizmente o calor já não abunda e o mau cheiro passa quase despercebido, no meio do frio e da humidade.
Só espero que os senhores vereadores do ambiente e serviços urbanos também tenham uma "lixeira" à sua porta...
O óleo que escolhi, sem lixo, é da autoria do brasileiro José Eduardo Godinho...

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Dia Diferente, Para os Diferentes


A nossa natureza, enquanto seres humanos, é uma coisa estranha.
Provavelmente, hoje ainda é mais estranha, porque temos um conhecimento mais profundo do mundo que nos rodeia.
Escrevo com esta "estranheza" porque hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.
Normalmente falamos das barreiras físicas (as mais visíveis...), mas há obstáculos ainda mais difíceis de contornar, que começam logo na nossa mentalidade, na forma como olhamos para as pessoas com problemas. Começam logo por ser "coitadinhos", por estar um degrau abaixo da sociedade em que vivemos, sem lhes darmos a oportunidade de nos mostrarem que são iguais, e até superiores, em tantas coisas...
Estes dias comemorativos que vão aparecendo no calendário, têm pelo menos uma utilidade: obrigam-nos a olhar de frente para os problemas, que tantos de nós enfrentam pela vida fora, mesmo que seja por um só dia no ano...

A fotografia é de Eduardo Gageiro.

sexta-feira, novembro 30, 2007

A Greve e os Números

Não tenho qualquer dúvida sobre a justeza da Greve Geral da Função Pública de hoje, mas se tivesse, elas tinham sido dissipadas pelas afirmações mentirosas de João Figueiredo, nas notícias televisivas.
Quando um secretário de estado (ainda que seja apenas a voz do dono...) diz que os números da greve são 20,03% (esta preciosidade dos 0,03, só mesmo de um governo socrático...) e nós percebemos que a maior parte das escolas estão encerradas, assim como os serviços autárquicos; que os hospitais e os tribunais estão a funcionar muito abaixo dos 50%, é preciso ter muita lata para apresentar estes números, e claro fazer juz ao cartaz da imagem...

quinta-feira, novembro 29, 2007

Carlos do Carmo, de Noite e de Dia...


Só hoje é que ouvi o CD "À Noite", de Carlos do Carmo, que foi vendido na semana passada, juntamente com a "Visão".
E gostei bastante.
Aliás, o Carlos é um dos meus fadistas preferidos. Além de ter um leque de fados extremamente poéticos, canta sempre de uma forma viva, sentida e perceptível (acho muito importante percebermos as palavras ditas por quem fala, recita ou canta...).
Este álbum ainda tem ainda outra qualidade especial, as letras foram escritas por poetas como o Nuno Júdice, José Manuel Mendes, Fernando Pinto do Amaral ou a Maria do Rosário Pedreira.
E a capa e contra-capa são obra do nosso genial Júlio Pomar, que também escreveu dois poemas...
Se gostam de fado, não percam...

terça-feira, novembro 27, 2007

Bom Dia D. Fernando


Ontem o Vitorino deu-me a novidade de que a fragata D. Fernando II e Glória já estava em Cacilhas.
Hoje de manhã passei por lá, para lhe dizer um olá...
Claro que ela está na antiga doca do "Parry", para continuar a ser alvo de reparações e remodelações, as visitas ficam para mais tarde.
Provavelmente esta transferência deu-se para disponibilizar a doca que a fragata estava a ocupar no Arsenal do Alfeite. Mesmo assim não deixa de ser bem vinda a Cacilhas, e com certeza que será mais um atractivo para cativar visitantes à nossa Margem, num futuro próximo...

domingo, novembro 25, 2007

Não à Violência Doméstica


Hoje comemora-se o Dia Internacional Contra a Violência Doméstica.
A Kalinka lançou-me o desafio de colocar um "post" sobre este tema, que nos devia envergonhar a todos, cidadãos do século XXI.
Os números divulgados pela UMAR são elucidativos e mostram-nos mais uma "realidade quase escondida" neste nosso país, com tantas bestas humanas: 20.595 casos denunciados; 39 casos que acabaram em homicídio e 43 em tentativas goradas.
É preciso dizer, alto e a bom som, «Basta!», que ninguém é propriedade de ninguém, todos nós temos os mesmos direitos, independentemente do sexo, da raça ou da idade.

