quinta-feira, junho 28, 2007

A Arte é de Todos

No meu último "post" não deixei isso bem vincado, mas sou completamente à favor da massificação da cultura. Acho óptimo que o mundo das Artes e Letras seja acessível ao maior número de pessoas, porque se tratam de áreas determinantes para a evolução e compreensão da nossa própria história.
Se as pessoas começarem a visitar muitos dos nossos museus, vão descobrir pequenas grandes maravilhas. E vão perceber, que ser-se português, não é uma coisa tão má, como por vezes pintam por aí alguns "artistas", desapegados da nossa verdadeira essência...
É preciso cultivarmos o gosto. Claro que isso só é possível através do contacto com obras de inegável qualidade (estou a falar de livros, música, artes plásticas, cinema, teatro, arquitectura, etc).
Tudo isto para dizer que o facto de a exposição da colecção Berardo, estar aberta ao povo, gratuitamente, durante estes dias, é um bálsamo para a cultura portuguesa.

O óleo que escolhi para dar cor a estas palavras, é da autoria de Marques Pereira e tem com título "Cenas de Aldeia".

quarta-feira, junho 27, 2007

Centro Cultural de Belém: Entre a Curiosidade e o Espanto

O melhor da grande exposição da colecção de arte Berardo, nestes dois primeiros dias, em que as portas do Centro Cultural de Belém estão abertas de par em par, não são os quadros, as peças e as instalações - até porque muitas delas exigem ser olhadas em silêncio e com pouco movimento à sua volta -, são sim os comentários da grande massa de visitantes.
Estas observações, além de curiosas e risíveis, são a visão simplista de quem está menos habituado a visualizar arte contemporânea...
Claro que há alguns comentários que merecem mais atenção, pela sua crueza e também por revelarem um sentido crítico mais profundo.
Outro aspecto importante é o espanto pela descoberta desta nova visão artística, em que aparentemente, parece mais fácil fazer arte, já que se utilizam materiais vulgares como simples garrafas, sapatos, cordas ou pedaços de madeira.
Descobrimos tanta boa gente nos corredores a dizer: «Isto é arte? Mas isto até eu faço!»

terça-feira, junho 26, 2007

Não te Esqueças de Comprar o Trevinho


Não te esqueças de comprar este bonito Trevinho, através do site da Rarissimas ou pelo telemóvel nº 969657444.

Ao fazê-lo estás a apoiar a construção da "Casa dos Marcos", que depois de inaugurada, estará aberta a toda a população portadora de doenças mentais e raras, com carências de apoio e também de actividades lúdicas e intelectuais.

segunda-feira, junho 25, 2007

Um Guache de Luís Miguel


Por vezes é difícil recordarmos todos os episódios que envolveram a grande e longa manifestação contra o aumento das portagens da Ponte 25 de Abril.
Como houve várias manifestações (o buzinão colectivo decorreu durante umas duas semanas...) colectivas, até às datas chegam a fazer alguma confusão.
É que entretanto já passaram treze anos e cinco primeiro-ministros...
Só hoje é que me recordaram, através do telefone, que o Luís Miguel foi baleado na madrugada de 25 de Junho. Depois lembrei-me que muitos manifestantes, espectadores, e claro, as forças da autoridade, mantiveram-se no local durante largas horas.
O Luís Miguel como morava perto, também ficou por ali a assistir ao desenrolar dos acontecimentos, até ser vitima de um disparo cobarde, de alguém sem consistência psicológica para exercer funções de autoridade, e muito menos para usar uma arma...

domingo, junho 24, 2007

O Princípio do Fim do Cavaquismo...

O princípio do fim do cavaquismo começou a desenhar-se numa sexta-feira, dia 24 de Junho de 1994, quando os utentes da Ponte 25 de Abril, liderados pelos camionistas, bloquearam os acessos a Lisboa e à Margem Sul, numa das maiores - senão a maior - manifestações de descontentamento popular, contra o aumento das portagens.
Só conseguiram dispersar a multidão com duas grandes cargas policiais do corpo de intervenção, que indignaram e envergonharam milhões de portugueses...

Treze anos depois, é importante não esquecermos a vitima que ficou para a história, Luís Miguel, um jovem almadense que estava a assistir aquele espectáculo degradante e acabou por ficar tetraplégico, devido a uma bala perdida, disparada cobardemente contra a multidão...

O São João de Almada

Hoje é feriado em Almada - parece que este ano é comum termos feriados ao domingo... -, comemora-se o dia de São João, o santo padroeiro da Cidade...
Claro que o verdadeiro S. João do nosso país é festejado no Porto, onde o bairrismo e as tradições populares ainda prevalecem...

Em Almada, além de alguns bailaricos espalhados pela cidade, existe ainda o desfile das marchas - copiadas da tradição lisboeta, sem o brilho e a qualidade destas, como é natural, embora ano após ano, se registem melhorias significativas na apresentação das marchas a concurso - e o fogo preso.

Devido às obras do Metro o desfile teve de mudar de sitio e escolheram a Avenida da Lisnave. Com a mudança conseguiram roubar a tranquilidade à minha rua, apenas por algumas horas, felizmente...

quinta-feira, junho 21, 2007

Quando Almada Foi Elevada a Cidade...


Almada foi elevada a cidade há exactamente 34 anos...
Escolhi a caixa de entrada do suplemento especial do jornal "O Setubalense", de 22 de Junho de 1973, para ilustrar esta pequena efeméride.
Segundo a crónica, assinada por Vitor Cláudio, foi um acontecimento histórico...
Nesta altura Almada era uma terra a caminho da modernidade.
Ainda colhia os frutos da construção da Ponte sobre o Tejo, entre Alcântara e Almada, e também da instalação dos Estaleiros da Lisnave na Margueira, em Cacilhas. Estaleiros que chegaram a dar emprego, nos seus tempos áureos, a perto de cinco mil trabalhadores...
Bons tempos para a economia local...

quarta-feira, junho 20, 2007

Retrato de Uma Cidade que Finge Estar em Mudança


Moro há vinte anos em Cacilhas.
Não vim morar para a Margem Sul por acidente. Foi uma escolha pensada.
Além de ter gostado da possibilidade de olhar o Tejo da minha janela da sala, a proximidade de Lisboa acabou por ser decisiva nesta escolha. Ficava apenas a vinte minutos de distância, contabilizados o passeio a pé pelas ruas da freguesia e a viagem de cacilheiro...
É por isso que não aceito que a qualidade de vida na Freguesia onde moro, em vez de ter melhorado, tenha regredido (especialmente na última década).
Cada vez há mais casas em ruínas (do Ginjal nem é bom falar... por isso vou tentar esquecê-lo neste pequeno texto), mais carros em cima dos passeios, mais lixo rente aos contentores... e até as pessoas, estão mais velhas e não houve qualquer tentativa de revitalizar a população, criando condições especiais para que os jovens viessem ou continuassem a viver para Cacilhas.
A Lisnave, por exemplo, fechou há mais de seis anos e continua tudo na mesma. A única coisa que mudou, foi a diminuição de poluição sonora e atmosférica.

