segunda-feira, novembro 19, 2007

O Teatro de Romeu


No passado sábado comemorou-se o 90º aniversário do nascimento de Romeu Correia.
Como tem acontecido nos últimos anos, alguns amigos e familiares reuniram-se junto à casa onde Romeu nasceu, em Cacilhas, e deixaram um ramo de flores e algumas palavras em sua homenagem.
Desta vez não vou fazer qualquer comentário sobre os "silêncios" em redor do escritor, embora não deixe de lamentar, que nesta cidade que se tem afirmado culturalmente com a Arte da Talma, e que fique encantada ao olhar os jornais de Julho, títulos como: "Almada Capital do Teatro", tenha passado ao lado do aniversário deste grande dramaturgo.
É que além da Companhia de Teatro de Almada e do Teatro Extremo, existe mais de uma dezena de grupos de teatro amador e Romeu é reconhecido como o autor português mais representado, de Norte a Sul, por companhias e grupos cénicos amadores...

sábado, novembro 17, 2007

Os Estrangeirados Reinam na Rádio

Não tenho qualquer dúvida que os "estrangeirados" da rádio, quase ao jeito do Eça, embora com muito menos categoria e talento, não gostam de ouvir cantar em português.
O Samuel chamou-me a atenção e eu quis ir ainda mais longe...
Vinte cinco por cento é igual a um quarto de hora, ou seja, seis, sete músicas que não sejam muito longas, por hora... um bicho de sete cabeças para os senhores...
Querem um conselho, colocadores de música na rádio? Emigrem para as américas!
E podem levar o Pacheco Pereira...
Claro que o Sinatra não tem nada a ver com isto, mas como ia de viagem...

sexta-feira, novembro 16, 2007

A Desumanização no Seu Melhor

Já falei várias vezes das obras do Metro e dos incómodos que provoca aos almadenses que residem, ou têm de circular, no chamado coração da cidade.
Hoje vi uma senhora de idade a cair no chão, vitima de um obstáculo pouco natural. Os trabalhadores de colete amarelo, que estavam próximos, nem sequer esboçaram uma tentativa de ver se a mulher estava bem, foram os transeuntes que passavam, que se aproximaram e a ajudaram a levantar. Felizmente, não foi nada de muito cuidado. Houve outra senhora mais exaltada que chamou «selvagens» aos operários, que também não lhe deram qualquer resposta...
O que me irrita nisto tudo, é o facto de os pontos mais críticos (mais esburacados e com mais obstáculos, inclusive na forma de atravessar as ruas, de um lado para o outro) continuarem a ser próximos de escolas, da Secundária Cacilhas - Tejo (onde a senhora caiu), e da Básica nº 1 de Almada.
Provavelmente vai ser assim até ao fim...
Calculo que o Município não seja ouvido nem achado na forma como se têm processado as obras, mas poderia, no minímo, registar muitos dos percalços que têm acontecido e tentar minimizá-los junto da construtora.
A população agradecia...

quinta-feira, novembro 15, 2007

Quinta da Arealva


Mais um lugar de eleição de Almada, completamente abandonado, rente ao Tejo...
A Quinta da Arealva faz parte do polémico plano de qualificação do Cristo Rei, em que os "profetas" do Municipio afirmam querer equiparar este espaço a Fátima, Lurdes ou Santiago de Compostela...
Talvez um dia destes aconteça algum milagre por estas bandas, com o beneplácio da "católica" CDU e consiga atrair os tais milhares de peregrinos crédulos...

terça-feira, novembro 13, 2007

O Novo Largo de Cacilhas


Durante o lançamento do livro, "Cacilhas, a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", falei do meu desencanto em relação ao facto de Almada viver quase de costas para o rio e do desaproveitamento do grande potencial turístico do Ginjal e do Largo de Cacilhas.
José Manuel Maia, presidente da Assembleia Municipal de Almada e Carlos Leal, presidente da Junta de Freguesia de Cacilhas, aceitaram o meu repto e disseram aos presentes que o Largo não irá ficar à espera dos outros projectos a médio e longo prazo, que terá forçosamente que sofrer alterações, quanto mais não seja, devido à chegada do Metro a Cacilhas.
E foi assim que se falou: da Fragata D. Fernando e Glória, que dentro de pouco tempo virá para a antiga doca da Parry & Son; do regresso do Farol ao Largo; da construção de uma réplica do chafariz no mesmo lugar; e do fecho do trânsito na rua Cândido dos Reis...

sábado, novembro 10, 2007

A Contra-capa...


A amizade não tem idade, credo, cor, clube, sexo ou partido.
O livro "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", apresentado hoje nesta Localidade, é um bom exemplo.
O pequeno texto da contra-capa é bem elucidativo:
«A amizade e a paixão por Cacilhas uniu estes dois bons amigos em mais uma aventura literária, com uma única pretensão: valorizar a história deste lugar bonito, rente ao Tejo, repleto de memórias...»
Estou a falar de Fernando Barão e de Luís Alves Milheiro, separados por quase quarenta anos de vida...

In "Rádio Azul"

sexta-feira, novembro 09, 2007

A Realidade e o Humor


O "Bartoon" de hoje do "Público" é o retrato fiel deste país.
Luís Afonso fala-nos da metamorfose, em que nos anos de eleições, os políticos transformam contribuintes em eleitores...
E isto não se passa só a nível nacional, passa-se também a nível local, da Capital à Vila mais insignificante.
Almada é um grande exemplo deste "retrato" desenhado. Todos sabemos que as obras do "Metro" estão à espera do ano de eleições para serem inauguradas, com pompa e circunstância.

