sexta-feira, setembro 14, 2007

O Fascínio das Duas Rodas


O Autódromo do Estoril recebe este fim de semana mais um "Grande Prémio de Portugal", de motociclismo.
É uma boa oportunidade para todos os amantes deste desporto, verem os seus ídolos, Valentino Rossi, Casey Stoner, ou ainda o nosso vizinho Dani Pedrosa.
Segundo as notícias divulgadas na imprensa, o circuito no futuro próximo terá de ser "blindado", só assim garantirá a sua presença no calendário mundial...
Ivo Relvas é o único português presente (graças a um wild-card) na competição de 125 cc. Trata-se de um jovem com apenas 17 anos, que vai tentar a qualificação.
Ao contrário das crianças da foto, bem "apanhadas" por Eduardo Gageiro, Ivo anda de mota desde os quatro anos...

quinta-feira, setembro 13, 2007

A Telenovela Scolari Está no Ar...


A comunicação social tem andado a apresentar, desde a noite de ontem, uma nova "telenovela" nacional. Utiliza todos os angulos disponiveis e serve-se dos protagonistas possíveis e impossíveis, que queiram dar a sua colaboração, de preferência de uma forma polémica, ou seja, preparando o terreno para o fim do estado de graça do protegido da "Nossa Senhora do Caravaggio".
A cena mais vista nesta "promoção", tem revelado como actor principal um treinador de cabeça perdida, no final de um jogo de futebol, em que acabara de perder dois pontos apenas a quatro minutos do fim, com um golo ilegal validado por um árbitro alemão, demasiado estranho, e que resolveu atirar-se a um sérvio, provocador, como qualquer "materazzi" que se preze...
À hora do almoço foi a vez de aparecer o primeiro "judas" a terreiro, no "Primeiro Jornal" da SIC. O sujeito pequenino, rasteiro, vaidoso, que adora fazer o número do "intelectual impoluto do futebol", tinha o seu papel bem estudado: servir a sua vingança a quente, ao homem que lhe chamou "sobrinho do tio" (Rui Santos).
Só que o dito treinador resolveu trocar as voltas aos "argumentistas", e apareceu, humildemente, a pedir desculpa aos portugueses, à FPF, à UEFA e aos seus atletas pela sua atitude impensada.
Num ápice, ficou para trás a sua primeira reacção, em que abanou os ombros e disse que aqueles toques eram situações normais no futebol. Esqueceu-se a sua aposta em jogadores fora de forma, incapazes de aguentar os noventa minutos de um jogo de futebol, e claro, as já habituais substituições mirabolantes, que ninguém percebe...
Claro que a procissão, aliás, telenovela, ainda vai no adro, falta ouvir a opinião avalizada de Pinto da Costa, entre outras sumidades deste futebol "especial de corrida"...

terça-feira, setembro 11, 2007

Não Há Duas Sem Três...

Cacilhas sempre foi uma freguesia sem grandes espaços para acolher a cultura, nas suas várias áreas de intervenção.
Se excluirmos a "Casa de Juventude", que como o seu próprio nome indica, está direccionada para um público mais jovem e não para a população cacilhense em geral, não existe mais nenhum espaço público ou privado, ao serviço dos amantes das artes e letras.
Foi graças a toda esta "pobreza" que o "Café com Letras" vingou e tornou-se num espaço aberto a muitas culturas, onde a fotografia, as artes plásticas conviveram sempre muito bem com as palavras ditas, que tiveram o seu ponto alto com a "Poesia Vadia".
Claro que o café era uma casa comercial, e depressa se percebeu que a cultura está longe de ser a "galinha dos ovos de ouro"...
A Guida acabou por trespassar o café à Lane e ao Manuel, que embora tenham mudado o nome (passou a chamar-se "Sabor e Arte") tentaram manter as suas características especiais.
Só que as dificuldades económicas, que se reflectem no país e no concelho, colocaram, mais uma vez a "cultura" de café pelo caminho...
A sabedoria popular diz que não há duas sem três, pelo que ficamos à espera que apareça alguém com coragem, vontade e sorte, para continuar a fazer deste espaço, um pequeno centro de cultura local, bem sucedido...

segunda-feira, setembro 10, 2007

Cruzeiro no Tejo


Nem tudo é mau nesta Margem do Rio...
Entre outras coisas, há a possibilidade de fazermos um "Cruzeiro pelo Tejo", entre Cacilhas e Belém... mais ou menos de hora a hora, apreciando a beleza das duas margens, e claro, a passagem por debaixo da Ponte 25 de Abril, um momento sempre especial...
Tudo isto por apenas 74 cêntimos, no "ferry" da Transtejo...
No regresso, embora aparentemente não seja das paisagens mais bonitas, é sempre possível descobrir alguma nobreza na decadência do "Casario do Ginjal" que, apesar do abandono, continua a olhar de frente para o Rio...

sábado, setembro 08, 2007

Uma Semana, Um Outro País...


Nunca pensei que numa simples semana - em que felizmente me refugiei no campo -, acontecessem tantos casos de polícia, quase inverosimilhantes, neste país, até há pouco tempo, menos dado a um género de violência, vulgar nos filmes...
É a explicação que me ocorre para o tiroteio sangrento em Viana do Castelo, depois do roubo à ourivesaria e ao museu particular do dono; para o assalto a uma instituição bancária em Viseu, cuja fuga rocambolesca teve um pouco de tudo: um primeiro carro em chamas, um segundo parado no meio da mata, depois de uma perseguição policial, e finalmente, o cerco a toda aquela zona florestal, por parte das autoridades e da própria população...
Depois destes casos, só faltava a transformação dos pais da menina inglesa, desaparecida, em arguidos...
O país está a mudar, pelas piores razões, apesar do discurso mentiroso e demagógico de uma parte considerável dos nossos governantes - agora foi a vez do MAI, enfiar a cabeça na areia -, que têm um primeiro ministro à sua altura...

sexta-feira, agosto 31, 2007

A Nossa Margem


João Vaz (1859 - 1931) foi um excelente pintor naturalista.
Natural de Setúbal, fez parte do Grupo do Leão, um dos mais importantes movimentos artísticos do país.
A sua paixão pelo mar e pelos rios, fez com que se tornasse um dos nossos melhores pintores de marinha, com motivos extraordinários, especialmente do Sado e do Tejo.
O quadro que ilustra esta pequena homenagem a este grande artista chama-se, "Rio Tejo", e mostra-nos a beleza das barcas do rio e também a Nossa Margem, onde se vêm as chaminés fumegantes da indústria corticeira...

terça-feira, agosto 28, 2007

A Mulher do Jerónimo...


