domingo, outubro 28, 2007

O Fumo e os Cafés


Há mais de uma dúzia de anos que costumo passar parte da manhã de domingo no "Café Repuxo", na Praça Gil Vicente.
Tudo começou com uma entrevista que realizei naquele espaço a Henrique Mota, autor dos excelentes volumes biográficos sobre os "Desportistas Almadenses", para o "Record".
Desta conversa viria a nascer uma grande amizade com este saudoso amigo, que perdurou até à sua partida, para o outro lado do mundo.
Acabei por conhecer a dúzia de homens ligados à cultura almadense, que frequentavam o café, em ambiente tertuliano, onde aprendi tantas coisas sobre o concelho de Almada e as suas gentes...
Embora grande parte dos convivas tenham mudado de ares, continuo a gostar de passar por ali, beber um café, ler o jornal e conversar, sempre que é possível.
Um dos últimos resistentes é Victor Aparício, o verdadeiro escritor deste café, quase sempre entretido a encher de palavras, os seus pequenos cadernos. Muitas vezes refugia-se no silêncio, tendo apenas como companhia os cigarros, os seus grandes companheiros de jornada, além da caneta e dos seus heróis de papel, claro.
Ele já me confessou, mais que uma vez, a sua preocupação com a lei que aí vem, porque não lhe apetece deixar estes "amigos" à porta, nem tão pouco, abandonar este espaço...
Eu não fumo - nem nunca fumei -, mas não concebo um café sem os hábitos de sempre, ou seja, as conversas animadas à mesa, a leitura de jornais, e claro, as nuvens de fumo, que circulam de um lado para o outro.
O fumador da fotografia é o realizador John Huston, porque também não consigo imaginar o chamado "cinemá noire" sem a presença do fumo dos cigarros, companheiros dilectos de tantos heróis solitários da sétima arte...

sábado, outubro 27, 2007

O Tejo e a Pesca


«[...] O rio Tejo sempre foi bastante rico em espécies piscícolas até à primeira metade do século XX, que eram importantes para a alimentação e também para a economia local, através do comércio. O grande estuário continuou a oferecer peixes como o sargo, a dourada, a sardinha, a corvina, o congro, o carapau, o sável, o salmonete, o linguado, o charroco, o cação, o goraz, a raia, o ruivo e mariscos e crustáceos como a amêijoa, berbigão, a lapa, a ostra, o búzio, o choco, a lagosta e o caranguejo. Sem esquecer os golfinhos que davam uma beleza especial ao Tejo [...]».

O óleo que embeleza o texto é de João Vaz, chama-se "Barcos na Praia".

(Continuação da pré-publicação de: "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro)

quinta-feira, outubro 25, 2007

A Qualidade do Chá

Gosto de chá.
Sempre gostei. Lembro-me de beber chá na casa da avó (não sei porquê, mas digo sempre a casa da avó e não dos avós...) e também dos meus pais.
Claro que era, e é, uma bebida mais de Inverno. Antes de dar confiança à cafeina, a minha bebida de café nos meses frescos era o chá, fosse no "Sovina" das Caldas ou no "Central" de Almada, acompanhado com as suas deliciosas torradas...
Hoje é mais fácil de gostar de chá, pois existem aromas para todos os gostos e sabores...
A fotografia que escolhi para vos dar "chá", é da Quinta da Gorreana, em São Miguel, Açores, que já tive o prazer de visitar. É o único lugar europeu onde existe uma plantação de chá, e de grande qualidade.

terça-feira, outubro 23, 2007

A Teresa Salgueiro e o Ginjal


Poucas pessoas sabem que Teresa Salgueiro tem ligações familiares ao Ginjal, através dos bisavós, Maria e Zé Bagueira, que possuíram uma casa de pasto onde se confeccionava a caldeirada mais afamada de Cacilhas, dos anos vinte e trinta do século passado.
«[...] Assim, nos anos trinta, a caldeirada mais afreguesada era a da Maria Bagueira, uma excelente criatura que entrosava os seus dotes de cozinheira com o afago e a simpatia, que é meio caminho andado para que, em cada cliente, tenha adquirido um amigo. Assim o convívio era são e os comensais estavam tão à vontade como nas suas casas.
[...] O seu marido, o Zé Bagueira, era um pescador na acepção total do termo. Nunca o conheci a não ser com calça de ganga, camisa de flanela, em grandes quadrados coloridos como matriz. botas de borracha e o velho boné castanho, como usam os pescadores de Sesimbra. Este homem, pai de uma prole abundante (e bisavô da cantora Teresa Salgueiro dos Madre Deus, de fama internacional) estava sempre bem disposto - assim como a mulher - e era um conhecedor profundo das matreirices que é necessário conhecer para que o peixe venha parar à mão. [...]»

Extraído de um dos capítulos do livro "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro, em pré-publicação.

sábado, outubro 20, 2007

Nemo no Ginjal

Mexer em papeis é sempre sinónimo de descobertas...
Desta vez encontrei o "rasto" da passagem de Nemo pelo Ginjal, no final do Verão de 1995...
Este senhor que assina como Nemo, chama-se Serge Faurie, é engenheiro informático e é um "bombeur", expressão francesa que significa grafitista.
O artista, ao passar por Lisboa, resolveu deixar a sua marca, com 36 pinturas de parede (algumas delas em Cacilhas...). Ele escolhe sempre muros degradados, ruínas, depósitos de lixo, para deixar a sua marca, contra «o feio, a tristeza ou a pena», como fez questão de dizer na reportagem da revista do "Expresso", de 2 de Setembro de 1995.
A imagem que escolhi, pintada num dos portões abandonados do Ginjal, pode ter várias leituras. Acho que já todos colocámos bandeiras brancas imaginárias naquele espaço, para que se fizesse alguma coisa por este lugar bonito.
Só que o Município respondeu com placas de proibição...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Mais um Projecto Para o Futuro