O óleo é de Edward Hopper...

sábado, novembro 24, 2007

A ASAE e os Informadores

Apesar de vivermos em Liberdade há mais de trinta anos, continuamos a cultivar velhos hábitos, estranhos e nocivos para a sociedade.
O mais execrável de todos é a manutenção e o elogio ao bufo, em tudo o que são entidades policiais, fazendo jus às práticas da famosa PIDE.
Incomoda-me que a generalidade das polícias, em vez de fazerem o trabalho de investigação que lhes compete, funcionem, vezes demais, graças a denúncias (quase sempre anónimas), que têm como intuito principal lixar a vida a alguém...
No tempo da outra senhora também era assim...
Em relação aos inspectores da ASAE, além de não gostarem de "ginjinha", nota-se que andam aqui e ali, a pensar no espectáculo televisivo e em tramar alguém, mesmo que nem faça parte do lote de casos deploráveis que se conhecem, aqui e ali.
O mais grave é a ramificação destes maus exemplos também fazer escola em algum jornalismo, que não resiste à tentação de apelar à denúncia anónima...
E como não custa nada esticar o dedo e apontar...

quinta-feira, novembro 22, 2007

Que Farei Com Este Livro?

A Companhia de Teatro de Almada estreia hoje a peça, "Que Farei Com Este Livro?", da autoria de José Saramago, encenada por Joaquim Benite.
Esta peça baseada no livro do nosso prémio Nobel assinala o inicio da comemoração dos trinta anos deste grande grupo teatral sediado em Almada, que tem realizado um trabalho notável como agente cultural. Além de ser o principal promotor da Arte de Talma no concelho, também tem funcionado como uma excelente escola de actores.
O mês de Novembro tem sido memorável para José Saramago: fez 85 anos de idade e a sua obra mais representativa, "O Memorial do Convento", fez vinte cinco anos, tendo ultrapassado o milhão, com edições em todos os continentes.
Se gostam de teatro não faltem, a peça está em exibição na sala principal do Teatro Azul até 21 de Dezembro...

terça-feira, novembro 20, 2007

A Piscina da Gil Vicente


Com as primeiras chuvas, além da confusão natural no trânsito e da lama dos caminhos improvisados, nasceu uma piscina natural na Praça Gil Vicente, com escadinhas e tudo...
Como vêm, nem tudo é mau nas obras do Metro...

segunda-feira, novembro 19, 2007

O Teatro de Romeu


No passado sábado comemorou-se o 90º aniversário do nascimento de Romeu Correia.
Como tem acontecido nos últimos anos, alguns amigos e familiares reuniram-se junto à casa onde Romeu nasceu, em Cacilhas, e deixaram um ramo de flores e algumas palavras em sua homenagem.
Desta vez não vou fazer qualquer comentário sobre os "silêncios" em redor do escritor, embora não deixe de lamentar, que nesta cidade que se tem afirmado culturalmente com a Arte da Talma, e que fique encantada ao olhar os jornais de Julho, títulos como: "Almada Capital do Teatro", tenha passado ao lado do aniversário deste grande dramaturgo.
É que além da Companhia de Teatro de Almada e do Teatro Extremo, existe mais de uma dezena de grupos de teatro amador e Romeu é reconhecido como o autor português mais representado, de Norte a Sul, por companhias e grupos cénicos amadores...

sábado, novembro 17, 2007

Os Estrangeirados Reinam na Rádio

Não tenho qualquer dúvida que os "estrangeirados" da rádio, quase ao jeito do Eça, embora com muito menos categoria e talento, não gostam de ouvir cantar em português.
O Samuel chamou-me a atenção e eu quis ir ainda mais longe...
Vinte cinco por cento é igual a um quarto de hora, ou seja, seis, sete músicas que não sejam muito longas, por hora... um bicho de sete cabeças para os senhores...
Querem um conselho, colocadores de música na rádio? Emigrem para as américas!
E podem levar o Pacheco Pereira...
Claro que o Sinatra não tem nada a ver com isto, mas como ia de viagem...

