terça-feira, agosto 07, 2007

O Verão Também é...


O Verão também é, por excelência, o mês das esplanadas, o mês das bebidas frescas...
A cerveja aparece quase em primeiro lugar (não posso esquecer a água, porque não há nada que nos sacie a sede como este belo nectar, puro e transparente...).
Apesar das grandes guerras de cerveja nacionais, com os festivais de Verão pelo meio, tive um feliz reencontro nas férias com a San Miguel.
Apesar de adorar ser português e de não querer pertencer à Ibéria do Saramago, sempre gostei desta cerveja espanhola...

sábado, agosto 04, 2007

Os Guindastes do Ginjal


Os Guindastes

Parece que a noite
deles se esqueceu.
E eles dela.

Ao longo do cais,
aguardam numa espera agonizante
a morte prometida que não chega.

Pela alma
estão presos ao chão
e olham o rio indiferentes
certos da sua cegueira
e silêncio invioláveis.

Porque nada mais deles se espera!

Dos velhos guindastes
em contínua decomposição.

Não choro!

Não!!!

O poema é de Alberto Afonso, poeta almadense, e faz parte do seu excelente livro, "Recantos de Minha Terra". A fotografia é minha. Ambos espelham mais um olhar de abandono do Ginjal.


quarta-feira, agosto 01, 2007

Regresso ao Ginjal



Está tudo igual...
muito pó,
muito barulho,
muitas grades,
que aprisionam a Cidade...
Não
cheguei de barco a remos,
nem tão
pouco pude atracar na Praia das Lavadeiras,
embora passasse por lá,
há poucas
horas,
com o sol
ainda forte
a dar um brilho especial ao Tejo...

domingo, julho 15, 2007

Os Dias de Verão


Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade

Justa é a forma do nosso corpo

Poema da grande senhora da poesia portuguesa, Sophia de Mello Breyner Andresen, óleo de Manuel Amado...

sexta-feira, julho 13, 2007

Pessoa Veio ao Teatro a Almada

Além da Carmen Dolores o Festival de Teatro de Almada também homenageia uma figura impar da cultura portuguesa do século vinte.
Estou a falar do Mestre Lagoa Henriques, escultor, poeta, pintor e, essencialmente professor. Influenciou tantas gerações de artistas... desde os anos quarenta do século passado ao início do século XXI, em várias universidades e escolas superiores, com relevo para as faculdades de Belas Artes do Porto e de Lisboa.
Tive o grato prazer de o conhecer através do jornalismo. Voltei a encontrá-lo mais vezes no seu atelier de Belém.
Numa das últimas visitas que lhe fiz, tive a honra de visitar a sua Casa-Museu (que continua fechada ao público, sem saber muito bem porquê), que fica ao lado da Universidade Moderna e do seu Atelier. Foi a melhor visita guiada que alguma vez me proporcionaram. Este espaço artístico não é muito grande, mas passei ali quase três horas, a ouvir o Mestre Lagoa Henriques, contar a história de cada quadro, de cada escultura, com a sua forma única de comunicar, tão simples, tão poética e ao mesmo tempo tão rica...
Foi bom ver o Fernando Pessoa rente ao palco da António da Costa, juntamente com as outras duas obras, alusivas a Camões e à Ilha dos Amores, para recordar a arte e a qualidade humana de Lagoa Henriques.

quarta-feira, julho 11, 2007

Orgulho, Dinheiro e Demagogia

O último boletim municipal dá vivas ao orgulho da nossa presidente, por estar à frente da Autarquia com melhor liquidez financeira, entre os 308 Municipios portugueses.
Embora não seja pessimisma, estou longe de me sentir orgulhoso com este feito, porque tudo aquilo que observo à minha volta, dá-me a imagem de uma cidade sem rumo e cada vez mais triste e empobrecida.
Gosto muito do Tejo, não sou um homem parado à beira do rio.
Conheço outras cidades que têm crescido a olhos vistos e onde as pessoas vivem melhor, apesar do cenário nacional de crise. Parece que têm dividas, mas isso não tem sido um obstáculo para a melhoria das suas condições de vida.
É por isso que pergunto, de que vale ter dinheiro em caixa, se a cidade parece estar cada vez mais próxima do abismo?
Há várias pessoas a mudarem de cidade porque o emprego quase que já não existe.
É raro o dia em que não fecha mais uma casa comercial no Concelho.
As ruas estão sujas e esburacadas, mesmo as mais afastadas das zonas de obras.
Há demasiadas casas abandonadas, nas zonas mais antigas da cidade. Em Almada, Cacilhas e Cova da Piedade, existem dezenas de exemplos de casas quase a ruirem, sem que se faça alguma coisa...
Vivo há vinte anos em Almada e digo sem qualquer problema, que a cidade está cada vez mais feia e triste.
E o Metro - apesar de todas as esperanças que se escondem atrás das suas carruagens -, infelizmente, está longe de ser a solução milagrosa para os muitos problemas que se têm avolumado ao longo dos últimos seis, sete anos na cidade...
O estado actual da cidade de Almada, é a melhor prova de que o dinheiro, por si só, não vale nada.

terça-feira, julho 10, 2007

Olá Ginjal


Estou a colocar aqui a "posta de pescada" número 200.
Claro que é apenas um número.
Mesmo assim decidi realizar algumas mudanças visuais.
Espero que o "Casario" fique mais atractivo...

Alfredo Keil foi o pintor escolhido, para dar uma cor diferente ao Ginjal, com um óleo dos finais do século XIX, onde ainda conseguimos encontrar algumas mulheres a lavar roupa na Praia das Lavadeiras.

segunda-feira, julho 09, 2007

Não Há Pessoas Insubstituíveis...


É comum dizer-se que ninguém é insubstituível.
Embora seja verdade, todos sabemos que existem pessoas com mais capacidade que outras, para ocuparem certos cargos. E mesmo não sendo insubstituíveis, quando saem deixam sempre um vazio, que demora algum tempo a ser preenchido.
Henrique Carreiras, até há pouco tempo, vereador do Município de Almada, com o pelouro da Protecção Civil no Concelho, é uma destas pessoas.
É por isso que acaba por ser natural, que agora que se despede das suas funções, seja aplaudido na Assembleia Municipal por todas as forças políticas que ali têm assento.
Quando se trabalha com rigor, competência e honestidade, numa área extremamente difícil e delicada, como esta, que envolve os Bombeiros, as Forças de Autoridade e a População em geral, dificilmente se passa despercebido (no bom e no mau sentido).
Não foi obra do acaso que a área ardida no concelho tenha sido das menores do país, nos últimos anos. Isto só foi possível por existir um grande espírito de entreajuda entre todas as pessoas envolvidas, muito graças à capacidade de trabalho do vereador Henrique Carreiras.
Obrigado Henrique, por tudo o que fez de bom por Almada, nos últimos vinte e dois anos, como Autarca.