Embora este Verão esteja a ser menos quente e mais molhado e até ventoso, que o habitual, não resisto a partilhar convosco este quadro: "O perigo dos banhos de sol na Caparica!".
Este cartaz fez parte de uma campanha publicitária levada a cabo no final dos anos vinte, principio de anos trinta, quando se começou a olhar para a Costa de Caparica como uma extraordinária praia, com condições ímpares para o lazer aos banhos...

domingo, agosto 26, 2007

O Abandono de Animais


O "filme" não é novo... muito menos as cenas...
Grave são os números. Segundo o SOS Animais em 2007 foram batidos todos os recordes de abandono de animais.
Claro que há palavras para descrever estes seres, que tratam os animais desta maneira, mas não as digo...

A Sofia e o Fresco, que posaram para a fotografia embora não recebam tratamento "vip", não pertencem à lista, e gostam de ser, simplesmente, gatos...

quinta-feira, agosto 23, 2007

Na Terra Como no Céu



Não posso deixar de publicitar a curiosa - e engraçada claro - Banda Desenhada publicada na revista "Tabu" do passado sábado, 18 de Agosto (suplemento do semanário "Sol") da autoria de Nuno Saraiva, sobre as suas aventuras no "Oeste Caparicano", que ele intitulou "Na Terra Como no Céu"...
(clique para aumentar)

quarta-feira, agosto 22, 2007

Ainda a Selva Urbana


Depois de ter escrito sobre as diferenças que existem na sociedade de hoje, no seio dos jovens, fiquei logo com a sensação que o texto poderia ser confundido com a acção de luta contra os transgénicos de Silves.
Quando escrevi, estava a pensar nas traços de tinta sem qualquer sentido estético que invadem as ruas da maior parte das nossas localidades, e que nem sequer poupam edifícios históricos e artísticos; estava a lembrar-me da destruição de coisas tão simples como caixotes do lixo, que têm como função, tornar as ruas mais limpas, ou ainda do roubo de sinais de trânsito, que depois até são vendidos como objectos decorativos.
Continuo a ter dificuldade em perceber, e aceitar, esta postura tão evidente de desprezo pelas coisas públicas, que deviam ser consideradas de todos e preservadas por todos.
Claro que se tratam de práticas de civismo, de cidadania, da qual a nossa sociedade continua tão ausente. Não podemos exigir que parte das gerações de hoje tenham comportamentos pacíficos e de respeito, quando sabemos que cresceram em "guettos", sem fronteiras e sem distinções, entre aquilo que sempre nos dividiu, o bem e o mal...
Não posso nem devo confundir uma invasão politica concertada, a uma propriedade privada, com os actos de selvajaria urbana sem rosto, apesar de considerar ambos os actos infelizes.
Tinha pensado colocar junto a este texto um busto artístico do Parque das Caldas da Rainha, que alguém resolveu pintar, num acto de selvajaria e de mau gosto. Mas como não consegui encontrar a fotografia, deixo-vos uma foto dos silos abandonados das Caldas da Rainha, que em tempos guardaram cereais como o milho, quando ainda não se falava de transgénicos...

domingo, agosto 19, 2007

A Mesma Geração, Caminhos Diferentes


Devo desde já avisar, que não me sinto, de maneira nenhuma, um bota de elástico.
Mas faz-me muita confusão os caminhos diferentes, trilhados pelas gerações que têm hoje idades compreendidas entre os dezasseis e os vinte e seis anos, no nosso dia a dia.
Felizmente encontramos muitos jovens, empenhados na defesa e protecção do ambiente, através da participação activa em movimentos cívicos que promovem várias acções de sensibilização junto da população.
E outros ainda, voluntários, numa série de iniciativas de cariz social, auxiliando as camadas mais frágeis da nossa sociedade, como os sem abrigo e os idosos.
Guardei para o fim a parte menos agradável... que acredito ser uma minoria: os jovens que se entretêm a destruir, quase tudo o que lhes aparece à frente, sejam espaços públicos ou privados. Pintam, vandalizam, roubam, aquilo que faz parte do património colectivo e que devia ser preservado por todos.
Quando me questiono, o que será que divide estes jovens, que apesar de pertencerem à mesma faixa etária, têm comportamentos tão diferentes?
Não consigo responder...

Este texto tem a companhia de um acrílico de Fernanda Neves.

quinta-feira, agosto 16, 2007

O Papo Seco

Ultimamente tenho coleccionado alguns recortes publicitários da primeira metade do século passado.
A minha pesquisa tem tido como grande objectivo descobrir coisas sobre Cacilhas, algumas das quais ainda poderão ser utilizadas para ilustrar uma obra da qual sou co-autor e deverá ser lançada em Outubro.
Este recorte da Costa de Caparica de 1933 chamou-me a atenção por se tratar de uma Pensão Restaurant "Chic", e também por ser propriedade do senhor José Alves Martins, conhecido popularmente como o "papo seco".
Além disso trata-se de: «A casa mais bem situada e antiga nesta Praia.»

quarta-feira, agosto 15, 2007

Chuva de Agosto


Sai de casa para comprar o jornal e chovia, a bom chover...
Vi-me forçado a voltar atrás, para ir buscar o chapéu de chuva. Só não mudei de roupa, porque me pareceu exagerado...
Felizmente tinha resolvido calçar ténis, para não salpicar os pés...
Quem diria que o 15 de Agosto, começo de férias para tanta gente, ia começar molhado...
Adorei o cheiro a terra molhada que perfumava a Quinta da Alegria (felizmente na zona onde moro ainda existe alguma terra e vegetação, para nos fazer sentir este cheiro especial...).
Nota: Estive quase tentado a falar do Benfica, mas felizmente resisti. Não sei o que será necessário, para substituir um treinador, que além de estar permanentemente mal disposto, já provou (ao longo da época passada) que não consegue construir uma boa equipa na Luz...