sexta-feira, novembro 16, 2007

A Desumanização no Seu Melhor

Já falei várias vezes das obras do Metro e dos incómodos que provoca aos almadenses que residem, ou têm de circular, no chamado coração da cidade.
Hoje vi uma senhora de idade a cair no chão, vitima de um obstáculo pouco natural. Os trabalhadores de colete amarelo, que estavam próximos, nem sequer esboçaram uma tentativa de ver se a mulher estava bem, foram os transeuntes que passavam, que se aproximaram e a ajudaram a levantar. Felizmente, não foi nada de muito cuidado. Houve outra senhora mais exaltada que chamou «selvagens» aos operários, que também não lhe deram qualquer resposta...
O que me irrita nisto tudo, é o facto de os pontos mais críticos (mais esburacados e com mais obstáculos, inclusive na forma de atravessar as ruas, de um lado para o outro) continuarem a ser próximos de escolas, da Secundária Cacilhas - Tejo (onde a senhora caiu), e da Básica nº 1 de Almada.
Provavelmente vai ser assim até ao fim...
Calculo que o Município não seja ouvido nem achado na forma como se têm processado as obras, mas poderia, no minímo, registar muitos dos percalços que têm acontecido e tentar minimizá-los junto da construtora.
A população agradecia...

quinta-feira, novembro 15, 2007

Quinta da Arealva


Mais um lugar de eleição de Almada, completamente abandonado, rente ao Tejo...
A Quinta da Arealva faz parte do polémico plano de qualificação do Cristo Rei, em que os "profetas" do Municipio afirmam querer equiparar este espaço a Fátima, Lurdes ou Santiago de Compostela...
Talvez um dia destes aconteça algum milagre por estas bandas, com o beneplácio da "católica" CDU e consiga atrair os tais milhares de peregrinos crédulos...

terça-feira, novembro 13, 2007

O Novo Largo de Cacilhas


Durante o lançamento do livro, "Cacilhas, a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", falei do meu desencanto em relação ao facto de Almada viver quase de costas para o rio e do desaproveitamento do grande potencial turístico do Ginjal e do Largo de Cacilhas.
José Manuel Maia, presidente da Assembleia Municipal de Almada e Carlos Leal, presidente da Junta de Freguesia de Cacilhas, aceitaram o meu repto e disseram aos presentes que o Largo não irá ficar à espera dos outros projectos a médio e longo prazo, que terá forçosamente que sofrer alterações, quanto mais não seja, devido à chegada do Metro a Cacilhas.
E foi assim que se falou: da Fragata D. Fernando e Glória, que dentro de pouco tempo virá para a antiga doca da Parry & Son; do regresso do Farol ao Largo; da construção de uma réplica do chafariz no mesmo lugar; e do fecho do trânsito na rua Cândido dos Reis...

sábado, novembro 10, 2007

A Contra-capa...


A amizade não tem idade, credo, cor, clube, sexo ou partido.
O livro "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", apresentado hoje nesta Localidade, é um bom exemplo.
O pequeno texto da contra-capa é bem elucidativo:
«A amizade e a paixão por Cacilhas uniu estes dois bons amigos em mais uma aventura literária, com uma única pretensão: valorizar a história deste lugar bonito, rente ao Tejo, repleto de memórias...»
Estou a falar de Fernando Barão e de Luís Alves Milheiro, separados por quase quarenta anos de vida...