quinta-feira, novembro 08, 2007

A "Moral" do Motorista da TST


Todos os dias de manhã levo o meu filho à escola. Vamos a pé e somos obrigados a passar diariamente pelas obras intermináveis da praça Gil Vicente e a percorrer os habituais carreiros criados pela construtora.
Por razões compreensíveis, as passadeiras, mudam várias vezes de sitio, na mesma semana, causando sempre maior transtorno aos peões que aos automobilistas. Isto faz com que os condutores respeitem menos as passagens para as pessoas e estas também tenham uma atitude mais defensiva, só passando (mesmo nas passadeiras) quando vêm os carros a reduzir a marcha.
O facto de algumas passadeiras serem colocadas em lugares estranhos, faz com que quase todos nós, atravessemos as estradas onde se torna mais fácil (sim, há passadeiras, colocadas em lugares, que são verdadeiros obstáculos, principalmente para quem anda com mais dificuldade, sem falar de cadeiras de rodas ou carros de bebé...).
Estava num desses lugares, sem as riscas, mas com mais segurança para se atravessar, parado, com o meu filho distraído a olhar para as máquinas e a mexer-se, o que fez com que um condutor da TST começasse a mandar vir, como se o meu filho fosse atravessar à sua frente, embora não tivesse parado o autocarro... limitou-se apenas a refilar. Uma senhora a nosso lado abanou a cabeça e disse: «o mundo está mesmo perdido».
Depois do almoço, estava numa outra passadeira, quando descubro o mesmo sujeito a conduzir o autocarro, desta vez a fingir que não via ninguém e a tentar continuar a marcha. Claro que, como sou um gajo lixado, meti-me à frente do autocarro e obriguei-o a parar. Ele ofereceu-me o seu melhor olhar de "amigo". Claro que lhe lembrei que estava a atravessar numa passadeira e que ele tinha de parar, apenas com gestos...
Notei qualquer coisa nos seus olhos, quase a faiscar, sorri, abanei a cabeça e segui o meu caminho. Provavelmente o senhor motorista não se devia lembrar da cena de manhã...
Infelizmente esta é a moral da generalidade das pessoas que conduzem nas nossas estradas. E é por essa razão que acontecem tantos atropelamentos, mesmo nas passadeiras...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Quanto Vale Uma Vida Hoje?


Não consigo responder à minha pergunta, porque a vida é algo que não se pode contabilizar, pelo menos desta forma. Mas pelo menos posso acrescentar, seguramente, que vale muito menos que há uns anos atrás.
Os acidentes rodoviários dos últimos dias, especialmente os atropelamentos mortais em passadeiras, são o melhor exemplo de que a vida há muito tempo que foi desvalorizada nas estradas portuguesas, onde se mata todos os dias, de uma forma perfeitamente inconsciente, com a complacência das autoridades e da justiça (sim, há por aí muito "assassino" à solta, que deveria ser proibido de voltar a conduzir qualquer veiculo).
A novidade são os assaltos violentos, que estão a ser notícia diariamente, um pouco por todo o lado. Tal como nos filmes, surgem fugas rocambolescas, assaltantes encapuçados, muitos tiros, mortos e feridos, com gravidade. A novidade são as mortes na noite portuense, provocadas por rivalidades mesquinhas e poderes ocultos. A novidade (ou talvez não...) é também a notória incapacidade das autoridades portuguesas em enfrentarem estes novos tipos de violência, com resultados positivos.
Será que os "bons" estão a perder a batalha para os "maus"? Será que é inevitável, perdermos a segurança e a tranquilidade, que faziam do nosso país uma excepção no mundo do crime violento?
O óleo que dá cor a este texto é o "Arsenal" ou "Frida Kahlo Distribui Armas" de Diego Rivera.

terça-feira, novembro 06, 2007

Sophia e o Seu Mar de Palavras


No "O Scala" do Verão de 2004, escrevi um artigo de homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen, após o seu falecimento, com este mesmo título.
Hoje ela faz 88 anos...
Depois de ter voltado a ler o que escrevi, resolvi retirar algumas palavras, partilhando-as com todos vós:
[...] Foi através dos seus poemas que percebi que a poesia de qualidade pode ser simples, verdadeira e compreensível, e não apenas um "corpo quase estranho" virado para o umbigo dos poetas.
Mas ela além de ser uma extraordinária poeta, também era uma pessoa muito bonita, por dentro e por fora. Toda a vida de Sophia foi pautada por uma grande dignidade, associando-se a inúmeras jornadas de luta, pela liberdade e pela justiça.
É por isso que a sua poesia é tão envolvida, e ao mesmo tempo, envolvente com o mundo onde vivemos. Ninguém como Sophia conseguiu encontrar palavras, cuja beleza, limpidez. luminosidade e sentido, explicassem e decifrassem todo o nosso quotidiano. [...]

Esta é a Sophia de Francisco Simões, escultor almadense...

domingo, novembro 04, 2007

A Princesa do Tejo

Gosto bastante da Trafaria.
Acho mesmo que não me importava de viver nesta vila do concelho de Almada, ancorada rente ao Tejo.
Apesar do abandono a que tem sido votada nas últimas décadas - parece que parou no tempo -, transpira tranquilidade.
Além de ter restaurantes óptimos, possui uma atmosfera artesanal muito própria, ligada ao mundo da pesca. Todos aqueles pequenos barcos estacionados rente à praia, assim como os que se amontoam no areal sujo, de tantas cores e nomes de baptismo, dão uma beleza especial a este lugar.
Quem diria, nem mesmo o abandono e a falta de limpeza da areia da praia, que já foi das mais concorridas e chiques da área de Lisboa (na primeira metade do século XX), retiram beleza a esta "Princesa (do Tejo) da Adiça"...
Além do excelente repasto que me foi servido - massada de peixe e marisco -, soube-me bem ter passado um pedaço da tarde solarenta de ontem, nesta terra cheia de potencialidades turísticas...

sábado, novembro 03, 2007

A História de Cacilhas em Livro


Ontem foi feita uma primeira apresentação do livro “Cacilhas – a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais”, da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro, integrada na cerimónia de entrega de prémios da “7ª Festa de Gastronomia de Cacilhas” e na festa de aniversário da Junta de Freguesia de Cacilhas.
Esta sessão contou apenas com a presença de convidados e decorreu numa das salas do Beira Mar de Almada.
O verdadeiro lançamento da obra destes dois cacilhenses vai ser no próximo sábado, dia 10 de Novembro, pelas 16.00 horas, no auditório da Escola Secundária Cacilhas – Tejo, com a apresentação do engenheiro Luís Filipe Bayó Veiga, grande apaixonado por tudo o que esteja ligado à história local.