Não aceito que o Município só se preocupe com as obras faraónicas projectadas para a Quinta do Almaraz e para o espaço dos antigos estaleiros da Lisnave, que não passam disso mesmo, de projectos de papel, e não faça nada para mudar este retrocesso na qualidade de vida das populações do concelho.
O que me incomoda é saber que, largas centenas de milhões de contos depois, vai existir um Metro de superfície, que embora passe na avenida principal da Freguesia, não vai contribuir, em quase nada, para a melhoria da qualidade de vida dos cacilhenses.
As casas devolutas e em risco de ruir vão continuar a aumentar, tal como a desertificação humana...
Não tenho dúvidas que preferia viver numa localidade que se preocupasse mais com as pessoas e menos com todos estes projectos megalómanos.

segunda-feira, junho 18, 2007

Junho Esconde-se Atrás das Nuvens

Quem escolheu tirar férias neste mês de Junho - no nosso país, claro - não tem tido muita sorte com o tempo.
As nuvens têm andado cá e lá, e de vez em quando escurecem mesmo, a avisar: «água vai»!
Os mais teimosos, que não querem perder as férias, previamente marcadas em estâncias balneares, poderão voltar à moda dos fatos de banho do princípio de século, com um pouco mais de tecido.
Pelo sim pelo não, ficam mais protegidas das intempéries...

A foto foi retirada da revista "Illustração Portugueza", de 16 de Setembro de 1912...

domingo, junho 17, 2007

Um Presente Diferente


Há sempre modas novas na blogosfera... agora chegaram os "blogues com tomates".
Já recebi duas nomeações, uma do Farol das Artes e outra do Cheiro da Ilha.
Por norma não dou muita importância a estes "carinhos", embora tenha o cuidado de agradecer as distinções, porque quem nos escolhe, acha-nos dignos das menções.
Nestas coisas, sou realmente um subversivo... é por isso que não vou seguir quaisquer regras. Vou sim aproveitar a ocasião para homenagear doze senhoras, que embora não sejam providas - pela natureza - de tomates, são especiais para mim. É por isso que sou visita lá de casa, quase diariamente, e sinto-me muito bem nos seus cantos, todos diferentes e cheios de encantos (rima e é verdade)...
Obrigado Alice (A Tradução da Memória), Ana (Andando e Pensando), Ana Paula (Paul dos Patudos), Ida (Sulbúrbio), Isabel (Caderno de Campo), Maria (O Cheiro da Ilha), Maria P. (Casa de Maio), MC (Jardim de Luz), Minda (Infinit’os), Rosa (Rosa dos Ventos), Sininho (Ecos da Falésia) e Vague (La Maree Haute).

O óleo que dá vida a esta homenagem quase que é um tomate... quase. É da autoria de Gustavo Fernandes e chama-se "Desafio à Dimensão"... e é dedicado às doze encantadoras Senhoras, e claro, a todos os visitantes das minhas "casas".

sexta-feira, junho 15, 2007

Os Fotógrafos do Ginjal...


Nos anos quarenta e cinquenta era comum encontrar um fotógrafo à porta dos restaurantes mais afamados, para registar o momento, para mais tarde recordar...
O "Pincel" foi um dos mais populares.
Anyana nos seus "Pregões de Cacilhas", fala do retratista, desta forma:

Pela rua marginal, nos agradáveis calores de Verão, andava o "Retratista" com seua maquineta, chamando as moçoilas:

- Ói! Menina!... Bai um retratinho p'róferecer ao namorado, benham ao Pincel... benham ao Pincel...

A fotografia do fotógrafo é dos anos quarenta, junto à "Floresta do Ginjal".

quarta-feira, junho 13, 2007

As Tertúlias de Café Cor de Rosa

Descobri hoje que estava enganado na forma como olhava as tertúlias. Sempre pensei que as tertúlias de café eram coisa de homem, que tanto podiam estar viradas para o intelecto, com discussões quase filosóficas, ou para o futebol, com conversas mais acesas, a muitos tons e cores...
Foi preciso estar sentado numa esplanada, ao lado de uma mesa de cinco senhoras com mais de meia idade, para descobrir uma verdadeira tertúlia cor de rosa, quase choque. As senhoras falavam com desenvoltura, quer dos temas do dia das revistas de actualidades femininas e do "24 Horas", quer das últimas aventuras das suas ruas.
As conversas eram bastante pormenorizadas, e tanto falavam da operação à "peida" da Merche Romero como da neta de não sei quem, que ia colocar silicone nas "tetas"...
Consegui sorrir várias vezes, com as expressões usadas, naquele "jornal" colectivo, onde se desfiaram histórias de várias ruas de Almada e até do país.
Abençoadas mulheres que ainda se encontram nas mesas de café para colocar a "escrita em dia". Elas vão quase sempre mais longe que nós e raramente usam palavrões...
É com esta pequenas coisas que descobrimos o quanto somos sexistas...

Pablo Picasso ilustra este texto com as suas "banhistas".

segunda-feira, junho 11, 2007

Conversa Quase Fiada...


Quando escuto as actuais variações dos discursos do Presidente da República e do Presidente do Conselho, fico com a sensação que trocaram de partido e de ideais...
O tecnocrata que chegou a ser comparado com os eucaliptos, por secar tudo à sua volta, depois de ter esvaziado o nosso país de humanismo, substituindo-o por valores mais próximos da futilidade e do materialismo, está um homem novo. A nova versão Cavaco preocupa-se com o povo e quer que ele lute, que deixe de se conformar...
O presidente do Conselho de ministros conseguiu ir muito mais longe que Mário Soares: Este meteu o "socialista" na gaveta, mas o filósofo lá da casa deu-lhe um destino bem mais definitivo, deitou-o para o cesto dos papeis...
Discursos são isso mesmo, palavras, palavras que o vento faz voar...
O Rui lá sabia os bonecos que fazia, em 1989, quando ainda existia "O Jornal"...

domingo, junho 10, 2007

Um Dia Cheio de Adjectivos...