O quadro que acompanha este texto é a "Poltrona" de Manuel Amado. Simboliza a cadeira da "Protecção Civil", vazia por breves instantes. Para satisfação de todos nós, era bom que ficasse tão bem ocupada como até aqui...

domingo, julho 08, 2007

Porquê?

Porque será que algumas pessoas insistem em não respeitar o que devia de todos e para todos?
Porque será que as crianças não podem brincar nos espaços relvados em Almada, sem terem de encontrar cães à solta, juntamente com os seus "presentes"?
Porque será que algumas pessoas insistem em achar que os animais são "humanos"?
Para que servem as placas de proibição, se quase ninguém as cumpre?

sábado, julho 07, 2007

As Marchas em Almada


As Marchas Populares começam a ser sinónimo de qualidade em Almada.
Apesar de não ser uma tradição local, devemos sublinhar que as colectividades têm aderido a esta iniciativa de uma forma entusiástica, e de ano para ano, é notória a melhoria de qualidade, em quase todos os aspectos.
Claro que esta análise só a faço no Pavilhão dos Desportos do Feijó, porque o recinto ao ar livre, onde decorre a Primeira Apresentação é demasiado restrito (este ano existe desculpa, já que as obras do Metro obrigaram a que se escolhesse um outro lugar, para o desfile, junto à Lisnave), praticamente a exibição resume-se à passagem pela tribuna de honra.
Apesar de resultar numa sobrecarga de trabalhos, era bom que o Município de Almada pensasse seriamente em fazer o mesmo que é feito em Lisboa, colocando bancadas desmontáveis em toda a área onde decorre a apresentação da Marcha, possibilitando a visualização deste espectáculo a um maior número de pessoas, sem terem de estar quase encavalitadas em cima umas das outras.
A imagem que acompanha o texto é das Marchas do ano passado, da Marcha da Incrível e da Academia Almadense (este ano não tirei fotografias...).

quinta-feira, julho 05, 2007

O Ginjal e a Arte Almadense (II)

Carlos Canhão é um dos artistas plásticos almadenses que mais e melhor tem retratado o concelho de Almada, com aguarelas de grande qualidade, como esta que reproduzimos, que faz parte do livro, "Uma Gaivota no Vento", da qual é co-autor, juntamente com Maria Rosa Colaço.
Também é o autor de vários murais de azulejo, colocados em várias freguesias do Concelho.

quarta-feira, julho 04, 2007

Histórias de Vida...


Estamos sempre a descobrir coisas novas...
Ontem, aconteceu mais uma tertúlia, em Almada. Além de todo o saber transmitido pelo professor Manuel Lima, sobre a história de Corroios, desde os tempos em que toda aquela área era composta por quintas de frades, pertencentes a várias irmandades de Lisboa, que semeavam e colhiam os produtos para a sua subsistência, nas suas ordens e conventos da Capital, houve algo mais que ficou...
Quase a leste do tema da tertúlia, a descoberta de um simples nome, Brites, pouco feminino, que nem sequer imaginava que existisse (embora fosse o nome verdadeiro da Padeira de Aljubarrota), fez com que me intrometesse na conversa de algumas mulheres da geração da minha mãe, que me contaram a história triste desta senhora, que infelizmente teve muito pouco de "padeira de aljubarrota"...
O marido era mau como as cobras (foi a expressão usada, claro que as cobras não têm nada a ver com isto...) e batia-lhe praticamente todos os dias, deixando-a toda negra e ela, pequenina, aceitava tudo aquilo como se fizesse parte do seu quotidiano.
Disse-lhes o que senti, o quanto devia ser triste ser propriedade de um homem, e fazer parte de uma sociedade que assistia impávida e serena a estes casos de violência, como se fosse algo natural.
Elas acenaram que sim, que era muito triste...
Felizmente as coisas mudaram, a mulher dos nossos dias já não é propriedade de ninguém, seja ele pai, marido ou irmão, tem os mesmos direitos e deveres do homem.
Claro que há muita "besta" por aí à solta, que ainda não assimilou isso. É a única explicação que encontro, para o número de casos de violência doméstica que ainda acontecem no nosso país, alguns com consequências mortais...

Escolhi a ilustração da Padeira de Aljubarrota, porque há muita gente por aí, a precisar de levar com umas pazadas de uma mulher com a energia e a força da Senhora Dona Brites de Almeida...

domingo, julho 01, 2007

O Ginjal e a Arte Almadense (I)

O Ginjal ao longo do século XIX e século XX tem sido um lugar privilegiado pelos nossos artistas plásticos, que encontram ao longo das suas margens motivos de inegável beleza, com os quais nos têm brindado.
Mártio, ou Mário Martins, um excelente pintor do nosso concelho, enviou-me um bonito motivo do Ginjal, com o qual abro esta mostra local sobre este lugar esplendoroso.

sábado, junho 30, 2007

A Nossa Opereta Bufa


Onde há um chefe há um potencial angariador de bufos...
Sei do que falo, e ao contrário do que dizem, é uma realidade miserável, que não acabou com o fim da PIDE, após a Revolução de Abril.
Ao longo da minha vida profissional, em aparente liberdade, fui descobrindo gente capaz de tudo, desde que conseguissem ficar melhor na fotografia, que os restantes colegas. Isto só acontecia porque havia um chefe, com a porta aberta, para receber o relatório diário ou semanal das actividades menos visíveis dos seus subordinados.
Claro que mais tarde ou mais cedo estes bufos de quarta categoria eram descobertos e acabavam por cair em desgraça, vitimas do seu jogo duplo. Outros assumiam esta faceta estranha, com vaidade. Estou a lembrar-me de alguém, a quem tratávamos por "varina", e que lhe conseguimos trocar de tal forma as voltas, que o chefe começou a pensar que ele era mais mentiroso que bufo...