sexta-feira, novembro 02, 2007

A Tradição Cumpriu-se


Ontem o Sol iluminou Cacilhas e a tradição cumpriu-se.
Não sei se houve dedo da Senhora do Bom Sucesso, na encomenda de um dia tão luminoso, ela que se passeou em procissão durante a tarde pelas principais artérias da Freguesia, até se aproximar da margem do Tejo e abençoar as suas águas, com milhares de testemunhas...
Tenho muita dificuldade em separar a tradição da devoção, mas não deixa de ser agradável, ver tanta gente pelas ruas e pelo Largo de Cacilhas...

quinta-feira, novembro 01, 2007

O Milagre da Senhora do Bom Sucesso

«[...] O grande dia de Cacilhas continua a ser o 1 de Novembro, data em que se comemora o Milagre de Nossa Senhora do Bom Sucesso, com uma procissão que percorre as principais artérias da freguesia e tem o seu ponto alto no Largo Alfredo Dinis, com a realização de uma missa campal e o momento solene em que a Senhora do Bom Sucesso olha as águas do Tejo, para lhes dar a sua benção, acompanhada pelo sinais sonoros de dezenas de embarcações decoradas que se associam à devoção da Santa de Cacilhas.
As ruas da freguesia recebem a visita de milhares de pessoas, que enchem o Largo e as imediações da Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso e se associam todos os anos a esta tradição local religiosa [...]».


(Continuação da pré-publicação do livro: "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro)

quarta-feira, outubro 31, 2007

Leitaria Estrela do Sul


«[...] Este estabelecimento era o mais concorrido em toda a localidade porque estava colocado mesmo junto à estação fluvial da parceria dos Vapores Lisbonenses e era onde se juntavam todos os motoristas de táxis (que não eram poucos) que estavam sempre, de ouvido à escuta sobre as chamadas telefónicas para o nº 30 (ainda me recordo) e era também o "local tertuliano" da população cacilhense, que a não ser a frequência das colectividades, era para ali que ia desabafar, com os seus amigos, os problemas do quotidiano...[...]»

(Continuação da pré-publicação do livro: "Cacilhas - a Gastronomia. a Pesca e as Tradições Locais", da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro)

Este é o retrato actual deste lugar tão especial, no Largo de Cacilhas...

domingo, outubro 28, 2007

O Fumo e os Cafés


Há mais de uma dúzia de anos que costumo passar parte da manhã de domingo no "Café Repuxo", na Praça Gil Vicente.
Tudo começou com uma entrevista que realizei naquele espaço a Henrique Mota, autor dos excelentes volumes biográficos sobre os "Desportistas Almadenses", para o "Record".
Desta conversa viria a nascer uma grande amizade com este saudoso amigo, que perdurou até à sua partida, para o outro lado do mundo.
Acabei por conhecer a dúzia de homens ligados à cultura almadense, que frequentavam o café, em ambiente tertuliano, onde aprendi tantas coisas sobre o concelho de Almada e as suas gentes...
Embora grande parte dos convivas tenham mudado de ares, continuo a gostar de passar por ali, beber um café, ler o jornal e conversar, sempre que é possível.
Um dos últimos resistentes é Victor Aparício, o verdadeiro escritor deste café, quase sempre entretido a encher de palavras, os seus pequenos cadernos. Muitas vezes refugia-se no silêncio, tendo apenas como companhia os cigarros, os seus grandes companheiros de jornada, além da caneta e dos seus heróis de papel, claro.
Ele já me confessou, mais que uma vez, a sua preocupação com a lei que aí vem, porque não lhe apetece deixar estes "amigos" à porta, nem tão pouco, abandonar este espaço...
Eu não fumo - nem nunca fumei -, mas não concebo um café sem os hábitos de sempre, ou seja, as conversas animadas à mesa, a leitura de jornais, e claro, as nuvens de fumo, que circulam de um lado para o outro.
O fumador da fotografia é o realizador John Huston, porque também não consigo imaginar o chamado "cinemá noire" sem a presença do fumo dos cigarros, companheiros dilectos de tantos heróis solitários da sétima arte...

sábado, outubro 27, 2007

O Tejo e a Pesca


«[...] O rio Tejo sempre foi bastante rico em espécies piscícolas até à primeira metade do século XX, que eram importantes para a alimentação e também para a economia local, através do comércio. O grande estuário continuou a oferecer peixes como o sargo, a dourada, a sardinha, a corvina, o congro, o carapau, o sável, o salmonete, o linguado, o charroco, o cação, o goraz, a raia, o ruivo e mariscos e crustáceos como a amêijoa, berbigão, a lapa, a ostra, o búzio, o choco, a lagosta e o caranguejo. Sem esquecer os golfinhos que davam uma beleza especial ao Tejo [...]».

O óleo que embeleza o texto é de João Vaz, chama-se "Barcos na Praia".

(Continuação da pré-publicação de: "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro)

quinta-feira, outubro 25, 2007

A Qualidade do Chá

Gosto de chá.
Sempre gostei. Lembro-me de beber chá na casa da avó (não sei porquê, mas digo sempre a casa da avó e não dos avós...) e também dos meus pais.
Claro que era, e é, uma bebida mais de Inverno. Antes de dar confiança à cafeina, a minha bebida de café nos meses frescos era o chá, fosse no "Sovina" das Caldas ou no "Central" de Almada, acompanhado com as suas deliciosas torradas...
Hoje é mais fácil de gostar de chá, pois existem aromas para todos os gostos e sabores...
A fotografia que escolhi para vos dar "chá", é da Quinta da Gorreana, em São Miguel, Açores, que já tive o prazer de visitar. É o único lugar europeu onde existe uma plantação de chá, e de grande qualidade.