Este dia é cheio de adjectivos ou de variedades, tanto pode ser de Camões, das Comunidades, da Raça ou da Pátria, com o sentido que cada um de nós lhe queira dar.
Claro que a variedade mais comum, é a de ser um simples, mas agradável feriado, por estarmos em Junho - este ano, para mal dos nossos pecados, ficou-se pelo domingo...
É também o dia das comendas, da entrega de medalhas, com e sem mérito, pelo Presidente da República.
Pelo menos já se acabou - há mais de trinta e três -, com o ritual pró-defesa da pátria, preenchido com um desfile militar grandioso e pela entrega de medalhas aos heróis da Guerra Colonial. Muitas delas eram entregues a título póstumo, a pais e filhos...
Apesar de tudo, prefiro que este seja o Dia das Comunidades Portuguesas, ou de Camões, pelo seu carácter mais universalista e também por saber que há sempre um português, onde menos se espera...
O "Luís de Camões" é de José Malhoa.

sexta-feira, junho 08, 2007

Outro Cristo Rei

Há meia dúzia de anos quando passeava pelas ruas de Lagos, descobri uma galeria de arte, que me chamou a atenção. Entrei e descobri uma exposição de pintura especial, de um holandês, radicado no Sul do nosso país.
Digo especial porque ele oferecia um ar medieval e fantasmasgórico a vários monumentos.
No meio destas obras de arquitectura encontrei o nosso Cristo Rei...
Não está mau de todo, pois não?

terça-feira, junho 05, 2007

A Luta do Actual "Marechal" Saldanha


O professor Saldanha Sanches está de novo nas bocas do mundo, ou, mais precisamente, na dos autarcas, que ficam sempre com ar de esfomeados, embora o ar de "sapo" do fiscalista, os demova destes apetites, por causa das indigestões...
Concordo com a generalidade dos seus pontos de vista em relação à corrupção nas autarquias portuguesas.
Na entrevista que o professor deu à revista "Visão" da semana passada, houve uma frase que retive, em resposta a uma pergunta, onde lhe pediam para classificar o estado dos partidos:
«É mau... Por exemplo, no caso da Câmara, aquela duplicação que há entre os aparelhos partidários e as empresas públicas municipais é altamente preocupante. Não é aceitável. Aliás, é bom recordar que mesmo o PCP pratica uma política de jobs for the boys de uma forma pertinaz, eficiente e consequente, dentro dos seus limites e dos seus poderes. Isso não é aceitável.»

Esta última frase, como é óbvio, também se refere a Almada, onde começam a proliferar as empresas públicas municipais, cujos administradores são forçosamente da confiança política do PCP, com honorários mensais que devem fazer inveja a qualquer almadense, embora continue quase tudo no segredo dos deuses.
Com os maus exemplos de Lisboa, e em nome da transparência, era bom que fossem revelados os nomes de todos os administradores e os seus respectivos vencimentos.

segunda-feira, junho 04, 2007

A Transformação dos Telejornais em Telenovelas


Se há coisa que me irrita na televisão é esta moda actual de encher os telejornais (infelizmente acontece em todos os canais...) com uma única notícia, abordada de todos os ângulos possíveis e imaginários.
Os últimos exemplos foram: o "diploma de Sócrates"; o desaparecimento de Maddie, a menina inglesa. Agora, como não podia deixar de ser, vem aí o "Serial Killer de Santa Comba Dão".
É triste toda esta exploração noticiosa, que se torna sórdida, tóxica e até pornográfica, distanciando-se cada vez mais daquilo que é o serviço noticioso.
Isto só deve ser bom para os especialistas de criminologia duvidosos, cujos comentários mancham as televisões de vermelho, colocando-as ao nível do jornal "O Crime".
Escolhi um dos bonecos do António, para dar um pouco de humor à questão...

domingo, junho 03, 2007

Mudar de Vida...


Quem é que nunca sentiu necessidade ou desejo, pelo menos uma vez, de mudar de vida?
Sim, arranjar uma nova profissão, trocar de cidade, mudar de vizinhos... e em casos extremos, até mudar de identidade...
As cidades que sobrevivem encostadas a Lisboa, oferecem ritmos de vida quase alucinantes. Almada não foge à regra. É por isso que acredito, que se mudasse para um lugar mais calmo, os dias poderiam ter horas mais normalizadas.

Quando pensava nisto, ouvi algumas das canções que António Variações deixou no bau, recuperadas no excelente álbum "Humanos", com as vozes do Camané, do David e da Manuela.
O Refreão de "Muda de Vida" simboliza muito do que pensava:

Muda de vida
Se tu não vives satisfeito
Muda de vida
Estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida
Não deves viver contrafeito
Muda de vida
Se a vida em ti não é de jeito

Este texto é também uma pequena homenagem ao único verdadeiro artista pop do nosso país, que quis ser ele próprio, e conseguiu-o, no estilo, na voz e nas palavras. Obrigado António...

sexta-feira, junho 01, 2007

Esta Liberdade que Incomoda Muita Gente...


Esta Liberdade de podermos partilhar as coisas que mais gostamos ou detestamos (poesia, ficção, história, fotografia, pintura, política, desporto, sexo, etc), com milhares de pessoas, é uma coisa fabulosa.
Torna-se ainda mais estimável, quando se começam a notar no nosso país, alguns indícios da tentativa de criar um estado "policial", no pior sentido desta palavra.
É também por isso que esta Liberdade incomoda muita gente, deixando inclusive algumas com as orelhas a arder. E quando percebem que este meio não é fácil de manipular, como acontece com os jornais, as revistas, as rádios e as televisões, ficam ainda mais possessos.
É por isso que temos de encarar com alguma naturalidade a existência de manobras de diversão - menos "obscuras" do que parecem -, na tentativa de silenciar e desmoralizar os "blogueiros" mais incómodos. Estas manobras atingem o ponto alto quando ofendem a dignidade pessoal e profissional de cada um de nós.
São estes procedimentos que fazem com que se acabem com os comentários anónimos, mais tarde ou mais cedo, e em casos extremos, activem a sua moderação.
Alguns paladinos da Liberdade dizem que estas medidas, além de serem contraditórias "atentam" contra o tal mundo livre da blogosfera, que tanto defendemos por aí.
Estão enganados. Mais grave que estarem enganados é ainda não terem percebido que a nossa Liberdade começa no respeito pela Liberdade dos outros...
Como sou teimoso, esta Liberdade que Incomoda Muita Gente, tem funcionado como um lenitivo e é ela que me dá forças para continuar.
Não sei por quanto tempo.
Sei apenas que enquanto a blogosfera continuar a ser uma coisa agradável e sentir que tenho algo a dizer, não fecharei as portas do "Casario" e das suas sucursais.
O texto está ilustrado com o óleo de Pablo Picasso, "Três Músicos".

quarta-feira, maio 30, 2007

Já Passou um Ano!