A Autarquia continua apostada em apresentar os projectos de estudo sobre a Nova Almada, nos democráticos, "fóruns de participação", abertos à população, especialmente aos apoiantes do costume, sempre prontos a aplaudir...
Passando por cima da polémica que já corre por aí, entre os dois principais interessados na requalificação do Santuário de Almada, a Igreja Católica e o Município - o Reverendo do Santuário diz que não tem conhecimento do projecto, por sua vez o vereador da cultura, diz o contrário... -, tudo indica que temos mais um projecto para o futuro, pouco próximo...
Até porque este, foi apenas o primeiro de muitos "fóruns de participação"...
E é pena, porque se trata de uma zona de grande beleza, que nunca esteve muito acessível à população almadense e que envolve o Santuário do Cristo Rei; o Seminário de São Paulo; a Quinta da Arealva e o Olho de Boi. A área só precisava de um melhor aproveitamento, pois o envolvimento natural já lá está todo, com muitas espécies de plantas, algumas centenárias, que oferecem sombras magnificas, vários miradouros quase naturais. Em suma, um encanto, que ainda por cima se estende até à beira do Tejo...
Segundo a imprensa, querem transformar aquele local num pólo de turismo religioso, com hotéis, espaços de retiro espiritual, espaços verdes, etc.
Só falta mesmo encomendar um milagre...
Não deixa de me espantar, que um partido como o PCP, com toda a sua ortodoxia, que também se estende à religião, participe num projecto que favorece claramente um credo religioso, que sempre se revelou anti-comunista (até inventou uns segredos lá para os lados de Fátima...).
A fotografia que dá cor a este texto é da Quinta da Arealva, um espaço fabuloso, à beira Tejo, completamente abandonado...

quarta-feira, outubro 17, 2007

O Voo de Um País Aparentemente Democrático

Cheguei a casa, liguei a televisão e encontrei o bom do Sócrates a discursar, com o mesmo estilo demagógico, com que prometeu 150 mil empregos, que continuam sem aparecer...
Minutos antes tinha estado numa reunião de trabalho, onde - para variar -, se comentou a situação actual de Almada...
Desliguei a televisão e coloquei uma música, cansado da política e dos nossos políticos...
O Jorge Palma disse-me, entre outras coisas:
Agora já não vejo o sol/ nem o seu reflexo lunar/ levo as asas nos bolsos/ e o coração a planar/ neste voo nocturno/ não sei onde vou aterrar
Jorge Palma não me fez esquecer a realidade. O facto de vivermos há mais de três décadas num regime aparentemente democrático, onde quem detém o poder decide apenas o que mais lhe convém, e nunca, o que é melhor para todos nós.
É impossivel passar ao lado de coisas como os "Fóruns de Participação" sobre os grandes projectos da cidade, que nunca se conseguiram afastar do modelo habitual das sessões de propaganda política. Nem tão pouco ignorar alguns projectos de pessoas qualificadas, que tentam resolver alguns erros, com soluções que visam melhorar a nossa qualidade de vida e também poupar uns cobres ao erário público, que são pura e simplesmente ignorados, por questões pequenas como a cor política (ou a ausência dela...).
A nível nacional as coisas não são melhores. As situações mais vergonhosas passam-se sempre que um governo é substituido por outro. Escudados na habitual lenga-lenga dos lugares de confiança políticia, os novos "donos" do poder despedem gestores de qualidade, para colocarem nos seus lugares, militantes do respectivo partido, quase sempre incompetentes, pelo menos para as funções atribuidas.
Quem fica sempre a perder é o Estado, ou sejamos todos nós.
O pior é que já vivemos há mais de 31 anos, neste país aparentemente democrático, com os resultados que estão à vista...
Entretanto o Jorge Palma perguntava:
Sempre apanhaste o tal comboio?/ Já perdi dois ou três/ entre o ócio e as esquinas,/ ganhei o vicio da estrada,/ nesta outra encruzilhada/ talvez agora a coisa dê/ o passado foi história/ cá estamos nós outra vez/ cá estamos nós outra vez...

terça-feira, outubro 16, 2007

Balbúrbia na Gil Vicente


Há dias em que é impossível circular na Praça Gil Vicente, no começo da manhã.
As obras deram um salto da Avenida 25 de Abril para a Avenida Afonso Henriques, ficando tudo igual na Praça...
A primeira ideia que me ocorre, é que, à boa maneira portuguesa, o que dá mais trabalho fica para o fim, mesmo que isso cause grandes transtornos a todas as pessoas que têm de se deslocar diariamente para este local, por existirem duas escolas na sua proximidade e também por ser uma rotunda onde se "desembocam" sete vias...
É por estas e por outras, que começo a ter saudades da inesquecível Fonte Luminosa...