Tenho pena que os muitos ministros medíocres deste governo, que gostam de se servir do poder que têm, para demonstrar quem manda, em vez de se preocuparem em corrigir os seus erros, adorem inventar "bodes espiatórios", mesmo que seja em Vieira do Minho.
E são de tal maneira superiores, que nem sequer se esforçam por pedir desculpa ao povo pelas suas alarvidades, nem tão pouco são demitidos...
O curioso é que, com gente desta no governo, Alberto Costa e Augusto Santos Silva, por exemplo, até parecem ministros modelo...

Dali e os seus "Primeiros Dias de Primavera" animam esta prosa quase farta...

quinta-feira, junho 28, 2007

A Arte é de Todos

No meu último "post" não deixei isso bem vincado, mas sou completamente à favor da massificação da cultura. Acho óptimo que o mundo das Artes e Letras seja acessível ao maior número de pessoas, porque se tratam de áreas determinantes para a evolução e compreensão da nossa própria história.
Se as pessoas começarem a visitar muitos dos nossos museus, vão descobrir pequenas grandes maravilhas. E vão perceber, que ser-se português, não é uma coisa tão má, como por vezes pintam por aí alguns "artistas", desapegados da nossa verdadeira essência...
É preciso cultivarmos o gosto. Claro que isso só é possível através do contacto com obras de inegável qualidade (estou a falar de livros, música, artes plásticas, cinema, teatro, arquitectura, etc).
Tudo isto para dizer que o facto de a exposição da colecção Berardo, estar aberta ao povo, gratuitamente, durante estes dias, é um bálsamo para a cultura portuguesa.

O óleo que escolhi para dar cor a estas palavras, é da autoria de Marques Pereira e tem com título "Cenas de Aldeia".

quarta-feira, junho 27, 2007

Centro Cultural de Belém: Entre a Curiosidade e o Espanto

O melhor da grande exposição da colecção de arte Berardo, nestes dois primeiros dias, em que as portas do Centro Cultural de Belém estão abertas de par em par, não são os quadros, as peças e as instalações - até porque muitas delas exigem ser olhadas em silêncio e com pouco movimento à sua volta -, são sim os comentários da grande massa de visitantes.
Estas observações, além de curiosas e risíveis, são a visão simplista de quem está menos habituado a visualizar arte contemporânea...
Claro que há alguns comentários que merecem mais atenção, pela sua crueza e também por revelarem um sentido crítico mais profundo.
Outro aspecto importante é o espanto pela descoberta desta nova visão artística, em que aparentemente, parece mais fácil fazer arte, já que se utilizam materiais vulgares como simples garrafas, sapatos, cordas ou pedaços de madeira.
Descobrimos tanta boa gente nos corredores a dizer: «Isto é arte? Mas isto até eu faço!»

terça-feira, junho 26, 2007

Não te Esqueças de Comprar o Trevinho


Não te esqueças de comprar este bonito Trevinho, através do site da Rarissimas ou pelo telemóvel nº 969657444.

Ao fazê-lo estás a apoiar a construção da "Casa dos Marcos", que depois de inaugurada, estará aberta a toda a população portadora de doenças mentais e raras, com carências de apoio e também de actividades lúdicas e intelectuais.

segunda-feira, junho 25, 2007

Um Guache de Luís Miguel


Por vezes é difícil recordarmos todos os episódios que envolveram a grande e longa manifestação contra o aumento das portagens da Ponte 25 de Abril.
Como houve várias manifestações (o buzinão colectivo decorreu durante umas duas semanas...) colectivas, até às datas chegam a fazer alguma confusão.
É que entretanto já passaram treze anos e cinco primeiro-ministros...
Só hoje é que me recordaram, através do telefone, que o Luís Miguel foi baleado na madrugada de 25 de Junho. Depois lembrei-me que muitos manifestantes, espectadores, e claro, as forças da autoridade, mantiveram-se no local durante largas horas.
O Luís Miguel como morava perto, também ficou por ali a assistir ao desenrolar dos acontecimentos, até ser vitima de um disparo cobarde, de alguém sem consistência psicológica para exercer funções de autoridade, e muito menos para usar uma arma...

domingo, junho 24, 2007

O Princípio do Fim do Cavaquismo...

O princípio do fim do cavaquismo começou a desenhar-se numa sexta-feira, dia 24 de Junho de 1994, quando os utentes da Ponte 25 de Abril, liderados pelos camionistas, bloquearam os acessos a Lisboa e à Margem Sul, numa das maiores - senão a maior - manifestações de descontentamento popular, contra o aumento das portagens.
Só conseguiram dispersar a multidão com duas grandes cargas policiais do corpo de intervenção, que indignaram e envergonharam milhões de portugueses...

Treze anos depois, é importante não esquecermos a vitima que ficou para a história, Luís Miguel, um jovem almadense que estava a assistir aquele espectáculo degradante e acabou por ficar tetraplégico, devido a uma bala perdida, disparada cobardemente contra a multidão...

O São João de Almada

Hoje é feriado em Almada - parece que este ano é comum termos feriados ao domingo... -, comemora-se o dia de São João, o santo padroeiro da Cidade...
Claro que o verdadeiro S. João do nosso país é festejado no Porto, onde o bairrismo e as tradições populares ainda prevalecem...

Em Almada, além de alguns bailaricos espalhados pela cidade, existe ainda o desfile das marchas - copiadas da tradição lisboeta, sem o brilho e a qualidade destas, como é natural, embora ano após ano, se registem melhorias significativas na apresentação das marchas a concurso - e o fogo preso.

Devido às obras do Metro o desfile teve de mudar de sitio e escolheram a Avenida da Lisnave. Com a mudança conseguiram roubar a tranquilidade à minha rua, apenas por algumas horas, felizmente...

quinta-feira, junho 21, 2007

Quando Almada Foi Elevada a Cidade...