terça-feira, agosto 14, 2007

Fora e Dentro da Noite


Raramente saio à noite...
Por falar disso, nunca mais saí da noite de madrugada, quase que já não me lembro como é o amanhecer...
Não sinto muito a falta das luzes, das cores, dos barulhos... Talvez tenha alguma saudade dos olhares brilhantes que reflectiam aqui e ali...
As mulheres? Pareciam mais bonitas... Claro, algumas usavam disfarces, quase de adolescentes...
Conheci várias noites lisboetas, com várias musicalidades, que tanto furavam tímpanos como faziam sonhar...
Além de se pular, também se podia dançar uma morna ou um tango malandrino, aqui e ali. Ou ainda escutar um fado vadio...
Hoje, deve ser quase igual, as coisa nunca mudam muito. Nós sim, mesmo quando não percebemos ou somos mentirosos...
O óleo é de Lyonel Feininger e chama-se "Lady in Mauve"...

domingo, agosto 12, 2007

Torga




Torga


O pulsar das montanhas,
sente-se, nas tuas palavras,
cobertas
por pedaços de granito
utilizados para disfarçar a revolta,
a dor e a indignação,
de viveres num país confuso,
quase parado,
que finge estar em revolução,
e é, constantemente, adiado...

Poema da minha lavra, que faz parte do número 30 da Colecção Index Poesis, escrito e publicado em 2004. O desenho é de Jorge Pinheiro.

sexta-feira, agosto 10, 2007

As Obras Impessoais...


Desde que começaram as obras do Metro em Almada já houve vários atropelamentos na cidade, alguns dos quais mortais.
Nos últimos tempos descobri que os peões (especialmente as pessoas com mais idade...), circulam na cidade a medo e andam completamente desnorteados, graças à sinalização deficiente e às mudanças quase diárias de localização das passadeiras.
É por isso que alguns peões mais desprevenidos atravessam as ruas em qualquer lado, o que obriga a atenção redobrada dos condutores.
Não têm existido mas acidentes porque o condicionamento do trânsito têm provocado uma condução mais calma e cuidada.
Será que alguém ligado à construção deste empreendimento já se preocupou com esta situação? Será que sabem que Almada é uma cidade com uma população envelhecida?
E em relação aos deficientes, há tanto a dizer...
É quase impossível a sua circulação no meio de tantas barreiras, tantos altos e baixos, tantos buracos, aqui e ali...
Há uma invisual que mora próximo da minha rua, que vive uma aventura diferente, quase todos os dias, até chegar à paragem do autocarro, também ela em permanente mudança. O que lhe vale são as mãos amigas que a auxiliam e as vozes que a vão informando da presença de obstáculos.
O mais curioso, é que tirei a maior parte destas ilacções ao volante...

terça-feira, agosto 07, 2007

O Verão Também é...


O Verão também é, por excelência, o mês das esplanadas, o mês das bebidas frescas...
A cerveja aparece quase em primeiro lugar (não posso esquecer a água, porque não há nada que nos sacie a sede como este belo nectar, puro e transparente...).
Apesar das grandes guerras de cerveja nacionais, com os festivais de Verão pelo meio, tive um feliz reencontro nas férias com a San Miguel.
Apesar de adorar ser português e de não querer pertencer à Ibéria do Saramago, sempre gostei desta cerveja espanhola...

sábado, agosto 04, 2007

Os Guindastes do Ginjal


Os Guindastes

Parece que a noite
deles se esqueceu.
E eles dela.

Ao longo do cais,
aguardam numa espera agonizante
a morte prometida que não chega.

Pela alma
estão presos ao chão
e olham o rio indiferentes
certos da sua cegueira
e silêncio invioláveis.

Porque nada mais deles se espera!

Dos velhos guindastes
em contínua decomposição.

Não choro!

Não!!!

O poema é de Alberto Afonso, poeta almadense, e faz parte do seu excelente livro, "Recantos de Minha Terra". A fotografia é minha. Ambos espelham mais um olhar de abandono do Ginjal.


quarta-feira, agosto 01, 2007

Regresso ao Ginjal



Está tudo igual...
muito pó,
muito barulho,
muitas grades,
que aprisionam a Cidade...
Não
cheguei de barco a remos,
nem tão
pouco pude atracar na Praia das Lavadeiras,
embora passasse por lá,
há poucas
horas,
com o sol
ainda forte
a dar um brilho especial ao Tejo...

domingo, julho 15, 2007

Os Dias de Verão


Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade

Justa é a forma do nosso corpo

Poema da grande senhora da poesia portuguesa, Sophia de Mello Breyner Andresen, óleo de Manuel Amado...

sexta-feira, julho 13, 2007

Pessoa Veio ao Teatro a Almada

Além da Carmen Dolores o Festival de Teatro de Almada também homenageia uma figura impar da cultura portuguesa do século vinte.
Estou a falar do Mestre Lagoa Henriques, escultor, poeta, pintor e, essencialmente professor. Influenciou tantas gerações de artistas... desde os anos quarenta do século passado ao início do século XXI, em várias universidades e escolas superiores, com relevo para as faculdades de Belas Artes do Porto e de Lisboa.
Tive o grato prazer de o conhecer através do jornalismo. Voltei a encontrá-lo mais vezes no seu atelier de Belém.
Numa das últimas visitas que lhe fiz, tive a honra de visitar a sua Casa-Museu (que continua fechada ao público, sem saber muito bem porquê), que fica ao lado da Universidade Moderna e do seu Atelier. Foi a melhor visita guiada que alguma vez me proporcionaram. Este espaço artístico não é muito grande, mas passei ali quase três horas, a ouvir o Mestre Lagoa Henriques, contar a história de cada quadro, de cada escultura, com a sua forma única de comunicar, tão simples, tão poética e ao mesmo tempo tão rica...
Foi bom ver o Fernando Pessoa rente ao palco da António da Costa, juntamente com as outras duas obras, alusivas a Camões e à Ilha dos Amores, para recordar a arte e a qualidade humana de Lagoa Henriques.