sábado, outubro 13, 2007

A Nossa Vida Quase Virtual


Os primeiros "Dias da Rádio" foram de grande animação. Alegraram as casas, com música, rádionovelas, notícias, conversas... etc, alterando os nossos hábitos, mas nada de preocupante.
A televisão também apareceu de mansinho, além de ser um objecto de luxo no final da década de cinquenta e principio dos anos sessenta, não funcionava de uma forma contínua e com dezenas de canais. No início havia apenas um canal e as emissões começavam ao fim da tarde e terminavam a horas decentes.
Só nos últimos 15 anos, primeiro com o aparecimento de mais dois canais, e posteriormente com a inovação do cabo e das dezenas de canais, é que os portugueses, mudaram os hábitos.
As pessoas cada vez saem menos à noite, é não é apenas porque as ruas estão mais perigosas. É sim, por culpa da telenovelas viciantes e de outros truques da programação.
Quem mais sofre com estas alterações, são os cinemas e os cafés (que cada vez fecham mais cedo...), quase desertos...
Para nos agarrar ainda mais às quatro paredes, surgiu a "internet", capaz de nos trazer o mundo, para dentro de casa...
E a nossa vida tornou-se ainda mais virtual...
O problema maior, é que estamos de tal forma enredados nesta panóplia tecnológica, que já não conseguimos viver sem estas coisas sem nos sentirmos uns ignorantes, uns "fora do mundo"...


quinta-feira, outubro 11, 2007

A Rosa dos Ventos de Cacilhas


Já tinha passado dezenas de vezes pela montra de um dos talhos de Cacilhas , na rua Cândido dos Reis, que tem em exposição, uma traineira de pesca, construída de fósforos.
Mas só há pouco tempo é que resolvi ler o seu nome: "Rosa dos Ventos".
Um dia destes, além de tirar uma fotografia à montra, perguntei ao único funcionário presente, se o barco era um réplica de alguma traineira a sério.
Claro que o senhor não me soube dizer nada da origem daquela miniatura. Pelo seu ar estava mais preocupado com o facto de não ter um cliente no talho que no barco que estava na montra...
Primeiro descobri um bar, agora uma traineira. O que virá a seguir, senhora da "Rosa dos Ventos"?

quarta-feira, outubro 10, 2007

A Cultura em Almada (Conclusão)


Os "criticos do costume" não têm qualquer razão nos seus protestos, porque apenas a meia-dúzia de metros do local onde foi afixado o "placard" publicitário do Município, encontra-se um campo de Cultura.
Para que não restam quaisquer dúvidas, publicamos a imagem do "campus" referido, que está aberto aos visitantes mais curiosos...

A Cultura em Almada (Parte Um)


Este cartaz publicitário, colocado no Morro de Cacilhas, tem despertado vários comentários na nossa Margem.
Normalmente "os críticos do costume" colocam em causa a localização e a informação que é dada (em inglês e tudo...) a quem nos visita.
Este é um daqueles casos em que se critica só por criticar...

(continua...)

terça-feira, outubro 09, 2007

Os Tiques Salazaristas de Sócrates


Não achei muita piada quando ouvi, numa reportagem televisiva, o nosso primeiro-ministro dizer (depois de mais uma sessão de vaias...), que sabia que eram os comunistas que estavam por trás daquelas manifestações, mas que não era preciso recorrerem ao insulto.
Gostei ainda menos de ouvir, há uns minutos atrás, uma representante dos professores da Covilhã a dar-nos conta da sua indignação pela atenção especial que lhe foi dedicada por dois elementos da PSP, que visitaram ontem a sede do sindicato e, além de levarem os panfletos, que iriam ser distribuídos, durante a visita de hoje de Sócrates à escola onde estudou, ainda lhes recomendaram para terem mais cuidado com o que escreviam.
É no minimo uma forma de intimidação que recorda os bons tempos da PIDE...
No tempo de Salazar é que era comum acusar os comunistas de todo o tipo de acções, que beliscassem o governo de então.
Hoje, isto até acaba por soar a elogio, para o partido da Soeiro Pereira Gomes...
O pior, é que pelo andar da "carroça", não falta muito para que todos os críticos de Sócrates, passem a ser "comunistas" e sejam intimidados, desta e doutras maneiras...

segunda-feira, outubro 08, 2007

O Vinho Benfica


Não pensem que o "Vinho Benfica" foi uma invenção do empresário Manuel Damásio, quando da sua passagem de má memória pela Luz, onde inventou um pouco de tudo, menos dinheiro e títulos (os da "operação coração" não valem)...
Nos anos sessenta e setenta, o período áureo do Benfica, a Quinta da Arealva, localizada no final do Ginjal, produzia vários tipos de vinho com a marca do "Glorioso", como o vinho de agulha (que tinha algum gasoso...), inquieto, fresco e agradável, e também um vinho tinto quente, de doze graus...

domingo, outubro 07, 2007

Eça e Cacilhas


Eça de Queirós foi um grande escritor, embora nunca se tenha tornado muito popular, provavelmente por opção pessoal, já que nunca sentiu vontade de escrever sobre a gente comum, como o Camilo Castelo Branco, por exemplo.
Sempre se assumiu como um estrangeirado, não só por ter viajado muito, mas também por ter exercido funções como consul de Portugal, em Cuba e Inglaterra.
Foi neste último país que redigiu as suas célebres "Cartas de Inglaterra", além dos seus romances "O Primo Basílio" e os "Maias", talvez as suas obras mais emblemáticas...
Nestas suas cartas, encontrei uma "pérola" dedicada a Cacilhas, talvez por não gostar muito de burros nem de tascas, tão populares na época entre nós...
Ele escreveu assim: [...] «É esta fresca ralé que fica em Londres: de modo que apenas a humanidade superior, os dez mil de cima, como tão pitorescamente se diz, partem para os seus castelos, as suas vilas à beira-mar, ou os seus yatchts - Londres, apenas habitado pela turpa abjecta, torna-se sobre a face da terra, como a lamentável Cacilhas.» [...]
Lamentável é este considerando, embora vindo de quem vem, até possa ser considerado elogio...