Quase que me esquecia que hoje o "Casario" completa um ano de vida...
E seria um esquecimento imperdoável...

Muito sinceramente, pensava que quando chegasse a esta altura, partia para outra... por achar que todas as coisas têm o seu tempo.
O problema, é que, cento e setenta e três "posts" depois, tenho a sensação de que este "filão" ainda não se esgotou... espero não estar enganado.
Esta sensação deve-se, essencialmente, às pessoas amigas (e já são bastante mais que os dedos das duas mãos...) que me visitam e com quem tenho estabelecido um diálogo virtual bastante agradável.

Tinha pensado oferecer flores... mas assim que encontrei esta bonita pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, com uma mistura tão genial de motivos e cores, mudei de ideias.
Recebam este "Amadeo", com um abraço de agradecimento, e continuem a vir olhar o Tejo, aqui deste lado, no "Casario do Ginjal"...

Esgoto a Céu Aberto


Quem passa diariamente pela Praça Gil Vicente, já se apercebeu que num dos muitos buracos realizados a propósito das obras do Metro, encontram-se águas residuais a céu aberto, vertidas por uma manilha em mau estado.
Isto já tinha acontecido na semana passada, mas como tinha chovido e não existia um cheiro tão intenso (além de ter desaparecido ao fim de alguns dias), não foi motivo de grandes reparos.
No fim de semana a vala voltou a ficar transformada num pequeno ribeiro de esgotos, só que, com um cheiro muito mais intenso e desagradável.
Hoje é quarta-feira e as águas sujas dos esgotos, continuam ali, para que todos aqueles que vêm ou vão para a Avenida 25 de Abril, possam ver o cuidado que existe com a higiene pública na nossa cidade.
Como se não bastassem os contentores do lixo, sempre apinhados e com lixo de fora, em quase todas as artérias de Cacilhas, temos também mais este bom exemplo de "saúde pública".
Não consigo fazer qualquer ligação entre as obras, que têm de se realizar, e este desleixo do Município, já que ao fim de quatro dias, não foi tomada nenhuma medida para estancar ou "secar" este ribeiro pouco natural, numa zona nobre da Cidade.

NOTA: Só publiquei a notícia hoje porque achei por bem dar o benefício da dúvida à Autarquia e tempo para resolverem o problema. Espero que os leitores de blogues do Município não estejam de greve e passem esta mensagem aos Vereadores do Urbanismo, Ambiente e Saneamento, a bem da qualidade de vida de todos nós.

domingo, maio 27, 2007

Obrigado Bandeira!


Ao ler o Bandeira no "DN", não resisto a reproduzir, mais uma das suas tiras certeiras...
Nunca é demais dizer, que somos um país com excelentes "jornalistas-de-bonecos", capazes de nos oferecerem bonecos, que nem sequer precisam de legendas.
Bandeira, Luís, António, Cid, Rui, Carlos Laranjeira, Martins, entre outros, são de facto, dignos representantes da arte popularizada pelo grande Rafael Bordalo Pinheiro.

Em relação ao conteúdo da tira, parabéns aos "Asas de Portugal"... apesar da concorrência, cada vez mais desleal, de Manuel Pinho, Marques Mendes, Paulo Portas, Mário Lino, Carmona Rodrigues, Correia de Campos, Alberto João Jardim, Santana Lopes, Almeida Santos, (apesar da idade, ainda gosta de fazer umas acrobacias...), entre outros cromos.
Apesar de não se ver um final à vista no célebre "apito dourado", pelo menos este processo tem tido a virtude de fechar o bico a aves da estirpe de Pinto da Costa ou Valentim Loureiro, não lhe permitindo fazer as acrobacias de outros tempos.

sábado, maio 26, 2007

Baía do Seixal


Hoje passei um pedaço da tarde no concelho do Seixal.
Ao olhar para a beleza natural da Baía e para tudo o que a rodeava, tive um pensamento, que começa a ser vulgar em mim...
Pensei que aquele lugar espectacular, num outro país, seria muito mais agradável, para quem vive por lá e também para quem veste a pele de turista.
Claro que esta frase ajusta-se a quase todo o país, de Norte a Sul.
O mais enigmático, é que, apesar das agressões e do mau gosto que todos conhecemos, Portugal continua belo...

quinta-feira, maio 24, 2007

Os Desertos da Margem Sul


Este governo está povoado de malta danada para a brincadeira. De tal forma que quase que fazem o contraponto com o respectivo presidente do conselho, filósofo de nome, engenheiro de diploma, político de profissão e tristonho de semblante.
Mário Lino, Manuel Pinho e Correia de Campos, então, devem passar o tempo a contar anedotas, com e sem picante. É por isso que, por vezes, se distraem e dizem umas graçolas em público. Só que em vez de conseguirem fazer rebolar plateias, deixam a assistência de boca aberta.
A última das boas foi contada pelo ministro das obras públicas. Cansado de argumentar a favor de Ota, resolveu falar dos desertos do Sul, terras de gente inculta, sem comércio, turismo, indústria, hospitais, escolas, etc.
Mário Lino deve-se ter lembrado dos tempos em que era comunista e percorria o Alentejo em caravana, e fartava-se de comer pó e passar sede, enfiado nos desertos do sul... só que agora já há o Alqueva, o golfe, as coutadas de caça e as praias de luxo do litoral alentejano, senhor ministro.
Claro que não estou nada escandalizado. Já percebi que esta gente do governo acha que pode dizer o que quiser, especialmente depois do almoço, para alegrar o pagode. O senhor ministro nem tem a culpa que lhe tenham servido vinho "estragado" no almoço com os economistas. Se calhar é da mesma colheita que o levou a dizer no Congresso do Oeste (novamente por causa da Ota...), que era engenheiro e que estava inscrito na ordem...