Almada foi elevada a cidade há exactamente 34 anos...
Escolhi a caixa de entrada do suplemento especial do jornal "O Setubalense", de 22 de Junho de 1973, para ilustrar esta pequena efeméride.
Segundo a crónica, assinada por Vitor Cláudio, foi um acontecimento histórico...
Nesta altura Almada era uma terra a caminho da modernidade.
Ainda colhia os frutos da construção da Ponte sobre o Tejo, entre Alcântara e Almada, e também da instalação dos Estaleiros da Lisnave na Margueira, em Cacilhas. Estaleiros que chegaram a dar emprego, nos seus tempos áureos, a perto de cinco mil trabalhadores...
Bons tempos para a economia local...

quarta-feira, junho 20, 2007

Retrato de Uma Cidade que Finge Estar em Mudança


Moro há vinte anos em Cacilhas.
Não vim morar para a Margem Sul por acidente. Foi uma escolha pensada.
Além de ter gostado da possibilidade de olhar o Tejo da minha janela da sala, a proximidade de Lisboa acabou por ser decisiva nesta escolha. Ficava apenas a vinte minutos de distância, contabilizados o passeio a pé pelas ruas da freguesia e a viagem de cacilheiro...
É por isso que não aceito que a qualidade de vida na Freguesia onde moro, em vez de ter melhorado, tenha regredido (especialmente na última década).
Cada vez há mais casas em ruínas (do Ginjal nem é bom falar... por isso vou tentar esquecê-lo neste pequeno texto), mais carros em cima dos passeios, mais lixo rente aos contentores... e até as pessoas, estão mais velhas e não houve qualquer tentativa de revitalizar a população, criando condições especiais para que os jovens viessem ou continuassem a viver para Cacilhas.
A Lisnave, por exemplo, fechou há mais de seis anos e continua tudo na mesma. A única coisa que mudou, foi a diminuição de poluição sonora e atmosférica.

Não aceito que o Município só se preocupe com as obras faraónicas projectadas para a Quinta do Almaraz e para o espaço dos antigos estaleiros da Lisnave, que não passam disso mesmo, de projectos de papel, e não faça nada para mudar este retrocesso na qualidade de vida das populações do concelho.
O que me incomoda é saber que, largas centenas de milhões de contos depois, vai existir um Metro de superfície, que embora passe na avenida principal da Freguesia, não vai contribuir, em quase nada, para a melhoria da qualidade de vida dos cacilhenses.
As casas devolutas e em risco de ruir vão continuar a aumentar, tal como a desertificação humana...
Não tenho dúvidas que preferia viver numa localidade que se preocupasse mais com as pessoas e menos com todos estes projectos megalómanos.

segunda-feira, junho 18, 2007

Junho Esconde-se Atrás das Nuvens

Quem escolheu tirar férias neste mês de Junho - no nosso país, claro - não tem tido muita sorte com o tempo.
As nuvens têm andado cá e lá, e de vez em quando escurecem mesmo, a avisar: «água vai»!
Os mais teimosos, que não querem perder as férias, previamente marcadas em estâncias balneares, poderão voltar à moda dos fatos de banho do princípio de século, com um pouco mais de tecido.
Pelo sim pelo não, ficam mais protegidas das intempéries...

A foto foi retirada da revista "Illustração Portugueza", de 16 de Setembro de 1912...

domingo, junho 17, 2007

Um Presente Diferente


Há sempre modas novas na blogosfera... agora chegaram os "blogues com tomates".
Já recebi duas nomeações, uma do Farol das Artes e outra do Cheiro da Ilha.
Por norma não dou muita importância a estes "carinhos", embora tenha o cuidado de agradecer as distinções, porque quem nos escolhe, acha-nos dignos das menções.
Nestas coisas, sou realmente um subversivo... é por isso que não vou seguir quaisquer regras. Vou sim aproveitar a ocasião para homenagear doze senhoras, que embora não sejam providas - pela natureza - de tomates, são especiais para mim. É por isso que sou visita lá de casa, quase diariamente, e sinto-me muito bem nos seus cantos, todos diferentes e cheios de encantos (rima e é verdade)...
Obrigado Alice (A Tradução da Memória), Ana (Andando e Pensando), Ana Paula (Paul dos Patudos), Ida (Sulbúrbio), Isabel (Caderno de Campo), Maria (O Cheiro da Ilha), Maria P. (Casa de Maio), MC (Jardim de Luz), Minda (Infinit’os), Rosa (Rosa dos Ventos), Sininho (Ecos da Falésia) e Vague (La Maree Haute).

O óleo que dá vida a esta homenagem quase que é um tomate... quase. É da autoria de Gustavo Fernandes e chama-se "Desafio à Dimensão"... e é dedicado às doze encantadoras Senhoras, e claro, a todos os visitantes das minhas "casas".

sexta-feira, junho 15, 2007

Os Fotógrafos do Ginjal...


Nos anos quarenta e cinquenta era comum encontrar um fotógrafo à porta dos restaurantes mais afamados, para registar o momento, para mais tarde recordar...
O "Pincel" foi um dos mais populares.
Anyana nos seus "Pregões de Cacilhas", fala do retratista, desta forma:

Pela rua marginal, nos agradáveis calores de Verão, andava o "Retratista" com seua maquineta, chamando as moçoilas:

- Ói! Menina!... Bai um retratinho p'róferecer ao namorado, benham ao Pincel... benham ao Pincel...

A fotografia do fotógrafo é dos anos quarenta, junto à "Floresta do Ginjal".

quarta-feira, junho 13, 2007

As Tertúlias de Café Cor de Rosa

Descobri hoje que estava enganado na forma como olhava as tertúlias. Sempre pensei que as tertúlias de café eram coisa de homem, que tanto podiam estar viradas para o intelecto, com discussões quase filosóficas, ou para o futebol, com conversas mais acesas, a muitos tons e cores...
Foi preciso estar sentado numa esplanada, ao lado de uma mesa de cinco senhoras com mais de meia idade, para descobrir uma verdadeira tertúlia cor de rosa, quase choque. As senhoras falavam com desenvoltura, quer dos temas do dia das revistas de actualidades femininas e do "24 Horas", quer das últimas aventuras das suas ruas.
As conversas eram bastante pormenorizadas, e tanto falavam da operação à "peida" da Merche Romero como da neta de não sei quem, que ia colocar silicone nas "tetas"...
Consegui sorrir várias vezes, com as expressões usadas, naquele "jornal" colectivo, onde se desfiaram histórias de várias ruas de Almada e até do país.
Abençoadas mulheres que ainda se encontram nas mesas de café para colocar a "escrita em dia". Elas vão quase sempre mais longe que nós e raramente usam palavrões...
É com esta pequenas coisas que descobrimos o quanto somos sexistas...