terça-feira, outubro 23, 2007

A Teresa Salgueiro e o Ginjal


Poucas pessoas sabem que Teresa Salgueiro tem ligações familiares ao Ginjal, através dos bisavós, Maria e Zé Bagueira, que possuíram uma casa de pasto onde se confeccionava a caldeirada mais afamada de Cacilhas, dos anos vinte e trinta do século passado.
«[...] Assim, nos anos trinta, a caldeirada mais afreguesada era a da Maria Bagueira, uma excelente criatura que entrosava os seus dotes de cozinheira com o afago e a simpatia, que é meio caminho andado para que, em cada cliente, tenha adquirido um amigo. Assim o convívio era são e os comensais estavam tão à vontade como nas suas casas.
[...] O seu marido, o Zé Bagueira, era um pescador na acepção total do termo. Nunca o conheci a não ser com calça de ganga, camisa de flanela, em grandes quadrados coloridos como matriz. botas de borracha e o velho boné castanho, como usam os pescadores de Sesimbra. Este homem, pai de uma prole abundante (e bisavô da cantora Teresa Salgueiro dos Madre Deus, de fama internacional) estava sempre bem disposto - assim como a mulher - e era um conhecedor profundo das matreirices que é necessário conhecer para que o peixe venha parar à mão. [...]»

Extraído de um dos capítulos do livro "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro, em pré-publicação.

sábado, outubro 20, 2007

Nemo no Ginjal

Mexer em papeis é sempre sinónimo de descobertas...
Desta vez encontrei o "rasto" da passagem de Nemo pelo Ginjal, no final do Verão de 1995...
Este senhor que assina como Nemo, chama-se Serge Faurie, é engenheiro informático e é um "bombeur", expressão francesa que significa grafitista.
O artista, ao passar por Lisboa, resolveu deixar a sua marca, com 36 pinturas de parede (algumas delas em Cacilhas...). Ele escolhe sempre muros degradados, ruínas, depósitos de lixo, para deixar a sua marca, contra «o feio, a tristeza ou a pena», como fez questão de dizer na reportagem da revista do "Expresso", de 2 de Setembro de 1995.
A imagem que escolhi, pintada num dos portões abandonados do Ginjal, pode ter várias leituras. Acho que já todos colocámos bandeiras brancas imaginárias naquele espaço, para que se fizesse alguma coisa por este lugar bonito.
Só que o Município respondeu com placas de proibição...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Mais um Projecto Para o Futuro

A Autarquia continua apostada em apresentar os projectos de estudo sobre a Nova Almada, nos democráticos, "fóruns de participação", abertos à população, especialmente aos apoiantes do costume, sempre prontos a aplaudir...
Passando por cima da polémica que já corre por aí, entre os dois principais interessados na requalificação do Santuário de Almada, a Igreja Católica e o Município - o Reverendo do Santuário diz que não tem conhecimento do projecto, por sua vez o vereador da cultura, diz o contrário... -, tudo indica que temos mais um projecto para o futuro, pouco próximo...
Até porque este, foi apenas o primeiro de muitos "fóruns de participação"...
E é pena, porque se trata de uma zona de grande beleza, que nunca esteve muito acessível à população almadense e que envolve o Santuário do Cristo Rei; o Seminário de São Paulo; a Quinta da Arealva e o Olho de Boi. A área só precisava de um melhor aproveitamento, pois o envolvimento natural já lá está todo, com muitas espécies de plantas, algumas centenárias, que oferecem sombras magnificas, vários miradouros quase naturais. Em suma, um encanto, que ainda por cima se estende até à beira do Tejo...
Segundo a imprensa, querem transformar aquele local num pólo de turismo religioso, com hotéis, espaços de retiro espiritual, espaços verdes, etc.
Só falta mesmo encomendar um milagre...
Não deixa de me espantar, que um partido como o PCP, com toda a sua ortodoxia, que também se estende à religião, participe num projecto que favorece claramente um credo religioso, que sempre se revelou anti-comunista (até inventou uns segredos lá para os lados de Fátima...).
A fotografia que dá cor a este texto é da Quinta da Arealva, um espaço fabuloso, à beira Tejo, completamente abandonado...

quarta-feira, outubro 17, 2007

O Voo de Um País Aparentemente Democrático

Cheguei a casa, liguei a televisão e encontrei o bom do Sócrates a discursar, com o mesmo estilo demagógico, com que prometeu 150 mil empregos, que continuam sem aparecer...
Minutos antes tinha estado numa reunião de trabalho, onde - para variar -, se comentou a situação actual de Almada...
Desliguei a televisão e coloquei uma música, cansado da política e dos nossos políticos...
O Jorge Palma disse-me, entre outras coisas:
Agora já não vejo o sol/ nem o seu reflexo lunar/ levo as asas nos bolsos/ e o coração a planar/ neste voo nocturno/ não sei onde vou aterrar
Jorge Palma não me fez esquecer a realidade. O facto de vivermos há mais de três décadas num regime aparentemente democrático, onde quem detém o poder decide apenas o que mais lhe convém, e nunca, o que é melhor para todos nós.
É impossivel passar ao lado de coisas como os "Fóruns de Participação" sobre os grandes projectos da cidade, que nunca se conseguiram afastar do modelo habitual das sessões de propaganda política. Nem tão pouco ignorar alguns projectos de pessoas qualificadas, que tentam resolver alguns erros, com soluções que visam melhorar a nossa qualidade de vida e também poupar uns cobres ao erário público, que são pura e simplesmente ignorados, por questões pequenas como a cor política (ou a ausência dela...).
A nível nacional as coisas não são melhores. As situações mais vergonhosas passam-se sempre que um governo é substituido por outro. Escudados na habitual lenga-lenga dos lugares de confiança políticia, os novos "donos" do poder despedem gestores de qualidade, para colocarem nos seus lugares, militantes do respectivo partido, quase sempre incompetentes, pelo menos para as funções atribuidas.
Quem fica sempre a perder é o Estado, ou sejamos todos nós.
O pior é que já vivemos há mais de 31 anos, neste país aparentemente democrático, com os resultados que estão à vista...
Entretanto o Jorge Palma perguntava:
Sempre apanhaste o tal comboio?/ Já perdi dois ou três/ entre o ócio e as esquinas,/ ganhei o vicio da estrada,/ nesta outra encruzilhada/ talvez agora a coisa dê/ o passado foi história/ cá estamos nós outra vez/ cá estamos nós outra vez...