terça-feira, maio 22, 2007

O Túnel para a Outra Banda


Em 1904 houve um Português que quis imitar Júlio Verne, avançando no futuro, até ao ano 2000. Estou a falar de Mello de Mattos e da sua obra "Lisboa no Ano 2000 - Um Olhar Para o Passado a Olhar Para o Futuro", publicada em 1904 e reeditada em 1999, com curiosas ilustrações, como a que acompanha este texto, em que a composição tem o nome de Seixal.
Quando o "Pedrrinho" falou do seu sonho de viajar comodamente de Metro até Lisboa, sem ter de mudar de transportes, lembrei-me logo deste livro.
Não vou relatar todas as peripécias descritas nesta arrojada aventura de engenharia, que permitia atravessar o Tejo através de um túnel, construído debaixo de água (dos 6.327 metros, 2.200 eram debaixo do rio...) olhada de lado pelos jornais (que já não existem: "O Século", "Arauto", "Progresso" e "Novidades"). Vou sim dizer-vos que na imaginação de Mello de Mattos, no dia 5 de Junho de 1994, foi inaugurada solenemente a Estação Subterrânea de Lisboa das Linhas do Sul, após cinco anos de obras (um tempo recorde... se pensarmos no túnel de Santa Apolónia...).
Nesta estação havia comboios de cinco em cinco minutos, para ligação de Lisboa à Outra Banda e também à Estação Subterrânea vinham ter os comboios de luxo do Alentejo.
Embora a Margem Sul não tenha tido o desenvolvimento anunciado, nem tão pouco comboios (só agora se avança com o Metro, cada vez menos consensual...), aconselho a leitura da obra, pela descrição pormenorizada de todas as alterações na Capital e também pelas ilustrações.

segunda-feira, maio 21, 2007

Um Capricho Demasiado Caro


Os comentários dos visitantes no "Casario" são o principal motivo de um novo texto sobre o Metro Sul do Tejo, olhado de lado por um número cada vez maior de pessoas, inclusive governantes.
Houve várias questões colocadas, mas as mais pertinentes prendem-se com o traçado oficial das linhas - que está longe de ser o que melhor serve a população almadense - e com a manutenção do trajecto Corroios-Centro Sul, que além de servir muito pouca gente, está a contribuir para o aumento da "derrapagem" financeira do projecto.
Em relação ao traçado inicial, todos nós temos culpa, porque não manifestámos o nosso descontentamento pelas escolhas feitas pela Autarquia, nos Fóruns de Participação Pública. As únicas pessoas que demonstraram o seu desagrado, publicamente, foram os habitantes da Ramalha.
Ninguém percebe muito bem, porque razão as carruagens do Metro continuam a circular vazias... era preferível acabarem com esta "brincadeira" (demasiado cara para todos nós...) e fazerem-se apenas meia dúzia de viagens diárias de teste.
teimosias que não fazem sentido e esta é uma delas...
Apesar de todos estes percalços, estou convencido que o Metro será de grande utilidade para todos nós... mas até lá, vamos ter de esperar, pacientemente, pelo menos mais dois ou três anos, assistindo a grandes indefinições e também a polémicas, que já fazem parte de todo este "circo" montado por uma empresa que tem um nome curioso, "Barraqueiro", e que está por cá para ganhar dinheiro, com o conluio dos governos central e local...

sexta-feira, maio 18, 2007

Hoje é o Dia dos Museus


Este dia é feito a pensar em todos nós, inclusive naqueles que passam à porta destes espaços de história e arte e ficam indecisos se devem ou não entrar... entrem hoje porque é o Dia Internacional dos Museus e não se paga.
O Município de Almada também nos propôe um dia diferente, com uma programação diversificada no Museu da Cidade, no Museu Naval e no Núcleo Medieval Moderno de Almada Velha.
É verdade, hoje as descidas e subidas no Elevador da Boca do Vento de Almada, também são gratuitas...

A fotografia que ilustra este pequeno texto é da Rua dos Pescadores da Costa de Caparica, no começo da década de cinquenta e tem dedicatória. É dedicada à Isabel Victor, que faz do seu "Caderno de Campo", um roteiro permanente dos museus do nosso país e do mundo na blogosfera.

quarta-feira, maio 16, 2007

O Tarifário do Metro


A notícia divulgada hoje no “Diário de Notícias”, de que José Manuel Maia, Presidente da Assembleia Municipal de Almada, defende que 50 cêntimos seria o preço ideal para o troço recentemente inaugurado do Metro do Sul do Tejo, entre Corroios e Cova da Piedade e não os 85 actuais, assim como a validade dos passes multimodais e não um pagamento extra de oito euros e meio, vem ao encontro do pensamento da população.
E ajuda a explicar o porquê, das bonitas carruagens continuarem a circular quase sem passageiros...
Esta história é muito “portuguesa”. Faz-me lembrar os vários dirigentes futebolísticos que preferem colocar os bilhetes para os jogos a 15 euros e ter o estádio às moscas, com trezentas pessoas e menos, a colocá-los a 5 euros e ter três mil adeptos nas bancadas...
Se fizermos as contas, as receitas no estádio triplicavam...
E é óbvio, que com preços mais baixos, as carruagens também passavam a ter mais do triplo dos passageiros (o que é nem é preciso muito) e das receitas...
Palavras para quê, são gestores portugueses...

segunda-feira, maio 14, 2007

Quem foi que Disse que as Árvores Quando Caem, Caem de Pé?


Pensava que as árvores da Praça Gil Vicente iam acabar por ser baptizadas como as "sobreviventes", após a passagem do pesadelo (necessário claro...), que são as obras do Metro.
Mas não... hoje assisti à queda da primeira...
E não caiu de pé, como consta na frase que alguém popularizou...
Foi feita em pedaços...

sábado, maio 12, 2007

"V Campus" Despediu-se de Almada


Almada despediu-se hoje do "V Campus Euroamericano de Cooperação Cultural".

Vou deixar algumas pequenas notas, coisas simples, que me apeteceu sublinhar.
Podemos ter muitos defeitos, como portugueses, mas continuamos a saber receber como poucos. Os nossos visitantes da "latina-américa" estavam maravilhados com a cidade e com a forma como foram tratados e fizeram um reconhecimento público. Melhor elogio que este é difícil...
Gostei bastante que a Biblioteca Municipal tivesse disponibilizado várias obras sobre o concelho, para os participantes interessados. Como escritor local fiquei satisfeito por saber que os nossos livros vão atravessar o Atlântico e ser, no minimo, folheados por chilenos, argentinos, brasileiros, mexicanos ou colombianos, entre outros povos participantes.
Em relação ao "Campus", pelas palestras que ouvi e pelas experiências que foram apresentadas pelos convidados, fiquei com a sensação de que somos um país menos desenvolvido com os chamados países latino-americanos encaixados no "terceiro mundo", como o Chile, a Colômbia, o Uruguai, o México ou a Argentina.
Espero que tenha sido só sensação...
Foi notória a pouca expressão da língua portuguesa neste encontro. Claro que a culpa só pode ser dos Estados, português e brasileiro...
E por fim, uma última palavra de apreço, para todos os elementos do Munícipio, desde o funcionário mais simples à Presidente da Autarquia. Fizeram realmente um grande trabalho durante estes últimos dias. E para eles, este "Campus" começou antes de 8 de Maio e vai acabar depois...