In "Rádio Azul"

sexta-feira, novembro 09, 2007

A Realidade e o Humor


O "Bartoon" de hoje do "Público" é o retrato fiel deste país.
Luís Afonso fala-nos da metamorfose, em que nos anos de eleições, os políticos transformam contribuintes em eleitores...
E isto não se passa só a nível nacional, passa-se também a nível local, da Capital à Vila mais insignificante.
Almada é um grande exemplo deste "retrato" desenhado. Todos sabemos que as obras do "Metro" estão à espera do ano de eleições para serem inauguradas, com pompa e circunstância.

quinta-feira, novembro 08, 2007

A "Moral" do Motorista da TST


Todos os dias de manhã levo o meu filho à escola. Vamos a pé e somos obrigados a passar diariamente pelas obras intermináveis da praça Gil Vicente e a percorrer os habituais carreiros criados pela construtora.
Por razões compreensíveis, as passadeiras, mudam várias vezes de sitio, na mesma semana, causando sempre maior transtorno aos peões que aos automobilistas. Isto faz com que os condutores respeitem menos as passagens para as pessoas e estas também tenham uma atitude mais defensiva, só passando (mesmo nas passadeiras) quando vêm os carros a reduzir a marcha.
O facto de algumas passadeiras serem colocadas em lugares estranhos, faz com que quase todos nós, atravessemos as estradas onde se torna mais fácil (sim, há passadeiras, colocadas em lugares, que são verdadeiros obstáculos, principalmente para quem anda com mais dificuldade, sem falar de cadeiras de rodas ou carros de bebé...).
Estava num desses lugares, sem as riscas, mas com mais segurança para se atravessar, parado, com o meu filho distraído a olhar para as máquinas e a mexer-se, o que fez com que um condutor da TST começasse a mandar vir, como se o meu filho fosse atravessar à sua frente, embora não tivesse parado o autocarro... limitou-se apenas a refilar. Uma senhora a nosso lado abanou a cabeça e disse: «o mundo está mesmo perdido».
Depois do almoço, estava numa outra passadeira, quando descubro o mesmo sujeito a conduzir o autocarro, desta vez a fingir que não via ninguém e a tentar continuar a marcha. Claro que, como sou um gajo lixado, meti-me à frente do autocarro e obriguei-o a parar. Ele ofereceu-me o seu melhor olhar de "amigo". Claro que lhe lembrei que estava a atravessar numa passadeira e que ele tinha de parar, apenas com gestos...
Notei qualquer coisa nos seus olhos, quase a faiscar, sorri, abanei a cabeça e segui o meu caminho. Provavelmente o senhor motorista não se devia lembrar da cena de manhã...
Infelizmente esta é a moral da generalidade das pessoas que conduzem nas nossas estradas. E é por essa razão que acontecem tantos atropelamentos, mesmo nas passadeiras...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Quanto Vale Uma Vida Hoje?


Não consigo responder à minha pergunta, porque a vida é algo que não se pode contabilizar, pelo menos desta forma. Mas pelo menos posso acrescentar, seguramente, que vale muito menos que há uns anos atrás.
Os acidentes rodoviários dos últimos dias, especialmente os atropelamentos mortais em passadeiras, são o melhor exemplo de que a vida há muito tempo que foi desvalorizada nas estradas portuguesas, onde se mata todos os dias, de uma forma perfeitamente inconsciente, com a complacência das autoridades e da justiça (sim, há por aí muito "assassino" à solta, que deveria ser proibido de voltar a conduzir qualquer veiculo).
A novidade são os assaltos violentos, que estão a ser notícia diariamente, um pouco por todo o lado. Tal como nos filmes, surgem fugas rocambolescas, assaltantes encapuçados, muitos tiros, mortos e feridos, com gravidade. A novidade são as mortes na noite portuense, provocadas por rivalidades mesquinhas e poderes ocultos. A novidade (ou talvez não...) é também a notória incapacidade das autoridades portuguesas em enfrentarem estes novos tipos de violência, com resultados positivos.
Será que os "bons" estão a perder a batalha para os "maus"? Será que é inevitável, perdermos a segurança e a tranquilidade, que faziam do nosso país uma excepção no mundo do crime violento?
O óleo que dá cor a este texto é o "Arsenal" ou "Frida Kahlo Distribui Armas" de Diego Rivera.