terça-feira, outubro 16, 2007

Balbúrbia na Gil Vicente


Há dias em que é impossível circular na Praça Gil Vicente, no começo da manhã.
As obras deram um salto da Avenida 25 de Abril para a Avenida Afonso Henriques, ficando tudo igual na Praça...
A primeira ideia que me ocorre, é que, à boa maneira portuguesa, o que dá mais trabalho fica para o fim, mesmo que isso cause grandes transtornos a todas as pessoas que têm de se deslocar diariamente para este local, por existirem duas escolas na sua proximidade e também por ser uma rotunda onde se "desembocam" sete vias...
É por estas e por outras, que começo a ter saudades da inesquecível Fonte Luminosa...

sábado, outubro 13, 2007

A Nossa Vida Quase Virtual


Os primeiros "Dias da Rádio" foram de grande animação. Alegraram as casas, com música, rádionovelas, notícias, conversas... etc, alterando os nossos hábitos, mas nada de preocupante.
A televisão também apareceu de mansinho, além de ser um objecto de luxo no final da década de cinquenta e principio dos anos sessenta, não funcionava de uma forma contínua e com dezenas de canais. No início havia apenas um canal e as emissões começavam ao fim da tarde e terminavam a horas decentes.
Só nos últimos 15 anos, primeiro com o aparecimento de mais dois canais, e posteriormente com a inovação do cabo e das dezenas de canais, é que os portugueses, mudaram os hábitos.
As pessoas cada vez saem menos à noite, é não é apenas porque as ruas estão mais perigosas. É sim, por culpa da telenovelas viciantes e de outros truques da programação.
Quem mais sofre com estas alterações, são os cinemas e os cafés (que cada vez fecham mais cedo...), quase desertos...
Para nos agarrar ainda mais às quatro paredes, surgiu a "internet", capaz de nos trazer o mundo, para dentro de casa...
E a nossa vida tornou-se ainda mais virtual...
O problema maior, é que estamos de tal forma enredados nesta panóplia tecnológica, que já não conseguimos viver sem estas coisas sem nos sentirmos uns ignorantes, uns "fora do mundo"...


quinta-feira, outubro 11, 2007

A Rosa dos Ventos de Cacilhas


Já tinha passado dezenas de vezes pela montra de um dos talhos de Cacilhas , na rua Cândido dos Reis, que tem em exposição, uma traineira de pesca, construída de fósforos.
Mas só há pouco tempo é que resolvi ler o seu nome: "Rosa dos Ventos".
Um dia destes, além de tirar uma fotografia à montra, perguntei ao único funcionário presente, se o barco era um réplica de alguma traineira a sério.
Claro que o senhor não me soube dizer nada da origem daquela miniatura. Pelo seu ar estava mais preocupado com o facto de não ter um cliente no talho que no barco que estava na montra...
Primeiro descobri um bar, agora uma traineira. O que virá a seguir, senhora da "Rosa dos Ventos"?

quarta-feira, outubro 10, 2007

A Cultura em Almada (Conclusão)


Os "criticos do costume" não têm qualquer razão nos seus protestos, porque apenas a meia-dúzia de metros do local onde foi afixado o "placard" publicitário do Município, encontra-se um campo de Cultura.
Para que não restam quaisquer dúvidas, publicamos a imagem do "campus" referido, que está aberto aos visitantes mais curiosos...

A Cultura em Almada (Parte Um)


Este cartaz publicitário, colocado no Morro de Cacilhas, tem despertado vários comentários na nossa Margem.
Normalmente "os críticos do costume" colocam em causa a localização e a informação que é dada (em inglês e tudo...) a quem nos visita.
Este é um daqueles casos em que se critica só por criticar...

(continua...)

terça-feira, outubro 09, 2007

Os Tiques Salazaristas de Sócrates


Não achei muita piada quando ouvi, numa reportagem televisiva, o nosso primeiro-ministro dizer (depois de mais uma sessão de vaias...), que sabia que eram os comunistas que estavam por trás daquelas manifestações, mas que não era preciso recorrerem ao insulto.
Gostei ainda menos de ouvir, há uns minutos atrás, uma representante dos professores da Covilhã a dar-nos conta da sua indignação pela atenção especial que lhe foi dedicada por dois elementos da PSP, que visitaram ontem a sede do sindicato e, além de levarem os panfletos, que iriam ser distribuídos, durante a visita de hoje de Sócrates à escola onde estudou, ainda lhes recomendaram para terem mais cuidado com o que escreviam.
É no minimo uma forma de intimidação que recorda os bons tempos da PIDE...
No tempo de Salazar é que era comum acusar os comunistas de todo o tipo de acções, que beliscassem o governo de então.
Hoje, isto até acaba por soar a elogio, para o partido da Soeiro Pereira Gomes...
O pior, é que pelo andar da "carroça", não falta muito para que todos os críticos de Sócrates, passem a ser "comunistas" e sejam intimidados, desta e doutras maneiras...

segunda-feira, outubro 08, 2007

O Vinho Benfica


Não pensem que o "Vinho Benfica" foi uma invenção do empresário Manuel Damásio, quando da sua passagem de má memória pela Luz, onde inventou um pouco de tudo, menos dinheiro e títulos (os da "operação coração" não valem)...
Nos anos sessenta e setenta, o período áureo do Benfica, a Quinta da Arealva, localizada no final do Ginjal, produzia vários tipos de vinho com a marca do "Glorioso", como o vinho de agulha (que tinha algum gasoso...), inquieto, fresco e agradável, e também um vinho tinto quente, de doze graus...