quinta-feira, maio 10, 2007

O Largo de Cacilhas


O Largo de Cacilhas nunca se conseguiu libertar, da sua sina, de ser apenas um ponto de partida e de chegada, entre o Sul e o Norte do nosso país.
Ainda hoje é assim. As pessoas mal saem dos cacilheiros enfiam-se nos autocarros ou nos seus veículos próprios e até amanhã Cacilhas...
Esta fotografia dos anos cinquenta é prova disso, mostra-nos o Largo povoado de carros ligeiros e de camionetas de carreira, à espera de clientes...

terça-feira, maio 08, 2007

Almada Recebe V Campus Euroamericano

O Concelho de Almada inaugurou esta tarde o V Campus Euroamericano de Cooperação Cultural, um espaço privilegiado de partilha, reflexão e aprendizagem entre os continentes Europeu e Americano (com uma predominância clara dos povos iberoamericanos).
Este encontro vai promover vários eventos, entre os dias 8 e 12 de Maio, fomentando o diálogo intercultural entre todos os participantes.
Almada sucede a grandes cidades e marca a estreia portuguesa na organização do Campus. A Primeira Edição teve lugar em Barcelona, Espanha, em 2000; no ano seguinte transferiu-se para Cartagena de Las Indias, Colômbia; a partir de 2003 o Campus passou a ser organizado com carácter bienal, primeiro em Sevilha, Espanha, e dois anos depois em Salvador da Bahia, Brasil. E em 2007, chegou a Portugal e a Almada.
Ainda é cedo para tecer comentários, positivos ou negativos, de qualquer forma, trata-se de uma grande iniciativa do Município de Almada, na tentativa de colocar a Margem Sul do Tejo no mapa-mundo da cultura.

segunda-feira, maio 07, 2007

Fonte da Alegria


Em 1933 um restaurante do Ginjal já publicitava a concorrência que fazia aos vizinhos de Lisboa.
Estou a falar da "Fonte da Alegria", que se situava onde hoje está o restaurante-marisqueira "Farol", próximo do cais de embarque dos cacilheiros.
O curioso são as palavras do anúncio, que nos dizem que é a única casa que rivaliza com as congéneres da Capital.

sexta-feira, maio 04, 2007

A Praia das Lavadeiras


Hoje tive o prazer de ver algumas fotografias antigas de Cacilhas, da autoria de um grande amigo, cacilhense de gema, que é o que se poderá chamar, um "renascentista" da cultura.
Estou a falar de Fernando Barão, Poeta, Escritor, Fotógrafo, Actor... além de ser uma das grandes referências do Associativismo do concelho de Almada.
Nesta fotografia dos anos cinquenta, descobrimos uma mulher a executar a tarefa que popularizou esta praia, junto a um poço natural, rodeada de alguidares com roupa branca. Uns metros mais à frente, encontramos alguma roupa estendida na areia a secar.

Nos edifícios que se vêem ao fundo existem hoje dois bons restaurantes, o "Atira-te ao Rio" e o "Ponto Final", que continuam a cativar turistas, apesar do abandono que tanto tem prejudicado o Ginjal...

quarta-feira, maio 02, 2007

Esta Tira Vale por Dez Mil palavras...


Os homens dos bonecos da nossa imprensa são quase todos muito bons. É por isso que conseguem transmitir com os seus desenhos, mensagens mais fortes que muitas das palavras difundidas nas páginas dos jornais...

O Bandeira deu-nos um bom exemplo na edição de ontem do "Diàrio de Notícias". A sua tira vale bem dez mil palavras...

terça-feira, maio 01, 2007

Primeiro de Maio


Um desejo?

Porque não dois ou três?

Que este dia não seja apenas um feriado,
Que o desemprego baixe, sem a habitual publicidade enganosa e aldrabosa dos governos,
Que os trabalhadores não precisem de trabalhar, vergados pelo capitalismo (como na imagem...)
E que se acabem os roubos descarados, aos bolsos dos trabalhadores, cada vez com mais deveres e menos direitos...

Bom Primeiro de Maio para todos!

segunda-feira, abril 30, 2007

Telma Monteiro Mais Perto de Pequim


A Judoca almadense, Telma Monteiro, continua a brilhar nas grandes competições internacionais. Desta vez conquistou a vitória na Taça do Mundo, disputada na Dinamarca, ficando cada vez mais perto dos Jogos Olímpicos de Pequim, onde é uma séria candidata à conquista de medalhas, na sua categoria.

Parabéns Telma.

domingo, abril 29, 2007

Festival Cantar Abril


Não sei de quem foi a ideia de se criar um Festival de homenagem aos grandes trovadores de Abril, em Almada. Sei sim que foi uma ideia excelente.
O Município está de parabéns, por ter tornado possível a realização da iniciativa, que segundo os números revelados, foi um êxito, já que teve 117 participantes e o 248 canções a concurso...
Foram entregues os prémios: Adriano Correia de Oliveira (melhor recriação, para a Tuna Académica de Lisboa. com "Homem na Cidade", de Ary dos Santos, cantada por Carlos do Carmo); José Afonso (melhor criação, para Teresa Gil, com "George"); Ary dos Santos (melhor poema, para Regina Guimarães, com o poema "Lengalonga", interpretado por Ana Deus); Carlos Paredes (prémio carreira, escolhido pela Autarquia, para Carlos do Carmo).
Fui convidado para assistir à final e fiz questão de estar presente na sala principal do Teatro Azul, por gostar deste género de música, e estar curioso, pela capacidade inventiva dos participantes.
O espectáculo foi uma agradável surpresa, e gostei bastante de sentir que houve unanimidade entre o júri e o público, na escolha dos premiados (o que, infelizmente, nem sempre acontece...)

A foto que escolhi para ilustrar o texto foi retirada do boletim municipal, e pela sua qualidade, presumo que seja da autoria da Anabela Luís.

sábado, abril 28, 2007

A Mancha Azul do Tejo...


Nem de propósito...

Falei ontem da Maria de Medeiros, a actriz do mundo que reside em Paris, a propósito do cinema português. Pouco tempo depois folheio o rei dos gratuitos (Destak) e descubro uma reportagem sobre o primeiro álbum de música da artista, com um título sugestivo, "Um Pouco Mais de Azul", ou se preferir a versão oficial, "A Little More Blue"...
Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a frase escolhida para realçar a pequena entrevista: «Chego de Paris e, de repente, deparo-me com esta mancha azul do Tejo.»

Parece que só, por estes lados, nos corredores do poder, é que o Tejo, de tantas tonalidades, passa despercebido...

sexta-feira, abril 27, 2007

O Cinema Português e um Actor Generoso...