Pablo Picasso ilustra este texto com as suas "banhistas".

segunda-feira, junho 11, 2007

Conversa Quase Fiada...


Quando escuto as actuais variações dos discursos do Presidente da República e do Presidente do Conselho, fico com a sensação que trocaram de partido e de ideais...
O tecnocrata que chegou a ser comparado com os eucaliptos, por secar tudo à sua volta, depois de ter esvaziado o nosso país de humanismo, substituindo-o por valores mais próximos da futilidade e do materialismo, está um homem novo. A nova versão Cavaco preocupa-se com o povo e quer que ele lute, que deixe de se conformar...
O presidente do Conselho de ministros conseguiu ir muito mais longe que Mário Soares: Este meteu o "socialista" na gaveta, mas o filósofo lá da casa deu-lhe um destino bem mais definitivo, deitou-o para o cesto dos papeis...
Discursos são isso mesmo, palavras, palavras que o vento faz voar...
O Rui lá sabia os bonecos que fazia, em 1989, quando ainda existia "O Jornal"...

domingo, junho 10, 2007

Um Dia Cheio de Adjectivos...


Este dia é cheio de adjectivos ou de variedades, tanto pode ser de Camões, das Comunidades, da Raça ou da Pátria, com o sentido que cada um de nós lhe queira dar.
Claro que a variedade mais comum, é a de ser um simples, mas agradável feriado, por estarmos em Junho - este ano, para mal dos nossos pecados, ficou-se pelo domingo...
É também o dia das comendas, da entrega de medalhas, com e sem mérito, pelo Presidente da República.
Pelo menos já se acabou - há mais de trinta e três -, com o ritual pró-defesa da pátria, preenchido com um desfile militar grandioso e pela entrega de medalhas aos heróis da Guerra Colonial. Muitas delas eram entregues a título póstumo, a pais e filhos...
Apesar de tudo, prefiro que este seja o Dia das Comunidades Portuguesas, ou de Camões, pelo seu carácter mais universalista e também por saber que há sempre um português, onde menos se espera...
O "Luís de Camões" é de José Malhoa.

sexta-feira, junho 08, 2007

Outro Cristo Rei

Há meia dúzia de anos quando passeava pelas ruas de Lagos, descobri uma galeria de arte, que me chamou a atenção. Entrei e descobri uma exposição de pintura especial, de um holandês, radicado no Sul do nosso país.
Digo especial porque ele oferecia um ar medieval e fantasmasgórico a vários monumentos.
No meio destas obras de arquitectura encontrei o nosso Cristo Rei...
Não está mau de todo, pois não?

terça-feira, junho 05, 2007

A Luta do Actual "Marechal" Saldanha


O professor Saldanha Sanches está de novo nas bocas do mundo, ou, mais precisamente, na dos autarcas, que ficam sempre com ar de esfomeados, embora o ar de "sapo" do fiscalista, os demova destes apetites, por causa das indigestões...
Concordo com a generalidade dos seus pontos de vista em relação à corrupção nas autarquias portuguesas.
Na entrevista que o professor deu à revista "Visão" da semana passada, houve uma frase que retive, em resposta a uma pergunta, onde lhe pediam para classificar o estado dos partidos:
«É mau... Por exemplo, no caso da Câmara, aquela duplicação que há entre os aparelhos partidários e as empresas públicas municipais é altamente preocupante. Não é aceitável. Aliás, é bom recordar que mesmo o PCP pratica uma política de jobs for the boys de uma forma pertinaz, eficiente e consequente, dentro dos seus limites e dos seus poderes. Isso não é aceitável.»

Esta última frase, como é óbvio, também se refere a Almada, onde começam a proliferar as empresas públicas municipais, cujos administradores são forçosamente da confiança política do PCP, com honorários mensais que devem fazer inveja a qualquer almadense, embora continue quase tudo no segredo dos deuses.
Com os maus exemplos de Lisboa, e em nome da transparência, era bom que fossem revelados os nomes de todos os administradores e os seus respectivos vencimentos.

segunda-feira, junho 04, 2007

A Transformação dos Telejornais em Telenovelas


Se há coisa que me irrita na televisão é esta moda actual de encher os telejornais (infelizmente acontece em todos os canais...) com uma única notícia, abordada de todos os ângulos possíveis e imaginários.
Os últimos exemplos foram: o "diploma de Sócrates"; o desaparecimento de Maddie, a menina inglesa. Agora, como não podia deixar de ser, vem aí o "Serial Killer de Santa Comba Dão".
É triste toda esta exploração noticiosa, que se torna sórdida, tóxica e até pornográfica, distanciando-se cada vez mais daquilo que é o serviço noticioso.
Isto só deve ser bom para os especialistas de criminologia duvidosos, cujos comentários mancham as televisões de vermelho, colocando-as ao nível do jornal "O Crime".
Escolhi um dos bonecos do António, para dar um pouco de humor à questão...

domingo, junho 03, 2007

Mudar de Vida...


Quem é que nunca sentiu necessidade ou desejo, pelo menos uma vez, de mudar de vida?
Sim, arranjar uma nova profissão, trocar de cidade, mudar de vizinhos... e em casos extremos, até mudar de identidade...
As cidades que sobrevivem encostadas a Lisboa, oferecem ritmos de vida quase alucinantes. Almada não foge à regra. É por isso que acredito, que se mudasse para um lugar mais calmo, os dias poderiam ter horas mais normalizadas.

Quando pensava nisto, ouvi algumas das canções que António Variações deixou no bau, recuperadas no excelente álbum "Humanos", com as vozes do Camané, do David e da Manuela.
O Refreão de "Muda de Vida" simboliza muito do que pensava:

Muda de vida
Se tu não vives satisfeito
Muda de vida
Estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida
Não deves viver contrafeito
Muda de vida
Se a vida em ti não é de jeito

Este texto é também uma pequena homenagem ao único verdadeiro artista pop do nosso país, que quis ser ele próprio, e conseguiu-o, no estilo, na voz e nas palavras. Obrigado António...

sexta-feira, junho 01, 2007

Esta Liberdade que Incomoda Muita Gente...