domingo, outubro 07, 2007

Eça e Cacilhas


Eça de Queirós foi um grande escritor, embora nunca se tenha tornado muito popular, provavelmente por opção pessoal, já que nunca sentiu vontade de escrever sobre a gente comum, como o Camilo Castelo Branco, por exemplo.
Sempre se assumiu como um estrangeirado, não só por ter viajado muito, mas também por ter exercido funções como consul de Portugal, em Cuba e Inglaterra.
Foi neste último país que redigiu as suas célebres "Cartas de Inglaterra", além dos seus romances "O Primo Basílio" e os "Maias", talvez as suas obras mais emblemáticas...
Nestas suas cartas, encontrei uma "pérola" dedicada a Cacilhas, talvez por não gostar muito de burros nem de tascas, tão populares na época entre nós...
Ele escreveu assim: [...] «É esta fresca ralé que fica em Londres: de modo que apenas a humanidade superior, os dez mil de cima, como tão pitorescamente se diz, partem para os seus castelos, as suas vilas à beira-mar, ou os seus yatchts - Londres, apenas habitado pela turpa abjecta, torna-se sobre a face da terra, como a lamentável Cacilhas.» [...]
Lamentável é este considerando, embora vindo de quem vem, até possa ser considerado elogio...

quinta-feira, outubro 04, 2007

Hoje é o Nosso Dia da República


Almada sempre gostou de se antecipar à História, foi por isso que no dia 4 de Outubro de 1910 foi erguida nos Passos do Concelho da vila a Bandeira do Centro Republicano Capitão Leitão e foram dados vivas à República.
Em Lisboa ainda se disparavam tiros em várias esquinas, entre os fiéis e os opositores do Rei D. Manuel II, provavelmente, ciente de que o seu reino estava por um fio...
E estava mesmo, no dia seguinte foi proclamada a República, colocando fim a quase oitocentos anos de Monarquia no nosso país...

quarta-feira, outubro 03, 2007

Almada - Cidade da Água


Este título pode ter várias leituras.
Não o estou a usar com ironia, mas sim com preocupação. Porque o espaço da Lisnave continua sem sofrer alterações (um pouco mais degradado e abandonado...), apesar dos estaleiros da Margueira já terem sido encerrados há mais de seis anos e já terem "dado à luz" vários projectos para o local...
Segundo o "DN" de hoje, a grande prioridade do Fundo Margueira Capital continua a ser encontrar investidores para o projecto Almada Nascente, apresentado ontem durante a Waterfront 2007.
O investimento procurado é de mais de mil milhões de euros e para realizar ao longo de vinte anos...
Pois, não estamos a falar de tostões, mas de mil milhões...
Claro que estes vinte anos também serão vinte cinco ou trinta, porque já passaram os ditos seis anos, e pelo andar da carruagem, vamos ter de esperar mais uns quantos, para se iniciar o projecto.
Tenho pena é que Cacilhas, cada vez mais degradada, continue refém destes sonhos megalómanos, que nem sabemos se poderão ser concretizados, apesar da sua beleza e inovação, porque estamos a falar de valores demasiado elevados...
Ao ouvir falar dos mil milhões de euros para a Cidade da Água, não consigo deixar de pensar no que se poderia fazer, apenas com a milésima parte deste valor, numa localidade tão bonita e abandonada...

terça-feira, outubro 02, 2007

Romeu Correia, Vida e Obra


"Romeu Correia, Vida e Obra", foi o nome escolhido para a exposição inaugurada no dia 28 de Setembro, no Arquivo Histórico de Almada.
Além de alguns livros da sua autoria, podemos encontrar testemunhos de amigos, transcrições de livros seus e também várias fotografias do escritor e dramaturgo almadense.
A exposição pode ser visitada até 30 de Novembro, de segunda a a sexta.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Incrível Almadense em Festa


A Incrível Almadense comemorou o seu 159 º aniversário com uma grande vitalidade, oferecendo a todos os associados e amigos que compareceram no seu salão de festas, um cenário e um programa diferente do que é habitual em sessões solenes.
Os discursos habituais foram intervalados com as actuações brilhantes da banda de música, do coro polifónico, do cénico e também do grupo da dança de salão.
Gostei especialmente da banda da Incrível, composta maioritariamente por jovens, num total de trinta e nove executantes, muito bem dirigidos por um maestro, também ele jovem...
Merece um destaque especial o discurso do meu querido amigo, Fernando Barão, presidente de Assembleia Geral da colectividade, todo ele de homenagem a estes jovens e à música, lançando inclusive o desafio ao Município, de construir um coreto na Praça da Liberdade, para que os almadenses possam escutar a música tocada pelas quatro bandas filarmónicas do concelho.
Nem tão pouco se esqueceu de mencionar a alínea especial que consta nos estatutos da Incrível: «enquanto existir um músico, a Incrível não acaba!»
Não é por acaso que já passaram cento e cinquenta e nove anos e a Incrível continua a ser a Catedral de Almada...
E curiosamente, ou talvez não, hoje também se comemorou o Dia Mundial da Música.

domingo, setembro 30, 2007

As Obras de Santa Engrácia em Almada


As frases mais comuns que se escutam na rua, entre grades, nos caminhos estreitos de areia e pedra, amaldiçoam as obras e os autarcas de Almada. Há quem vá mais longe e prometa não votar na senhora dona Maria Emilia nas próximas eleições...
Claro que a maior parte destes desabafos passam com o tempo, principalmente se a questão do Metro estiver resolvida, uns meses antes das eleições...
Mas é irritante esta falta de respeito pelas pessoas.
O pior, é que eu sei, que não há nada a fazer, porque os construtores regem-se pela "lei do lucro" e não pela comodidade dos cidadãos almadenses.
É por isso que a cidade está toda virada do avesso e as prometidas obras feitas por etapas, não passaram de mais uma, entre as muitas promessas da lista, que ficam por cumprir...

sexta-feira, setembro 28, 2007

O Ginjal e a Arte Almadense (III)


O Ginjal hoje surge duplamente representado no "Casario".
Digo isto porque a pintora almadense, Júlia Câpelo, além de escolher este espaço como fonte de inspiração, nasceu e continua a viver no Ginjal.
Além das ruínas, há o Tejo, que poderá muito bem ser o mais lindo rio do mundo (pelo menos para mim e para a Júlia...).