Não tenho autorização para revelar o nome, mas posso pelo menos anunciar, que um grande actor português, aceitou participar na primeira longa metragem do Gui, a custo zero.
A história, que ainda não começou a rodar (a sério...), fala de cruzamentos de uma Lisboa antiga, e de uma outra, a perder a identidade e as pessoas. Dos bairros onde toda a gente se conhecia à invasão dos estranhos, sem nome. Sou um dos três co-autores do argumento e dos diálogos.
O orçamento não é muito grande, mas os apoios resumem-se, quase todos, apenas a promessas verbais, nem sequer foram escritas na areia...
É uma pena, mas este, tal como outras dezenas de filmes portugueses, corre o risco de andar por aí, anos e anos, aos caídos, porque a Cultura é uma coisa muito estranha neste país...
O compadrio e os dados viciados, fazem com que a "teta" da vaca, só dê leite para meia dúzia de heróis, com passado e presente, como cineastas, mesmo que possa soar a duvidoso.
Queria falar de um actor e estou a alargar-me...
Mas também não posso dizer grande coisa deste actor. É reconhecido pelos seus excelentes desempenhos na televisão, teatro e cinema. E é extremamente culto e generoso...
Estivémos uma tarde à conversa, à beira do Tejo, falámos de tantas coisas. Aprendi tanto sobre as vidas que começam e acabam nos palcos...
Falámos muito de cinema, até chegámos à conclusão que temos realizadores e actores de grande qualidade, falta sim,o essencial, dinheiro suficiente para se fazerem bons filmes, e claro, a contrapartida, de poderem ser exibidos nas salas de cinema, cada vez mais "americanizadas"...
Pois foi, passaram pela mesa realizadores como: Fernando Lopes, José Fonseca e Costa, António Pedro Vasconcelos, Edgar Pêra, João Botelho, Joaquim Leitão, Margarida Gil, Pedro Costa, José Mário Grilo, Paulo Rocha, Teresa Vilaverde ou Ana Luísa Guimarães.
Os actores e actrizes foram mais: Luís Miguel Cintra, Nicolau Breyner, Diogo Infante, Margarida Marinho, Ana Medeiros, Rogério Samora, Vitor Norte, Alexandra Lencastre, Paulo Pires, Maria João Luís, Diogo Morgado, Inês Medeiros, Nuno Lopes, Teresa Madruga, João Perry, José Wallenstein, e outros tantos, que não guardei.
Também já não faltam histórias, começa a haver bastante gente a escrever ficção, que pode ser facilmente adaptada para a sétima arte... falta o resto, "aquilo" que é dado, sem reservas, a Manoel de Oliveira...

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril Sempre!


Apesar de ter vários motivos para escrever de uma forma crítica, sobre as comemorações do 25 de Abril em Almada (o desperdício de dinheiro gasto em fogo de artificio, os discursos falsos como judas dos autarcas locais, a falta de espontaneidade na participação popular nos festejos...), vou enaltecer as três bandas de música das Colectividades mais antigas de Almada: Incrível Almadense, Academia Almadense e Filarmónica União Piedense, sempre presentes nos festejos populares.
Apesar dos tempos difíceis, estes baluartes do Associativismo continuam a manter as suas escolas de música e a recrutar jovens para as suas bandas, que foram a génese das suas fundações.
A foto que escolhi para ilustrar este pequeno texto é da Banda da Incrível Almadense, por ser a colectividade mais antiga de Almada (quase com 160 anos...) e também porque eu sou, orgulhosamente, um "Incrível".
Mesmo sendo um dia de festa, é bom não esquecermos, que devemos estar a enfrentar um dos períodos mais preocupantes, no que toca à perda de direitos sociais. A saúde talvez seja mesmo o caso mais preocupante. Mas há mais, como a precariedade do emprego e o congelamento de salários.
É por isso que continua a ser preciso gritar: 25 de Abril Sempre!
Quanto mais não seja, para lembrar aos falsos democratas que nos governam, que o 25 de Abril foi feito para tornar o nosso país num lugar mais justo e não um paraíso para os capitalistas.

segunda-feira, abril 23, 2007

Um Livro à Minha Escolha


"Bonecos de Luz" é um livro especial, que nos fala da magia do cinema nos seus primeiros tempos.
Romeu Correia escreveu-o de uma forma estupenda, ao ponto de nos conseguir colocar em frente do lençol branco, a assistir aos filmes cómicos do cinema mudo, que tiveram em Charles Chaplin a sua grande figura.
Além de homenagear os livros, abraço aquele que continua a ser o maior escritor do concelho e que foi sempre um grande apaixonado pelo Ginjal e pelo Tejo, lugares onde cresceu e deu as primeiras braçadas, ainda na companhia dos golfinhos...

sexta-feira, abril 20, 2007

A Ponte era Mais que uma Passagem...


Descobri esta imagem, hoje, quando estava a folhear alguns pequenos tesouros, do espólio de António Henriques, um grande coleccionador e apaixonado por tudo o que dizia respeito a Almada. Graças ao seu filho, Carlos Guilherme, todo o património que nos deixou tem sido preservado e, estamos certos que será uma preciosa ajuda para todos aqueles que se dedicam ao estudo da História de Almada.
Não sei quem é o autor do projecto arrojado e da pintura, mas não deixa de ser significativa a existência de uma marina (foi o que me chamou mais a atenção...), depois da ponte sobre o Tejo, nesta pobre Margem Sul...
Para variar, não passou de um mero projecto...

terça-feira, abril 17, 2007

A Árvore da Boa Sombra


Depois de visitar o Paul dos Patudos, achei que devia mostrar a "árvore da boa sombra" à Ana Paula, para que ela visse a beleza deste monumento, que foi arrancado à terra que o viu nascer, crescer e viver durante mais de dois séculos.

Não quero alimentar polémicas, até porque este tema foi debatido há pouco tempo no blogue Em Almada, com a minha participação. O que não me inibe de dizer, quase dois anos depois, que continua a ser um acto indesculpável e um atentado ao Património Almadense.