quinta-feira, outubro 04, 2007

Hoje é o Nosso Dia da República


Almada sempre gostou de se antecipar à História, foi por isso que no dia 4 de Outubro de 1910 foi erguida nos Passos do Concelho da vila a Bandeira do Centro Republicano Capitão Leitão e foram dados vivas à República.
Em Lisboa ainda se disparavam tiros em várias esquinas, entre os fiéis e os opositores do Rei D. Manuel II, provavelmente, ciente de que o seu reino estava por um fio...
E estava mesmo, no dia seguinte foi proclamada a República, colocando fim a quase oitocentos anos de Monarquia no nosso país...

quarta-feira, outubro 03, 2007

Almada - Cidade da Água


Este título pode ter várias leituras.
Não o estou a usar com ironia, mas sim com preocupação. Porque o espaço da Lisnave continua sem sofrer alterações (um pouco mais degradado e abandonado...), apesar dos estaleiros da Margueira já terem sido encerrados há mais de seis anos e já terem "dado à luz" vários projectos para o local...
Segundo o "DN" de hoje, a grande prioridade do Fundo Margueira Capital continua a ser encontrar investidores para o projecto Almada Nascente, apresentado ontem durante a Waterfront 2007.
O investimento procurado é de mais de mil milhões de euros e para realizar ao longo de vinte anos...
Pois, não estamos a falar de tostões, mas de mil milhões...
Claro que estes vinte anos também serão vinte cinco ou trinta, porque já passaram os ditos seis anos, e pelo andar da carruagem, vamos ter de esperar mais uns quantos, para se iniciar o projecto.
Tenho pena é que Cacilhas, cada vez mais degradada, continue refém destes sonhos megalómanos, que nem sabemos se poderão ser concretizados, apesar da sua beleza e inovação, porque estamos a falar de valores demasiado elevados...
Ao ouvir falar dos mil milhões de euros para a Cidade da Água, não consigo deixar de pensar no que se poderia fazer, apenas com a milésima parte deste valor, numa localidade tão bonita e abandonada...

terça-feira, outubro 02, 2007

Romeu Correia, Vida e Obra


"Romeu Correia, Vida e Obra", foi o nome escolhido para a exposição inaugurada no dia 28 de Setembro, no Arquivo Histórico de Almada.
Além de alguns livros da sua autoria, podemos encontrar testemunhos de amigos, transcrições de livros seus e também várias fotografias do escritor e dramaturgo almadense.
A exposição pode ser visitada até 30 de Novembro, de segunda a a sexta.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Incrível Almadense em Festa


A Incrível Almadense comemorou o seu 159 º aniversário com uma grande vitalidade, oferecendo a todos os associados e amigos que compareceram no seu salão de festas, um cenário e um programa diferente do que é habitual em sessões solenes.
Os discursos habituais foram intervalados com as actuações brilhantes da banda de música, do coro polifónico, do cénico e também do grupo da dança de salão.
Gostei especialmente da banda da Incrível, composta maioritariamente por jovens, num total de trinta e nove executantes, muito bem dirigidos por um maestro, também ele jovem...
Merece um destaque especial o discurso do meu querido amigo, Fernando Barão, presidente de Assembleia Geral da colectividade, todo ele de homenagem a estes jovens e à música, lançando inclusive o desafio ao Município, de construir um coreto na Praça da Liberdade, para que os almadenses possam escutar a música tocada pelas quatro bandas filarmónicas do concelho.
Nem tão pouco se esqueceu de mencionar a alínea especial que consta nos estatutos da Incrível: «enquanto existir um músico, a Incrível não acaba!»
Não é por acaso que já passaram cento e cinquenta e nove anos e a Incrível continua a ser a Catedral de Almada...
E curiosamente, ou talvez não, hoje também se comemorou o Dia Mundial da Música.

domingo, setembro 30, 2007

As Obras de Santa Engrácia em Almada


As frases mais comuns que se escutam na rua, entre grades, nos caminhos estreitos de areia e pedra, amaldiçoam as obras e os autarcas de Almada. Há quem vá mais longe e prometa não votar na senhora dona Maria Emilia nas próximas eleições...
Claro que a maior parte destes desabafos passam com o tempo, principalmente se a questão do Metro estiver resolvida, uns meses antes das eleições...
Mas é irritante esta falta de respeito pelas pessoas.
O pior, é que eu sei, que não há nada a fazer, porque os construtores regem-se pela "lei do lucro" e não pela comodidade dos cidadãos almadenses.
É por isso que a cidade está toda virada do avesso e as prometidas obras feitas por etapas, não passaram de mais uma, entre as muitas promessas da lista, que ficam por cumprir...

sexta-feira, setembro 28, 2007

O Ginjal e a Arte Almadense (III)


O Ginjal hoje surge duplamente representado no "Casario".
Digo isto porque a pintora almadense, Júlia Câpelo, além de escolher este espaço como fonte de inspiração, nasceu e continua a viver no Ginjal.
Além das ruínas, há o Tejo, que poderá muito bem ser o mais lindo rio do mundo (pelo menos para mim e para a Júlia...).

quinta-feira, setembro 27, 2007

Um Símbolo de Resistência


Quando visitei o Arquipélago dos Açores, em 1995, fiquei maravilhado com tanta beleza natural.
De todas as Ilhas que visitei, o Faial marcou-me de uma forma especial, ao ponto de ter escrito, que foi o lugar que encontrei mais próximo, daquilo que se costuma chamar "paraíso"...
Além de todo aquele verde florido dos campos, e do azul tão vivo do mar, não esqueci a Ponta dos Capelinhos, por ser a antitese de toda a ilha, com o seu ar lunar...
Mas o que mais me impressionou naquele canto cinzento foi o Farol (reconstruído há pouco tempo), que se mantinha de pé, imponente, como o único sinal de resistência a toda a violência sísmica, que tomou conta da Ilha durante mais de um ano. O Farol resistiu aos tremores de terra, à lava e a sei lá que mais...
Estas palavras não surgem aqui por acaso. O Vulcão dos Capelinhos entrou em erupção há cinquenta anos...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Herman e a Margem Sul