quinta-feira, setembro 27, 2007

Um Símbolo de Resistência


Quando visitei o Arquipélago dos Açores, em 1995, fiquei maravilhado com tanta beleza natural.
De todas as Ilhas que visitei, o Faial marcou-me de uma forma especial, ao ponto de ter escrito, que foi o lugar que encontrei mais próximo, daquilo que se costuma chamar "paraíso"...
Além de todo aquele verde florido dos campos, e do azul tão vivo do mar, não esqueci a Ponta dos Capelinhos, por ser a antitese de toda a ilha, com o seu ar lunar...
Mas o que mais me impressionou naquele canto cinzento foi o Farol (reconstruído há pouco tempo), que se mantinha de pé, imponente, como o único sinal de resistência a toda a violência sísmica, que tomou conta da Ilha durante mais de um ano. O Farol resistiu aos tremores de terra, à lava e a sei lá que mais...
Estas palavras não surgem aqui por acaso. O Vulcão dos Capelinhos entrou em erupção há cinquenta anos...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Herman e a Margem Sul


De vez em quando descubro algumas pequenas preciosidades, como esta frase de Herman José, que acompanha o retrato de uma das suas personagens mais populares, Tony Silva, "el gran criador de la musica ró", publicada na revista do semanário "Expresso", de 13 de Junho de 1997...
Nesta altura, mesmo utilizando uma "olimpic", talento era coisa que não lhe faltava...

segunda-feira, setembro 24, 2007

O Pontal de Cacilhas


Cacilhas no final do século XIX era assim, apenas com um pequeno cais, ou se quiserem, Pontal...
Este postal tem como título "Pontal de Cacilhas", que curiosamente, emprestou o nome a um blogue, também regional, como o "Casario"...

domingo, setembro 23, 2007

Burricadas e Artesanato em Cacilhas



Os Escuteiros de Cacilhas organizaram mais uma vez as "burricadas" e a "feira de artesanato" (este ano com mais qualidade e variedade de produtos...), animando a localidade.
O bonito domingo de sol deu uma ajuda e a "Rua Direita" da localidade ribeirinha (apesar de ter hoje o nome Cândido dos Reis, continua a ser a mais importante da Freguesia...), encheu-se de pessoas, muitas das quais também aproveitaram para almoçar e petiscar nos vários restaurantes cacilhenses.

quinta-feira, setembro 20, 2007

A Nossa Senhora não lhe vai Perdoar...


Nunca imaginei que Scolari, em vez de acender uma velinha à Nossa Senhora do Caravaggio, viesse fazer uma declaração pública, afirmando que iria recorrer do castigo generoso, que lhe foi aplicado: quatro jogos por uma agressão, que só foi insignificante, por ele ter pouca vocação para o pugilato.
Mas o que mais me chocou foi Scolari afirmar que tinha reconhecido com toda a frontalidade e sinceridade o seu erro, e como tal não merecia aquela punição.
Talvez ele pense que somos todos estúpidos...
Eu não esqueci que ele após o jogo disse que o que tinha acontecido era normal no futebol. E que só no dia seguinte é que se retratou, embora continuasse a colocar as culpas no jogador adversário, dizendo que só quis defender o Quaresma.
Qualquer pessoa inteligente percebeu que aquela declaração tinha sido encomendada pela Federação, numa espécie de "perdoa-me", para a UEFA, assim como a entrevista feita a pedido à Judite de Sousa, onde se afirmou culpado mas não arrependido...
Tenho pena que o órgão máximo do futebol não aproveite esta oportunidade de ouro, para lhe colocar as malas nas mãos e enviar à precedência.
Mas Gilberto Madail e Amândio de Carvalho (esse mesmo, o da vergonha de "Saltilho", há vinte e um anos), são incapazes de tomar decisões, a bem do futebol e da nossa dignidade lusitana.

terça-feira, setembro 18, 2007

A Semana da Mobilidade em Almada


Eu sei que a hipocrísia não tem limites na política, mas não posso deixar de referir o meu descontentamento por o nosso Município utilizar todos os anos a "Semana Europeia da Mobilidade", para fingir que caminhamos para o modelo ideal de cidade.
Como eu gostava que houvesse "Melhores Ruas Para Todos"!
Mas o mais caricato é o dia "Hoje Vou de Bicicleta" (dia 19), em que existe inclusive a operação "trrim-Trrim", uma iniciativa para que os trabalhadores municipais vão de para o trabalho de bicicleta...
Espero estar errado, mas penso que não está projectada (pelo menos nunca reparei...) qualquer ciclovia nas avenidas principais de Almada, com toda esta transformação no trânsito com o advento do Metro. E era fundamental, para a tal construção de "melhores ruas para todos", que existisse uma ligação entre o centro da cidade e o Parque da Paz para quem gosta de andar de bicicleta.
Mas se nem entre Cacilhas (via Cova da Piedade) e o Parque da Paz existe qualquer ciclovia, aproveitando a largueza da Avenida Aliança Povo-MFA, estamos conversados...
Ficamos à espera dos planos da Almada Nascente, lá para 2020, 2030...

segunda-feira, setembro 17, 2007

A Grande Telma


O "Casario" até parece que se está a tornar num blogue desportivo...
Não faz mal, porque se trata de uma boa causa.
Seria indesculpável passar ao lado de mais um grande êxito da almadense Telma Monteiro (Vice-campeã Mundial de judo), que tal como Vanessa Fernandes, é a maior certeza do desporto português e uma grande candidata ao ouro olímpico em Pequim, no próximo ano.

domingo, setembro 16, 2007

O Culto das Vitórias Morais


Tenho muita dificuldade em perceber toda esta "ladainha" da imprensa portuguesa em redor da selecção de rugby, que prefere dar relevo a ovações históricas e ao espírito de equipa dos "lobos", fingindo ignorar os resultados, que são uma vergonha, mesmo nesta modalidade...
os números das derrotas (com a Escócia por 56 - 10 e com a Nova Zelândia por 108 - 13), só não são evidentes para os "cultores" da vitórias morais...