Na altura escrevi uma crónica no "Jornal de Almada", cujo texto teve o seguinte destaque na primeira página do semanário almadense: Era um ex-libris da cidade, um monumento que a natureza preservara, durante anos e anos, para alegria de todos os almadenses. Até que, pelos vistos, houve alguém que se achou com poder suficiente para decidir o futuro da árvore, que pertencia a todos nós, como se ela estivesse ali a mais e já fosse tempo de a transformar em lenha.

segunda-feira, abril 16, 2007

O Jornalismo e as Teorias de Conspiração


A recente condenação do "Público", por ter publicado uma notícia verdadeira, sobre as dividas do Sporting, é das coisas mais chocantes que têm acontecido no nosso jornalismo, nos últimos anos. Fica mesmo no ar a sensação de que a verdade deixou de ser uma coisa relevante para a justiça portuguesa.
É mais uma notícia para misturar no "tacho" das várias caldeiradas, que têm sido cozinhadas nos últimos tempos, no jornalismo, na política, na economia e na justiça, e que têm sido motivo de várias especulações.
Os peritos das "teorias de conspiração", que conseguem provar que dois e dois são cinco, desta vez nem precisaram de se esforçar muito para ligar os acontecimentos mais polémicos dos últimos tempos, desde a OPA da Sonae à Portugal Telecon que foi parar à gaveta, aos vários diplomas duvidosos de engenheiro de Sócrates, denunciados no "Público", à agora condenação do mesmo jornal, no tal processo chocante do Sporting .
Por muito bem intencionados que sejamos, são de facto coincidências a mais.
E o mais engraçado é terem como protagonistas, Belmiro de Azevedo, o homem mais rico de Portugal e dono do "Público", e José Sócrates, primeiro-ministro e um dos homens com mais poder do nosso país, que por acaso até é accionista do Benfica...
Será que o "Público" vai ter de pagar mesmo os 75.000 euros sentenciados pelo Supremo Tribunal de Justiça?
O desenho do nossso amigo "Zé", que acompanha o texto, é da autoria de Rui, que durante anos animou a "Visão" e "O Jornal".

sábado, abril 14, 2007

Almada no Olhar de Albino Moura


Foi inaugurada ontem ao fim da tarde, na Oficina de Cultura de Almada, uma exposição de Albino Moura, um excelente pintor e poeta cá da terra, cujo nome diz tudo, “Almada do Meu Olhar”.
A Câmara ofereceu a todos os presentes o livro-catálogo da exposição, com bonitas imagens de Albino Moura, que aparecem de mão dada com as palavras poéticas de Alexandre Castanheira.
Curiosamente o público presente fugia um pouco dos habituais convivas destas coisas das artes e letras. Estranhei mesmo ver tantos funcionários superiores das várias culturas do Município na inauguração. Ainda "entrei" com um amigo, sobre a provável obrigatoriedade de estarem presentes, ele sorriu de forma enigmática, com um mais ou menos...
Quem não pára de me surpreender é o Vereador da Cultura, o famoso engenheiro António Matos. Quando nos cumprimentámos mostrou-se impressionado com a minha capacidade de “bloguista”, por conseguir manter activos três blogues.
Depois vieram os discursos e já não tive oportunidade de lhe responder. Talvez ele apenas quisesse dizer que sabe das coisas "bonitas" que escrevo sobre o Município. Apenas queria acrescentar que, como muito bem diz o povo, quem corre por gosto não se cansa... até porque ele sabe do meu gosto de escrever, e, quem gosta das palavras tem mais facilidade em manter lugares como o "Casario", o "Largo" e as "Viagens", arejados e convidativos...
Claro que fiquei curioso sobre a sua opinião sobre a blogosfera.
Provavelmente, não está muito encantado, porque nesta cidade, actualmente sem um jornal de referência, só existem os blogues para abordarem os temas da actualidade e dizer algumas verdades sobre o que vai mal nesta Margem do Rio.
Voltando à exposição, ela merece uma visita de todos os almadenses, pela sua grande qualidade e diversidade temática.

sexta-feira, abril 13, 2007

Às Vezes Acontece...


Às vezes acontece, o dia treze cola-se à sexta-feira e somos invadidos por jogos de sorte e de azar, como se o mundo acabasse numa sexta-feira 13...

Não sei se há algum jakpot, mas acredito sim, que hoje o número de apostadores do "euromilhões" vai aumentar.

Porquê? Porque nestas histórias de azar os portugueses acreditam na possibilidade de se conseguir espreitar a sorte, mesmo que tenham de passar debaixo de alguma escada ou cruzarem-se com um gato escuro.

Para azarados, já basta sermos portugueses, ou antes, vivermos em Portugal...

terça-feira, abril 10, 2007

Vem aí o Filme "Pior é Impossível"


As obras do Metro estão a chegar à chamada zona “critica” de Almada, ou seja, ao coração da cidade. Coração esse, que parece bater calmamente, tal como o da maior parte das pessoas com quem nos cruzamos junto à praça da Renovação. São pessoas idosas, quase sem opinião sobre o futuro da Cidade com este meio de transporte inovador, que anda sobre carris. Apenas desejam que seja uma coisa boa...
Sobre as obras, abanam a cabeça, resignadas, é o preço que se tem de pagar pelo progresso. São pessoas que geralmente acreditam nas palavras e nos gestos de boa vontade da presidente, que afirmam, tem feito tantas coisas boas pela cidade.
Os jovens, estão noutras ondas... desligam o som por momentos e dizem que Metro talvez seja fixe...
Sobram os outros, a faixa produtiva que anda entre os trinta e os sessenta anos, e que já não embarca em cantigas, muito menos em falsas promessas. São estes que mais assustam este poder, cheio de vícios e truques. Porque são estes que mais reivindicam, que mais questionam, e pior ainda, são estes que aderiram à “moda dos blogues” que abordam estas coisas e escrevem palavras que deviam ser “proibidas”...
No meio da avenida estão alguns comerciantes, com cara de caso. Parecem ter acordado agora, ao constatarem que com o trânsito vai ser reduzido e não vão existir espaços para paragens ou estacionamentos. Pois, o negócio vai piorar ainda mais.
É terrível “acordar” com um título de um filme, “Pior é Impossível”, a rondar a Avenida do fundador da Nação...

quinta-feira, abril 05, 2007

Clássicos em Almada


Mesmo tendo em conta que a visita às "catedrais do consumo" está longe de ser um dos meus programas favoritos, não deixo de vos fazer um convite, especialmente para quem gosta de veiculos automóveis.

Visitem a Exposição de Clássicos que está patente no "Almada Fórum", nos seus vários pisos, digna de qualquer museu do género, sem ter de pagar bilhete...

Não se descuidem porque a exposição só fica em Almada até ao dia 9 de Abril.

segunda-feira, abril 02, 2007

Em Abril Águas Mil


Hoje chove, e bem, pelas ruas de Almada.

Sinto-me um pouco confortado, por sentir que as mudanças climatéricas, ainda têm dificuldade em fintar a sabedoria popular...
Parece que em Abril ainda é tempo de águas mil.