Esta Liberdade de podermos partilhar as coisas que mais gostamos ou detestamos (poesia, ficção, história, fotografia, pintura, política, desporto, sexo, etc), com milhares de pessoas, é uma coisa fabulosa.
Torna-se ainda mais estimável, quando se começam a notar no nosso país, alguns indícios da tentativa de criar um estado "policial", no pior sentido desta palavra.
É também por isso que esta Liberdade incomoda muita gente, deixando inclusive algumas com as orelhas a arder. E quando percebem que este meio não é fácil de manipular, como acontece com os jornais, as revistas, as rádios e as televisões, ficam ainda mais possessos.
É por isso que temos de encarar com alguma naturalidade a existência de manobras de diversão - menos "obscuras" do que parecem -, na tentativa de silenciar e desmoralizar os "blogueiros" mais incómodos. Estas manobras atingem o ponto alto quando ofendem a dignidade pessoal e profissional de cada um de nós.
São estes procedimentos que fazem com que se acabem com os comentários anónimos, mais tarde ou mais cedo, e em casos extremos, activem a sua moderação.
Alguns paladinos da Liberdade dizem que estas medidas, além de serem contraditórias "atentam" contra o tal mundo livre da blogosfera, que tanto defendemos por aí.
Estão enganados. Mais grave que estarem enganados é ainda não terem percebido que a nossa Liberdade começa no respeito pela Liberdade dos outros...
Como sou teimoso, esta Liberdade que Incomoda Muita Gente, tem funcionado como um lenitivo e é ela que me dá forças para continuar.
Não sei por quanto tempo.
Sei apenas que enquanto a blogosfera continuar a ser uma coisa agradável e sentir que tenho algo a dizer, não fecharei as portas do "Casario" e das suas sucursais.
O texto está ilustrado com o óleo de Pablo Picasso, "Três Músicos".

quarta-feira, maio 30, 2007

Já Passou um Ano!


Quase que me esquecia que hoje o "Casario" completa um ano de vida...
E seria um esquecimento imperdoável...

Muito sinceramente, pensava que quando chegasse a esta altura, partia para outra... por achar que todas as coisas têm o seu tempo.
O problema, é que, cento e setenta e três "posts" depois, tenho a sensação de que este "filão" ainda não se esgotou... espero não estar enganado.
Esta sensação deve-se, essencialmente, às pessoas amigas (e já são bastante mais que os dedos das duas mãos...) que me visitam e com quem tenho estabelecido um diálogo virtual bastante agradável.

Tinha pensado oferecer flores... mas assim que encontrei esta bonita pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, com uma mistura tão genial de motivos e cores, mudei de ideias.
Recebam este "Amadeo", com um abraço de agradecimento, e continuem a vir olhar o Tejo, aqui deste lado, no "Casario do Ginjal"...

Esgoto a Céu Aberto


Quem passa diariamente pela Praça Gil Vicente, já se apercebeu que num dos muitos buracos realizados a propósito das obras do Metro, encontram-se águas residuais a céu aberto, vertidas por uma manilha em mau estado.
Isto já tinha acontecido na semana passada, mas como tinha chovido e não existia um cheiro tão intenso (além de ter desaparecido ao fim de alguns dias), não foi motivo de grandes reparos.
No fim de semana a vala voltou a ficar transformada num pequeno ribeiro de esgotos, só que, com um cheiro muito mais intenso e desagradável.
Hoje é quarta-feira e as águas sujas dos esgotos, continuam ali, para que todos aqueles que vêm ou vão para a Avenida 25 de Abril, possam ver o cuidado que existe com a higiene pública na nossa cidade.
Como se não bastassem os contentores do lixo, sempre apinhados e com lixo de fora, em quase todas as artérias de Cacilhas, temos também mais este bom exemplo de "saúde pública".
Não consigo fazer qualquer ligação entre as obras, que têm de se realizar, e este desleixo do Município, já que ao fim de quatro dias, não foi tomada nenhuma medida para estancar ou "secar" este ribeiro pouco natural, numa zona nobre da Cidade.

NOTA: Só publiquei a notícia hoje porque achei por bem dar o benefício da dúvida à Autarquia e tempo para resolverem o problema. Espero que os leitores de blogues do Município não estejam de greve e passem esta mensagem aos Vereadores do Urbanismo, Ambiente e Saneamento, a bem da qualidade de vida de todos nós.

domingo, maio 27, 2007

Obrigado Bandeira!


Ao ler o Bandeira no "DN", não resisto a reproduzir, mais uma das suas tiras certeiras...
Nunca é demais dizer, que somos um país com excelentes "jornalistas-de-bonecos", capazes de nos oferecerem bonecos, que nem sequer precisam de legendas.
Bandeira, Luís, António, Cid, Rui, Carlos Laranjeira, Martins, entre outros, são de facto, dignos representantes da arte popularizada pelo grande Rafael Bordalo Pinheiro.

Em relação ao conteúdo da tira, parabéns aos "Asas de Portugal"... apesar da concorrência, cada vez mais desleal, de Manuel Pinho, Marques Mendes, Paulo Portas, Mário Lino, Carmona Rodrigues, Correia de Campos, Alberto João Jardim, Santana Lopes, Almeida Santos, (apesar da idade, ainda gosta de fazer umas acrobacias...), entre outros cromos.
Apesar de não se ver um final à vista no célebre "apito dourado", pelo menos este processo tem tido a virtude de fechar o bico a aves da estirpe de Pinto da Costa ou Valentim Loureiro, não lhe permitindo fazer as acrobacias de outros tempos.

sábado, maio 26, 2007

Baía do Seixal


Hoje passei um pedaço da tarde no concelho do Seixal.
Ao olhar para a beleza natural da Baía e para tudo o que a rodeava, tive um pensamento, que começa a ser vulgar em mim...
Pensei que aquele lugar espectacular, num outro país, seria muito mais agradável, para quem vive por lá e também para quem veste a pele de turista.
Claro que esta frase ajusta-se a quase todo o país, de Norte a Sul.
O mais enigmático, é que, apesar das agressões e do mau gosto que todos conhecemos, Portugal continua belo...