quarta-feira, julho 11, 2007

Orgulho, Dinheiro e Demagogia

O último boletim municipal dá vivas ao orgulho da nossa presidente, por estar à frente da Autarquia com melhor liquidez financeira, entre os 308 Municipios portugueses.
Embora não seja pessimisma, estou longe de me sentir orgulhoso com este feito, porque tudo aquilo que observo à minha volta, dá-me a imagem de uma cidade sem rumo e cada vez mais triste e empobrecida.
Gosto muito do Tejo, não sou um homem parado à beira do rio.
Conheço outras cidades que têm crescido a olhos vistos e onde as pessoas vivem melhor, apesar do cenário nacional de crise. Parece que têm dividas, mas isso não tem sido um obstáculo para a melhoria das suas condições de vida.
É por isso que pergunto, de que vale ter dinheiro em caixa, se a cidade parece estar cada vez mais próxima do abismo?
Há várias pessoas a mudarem de cidade porque o emprego quase que já não existe.
É raro o dia em que não fecha mais uma casa comercial no Concelho.
As ruas estão sujas e esburacadas, mesmo as mais afastadas das zonas de obras.
Há demasiadas casas abandonadas, nas zonas mais antigas da cidade. Em Almada, Cacilhas e Cova da Piedade, existem dezenas de exemplos de casas quase a ruirem, sem que se faça alguma coisa...
Vivo há vinte anos em Almada e digo sem qualquer problema, que a cidade está cada vez mais feia e triste.
E o Metro - apesar de todas as esperanças que se escondem atrás das suas carruagens -, infelizmente, está longe de ser a solução milagrosa para os muitos problemas que se têm avolumado ao longo dos últimos seis, sete anos na cidade...
O estado actual da cidade de Almada, é a melhor prova de que o dinheiro, por si só, não vale nada.

terça-feira, julho 10, 2007

Olá Ginjal


Estou a colocar aqui a "posta de pescada" número 200.
Claro que é apenas um número.
Mesmo assim decidi realizar algumas mudanças visuais.
Espero que o "Casario" fique mais atractivo...

Alfredo Keil foi o pintor escolhido, para dar uma cor diferente ao Ginjal, com um óleo dos finais do século XIX, onde ainda conseguimos encontrar algumas mulheres a lavar roupa na Praia das Lavadeiras.

segunda-feira, julho 09, 2007

Não Há Pessoas Insubstituíveis...


É comum dizer-se que ninguém é insubstituível.
Embora seja verdade, todos sabemos que existem pessoas com mais capacidade que outras, para ocuparem certos cargos. E mesmo não sendo insubstituíveis, quando saem deixam sempre um vazio, que demora algum tempo a ser preenchido.
Henrique Carreiras, até há pouco tempo, vereador do Município de Almada, com o pelouro da Protecção Civil no Concelho, é uma destas pessoas.
É por isso que acaba por ser natural, que agora que se despede das suas funções, seja aplaudido na Assembleia Municipal por todas as forças políticas que ali têm assento.
Quando se trabalha com rigor, competência e honestidade, numa área extremamente difícil e delicada, como esta, que envolve os Bombeiros, as Forças de Autoridade e a População em geral, dificilmente se passa despercebido (no bom e no mau sentido).
Não foi obra do acaso que a área ardida no concelho tenha sido das menores do país, nos últimos anos. Isto só foi possível por existir um grande espírito de entreajuda entre todas as pessoas envolvidas, muito graças à capacidade de trabalho do vereador Henrique Carreiras.
Obrigado Henrique, por tudo o que fez de bom por Almada, nos últimos vinte e dois anos, como Autarca.

O quadro que acompanha este texto é a "Poltrona" de Manuel Amado. Simboliza a cadeira da "Protecção Civil", vazia por breves instantes. Para satisfação de todos nós, era bom que ficasse tão bem ocupada como até aqui...

domingo, julho 08, 2007

Porquê?

Porque será que algumas pessoas insistem em não respeitar o que devia de todos e para todos?
Porque será que as crianças não podem brincar nos espaços relvados em Almada, sem terem de encontrar cães à solta, juntamente com os seus "presentes"?
Porque será que algumas pessoas insistem em achar que os animais são "humanos"?
Para que servem as placas de proibição, se quase ninguém as cumpre?

sábado, julho 07, 2007

As Marchas em Almada


As Marchas Populares começam a ser sinónimo de qualidade em Almada.
Apesar de não ser uma tradição local, devemos sublinhar que as colectividades têm aderido a esta iniciativa de uma forma entusiástica, e de ano para ano, é notória a melhoria de qualidade, em quase todos os aspectos.
Claro que esta análise só a faço no Pavilhão dos Desportos do Feijó, porque o recinto ao ar livre, onde decorre a Primeira Apresentação é demasiado restrito (este ano existe desculpa, já que as obras do Metro obrigaram a que se escolhesse um outro lugar, para o desfile, junto à Lisnave), praticamente a exibição resume-se à passagem pela tribuna de honra.
Apesar de resultar numa sobrecarga de trabalhos, era bom que o Município de Almada pensasse seriamente em fazer o mesmo que é feito em Lisboa, colocando bancadas desmontáveis em toda a área onde decorre a apresentação da Marcha, possibilitando a visualização deste espectáculo a um maior número de pessoas, sem terem de estar quase encavalitadas em cima umas das outras.
A imagem que acompanha o texto é das Marchas do ano passado, da Marcha da Incrível e da Academia Almadense (este ano não tirei fotografias...).

quinta-feira, julho 05, 2007

O Ginjal e a Arte Almadense (II)

Carlos Canhão é um dos artistas plásticos almadenses que mais e melhor tem retratado o concelho de Almada, com aguarelas de grande qualidade, como esta que reproduzimos, que faz parte do livro, "Uma Gaivota no Vento", da qual é co-autor, juntamente com Maria Rosa Colaço.
Também é o autor de vários murais de azulejo, colocados em várias freguesias do Concelho.

quarta-feira, julho 04, 2007

Histórias de Vida...