De vez em quando descubro algumas pequenas preciosidades, como esta frase de Herman José, que acompanha o retrato de uma das suas personagens mais populares, Tony Silva, "el gran criador de la musica ró", publicada na revista do semanário "Expresso", de 13 de Junho de 1997...
Nesta altura, mesmo utilizando uma "olimpic", talento era coisa que não lhe faltava...

segunda-feira, setembro 24, 2007

O Pontal de Cacilhas


Cacilhas no final do século XIX era assim, apenas com um pequeno cais, ou se quiserem, Pontal...
Este postal tem como título "Pontal de Cacilhas", que curiosamente, emprestou o nome a um blogue, também regional, como o "Casario"...

domingo, setembro 23, 2007

Burricadas e Artesanato em Cacilhas



Os Escuteiros de Cacilhas organizaram mais uma vez as "burricadas" e a "feira de artesanato" (este ano com mais qualidade e variedade de produtos...), animando a localidade.
O bonito domingo de sol deu uma ajuda e a "Rua Direita" da localidade ribeirinha (apesar de ter hoje o nome Cândido dos Reis, continua a ser a mais importante da Freguesia...), encheu-se de pessoas, muitas das quais também aproveitaram para almoçar e petiscar nos vários restaurantes cacilhenses.

quinta-feira, setembro 20, 2007

A Nossa Senhora não lhe vai Perdoar...


Nunca imaginei que Scolari, em vez de acender uma velinha à Nossa Senhora do Caravaggio, viesse fazer uma declaração pública, afirmando que iria recorrer do castigo generoso, que lhe foi aplicado: quatro jogos por uma agressão, que só foi insignificante, por ele ter pouca vocação para o pugilato.
Mas o que mais me chocou foi Scolari afirmar que tinha reconhecido com toda a frontalidade e sinceridade o seu erro, e como tal não merecia aquela punição.
Talvez ele pense que somos todos estúpidos...
Eu não esqueci que ele após o jogo disse que o que tinha acontecido era normal no futebol. E que só no dia seguinte é que se retratou, embora continuasse a colocar as culpas no jogador adversário, dizendo que só quis defender o Quaresma.
Qualquer pessoa inteligente percebeu que aquela declaração tinha sido encomendada pela Federação, numa espécie de "perdoa-me", para a UEFA, assim como a entrevista feita a pedido à Judite de Sousa, onde se afirmou culpado mas não arrependido...
Tenho pena que o órgão máximo do futebol não aproveite esta oportunidade de ouro, para lhe colocar as malas nas mãos e enviar à precedência.
Mas Gilberto Madail e Amândio de Carvalho (esse mesmo, o da vergonha de "Saltilho", há vinte e um anos), são incapazes de tomar decisões, a bem do futebol e da nossa dignidade lusitana.

terça-feira, setembro 18, 2007

A Semana da Mobilidade em Almada


Eu sei que a hipocrísia não tem limites na política, mas não posso deixar de referir o meu descontentamento por o nosso Município utilizar todos os anos a "Semana Europeia da Mobilidade", para fingir que caminhamos para o modelo ideal de cidade.
Como eu gostava que houvesse "Melhores Ruas Para Todos"!
Mas o mais caricato é o dia "Hoje Vou de Bicicleta" (dia 19), em que existe inclusive a operação "trrim-Trrim", uma iniciativa para que os trabalhadores municipais vão de para o trabalho de bicicleta...
Espero estar errado, mas penso que não está projectada (pelo menos nunca reparei...) qualquer ciclovia nas avenidas principais de Almada, com toda esta transformação no trânsito com o advento do Metro. E era fundamental, para a tal construção de "melhores ruas para todos", que existisse uma ligação entre o centro da cidade e o Parque da Paz para quem gosta de andar de bicicleta.
Mas se nem entre Cacilhas (via Cova da Piedade) e o Parque da Paz existe qualquer ciclovia, aproveitando a largueza da Avenida Aliança Povo-MFA, estamos conversados...
Ficamos à espera dos planos da Almada Nascente, lá para 2020, 2030...

segunda-feira, setembro 17, 2007

A Grande Telma


O "Casario" até parece que se está a tornar num blogue desportivo...
Não faz mal, porque se trata de uma boa causa.
Seria indesculpável passar ao lado de mais um grande êxito da almadense Telma Monteiro (Vice-campeã Mundial de judo), que tal como Vanessa Fernandes, é a maior certeza do desporto português e uma grande candidata ao ouro olímpico em Pequim, no próximo ano.

domingo, setembro 16, 2007

O Culto das Vitórias Morais


Tenho muita dificuldade em perceber toda esta "ladainha" da imprensa portuguesa em redor da selecção de rugby, que prefere dar relevo a ovações históricas e ao espírito de equipa dos "lobos", fingindo ignorar os resultados, que são uma vergonha, mesmo nesta modalidade...
os números das derrotas (com a Escócia por 56 - 10 e com a Nova Zelândia por 108 - 13), só não são evidentes para os "cultores" da vitórias morais...

sexta-feira, setembro 14, 2007

O Fascínio das Duas Rodas


O Autódromo do Estoril recebe este fim de semana mais um "Grande Prémio de Portugal", de motociclismo.
É uma boa oportunidade para todos os amantes deste desporto, verem os seus ídolos, Valentino Rossi, Casey Stoner, ou ainda o nosso vizinho Dani Pedrosa.
Segundo as notícias divulgadas na imprensa, o circuito no futuro próximo terá de ser "blindado", só assim garantirá a sua presença no calendário mundial...
Ivo Relvas é o único português presente (graças a um wild-card) na competição de 125 cc. Trata-se de um jovem com apenas 17 anos, que vai tentar a qualificação.
Ao contrário das crianças da foto, bem "apanhadas" por Eduardo Gageiro, Ivo anda de mota desde os quatro anos...

quinta-feira, setembro 13, 2007

A Telenovela Scolari Está no Ar...