quinta-feira, maio 24, 2007

Os Desertos da Margem Sul


Este governo está povoado de malta danada para a brincadeira. De tal forma que quase que fazem o contraponto com o respectivo presidente do conselho, filósofo de nome, engenheiro de diploma, político de profissão e tristonho de semblante.
Mário Lino, Manuel Pinho e Correia de Campos, então, devem passar o tempo a contar anedotas, com e sem picante. É por isso que, por vezes, se distraem e dizem umas graçolas em público. Só que em vez de conseguirem fazer rebolar plateias, deixam a assistência de boca aberta.
A última das boas foi contada pelo ministro das obras públicas. Cansado de argumentar a favor de Ota, resolveu falar dos desertos do Sul, terras de gente inculta, sem comércio, turismo, indústria, hospitais, escolas, etc.
Mário Lino deve-se ter lembrado dos tempos em que era comunista e percorria o Alentejo em caravana, e fartava-se de comer pó e passar sede, enfiado nos desertos do sul... só que agora já há o Alqueva, o golfe, as coutadas de caça e as praias de luxo do litoral alentejano, senhor ministro.
Claro que não estou nada escandalizado. Já percebi que esta gente do governo acha que pode dizer o que quiser, especialmente depois do almoço, para alegrar o pagode. O senhor ministro nem tem a culpa que lhe tenham servido vinho "estragado" no almoço com os economistas. Se calhar é da mesma colheita que o levou a dizer no Congresso do Oeste (novamente por causa da Ota...), que era engenheiro e que estava inscrito na ordem...

terça-feira, maio 22, 2007

O Túnel para a Outra Banda


Em 1904 houve um Português que quis imitar Júlio Verne, avançando no futuro, até ao ano 2000. Estou a falar de Mello de Mattos e da sua obra "Lisboa no Ano 2000 - Um Olhar Para o Passado a Olhar Para o Futuro", publicada em 1904 e reeditada em 1999, com curiosas ilustrações, como a que acompanha este texto, em que a composição tem o nome de Seixal.
Quando o "Pedrrinho" falou do seu sonho de viajar comodamente de Metro até Lisboa, sem ter de mudar de transportes, lembrei-me logo deste livro.
Não vou relatar todas as peripécias descritas nesta arrojada aventura de engenharia, que permitia atravessar o Tejo através de um túnel, construído debaixo de água (dos 6.327 metros, 2.200 eram debaixo do rio...) olhada de lado pelos jornais (que já não existem: "O Século", "Arauto", "Progresso" e "Novidades"). Vou sim dizer-vos que na imaginação de Mello de Mattos, no dia 5 de Junho de 1994, foi inaugurada solenemente a Estação Subterrânea de Lisboa das Linhas do Sul, após cinco anos de obras (um tempo recorde... se pensarmos no túnel de Santa Apolónia...).
Nesta estação havia comboios de cinco em cinco minutos, para ligação de Lisboa à Outra Banda e também à Estação Subterrânea vinham ter os comboios de luxo do Alentejo.
Embora a Margem Sul não tenha tido o desenvolvimento anunciado, nem tão pouco comboios (só agora se avança com o Metro, cada vez menos consensual...), aconselho a leitura da obra, pela descrição pormenorizada de todas as alterações na Capital e também pelas ilustrações.

segunda-feira, maio 21, 2007

Um Capricho Demasiado Caro


Os comentários dos visitantes no "Casario" são o principal motivo de um novo texto sobre o Metro Sul do Tejo, olhado de lado por um número cada vez maior de pessoas, inclusive governantes.
Houve várias questões colocadas, mas as mais pertinentes prendem-se com o traçado oficial das linhas - que está longe de ser o que melhor serve a população almadense - e com a manutenção do trajecto Corroios-Centro Sul, que além de servir muito pouca gente, está a contribuir para o aumento da "derrapagem" financeira do projecto.
Em relação ao traçado inicial, todos nós temos culpa, porque não manifestámos o nosso descontentamento pelas escolhas feitas pela Autarquia, nos Fóruns de Participação Pública. As únicas pessoas que demonstraram o seu desagrado, publicamente, foram os habitantes da Ramalha.
Ninguém percebe muito bem, porque razão as carruagens do Metro continuam a circular vazias... era preferível acabarem com esta "brincadeira" (demasiado cara para todos nós...) e fazerem-se apenas meia dúzia de viagens diárias de teste.
teimosias que não fazem sentido e esta é uma delas...
Apesar de todos estes percalços, estou convencido que o Metro será de grande utilidade para todos nós... mas até lá, vamos ter de esperar, pacientemente, pelo menos mais dois ou três anos, assistindo a grandes indefinições e também a polémicas, que já fazem parte de todo este "circo" montado por uma empresa que tem um nome curioso, "Barraqueiro", e que está por cá para ganhar dinheiro, com o conluio dos governos central e local...

sexta-feira, maio 18, 2007

Hoje é o Dia dos Museus


Este dia é feito a pensar em todos nós, inclusive naqueles que passam à porta destes espaços de história e arte e ficam indecisos se devem ou não entrar... entrem hoje porque é o Dia Internacional dos Museus e não se paga.
O Município de Almada também nos propôe um dia diferente, com uma programação diversificada no Museu da Cidade, no Museu Naval e no Núcleo Medieval Moderno de Almada Velha.
É verdade, hoje as descidas e subidas no Elevador da Boca do Vento de Almada, também são gratuitas...

A fotografia que ilustra este pequeno texto é da Rua dos Pescadores da Costa de Caparica, no começo da década de cinquenta e tem dedicatória. É dedicada à Isabel Victor, que faz do seu "Caderno de Campo", um roteiro permanente dos museus do nosso país e do mundo na blogosfera.

quarta-feira, maio 16, 2007

O Tarifário do Metro


A notícia divulgada hoje no “Diário de Notícias”, de que José Manuel Maia, Presidente da Assembleia Municipal de Almada, defende que 50 cêntimos seria o preço ideal para o troço recentemente inaugurado do Metro do Sul do Tejo, entre Corroios e Cova da Piedade e não os 85 actuais, assim como a validade dos passes multimodais e não um pagamento extra de oito euros e meio, vem ao encontro do pensamento da população.
E ajuda a explicar o porquê, das bonitas carruagens continuarem a circular quase sem passageiros...
Esta história é muito “portuguesa”. Faz-me lembrar os vários dirigentes futebolísticos que preferem colocar os bilhetes para os jogos a 15 euros e ter o estádio às moscas, com trezentas pessoas e menos, a colocá-los a 5 euros e ter três mil adeptos nas bancadas...
Se fizermos as contas, as receitas no estádio triplicavam...
E é óbvio, que com preços mais baixos, as carruagens também passavam a ter mais do triplo dos passageiros (o que é nem é preciso muito) e das receitas...
Palavras para quê, são gestores portugueses...

segunda-feira, maio 14, 2007

Quem foi que Disse que as Árvores Quando Caem, Caem de Pé?