Estamos sempre a descobrir coisas novas...
Ontem, aconteceu mais uma tertúlia, em Almada. Além de todo o saber transmitido pelo professor Manuel Lima, sobre a história de Corroios, desde os tempos em que toda aquela área era composta por quintas de frades, pertencentes a várias irmandades de Lisboa, que semeavam e colhiam os produtos para a sua subsistência, nas suas ordens e conventos da Capital, houve algo mais que ficou...
Quase a leste do tema da tertúlia, a descoberta de um simples nome, Brites, pouco feminino, que nem sequer imaginava que existisse (embora fosse o nome verdadeiro da Padeira de Aljubarrota), fez com que me intrometesse na conversa de algumas mulheres da geração da minha mãe, que me contaram a história triste desta senhora, que infelizmente teve muito pouco de "padeira de aljubarrota"...
O marido era mau como as cobras (foi a expressão usada, claro que as cobras não têm nada a ver com isto...) e batia-lhe praticamente todos os dias, deixando-a toda negra e ela, pequenina, aceitava tudo aquilo como se fizesse parte do seu quotidiano.
Disse-lhes o que senti, o quanto devia ser triste ser propriedade de um homem, e fazer parte de uma sociedade que assistia impávida e serena a estes casos de violência, como se fosse algo natural.
Elas acenaram que sim, que era muito triste...
Felizmente as coisas mudaram, a mulher dos nossos dias já não é propriedade de ninguém, seja ele pai, marido ou irmão, tem os mesmos direitos e deveres do homem.
Claro que há muita "besta" por aí à solta, que ainda não assimilou isso. É a única explicação que encontro, para o número de casos de violência doméstica que ainda acontecem no nosso país, alguns com consequências mortais...

Escolhi a ilustração da Padeira de Aljubarrota, porque há muita gente por aí, a precisar de levar com umas pazadas de uma mulher com a energia e a força da Senhora Dona Brites de Almeida...

domingo, julho 01, 2007

O Ginjal e a Arte Almadense (I)

O Ginjal ao longo do século XIX e século XX tem sido um lugar privilegiado pelos nossos artistas plásticos, que encontram ao longo das suas margens motivos de inegável beleza, com os quais nos têm brindado.
Mártio, ou Mário Martins, um excelente pintor do nosso concelho, enviou-me um bonito motivo do Ginjal, com o qual abro esta mostra local sobre este lugar esplendoroso.

sábado, junho 30, 2007

A Nossa Opereta Bufa


Onde há um chefe há um potencial angariador de bufos...
Sei do que falo, e ao contrário do que dizem, é uma realidade miserável, que não acabou com o fim da PIDE, após a Revolução de Abril.
Ao longo da minha vida profissional, em aparente liberdade, fui descobrindo gente capaz de tudo, desde que conseguissem ficar melhor na fotografia, que os restantes colegas. Isto só acontecia porque havia um chefe, com a porta aberta, para receber o relatório diário ou semanal das actividades menos visíveis dos seus subordinados.
Claro que mais tarde ou mais cedo estes bufos de quarta categoria eram descobertos e acabavam por cair em desgraça, vitimas do seu jogo duplo. Outros assumiam esta faceta estranha, com vaidade. Estou a lembrar-me de alguém, a quem tratávamos por "varina", e que lhe conseguimos trocar de tal forma as voltas, que o chefe começou a pensar que ele era mais mentiroso que bufo...

Tenho pena que os muitos ministros medíocres deste governo, que gostam de se servir do poder que têm, para demonstrar quem manda, em vez de se preocuparem em corrigir os seus erros, adorem inventar "bodes espiatórios", mesmo que seja em Vieira do Minho.
E são de tal maneira superiores, que nem sequer se esforçam por pedir desculpa ao povo pelas suas alarvidades, nem tão pouco são demitidos...
O curioso é que, com gente desta no governo, Alberto Costa e Augusto Santos Silva, por exemplo, até parecem ministros modelo...

Dali e os seus "Primeiros Dias de Primavera" animam esta prosa quase farta...

quinta-feira, junho 28, 2007

A Arte é de Todos

No meu último "post" não deixei isso bem vincado, mas sou completamente à favor da massificação da cultura. Acho óptimo que o mundo das Artes e Letras seja acessível ao maior número de pessoas, porque se tratam de áreas determinantes para a evolução e compreensão da nossa própria história.
Se as pessoas começarem a visitar muitos dos nossos museus, vão descobrir pequenas grandes maravilhas. E vão perceber, que ser-se português, não é uma coisa tão má, como por vezes pintam por aí alguns "artistas", desapegados da nossa verdadeira essência...
É preciso cultivarmos o gosto. Claro que isso só é possível através do contacto com obras de inegável qualidade (estou a falar de livros, música, artes plásticas, cinema, teatro, arquitectura, etc).
Tudo isto para dizer que o facto de a exposição da colecção Berardo, estar aberta ao povo, gratuitamente, durante estes dias, é um bálsamo para a cultura portuguesa.

O óleo que escolhi para dar cor a estas palavras, é da autoria de Marques Pereira e tem com título "Cenas de Aldeia".

quarta-feira, junho 27, 2007

Centro Cultural de Belém: Entre a Curiosidade e o Espanto

O melhor da grande exposição da colecção de arte Berardo, nestes dois primeiros dias, em que as portas do Centro Cultural de Belém estão abertas de par em par, não são os quadros, as peças e as instalações - até porque muitas delas exigem ser olhadas em silêncio e com pouco movimento à sua volta -, são sim os comentários da grande massa de visitantes.
Estas observações, além de curiosas e risíveis, são a visão simplista de quem está menos habituado a visualizar arte contemporânea...
Claro que há alguns comentários que merecem mais atenção, pela sua crueza e também por revelarem um sentido crítico mais profundo.
Outro aspecto importante é o espanto pela descoberta desta nova visão artística, em que aparentemente, parece mais fácil fazer arte, já que se utilizam materiais vulgares como simples garrafas, sapatos, cordas ou pedaços de madeira.
Descobrimos tanta boa gente nos corredores a dizer: «Isto é arte? Mas isto até eu faço!»

terça-feira, junho 26, 2007

Não te Esqueças de Comprar o Trevinho


Não te esqueças de comprar este bonito Trevinho, através do site da Rarissimas ou pelo telemóvel nº 969657444.