A comunicação social tem andado a apresentar, desde a noite de ontem, uma nova "telenovela" nacional. Utiliza todos os angulos disponiveis e serve-se dos protagonistas possíveis e impossíveis, que queiram dar a sua colaboração, de preferência de uma forma polémica, ou seja, preparando o terreno para o fim do estado de graça do protegido da "Nossa Senhora do Caravaggio".
A cena mais vista nesta "promoção", tem revelado como actor principal um treinador de cabeça perdida, no final de um jogo de futebol, em que acabara de perder dois pontos apenas a quatro minutos do fim, com um golo ilegal validado por um árbitro alemão, demasiado estranho, e que resolveu atirar-se a um sérvio, provocador, como qualquer "materazzi" que se preze...
À hora do almoço foi a vez de aparecer o primeiro "judas" a terreiro, no "Primeiro Jornal" da SIC. O sujeito pequenino, rasteiro, vaidoso, que adora fazer o número do "intelectual impoluto do futebol", tinha o seu papel bem estudado: servir a sua vingança a quente, ao homem que lhe chamou "sobrinho do tio" (Rui Santos).
Só que o dito treinador resolveu trocar as voltas aos "argumentistas", e apareceu, humildemente, a pedir desculpa aos portugueses, à FPF, à UEFA e aos seus atletas pela sua atitude impensada.
Num ápice, ficou para trás a sua primeira reacção, em que abanou os ombros e disse que aqueles toques eram situações normais no futebol. Esqueceu-se a sua aposta em jogadores fora de forma, incapazes de aguentar os noventa minutos de um jogo de futebol, e claro, as já habituais substituições mirabolantes, que ninguém percebe...
Claro que a procissão, aliás, telenovela, ainda vai no adro, falta ouvir a opinião avalizada de Pinto da Costa, entre outras sumidades deste futebol "especial de corrida"...

terça-feira, setembro 11, 2007

Não Há Duas Sem Três...

Cacilhas sempre foi uma freguesia sem grandes espaços para acolher a cultura, nas suas várias áreas de intervenção.
Se excluirmos a "Casa de Juventude", que como o seu próprio nome indica, está direccionada para um público mais jovem e não para a população cacilhense em geral, não existe mais nenhum espaço público ou privado, ao serviço dos amantes das artes e letras.
Foi graças a toda esta "pobreza" que o "Café com Letras" vingou e tornou-se num espaço aberto a muitas culturas, onde a fotografia, as artes plásticas conviveram sempre muito bem com as palavras ditas, que tiveram o seu ponto alto com a "Poesia Vadia".
Claro que o café era uma casa comercial, e depressa se percebeu que a cultura está longe de ser a "galinha dos ovos de ouro"...
A Guida acabou por trespassar o café à Lane e ao Manuel, que embora tenham mudado o nome (passou a chamar-se "Sabor e Arte") tentaram manter as suas características especiais.
Só que as dificuldades económicas, que se reflectem no país e no concelho, colocaram, mais uma vez a "cultura" de café pelo caminho...
A sabedoria popular diz que não há duas sem três, pelo que ficamos à espera que apareça alguém com coragem, vontade e sorte, para continuar a fazer deste espaço, um pequeno centro de cultura local, bem sucedido...

segunda-feira, setembro 10, 2007

Cruzeiro no Tejo


Nem tudo é mau nesta Margem do Rio...
Entre outras coisas, há a possibilidade de fazermos um "Cruzeiro pelo Tejo", entre Cacilhas e Belém... mais ou menos de hora a hora, apreciando a beleza das duas margens, e claro, a passagem por debaixo da Ponte 25 de Abril, um momento sempre especial...
Tudo isto por apenas 74 cêntimos, no "ferry" da Transtejo...
No regresso, embora aparentemente não seja das paisagens mais bonitas, é sempre possível descobrir alguma nobreza na decadência do "Casario do Ginjal" que, apesar do abandono, continua a olhar de frente para o Rio...

sábado, setembro 08, 2007

Uma Semana, Um Outro País...