Pensava que as árvores da Praça Gil Vicente iam acabar por ser baptizadas como as "sobreviventes", após a passagem do pesadelo (necessário claro...), que são as obras do Metro.
Mas não... hoje assisti à queda da primeira...
E não caiu de pé, como consta na frase que alguém popularizou...
Foi feita em pedaços...

sábado, maio 12, 2007

"V Campus" Despediu-se de Almada


Almada despediu-se hoje do "V Campus Euroamericano de Cooperação Cultural".

Vou deixar algumas pequenas notas, coisas simples, que me apeteceu sublinhar.
Podemos ter muitos defeitos, como portugueses, mas continuamos a saber receber como poucos. Os nossos visitantes da "latina-américa" estavam maravilhados com a cidade e com a forma como foram tratados e fizeram um reconhecimento público. Melhor elogio que este é difícil...
Gostei bastante que a Biblioteca Municipal tivesse disponibilizado várias obras sobre o concelho, para os participantes interessados. Como escritor local fiquei satisfeito por saber que os nossos livros vão atravessar o Atlântico e ser, no minimo, folheados por chilenos, argentinos, brasileiros, mexicanos ou colombianos, entre outros povos participantes.
Em relação ao "Campus", pelas palestras que ouvi e pelas experiências que foram apresentadas pelos convidados, fiquei com a sensação de que somos um país menos desenvolvido com os chamados países latino-americanos encaixados no "terceiro mundo", como o Chile, a Colômbia, o Uruguai, o México ou a Argentina.
Espero que tenha sido só sensação...
Foi notória a pouca expressão da língua portuguesa neste encontro. Claro que a culpa só pode ser dos Estados, português e brasileiro...
E por fim, uma última palavra de apreço, para todos os elementos do Munícipio, desde o funcionário mais simples à Presidente da Autarquia. Fizeram realmente um grande trabalho durante estes últimos dias. E para eles, este "Campus" começou antes de 8 de Maio e vai acabar depois...

quinta-feira, maio 10, 2007

O Largo de Cacilhas


O Largo de Cacilhas nunca se conseguiu libertar, da sua sina, de ser apenas um ponto de partida e de chegada, entre o Sul e o Norte do nosso país.
Ainda hoje é assim. As pessoas mal saem dos cacilheiros enfiam-se nos autocarros ou nos seus veículos próprios e até amanhã Cacilhas...
Esta fotografia dos anos cinquenta é prova disso, mostra-nos o Largo povoado de carros ligeiros e de camionetas de carreira, à espera de clientes...

terça-feira, maio 08, 2007

Almada Recebe V Campus Euroamericano

O Concelho de Almada inaugurou esta tarde o V Campus Euroamericano de Cooperação Cultural, um espaço privilegiado de partilha, reflexão e aprendizagem entre os continentes Europeu e Americano (com uma predominância clara dos povos iberoamericanos).
Este encontro vai promover vários eventos, entre os dias 8 e 12 de Maio, fomentando o diálogo intercultural entre todos os participantes.
Almada sucede a grandes cidades e marca a estreia portuguesa na organização do Campus. A Primeira Edição teve lugar em Barcelona, Espanha, em 2000; no ano seguinte transferiu-se para Cartagena de Las Indias, Colômbia; a partir de 2003 o Campus passou a ser organizado com carácter bienal, primeiro em Sevilha, Espanha, e dois anos depois em Salvador da Bahia, Brasil. E em 2007, chegou a Portugal e a Almada.
Ainda é cedo para tecer comentários, positivos ou negativos, de qualquer forma, trata-se de uma grande iniciativa do Município de Almada, na tentativa de colocar a Margem Sul do Tejo no mapa-mundo da cultura.

segunda-feira, maio 07, 2007

Fonte da Alegria


Em 1933 um restaurante do Ginjal já publicitava a concorrência que fazia aos vizinhos de Lisboa.
Estou a falar da "Fonte da Alegria", que se situava onde hoje está o restaurante-marisqueira "Farol", próximo do cais de embarque dos cacilheiros.
O curioso são as palavras do anúncio, que nos dizem que é a única casa que rivaliza com as congéneres da Capital.

sexta-feira, maio 04, 2007

A Praia das Lavadeiras


Hoje tive o prazer de ver algumas fotografias antigas de Cacilhas, da autoria de um grande amigo, cacilhense de gema, que é o que se poderá chamar, um "renascentista" da cultura.
Estou a falar de Fernando Barão, Poeta, Escritor, Fotógrafo, Actor... além de ser uma das grandes referências do Associativismo do concelho de Almada.
Nesta fotografia dos anos cinquenta, descobrimos uma mulher a executar a tarefa que popularizou esta praia, junto a um poço natural, rodeada de alguidares com roupa branca. Uns metros mais à frente, encontramos alguma roupa estendida na areia a secar.

Nos edifícios que se vêem ao fundo existem hoje dois bons restaurantes, o "Atira-te ao Rio" e o "Ponto Final", que continuam a cativar turistas, apesar do abandono que tanto tem prejudicado o Ginjal...

quarta-feira, maio 02, 2007

Esta Tira Vale por Dez Mil palavras...


Os homens dos bonecos da nossa imprensa são quase todos muito bons. É por isso que conseguem transmitir com os seus desenhos, mensagens mais fortes que muitas das palavras difundidas nas páginas dos jornais...

O Bandeira deu-nos um bom exemplo na edição de ontem do "Diàrio de Notícias". A sua tira vale bem dez mil palavras...

terça-feira, maio 01, 2007

Primeiro de Maio


Um desejo?

Porque não dois ou três?

Que este dia não seja apenas um feriado,
Que o desemprego baixe, sem a habitual publicidade enganosa e aldrabosa dos governos,
Que os trabalhadores não precisem de trabalhar, vergados pelo capitalismo (como na imagem...)
E que se acabem os roubos descarados, aos bolsos dos trabalhadores, cada vez com mais deveres e menos direitos...

Bom Primeiro de Maio para todos!