Ao fazê-lo estás a apoiar a construção da "Casa dos Marcos", que depois de inaugurada, estará aberta a toda a população portadora de doenças mentais e raras, com carências de apoio e também de actividades lúdicas e intelectuais.

segunda-feira, junho 25, 2007

Um Guache de Luís Miguel


Por vezes é difícil recordarmos todos os episódios que envolveram a grande e longa manifestação contra o aumento das portagens da Ponte 25 de Abril.
Como houve várias manifestações (o buzinão colectivo decorreu durante umas duas semanas...) colectivas, até às datas chegam a fazer alguma confusão.
É que entretanto já passaram treze anos e cinco primeiro-ministros...
Só hoje é que me recordaram, através do telefone, que o Luís Miguel foi baleado na madrugada de 25 de Junho. Depois lembrei-me que muitos manifestantes, espectadores, e claro, as forças da autoridade, mantiveram-se no local durante largas horas.
O Luís Miguel como morava perto, também ficou por ali a assistir ao desenrolar dos acontecimentos, até ser vitima de um disparo cobarde, de alguém sem consistência psicológica para exercer funções de autoridade, e muito menos para usar uma arma...

domingo, junho 24, 2007

O Princípio do Fim do Cavaquismo...

O princípio do fim do cavaquismo começou a desenhar-se numa sexta-feira, dia 24 de Junho de 1994, quando os utentes da Ponte 25 de Abril, liderados pelos camionistas, bloquearam os acessos a Lisboa e à Margem Sul, numa das maiores - senão a maior - manifestações de descontentamento popular, contra o aumento das portagens.
Só conseguiram dispersar a multidão com duas grandes cargas policiais do corpo de intervenção, que indignaram e envergonharam milhões de portugueses...

Treze anos depois, é importante não esquecermos a vitima que ficou para a história, Luís Miguel, um jovem almadense que estava a assistir aquele espectáculo degradante e acabou por ficar tetraplégico, devido a uma bala perdida, disparada cobardemente contra a multidão...

O São João de Almada

Hoje é feriado em Almada - parece que este ano é comum termos feriados ao domingo... -, comemora-se o dia de São João, o santo padroeiro da Cidade...
Claro que o verdadeiro S. João do nosso país é festejado no Porto, onde o bairrismo e as tradições populares ainda prevalecem...

Em Almada, além de alguns bailaricos espalhados pela cidade, existe ainda o desfile das marchas - copiadas da tradição lisboeta, sem o brilho e a qualidade destas, como é natural, embora ano após ano, se registem melhorias significativas na apresentação das marchas a concurso - e o fogo preso.

Devido às obras do Metro o desfile teve de mudar de sitio e escolheram a Avenida da Lisnave. Com a mudança conseguiram roubar a tranquilidade à minha rua, apenas por algumas horas, felizmente...

quinta-feira, junho 21, 2007

Quando Almada Foi Elevada a Cidade...


Almada foi elevada a cidade há exactamente 34 anos...
Escolhi a caixa de entrada do suplemento especial do jornal "O Setubalense", de 22 de Junho de 1973, para ilustrar esta pequena efeméride.
Segundo a crónica, assinada por Vitor Cláudio, foi um acontecimento histórico...
Nesta altura Almada era uma terra a caminho da modernidade.
Ainda colhia os frutos da construção da Ponte sobre o Tejo, entre Alcântara e Almada, e também da instalação dos Estaleiros da Lisnave na Margueira, em Cacilhas. Estaleiros que chegaram a dar emprego, nos seus tempos áureos, a perto de cinco mil trabalhadores...
Bons tempos para a economia local...

quarta-feira, junho 20, 2007

Retrato de Uma Cidade que Finge Estar em Mudança


Moro há vinte anos em Cacilhas.
Não vim morar para a Margem Sul por acidente. Foi uma escolha pensada.
Além de ter gostado da possibilidade de olhar o Tejo da minha janela da sala, a proximidade de Lisboa acabou por ser decisiva nesta escolha. Ficava apenas a vinte minutos de distância, contabilizados o passeio a pé pelas ruas da freguesia e a viagem de cacilheiro...
É por isso que não aceito que a qualidade de vida na Freguesia onde moro, em vez de ter melhorado, tenha regredido (especialmente na última década).
Cada vez há mais casas em ruínas (do Ginjal nem é bom falar... por isso vou tentar esquecê-lo neste pequeno texto), mais carros em cima dos passeios, mais lixo rente aos contentores... e até as pessoas, estão mais velhas e não houve qualquer tentativa de revitalizar a população, criando condições especiais para que os jovens viessem ou continuassem a viver para Cacilhas.
A Lisnave, por exemplo, fechou há mais de seis anos e continua tudo na mesma. A única coisa que mudou, foi a diminuição de poluição sonora e atmosférica.

Não aceito que o Município só se preocupe com as obras faraónicas projectadas para a Quinta do Almaraz e para o espaço dos antigos estaleiros da Lisnave, que não passam disso mesmo, de projectos de papel, e não faça nada para mudar este retrocesso na qualidade de vida das populações do concelho.
O que me incomoda é saber que, largas centenas de milhões de contos depois, vai existir um Metro de superfície, que embora passe na avenida principal da Freguesia, não vai contribuir, em quase nada, para a melhoria da qualidade de vida dos cacilhenses.
As casas devolutas e em risco de ruir vão continuar a aumentar, tal como a desertificação humana...
Não tenho dúvidas que preferia viver numa localidade que se preocupasse mais com as pessoas e menos com todos estes projectos megalómanos.

segunda-feira, junho 18, 2007

Junho Esconde-se Atrás das Nuvens

Quem escolheu tirar férias neste mês de Junho - no nosso país, claro - não tem tido muita sorte com o tempo.
As nuvens têm andado cá e lá, e de vez em quando escurecem mesmo, a avisar: «água vai»!
Os mais teimosos, que não querem perder as férias, previamente marcadas em estâncias balneares, poderão voltar à moda dos fatos de banho do princípio de século, com um pouco mais de tecido.
Pelo sim pelo não, ficam mais protegidas das intempéries...

A foto foi retirada da revista "Illustração Portugueza", de 16 de Setembro de 1912...

domingo, junho 17, 2007

Um Presente Diferente


Há sempre modas novas na blogosfera... agora chegaram os "blogues com tomates".
Já recebi duas nomeações, uma do Farol das Artes e outra do Cheiro da Ilha.
Por norma não dou muita importância a estes "carinhos", embora tenha o cuidado de agradecer as distinções, porque quem nos escolhe, acha-nos dignos das menções.
Nestas coisas, sou realmente um subversivo... é por isso que não vou seguir quaisquer regras. Vou sim aproveitar a ocasião para homenagear doze senhoras, que embora não sejam providas - pela natureza - de tomates, são especiais para mim. É por isso que sou visita lá de casa, quase diariamente, e sinto-me muito bem nos seus cantos, todos diferentes e cheios de encantos (rima e é verdade)...
Obrigado Alice (A Tradução da Memória), Ana (Andando e Pensando), Ana Paula (Paul dos Patudos), Ida (Sulbúrbio), Isabel (Caderno de Campo), Maria (O Cheiro da Ilha), Maria P. (Casa de Maio), MC (Jardim de Luz), Minda (Infinit’os), Rosa (Rosa dos Ventos), Sininho (Ecos da Falésia) e Vague (La Maree Haute).

O óleo que dá vida a esta homenagem quase que é um tomate... quase. É da autoria de Gustavo Fernandes e chama-se "Desafio à Dimensão"... e é dedicado às doze encantadoras Senhoras, e claro, a todos os visitantes das minhas "casas".

sexta-feira, junho 15, 2007

Os Fotógrafos do Ginjal...


Nos anos quarenta e cinquenta era comum encontrar um fotógrafo à porta dos restaurantes mais afamados, para registar o momento, para mais tarde recordar...
O "Pincel" foi um dos mais populares.
Anyana nos seus "Pregões de Cacilhas", fala do retratista, desta forma:

Pela rua marginal, nos agradáveis calores de Verão, andava o "Retratista" com seua maquineta, chamando as moçoilas:

- Ói! Menina!... Bai um retratinho p'róferecer ao namorado, benham ao Pincel... benham ao Pincel...

A fotografia do fotógrafo é dos anos quarenta, junto à "Floresta do Ginjal".

quarta-feira, junho 13, 2007

As Tertúlias de Café Cor de Rosa

Descobri hoje que estava enganado na forma como olhava as tertúlias. Sempre pensei que as tertúlias de café eram coisa de homem, que tanto podiam estar viradas para o intelecto, com discussões quase filosóficas, ou para o futebol, com conversas mais acesas, a muitos tons e cores...
Foi preciso estar sentado numa esplanada, ao lado de uma mesa de cinco senhoras com mais de meia idade, para descobrir uma verdadeira tertúlia cor de rosa, quase choque. As senhoras falavam com desenvoltura, quer dos temas do dia das revistas de actualidades femininas e do "24 Horas", quer das últimas aventuras das suas ruas.
As conversas eram bastante pormenorizadas, e tanto falavam da operação à "peida" da Merche Romero como da neta de não sei quem, que ia colocar silicone nas "tetas"...
Consegui sorrir várias vezes, com as expressões usadas, naquele "jornal" colectivo, onde se desfiaram histórias de várias ruas de Almada e até do país.
Abençoadas mulheres que ainda se encontram nas mesas de café para colocar a "escrita em dia". Elas vão quase sempre mais longe que nós e raramente usam palavrões...
É com esta pequenas coisas que descobrimos o quanto somos sexistas...

Pablo Picasso ilustra este texto com as suas "banhistas".

segunda-feira, junho 11, 2007

Conversa Quase Fiada...


Quando escuto as actuais variações dos discursos do Presidente da República e do Presidente do Conselho, fico com a sensação que trocaram de partido e de ideais...
O tecnocrata que chegou a ser comparado com os eucaliptos, por secar tudo à sua volta, depois de ter esvaziado o nosso país de humanismo, substituindo-o por valores mais próximos da futilidade e do materialismo, está um homem novo. A nova versão Cavaco preocupa-se com o povo e quer que ele lute, que deixe de se conformar...
O presidente do Conselho de ministros conseguiu ir muito mais longe que Mário Soares: Este meteu o "socialista" na gaveta, mas o filósofo lá da casa deu-lhe um destino bem mais definitivo, deitou-o para o cesto dos papeis...
Discursos são isso mesmo, palavras, palavras que o vento faz voar...
O Rui lá sabia os bonecos que fazia, em 1989, quando ainda existia "O Jornal"...

domingo, junho 10, 2007

Um Dia Cheio de Adjectivos...


Este dia é cheio de adjectivos ou de variedades, tanto pode ser de Camões, das Comunidades, da Raça ou da Pátria, com o sentido que cada um de nós lhe queira dar.
Claro que a variedade mais comum, é a de ser um simples, mas agradável feriado, por estarmos em Junho - este ano, para mal dos nossos pecados, ficou-se pelo domingo...
É também o dia das comendas, da entrega de medalhas, com e sem mérito, pelo Presidente da República.
Pelo menos já se acabou - há mais de trinta e três -, com o ritual pró-defesa da pátria, preenchido com um desfile militar grandioso e pela entrega de medalhas aos heróis da Guerra Colonial. Muitas delas eram entregues a título póstumo, a pais e filhos...
Apesar de tudo, prefiro que este seja o Dia das Comunidades Portuguesas, ou de Camões, pelo seu carácter mais universalista e também por saber que há sempre um português, onde menos se espera...
O "Luís de Camões" é de José Malhoa.

sexta-feira, junho 08, 2007

Outro Cristo Rei

Há meia dúzia de anos quando passeava pelas ruas de Lagos, descobri uma galeria de arte, que me chamou a atenção. Entrei e descobri uma exposição de pintura especial, de um holandês, radicado no Sul do nosso país.
Digo especial porque ele oferecia um ar medieval e fantasmasgórico a vários monumentos.
No meio destas obras de arquitectura encontrei o nosso Cristo Rei...
Não está mau de todo, pois não?

terça-feira, junho 05, 2007

A Luta do Actual "Marechal" Saldanha


O professor Saldanha Sanches está de novo nas bocas do mundo, ou, mais precisamente, na dos autarcas, que ficam sempre com ar de esfomeados, embora o ar de "sapo" do fiscalista, os demova destes apetites, por causa das indigestões...
Concordo com a generalidade dos seus pontos de vista em relação à corrupção nas autarquias portuguesas.
Na entrevista que o professor deu à revista "Visão" da semana passada, houve uma frase que retive, em resposta a uma pergunta, onde lhe pediam para classificar o estado dos partidos:
«É mau... Por exemplo, no caso da Câmara, aquela duplicação que há entre os aparelhos partidários e as empresas públicas municipais é altamente preocupante. Não é aceitável. Aliás, é bom recordar que mesmo o PCP pratica uma política de jobs for the boys de uma forma pertinaz, eficiente e consequente, dentro dos seus limites e dos seus poderes. Isso não é aceitável.»

Esta última frase, como é óbvio, também se refere a Almada, onde começam a proliferar as empresas públicas municipais, cujos administradores são forçosamente da confiança política do PCP, com honorários mensais que devem fazer inveja a qualquer almadense, embora continue quase tudo no segredo dos deuses.
Com os maus exemplos de Lisboa, e em nome da transparência, era bom que fossem revelados os nomes de todos os administradores e os seus respectivos vencimentos.

segunda-feira, junho 04, 2007

A Transformação dos Telejornais em Telenovelas


Se há coisa que me irrita na televisão é esta moda actual de encher os telejornais (infelizmente acontece em todos os canais...) com uma única notícia, abordada de todos os ângulos possíveis e imaginários.
Os últimos exemplos foram: o "diploma de Sócrates"; o desaparecimento de Maddie, a menina inglesa. Agora, como não podia deixar de ser, vem aí o "Serial Killer de Santa Comba Dão".
É triste toda esta exploração noticiosa, que se torna sórdida, tóxica e até pornográfica, distanciando-se cada vez mais daquilo que é o serviço noticioso.
Isto só deve ser bom para os especialistas de criminologia duvidosos, cujos comentários mancham as televisões de vermelho, colocando-as ao nível do jornal "O Crime".
Escolhi um dos bonecos do António, para dar um pouco de humor à questão...

domingo, junho 03, 2007

Mudar de Vida...


Quem é que nunca sentiu necessidade ou desejo, pelo menos uma vez, de mudar de vida?
Sim, arranjar uma nova profissão, trocar de cidade, mudar de vizinhos... e em casos extremos, até mudar de identidade...
As cidades que sobrevivem encostadas a Lisboa, oferecem ritmos de vida quase alucinantes. Almada não foge à regra. É por isso que acredito, que se mudasse para um lugar mais calmo, os dias poderiam ter horas mais normalizadas.

Quando pensava nisto, ouvi algumas das canções que António Variações deixou no bau, recuperadas no excelente álbum "Humanos", com as vozes do Camané, do David e da Manuela.
O Refreão de "Muda de Vida" simboliza muito do que pensava:

Muda de vida
Se tu não vives satisfeito
Muda de vida
Estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida
Não deves viver contrafeito
Muda de vida
Se a vida em ti não é de jeito

Este texto é também uma pequena homenagem ao único verdadeiro artista pop do nosso país, que quis ser ele próprio, e conseguiu-o, no estilo, na voz e nas palavras. Obrigado António...

sexta-feira, junho 01, 2007

Esta Liberdade que Incomoda Muita Gente...


Esta Liberdade de podermos partilhar as coisas que mais gostamos ou detestamos (poesia, ficção, história, fotografia, pintura, política, desporto, sexo, etc), com milhares de pessoas, é uma coisa fabulosa.
Torna-se ainda mais estimável, quando se começam a notar no nosso país, alguns indícios da tentativa de criar um estado "policial", no pior sentido desta palavra.
É também por isso que esta Liberdade incomoda muita gente, deixando inclusive algumas com as orelhas a arder. E quando percebem que este meio não é fácil de manipular, como acontece com os jornais, as revistas, as rádios e as televisões, ficam ainda mais possessos.
É por isso que temos de encarar com alguma naturalidade a existência de manobras de diversão - menos "obscuras" do que parecem -, na tentativa de silenciar e desmoralizar os "blogueiros" mais incómodos. Estas manobras atingem o ponto alto quando ofendem a dignidade pessoal e profissional de cada um de nós.
São estes procedimentos que fazem com que se acabem com os comentários anónimos, mais tarde ou mais cedo, e em casos extremos, activem a sua moderação.
Alguns paladinos da Liberdade dizem que estas medidas, além de serem contraditórias "atentam" contra o tal mundo livre da blogosfera, que tanto defendemos por aí.
Estão enganados. Mais grave que estarem enganados é ainda não terem percebido que a nossa Liberdade começa no respeito pela Liberdade dos outros...
Como sou teimoso, esta Liberdade que Incomoda Muita Gente, tem funcionado como um lenitivo e é ela que me dá forças para continuar.
Não sei por quanto tempo.
Sei apenas que enquanto a blogosfera continuar a ser uma coisa agradável e sentir que tenho algo a dizer, não fecharei as portas do "Casario" e das suas sucursais.
O texto está ilustrado com o óleo de Pablo Picasso, "Três Músicos".