sexta-feira, setembro 14, 2007

O Fascínio das Duas Rodas


O Autódromo do Estoril recebe este fim de semana mais um "Grande Prémio de Portugal", de motociclismo.
É uma boa oportunidade para todos os amantes deste desporto, verem os seus ídolos, Valentino Rossi, Casey Stoner, ou ainda o nosso vizinho Dani Pedrosa.
Segundo as notícias divulgadas na imprensa, o circuito no futuro próximo terá de ser "blindado", só assim garantirá a sua presença no calendário mundial...
Ivo Relvas é o único português presente (graças a um wild-card) na competição de 125 cc. Trata-se de um jovem com apenas 17 anos, que vai tentar a qualificação.
Ao contrário das crianças da foto, bem "apanhadas" por Eduardo Gageiro, Ivo anda de mota desde os quatro anos...

quinta-feira, setembro 13, 2007

A Telenovela Scolari Está no Ar...


A comunicação social tem andado a apresentar, desde a noite de ontem, uma nova "telenovela" nacional. Utiliza todos os angulos disponiveis e serve-se dos protagonistas possíveis e impossíveis, que queiram dar a sua colaboração, de preferência de uma forma polémica, ou seja, preparando o terreno para o fim do estado de graça do protegido da "Nossa Senhora do Caravaggio".
A cena mais vista nesta "promoção", tem revelado como actor principal um treinador de cabeça perdida, no final de um jogo de futebol, em que acabara de perder dois pontos apenas a quatro minutos do fim, com um golo ilegal validado por um árbitro alemão, demasiado estranho, e que resolveu atirar-se a um sérvio, provocador, como qualquer "materazzi" que se preze...
À hora do almoço foi a vez de aparecer o primeiro "judas" a terreiro, no "Primeiro Jornal" da SIC. O sujeito pequenino, rasteiro, vaidoso, que adora fazer o número do "intelectual impoluto do futebol", tinha o seu papel bem estudado: servir a sua vingança a quente, ao homem que lhe chamou "sobrinho do tio" (Rui Santos).
Só que o dito treinador resolveu trocar as voltas aos "argumentistas", e apareceu, humildemente, a pedir desculpa aos portugueses, à FPF, à UEFA e aos seus atletas pela sua atitude impensada.
Num ápice, ficou para trás a sua primeira reacção, em que abanou os ombros e disse que aqueles toques eram situações normais no futebol. Esqueceu-se a sua aposta em jogadores fora de forma, incapazes de aguentar os noventa minutos de um jogo de futebol, e claro, as já habituais substituições mirabolantes, que ninguém percebe...
Claro que a procissão, aliás, telenovela, ainda vai no adro, falta ouvir a opinião avalizada de Pinto da Costa, entre outras sumidades deste futebol "especial de corrida"...

terça-feira, setembro 11, 2007

Não Há Duas Sem Três...

Cacilhas sempre foi uma freguesia sem grandes espaços para acolher a cultura, nas suas várias áreas de intervenção.
Se excluirmos a "Casa de Juventude", que como o seu próprio nome indica, está direccionada para um público mais jovem e não para a população cacilhense em geral, não existe mais nenhum espaço público ou privado, ao serviço dos amantes das artes e letras.
Foi graças a toda esta "pobreza" que o "Café com Letras" vingou e tornou-se num espaço aberto a muitas culturas, onde a fotografia, as artes plásticas conviveram sempre muito bem com as palavras ditas, que tiveram o seu ponto alto com a "Poesia Vadia".
Claro que o café era uma casa comercial, e depressa se percebeu que a cultura está longe de ser a "galinha dos ovos de ouro"...
A Guida acabou por trespassar o café à Lane e ao Manuel, que embora tenham mudado o nome (passou a chamar-se "Sabor e Arte") tentaram manter as suas características especiais.
Só que as dificuldades económicas, que se reflectem no país e no concelho, colocaram, mais uma vez a "cultura" de café pelo caminho...
A sabedoria popular diz que não há duas sem três, pelo que ficamos à espera que apareça alguém com coragem, vontade e sorte, para continuar a fazer deste espaço, um pequeno centro de cultura local, bem sucedido...

segunda-feira, setembro 10, 2007

Cruzeiro no Tejo


Nem tudo é mau nesta Margem do Rio...
Entre outras coisas, há a possibilidade de fazermos um "Cruzeiro pelo Tejo", entre Cacilhas e Belém... mais ou menos de hora a hora, apreciando a beleza das duas margens, e claro, a passagem por debaixo da Ponte 25 de Abril, um momento sempre especial...
Tudo isto por apenas 74 cêntimos, no "ferry" da Transtejo...
No regresso, embora aparentemente não seja das paisagens mais bonitas, é sempre possível descobrir alguma nobreza na decadência do "Casario do Ginjal" que, apesar do abandono, continua a olhar de frente para o Rio...

sábado, setembro 08, 2007

Uma Semana, Um Outro País...


Nunca pensei que numa simples semana - em que felizmente me refugiei no campo -, acontecessem tantos casos de polícia, quase inverosimilhantes, neste país, até há pouco tempo, menos dado a um género de violência, vulgar nos filmes...
É a explicação que me ocorre para o tiroteio sangrento em Viana do Castelo, depois do roubo à ourivesaria e ao museu particular do dono; para o assalto a uma instituição bancária em Viseu, cuja fuga rocambolesca teve um pouco de tudo: um primeiro carro em chamas, um segundo parado no meio da mata, depois de uma perseguição policial, e finalmente, o cerco a toda aquela zona florestal, por parte das autoridades e da própria população...
Depois destes casos, só faltava a transformação dos pais da menina inglesa, desaparecida, em arguidos...
O país está a mudar, pelas piores razões, apesar do discurso mentiroso e demagógico de uma parte considerável dos nossos governantes - agora foi a vez do MAI, enfiar a cabeça na areia -, que têm um primeiro ministro à sua altura...