Nunca pensei que numa simples semana - em que felizmente me refugiei no campo -, acontecessem tantos casos de polícia, quase inverosimilhantes, neste país, até há pouco tempo, menos dado a um género de violência, vulgar nos filmes...
É a explicação que me ocorre para o tiroteio sangrento em Viana do Castelo, depois do roubo à ourivesaria e ao museu particular do dono; para o assalto a uma instituição bancária em Viseu, cuja fuga rocambolesca teve um pouco de tudo: um primeiro carro em chamas, um segundo parado no meio da mata, depois de uma perseguição policial, e finalmente, o cerco a toda aquela zona florestal, por parte das autoridades e da própria população...
Depois destes casos, só faltava a transformação dos pais da menina inglesa, desaparecida, em arguidos...
O país está a mudar, pelas piores razões, apesar do discurso mentiroso e demagógico de uma parte considerável dos nossos governantes - agora foi a vez do MAI, enfiar a cabeça na areia -, que têm um primeiro ministro à sua altura...

sexta-feira, agosto 31, 2007

A Nossa Margem


João Vaz (1859 - 1931) foi um excelente pintor naturalista.
Natural de Setúbal, fez parte do Grupo do Leão, um dos mais importantes movimentos artísticos do país.
A sua paixão pelo mar e pelos rios, fez com que se tornasse um dos nossos melhores pintores de marinha, com motivos extraordinários, especialmente do Sado e do Tejo.
O quadro que ilustra esta pequena homenagem a este grande artista chama-se, "Rio Tejo", e mostra-nos a beleza das barcas do rio e também a Nossa Margem, onde se vêm as chaminés fumegantes da indústria corticeira...

terça-feira, agosto 28, 2007

A Mulher do Jerónimo...


Embora este Verão esteja a ser menos quente e mais molhado e até ventoso, que o habitual, não resisto a partilhar convosco este quadro: "O perigo dos banhos de sol na Caparica!".
Este cartaz fez parte de uma campanha publicitária levada a cabo no final dos anos vinte, principio de anos trinta, quando se começou a olhar para a Costa de Caparica como uma extraordinária praia, com condições ímpares para o lazer aos banhos...

domingo, agosto 26, 2007

O Abandono de Animais


O "filme" não é novo... muito menos as cenas...
Grave são os números. Segundo o SOS Animais em 2007 foram batidos todos os recordes de abandono de animais.
Claro que há palavras para descrever estes seres, que tratam os animais desta maneira, mas não as digo...

A Sofia e o Fresco, que posaram para a fotografia embora não recebam tratamento "vip", não pertencem à lista, e gostam de ser, simplesmente, gatos...

quinta-feira, agosto 23, 2007

Na Terra Como no Céu



Não posso deixar de publicitar a curiosa - e engraçada claro - Banda Desenhada publicada na revista "Tabu" do passado sábado, 18 de Agosto (suplemento do semanário "Sol") da autoria de Nuno Saraiva, sobre as suas aventuras no "Oeste Caparicano", que ele intitulou "Na Terra Como no Céu"...
(clique para aumentar)

quarta-feira, agosto 22, 2007

Ainda a Selva Urbana


Depois de ter escrito sobre as diferenças que existem na sociedade de hoje, no seio dos jovens, fiquei logo com a sensação que o texto poderia ser confundido com a acção de luta contra os transgénicos de Silves.
Quando escrevi, estava a pensar nas traços de tinta sem qualquer sentido estético que invadem as ruas da maior parte das nossas localidades, e que nem sequer poupam edifícios históricos e artísticos; estava a lembrar-me da destruição de coisas tão simples como caixotes do lixo, que têm como função, tornar as ruas mais limpas, ou ainda do roubo de sinais de trânsito, que depois até são vendidos como objectos decorativos.
Continuo a ter dificuldade em perceber, e aceitar, esta postura tão evidente de desprezo pelas coisas públicas, que deviam ser consideradas de todos e preservadas por todos.
Claro que se tratam de práticas de civismo, de cidadania, da qual a nossa sociedade continua tão ausente. Não podemos exigir que parte das gerações de hoje tenham comportamentos pacíficos e de respeito, quando sabemos que cresceram em "guettos", sem fronteiras e sem distinções, entre aquilo que sempre nos dividiu, o bem e o mal...
Não posso nem devo confundir uma invasão politica concertada, a uma propriedade privada, com os actos de selvajaria urbana sem rosto, apesar de considerar ambos os actos infelizes.
Tinha pensado colocar junto a este texto um busto artístico do Parque das Caldas da Rainha, que alguém resolveu pintar, num acto de selvajaria e de mau gosto. Mas como não consegui encontrar a fotografia, deixo-vos uma foto dos silos abandonados das Caldas da Rainha, que em tempos guardaram cereais como o milho, quando ainda não se falava de transgénicos...

domingo, agosto 19, 2007

A Mesma Geração, Caminhos Diferentes


Devo desde já avisar, que não me sinto, de maneira nenhuma, um bota de elástico.
Mas faz-me muita confusão os caminhos diferentes, trilhados pelas gerações que têm hoje idades compreendidas entre os dezasseis e os vinte e seis anos, no nosso dia a dia.
Felizmente encontramos muitos jovens, empenhados na defesa e protecção do ambiente, através da participação activa em movimentos cívicos que promovem várias acções de sensibilização junto da população.
E outros ainda, voluntários, numa série de iniciativas de cariz social, auxiliando as camadas mais frágeis da nossa sociedade, como os sem abrigo e os idosos.
Guardei para o fim a parte menos agradável... que acredito ser uma minoria: os jovens que se entretêm a destruir, quase tudo o que lhes aparece à frente, sejam espaços públicos ou privados. Pintam, vandalizam, roubam, aquilo que faz parte do património colectivo e que devia ser preservado por todos.
Quando me questiono, o que será que divide estes jovens, que apesar de pertencerem à mesma faixa etária, têm comportamentos tão diferentes?
Não consigo responder...

Este texto tem a companhia de um acrílico de Fernanda Neves.

quinta-feira, agosto 16, 2007

O Papo Seco

Ultimamente tenho coleccionado alguns recortes publicitários da primeira metade do século passado.
A minha pesquisa tem tido como grande objectivo descobrir coisas sobre Cacilhas, algumas das quais ainda poderão ser utilizadas para ilustrar uma obra da qual sou co-autor e deverá ser lançada em Outubro.
Este recorte da Costa de Caparica de 1933 chamou-me a atenção por se tratar de uma Pensão Restaurant "Chic", e também por ser propriedade do senhor José Alves Martins, conhecido popularmente como o "papo seco".
Além disso trata-se de: «A casa mais bem situada e antiga nesta Praia.»

quarta-feira, agosto 15, 2007

Chuva de Agosto


Sai de casa para comprar o jornal e chovia, a bom chover...
Vi-me forçado a voltar atrás, para ir buscar o chapéu de chuva. Só não mudei de roupa, porque me pareceu exagerado...
Felizmente tinha resolvido calçar ténis, para não salpicar os pés...
Quem diria que o 15 de Agosto, começo de férias para tanta gente, ia começar molhado...
Adorei o cheiro a terra molhada que perfumava a Quinta da Alegria (felizmente na zona onde moro ainda existe alguma terra e vegetação, para nos fazer sentir este cheiro especial...).
Nota: Estive quase tentado a falar do Benfica, mas felizmente resisti. Não sei o que será necessário, para substituir um treinador, que além de estar permanentemente mal disposto, já provou (ao longo da época passada) que não consegue construir uma boa equipa na Luz...

terça-feira, agosto 14, 2007

Fora e Dentro da Noite


Raramente saio à noite...
Por falar disso, nunca mais saí da noite de madrugada, quase que já não me lembro como é o amanhecer...
Não sinto muito a falta das luzes, das cores, dos barulhos... Talvez tenha alguma saudade dos olhares brilhantes que reflectiam aqui e ali...
As mulheres? Pareciam mais bonitas... Claro, algumas usavam disfarces, quase de adolescentes...
Conheci várias noites lisboetas, com várias musicalidades, que tanto furavam tímpanos como faziam sonhar...
Além de se pular, também se podia dançar uma morna ou um tango malandrino, aqui e ali. Ou ainda escutar um fado vadio...
Hoje, deve ser quase igual, as coisa nunca mudam muito. Nós sim, mesmo quando não percebemos ou somos mentirosos...
O óleo é de Lyonel Feininger e chama-se "Lady in Mauve"...

domingo, agosto 12, 2007

Torga




Torga


O pulsar das montanhas,
sente-se, nas tuas palavras,
cobertas
por pedaços de granito
utilizados para disfarçar a revolta,
a dor e a indignação,
de viveres num país confuso,
quase parado,
que finge estar em revolução,
e é, constantemente, adiado...

Poema da minha lavra, que faz parte do número 30 da Colecção Index Poesis, escrito e publicado em 2004. O desenho é de Jorge Pinheiro.

sexta-feira, agosto 10, 2007

As Obras Impessoais...


Desde que começaram as obras do Metro em Almada já houve vários atropelamentos na cidade, alguns dos quais mortais.
Nos últimos tempos descobri que os peões (especialmente as pessoas com mais idade...), circulam na cidade a medo e andam completamente desnorteados, graças à sinalização deficiente e às mudanças quase diárias de localização das passadeiras.
É por isso que alguns peões mais desprevenidos atravessam as ruas em qualquer lado, o que obriga a atenção redobrada dos condutores.
Não têm existido mas acidentes porque o condicionamento do trânsito têm provocado uma condução mais calma e cuidada.
Será que alguém ligado à construção deste empreendimento já se preocupou com esta situação? Será que sabem que Almada é uma cidade com uma população envelhecida?
E em relação aos deficientes, há tanto a dizer...
É quase impossível a sua circulação no meio de tantas barreiras, tantos altos e baixos, tantos buracos, aqui e ali...
Há uma invisual que mora próximo da minha rua, que vive uma aventura diferente, quase todos os dias, até chegar à paragem do autocarro, também ela em permanente mudança. O que lhe vale são as mãos amigas que a auxiliam e as vozes que a vão informando da presença de obstáculos.
O mais curioso, é que tirei a maior parte destas ilacções ao volante...

terça-feira, agosto 07, 2007

O Verão Também é...


O Verão também é, por excelência, o mês das esplanadas, o mês das bebidas frescas...
A cerveja aparece quase em primeiro lugar (não posso esquecer a água, porque não há nada que nos sacie a sede como este belo nectar, puro e transparente...).
Apesar das grandes guerras de cerveja nacionais, com os festivais de Verão pelo meio, tive um feliz reencontro nas férias com a San Miguel.
Apesar de adorar ser português e de não querer pertencer à Ibéria do Saramago, sempre gostei desta cerveja espanhola...

sábado, agosto 04, 2007

Os Guindastes do Ginjal


Os Guindastes

Parece que a noite
deles se esqueceu.
E eles dela.

Ao longo do cais,
aguardam numa espera agonizante
a morte prometida que não chega.

Pela alma
estão presos ao chão
e olham o rio indiferentes
certos da sua cegueira
e silêncio invioláveis.

Porque nada mais deles se espera!

Dos velhos guindastes
em contínua decomposição.

Não choro!

Não!!!

O poema é de Alberto Afonso, poeta almadense, e faz parte do seu excelente livro, "Recantos de Minha Terra". A fotografia é minha. Ambos espelham mais um olhar de abandono do Ginjal.


quarta-feira, agosto 01, 2007

Regresso ao Ginjal



Está tudo igual...
muito pó,
muito barulho,
muitas grades,
que aprisionam a Cidade...
Não
cheguei de barco a remos,
nem tão
pouco pude atracar na Praia das Lavadeiras,
embora passasse por lá,
há poucas
horas,
com o sol
ainda forte
a dar um brilho especial ao Tejo...