terça-feira, novembro 06, 2007

Sophia e o Seu Mar de Palavras


No "O Scala" do Verão de 2004, escrevi um artigo de homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen, após o seu falecimento, com este mesmo título.
Hoje ela faz 88 anos...
Depois de ter voltado a ler o que escrevi, resolvi retirar algumas palavras, partilhando-as com todos vós:
[...] Foi através dos seus poemas que percebi que a poesia de qualidade pode ser simples, verdadeira e compreensível, e não apenas um "corpo quase estranho" virado para o umbigo dos poetas.
Mas ela além de ser uma extraordinária poeta, também era uma pessoa muito bonita, por dentro e por fora. Toda a vida de Sophia foi pautada por uma grande dignidade, associando-se a inúmeras jornadas de luta, pela liberdade e pela justiça.
É por isso que a sua poesia é tão envolvida, e ao mesmo tempo, envolvente com o mundo onde vivemos. Ninguém como Sophia conseguiu encontrar palavras, cuja beleza, limpidez. luminosidade e sentido, explicassem e decifrassem todo o nosso quotidiano. [...]

Esta é a Sophia de Francisco Simões, escultor almadense...

domingo, novembro 04, 2007

A Princesa do Tejo

Gosto bastante da Trafaria.
Acho mesmo que não me importava de viver nesta vila do concelho de Almada, ancorada rente ao Tejo.
Apesar do abandono a que tem sido votada nas últimas décadas - parece que parou no tempo -, transpira tranquilidade.
Além de ter restaurantes óptimos, possui uma atmosfera artesanal muito própria, ligada ao mundo da pesca. Todos aqueles pequenos barcos estacionados rente à praia, assim como os que se amontoam no areal sujo, de tantas cores e nomes de baptismo, dão uma beleza especial a este lugar.
Quem diria, nem mesmo o abandono e a falta de limpeza da areia da praia, que já foi das mais concorridas e chiques da área de Lisboa (na primeira metade do século XX), retiram beleza a esta "Princesa (do Tejo) da Adiça"...
Além do excelente repasto que me foi servido - massada de peixe e marisco -, soube-me bem ter passado um pedaço da tarde solarenta de ontem, nesta terra cheia de potencialidades turísticas...

sábado, novembro 03, 2007

A História de Cacilhas em Livro


Ontem foi feita uma primeira apresentação do livro “Cacilhas – a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais”, da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro, integrada na cerimónia de entrega de prémios da “7ª Festa de Gastronomia de Cacilhas” e na festa de aniversário da Junta de Freguesia de Cacilhas.
Esta sessão contou apenas com a presença de convidados e decorreu numa das salas do Beira Mar de Almada.
O verdadeiro lançamento da obra destes dois cacilhenses vai ser no próximo sábado, dia 10 de Novembro, pelas 16.00 horas, no auditório da Escola Secundária Cacilhas – Tejo, com a apresentação do engenheiro Luís Filipe Bayó Veiga, grande apaixonado por tudo o que esteja ligado à história local.

sexta-feira, novembro 02, 2007

A Tradição Cumpriu-se


Ontem o Sol iluminou Cacilhas e a tradição cumpriu-se.
Não sei se houve dedo da Senhora do Bom Sucesso, na encomenda de um dia tão luminoso, ela que se passeou em procissão durante a tarde pelas principais artérias da Freguesia, até se aproximar da margem do Tejo e abençoar as suas águas, com milhares de testemunhas...
Tenho muita dificuldade em separar a tradição da devoção, mas não deixa de ser agradável, ver tanta gente pelas ruas e pelo Largo de Cacilhas...

quinta-feira, novembro 01, 2007

O Milagre da Senhora do Bom Sucesso

«[...] O grande dia de Cacilhas continua a ser o 1 de Novembro, data em que se comemora o Milagre de Nossa Senhora do Bom Sucesso, com uma procissão que percorre as principais artérias da freguesia e tem o seu ponto alto no Largo Alfredo Dinis, com a realização de uma missa campal e o momento solene em que a Senhora do Bom Sucesso olha as águas do Tejo, para lhes dar a sua benção, acompanhada pelo sinais sonoros de dezenas de embarcações decoradas que se associam à devoção da Santa de Cacilhas.
As ruas da freguesia recebem a visita de milhares de pessoas, que enchem o Largo e as imediações da Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso e se associam todos os anos a esta tradição local religiosa [...]».


(Continuação da pré-publicação do livro: "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro)