domingo, junho 03, 2007

Mudar de Vida...


Quem é que nunca sentiu necessidade ou desejo, pelo menos uma vez, de mudar de vida?
Sim, arranjar uma nova profissão, trocar de cidade, mudar de vizinhos... e em casos extremos, até mudar de identidade...
As cidades que sobrevivem encostadas a Lisboa, oferecem ritmos de vida quase alucinantes. Almada não foge à regra. É por isso que acredito, que se mudasse para um lugar mais calmo, os dias poderiam ter horas mais normalizadas.

Quando pensava nisto, ouvi algumas das canções que António Variações deixou no bau, recuperadas no excelente álbum "Humanos", com as vozes do Camané, do David e da Manuela.
O Refreão de "Muda de Vida" simboliza muito do que pensava:

Muda de vida
Se tu não vives satisfeito
Muda de vida
Estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida
Não deves viver contrafeito
Muda de vida
Se a vida em ti não é de jeito

Este texto é também uma pequena homenagem ao único verdadeiro artista pop do nosso país, que quis ser ele próprio, e conseguiu-o, no estilo, na voz e nas palavras. Obrigado António...

sexta-feira, junho 01, 2007

Esta Liberdade que Incomoda Muita Gente...


Esta Liberdade de podermos partilhar as coisas que mais gostamos ou detestamos (poesia, ficção, história, fotografia, pintura, política, desporto, sexo, etc), com milhares de pessoas, é uma coisa fabulosa.
Torna-se ainda mais estimável, quando se começam a notar no nosso país, alguns indícios da tentativa de criar um estado "policial", no pior sentido desta palavra.
É também por isso que esta Liberdade incomoda muita gente, deixando inclusive algumas com as orelhas a arder. E quando percebem que este meio não é fácil de manipular, como acontece com os jornais, as revistas, as rádios e as televisões, ficam ainda mais possessos.
É por isso que temos de encarar com alguma naturalidade a existência de manobras de diversão - menos "obscuras" do que parecem -, na tentativa de silenciar e desmoralizar os "blogueiros" mais incómodos. Estas manobras atingem o ponto alto quando ofendem a dignidade pessoal e profissional de cada um de nós.
São estes procedimentos que fazem com que se acabem com os comentários anónimos, mais tarde ou mais cedo, e em casos extremos, activem a sua moderação.
Alguns paladinos da Liberdade dizem que estas medidas, além de serem contraditórias "atentam" contra o tal mundo livre da blogosfera, que tanto defendemos por aí.
Estão enganados. Mais grave que estarem enganados é ainda não terem percebido que a nossa Liberdade começa no respeito pela Liberdade dos outros...
Como sou teimoso, esta Liberdade que Incomoda Muita Gente, tem funcionado como um lenitivo e é ela que me dá forças para continuar.
Não sei por quanto tempo.
Sei apenas que enquanto a blogosfera continuar a ser uma coisa agradável e sentir que tenho algo a dizer, não fecharei as portas do "Casario" e das suas sucursais.
O texto está ilustrado com o óleo de Pablo Picasso, "Três Músicos".

quarta-feira, maio 30, 2007

Já Passou um Ano!


Quase que me esquecia que hoje o "Casario" completa um ano de vida...
E seria um esquecimento imperdoável...

Muito sinceramente, pensava que quando chegasse a esta altura, partia para outra... por achar que todas as coisas têm o seu tempo.
O problema, é que, cento e setenta e três "posts" depois, tenho a sensação de que este "filão" ainda não se esgotou... espero não estar enganado.
Esta sensação deve-se, essencialmente, às pessoas amigas (e já são bastante mais que os dedos das duas mãos...) que me visitam e com quem tenho estabelecido um diálogo virtual bastante agradável.

Tinha pensado oferecer flores... mas assim que encontrei esta bonita pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, com uma mistura tão genial de motivos e cores, mudei de ideias.
Recebam este "Amadeo", com um abraço de agradecimento, e continuem a vir olhar o Tejo, aqui deste lado, no "Casario do Ginjal"...

Esgoto a Céu Aberto


Quem passa diariamente pela Praça Gil Vicente, já se apercebeu que num dos muitos buracos realizados a propósito das obras do Metro, encontram-se águas residuais a céu aberto, vertidas por uma manilha em mau estado.
Isto já tinha acontecido na semana passada, mas como tinha chovido e não existia um cheiro tão intenso (além de ter desaparecido ao fim de alguns dias), não foi motivo de grandes reparos.
No fim de semana a vala voltou a ficar transformada num pequeno ribeiro de esgotos, só que, com um cheiro muito mais intenso e desagradável.
Hoje é quarta-feira e as águas sujas dos esgotos, continuam ali, para que todos aqueles que vêm ou vão para a Avenida 25 de Abril, possam ver o cuidado que existe com a higiene pública na nossa cidade.
Como se não bastassem os contentores do lixo, sempre apinhados e com lixo de fora, em quase todas as artérias de Cacilhas, temos também mais este bom exemplo de "saúde pública".
Não consigo fazer qualquer ligação entre as obras, que têm de se realizar, e este desleixo do Município, já que ao fim de quatro dias, não foi tomada nenhuma medida para estancar ou "secar" este ribeiro pouco natural, numa zona nobre da Cidade.

NOTA: Só publiquei a notícia hoje porque achei por bem dar o benefício da dúvida à Autarquia e tempo para resolverem o problema. Espero que os leitores de blogues do Município não estejam de greve e passem esta mensagem aos Vereadores do Urbanismo, Ambiente e Saneamento, a bem da qualidade de vida de todos nós.

domingo, maio 27, 2007

Obrigado Bandeira!


Ao ler o Bandeira no "DN", não resisto a reproduzir, mais uma das suas tiras certeiras...
Nunca é demais dizer, que somos um país com excelentes "jornalistas-de-bonecos", capazes de nos oferecerem bonecos, que nem sequer precisam de legendas.
Bandeira, Luís, António, Cid, Rui, Carlos Laranjeira, Martins, entre outros, são de facto, dignos representantes da arte popularizada pelo grande Rafael Bordalo Pinheiro.

Em relação ao conteúdo da tira, parabéns aos "Asas de Portugal"... apesar da concorrência, cada vez mais desleal, de Manuel Pinho, Marques Mendes, Paulo Portas, Mário Lino, Carmona Rodrigues, Correia de Campos, Alberto João Jardim, Santana Lopes, Almeida Santos, (apesar da idade, ainda gosta de fazer umas acrobacias...), entre outros cromos.
Apesar de não se ver um final à vista no célebre "apito dourado", pelo menos este processo tem tido a virtude de fechar o bico a aves da estirpe de Pinto da Costa ou Valentim Loureiro, não lhe permitindo fazer as acrobacias de outros tempos.

sábado, maio 26, 2007

Baía do Seixal


Hoje passei um pedaço da tarde no concelho do Seixal.
Ao olhar para a beleza natural da Baía e para tudo o que a rodeava, tive um pensamento, que começa a ser vulgar em mim...
Pensei que aquele lugar espectacular, num outro país, seria muito mais agradável, para quem vive por lá e também para quem veste a pele de turista.
Claro que esta frase ajusta-se a quase todo o país, de Norte a Sul.
O mais enigmático, é que, apesar das agressões e do mau gosto que todos conhecemos, Portugal continua belo...

quinta-feira, maio 24, 2007

Os Desertos da Margem Sul


Este governo está povoado de malta danada para a brincadeira. De tal forma que quase que fazem o contraponto com o respectivo presidente do conselho, filósofo de nome, engenheiro de diploma, político de profissão e tristonho de semblante.
Mário Lino, Manuel Pinho e Correia de Campos, então, devem passar o tempo a contar anedotas, com e sem picante. É por isso que, por vezes, se distraem e dizem umas graçolas em público. Só que em vez de conseguirem fazer rebolar plateias, deixam a assistência de boca aberta.
A última das boas foi contada pelo ministro das obras públicas. Cansado de argumentar a favor de Ota, resolveu falar dos desertos do Sul, terras de gente inculta, sem comércio, turismo, indústria, hospitais, escolas, etc.
Mário Lino deve-se ter lembrado dos tempos em que era comunista e percorria o Alentejo em caravana, e fartava-se de comer pó e passar sede, enfiado nos desertos do sul... só que agora já há o Alqueva, o golfe, as coutadas de caça e as praias de luxo do litoral alentejano, senhor ministro.
Claro que não estou nada escandalizado. Já percebi que esta gente do governo acha que pode dizer o que quiser, especialmente depois do almoço, para alegrar o pagode. O senhor ministro nem tem a culpa que lhe tenham servido vinho "estragado" no almoço com os economistas. Se calhar é da mesma colheita que o levou a dizer no Congresso do Oeste (novamente por causa da Ota...), que era engenheiro e que estava inscrito na ordem...

terça-feira, maio 22, 2007

O Túnel para a Outra Banda


Em 1904 houve um Português que quis imitar Júlio Verne, avançando no futuro, até ao ano 2000. Estou a falar de Mello de Mattos e da sua obra "Lisboa no Ano 2000 - Um Olhar Para o Passado a Olhar Para o Futuro", publicada em 1904 e reeditada em 1999, com curiosas ilustrações, como a que acompanha este texto, em que a composição tem o nome de Seixal.
Quando o "Pedrrinho" falou do seu sonho de viajar comodamente de Metro até Lisboa, sem ter de mudar de transportes, lembrei-me logo deste livro.
Não vou relatar todas as peripécias descritas nesta arrojada aventura de engenharia, que permitia atravessar o Tejo através de um túnel, construído debaixo de água (dos 6.327 metros, 2.200 eram debaixo do rio...) olhada de lado pelos jornais (que já não existem: "O Século", "Arauto", "Progresso" e "Novidades"). Vou sim dizer-vos que na imaginação de Mello de Mattos, no dia 5 de Junho de 1994, foi inaugurada solenemente a Estação Subterrânea de Lisboa das Linhas do Sul, após cinco anos de obras (um tempo recorde... se pensarmos no túnel de Santa Apolónia...).
Nesta estação havia comboios de cinco em cinco minutos, para ligação de Lisboa à Outra Banda e também à Estação Subterrânea vinham ter os comboios de luxo do Alentejo.
Embora a Margem Sul não tenha tido o desenvolvimento anunciado, nem tão pouco comboios (só agora se avança com o Metro, cada vez menos consensual...), aconselho a leitura da obra, pela descrição pormenorizada de todas as alterações na Capital e também pelas ilustrações.

segunda-feira, maio 21, 2007

Um Capricho Demasiado Caro


Os comentários dos visitantes no "Casario" são o principal motivo de um novo texto sobre o Metro Sul do Tejo, olhado de lado por um número cada vez maior de pessoas, inclusive governantes.
Houve várias questões colocadas, mas as mais pertinentes prendem-se com o traçado oficial das linhas - que está longe de ser o que melhor serve a população almadense - e com a manutenção do trajecto Corroios-Centro Sul, que além de servir muito pouca gente, está a contribuir para o aumento da "derrapagem" financeira do projecto.
Em relação ao traçado inicial, todos nós temos culpa, porque não manifestámos o nosso descontentamento pelas escolhas feitas pela Autarquia, nos Fóruns de Participação Pública. As únicas pessoas que demonstraram o seu desagrado, publicamente, foram os habitantes da Ramalha.
Ninguém percebe muito bem, porque razão as carruagens do Metro continuam a circular vazias... era preferível acabarem com esta "brincadeira" (demasiado cara para todos nós...) e fazerem-se apenas meia dúzia de viagens diárias de teste.
teimosias que não fazem sentido e esta é uma delas...
Apesar de todos estes percalços, estou convencido que o Metro será de grande utilidade para todos nós... mas até lá, vamos ter de esperar, pacientemente, pelo menos mais dois ou três anos, assistindo a grandes indefinições e também a polémicas, que já fazem parte de todo este "circo" montado por uma empresa que tem um nome curioso, "Barraqueiro", e que está por cá para ganhar dinheiro, com o conluio dos governos central e local...

sexta-feira, maio 18, 2007

Hoje é o Dia dos Museus


Este dia é feito a pensar em todos nós, inclusive naqueles que passam à porta destes espaços de história e arte e ficam indecisos se devem ou não entrar... entrem hoje porque é o Dia Internacional dos Museus e não se paga.
O Município de Almada também nos propôe um dia diferente, com uma programação diversificada no Museu da Cidade, no Museu Naval e no Núcleo Medieval Moderno de Almada Velha.
É verdade, hoje as descidas e subidas no Elevador da Boca do Vento de Almada, também são gratuitas...

A fotografia que ilustra este pequeno texto é da Rua dos Pescadores da Costa de Caparica, no começo da década de cinquenta e tem dedicatória. É dedicada à Isabel Victor, que faz do seu "Caderno de Campo", um roteiro permanente dos museus do nosso país e do mundo na blogosfera.

quarta-feira, maio 16, 2007

O Tarifário do Metro


A notícia divulgada hoje no “Diário de Notícias”, de que José Manuel Maia, Presidente da Assembleia Municipal de Almada, defende que 50 cêntimos seria o preço ideal para o troço recentemente inaugurado do Metro do Sul do Tejo, entre Corroios e Cova da Piedade e não os 85 actuais, assim como a validade dos passes multimodais e não um pagamento extra de oito euros e meio, vem ao encontro do pensamento da população.
E ajuda a explicar o porquê, das bonitas carruagens continuarem a circular quase sem passageiros...
Esta história é muito “portuguesa”. Faz-me lembrar os vários dirigentes futebolísticos que preferem colocar os bilhetes para os jogos a 15 euros e ter o estádio às moscas, com trezentas pessoas e menos, a colocá-los a 5 euros e ter três mil adeptos nas bancadas...
Se fizermos as contas, as receitas no estádio triplicavam...
E é óbvio, que com preços mais baixos, as carruagens também passavam a ter mais do triplo dos passageiros (o que é nem é preciso muito) e das receitas...
Palavras para quê, são gestores portugueses...

segunda-feira, maio 14, 2007

Quem foi que Disse que as Árvores Quando Caem, Caem de Pé?


Pensava que as árvores da Praça Gil Vicente iam acabar por ser baptizadas como as "sobreviventes", após a passagem do pesadelo (necessário claro...), que são as obras do Metro.
Mas não... hoje assisti à queda da primeira...
E não caiu de pé, como consta na frase que alguém popularizou...
Foi feita em pedaços...

sábado, maio 12, 2007

"V Campus" Despediu-se de Almada


Almada despediu-se hoje do "V Campus Euroamericano de Cooperação Cultural".

Vou deixar algumas pequenas notas, coisas simples, que me apeteceu sublinhar.
Podemos ter muitos defeitos, como portugueses, mas continuamos a saber receber como poucos. Os nossos visitantes da "latina-américa" estavam maravilhados com a cidade e com a forma como foram tratados e fizeram um reconhecimento público. Melhor elogio que este é difícil...
Gostei bastante que a Biblioteca Municipal tivesse disponibilizado várias obras sobre o concelho, para os participantes interessados. Como escritor local fiquei satisfeito por saber que os nossos livros vão atravessar o Atlântico e ser, no minimo, folheados por chilenos, argentinos, brasileiros, mexicanos ou colombianos, entre outros povos participantes.
Em relação ao "Campus", pelas palestras que ouvi e pelas experiências que foram apresentadas pelos convidados, fiquei com a sensação de que somos um país menos desenvolvido com os chamados países latino-americanos encaixados no "terceiro mundo", como o Chile, a Colômbia, o Uruguai, o México ou a Argentina.
Espero que tenha sido só sensação...
Foi notória a pouca expressão da língua portuguesa neste encontro. Claro que a culpa só pode ser dos Estados, português e brasileiro...
E por fim, uma última palavra de apreço, para todos os elementos do Munícipio, desde o funcionário mais simples à Presidente da Autarquia. Fizeram realmente um grande trabalho durante estes últimos dias. E para eles, este "Campus" começou antes de 8 de Maio e vai acabar depois...

quinta-feira, maio 10, 2007

O Largo de Cacilhas


O Largo de Cacilhas nunca se conseguiu libertar, da sua sina, de ser apenas um ponto de partida e de chegada, entre o Sul e o Norte do nosso país.
Ainda hoje é assim. As pessoas mal saem dos cacilheiros enfiam-se nos autocarros ou nos seus veículos próprios e até amanhã Cacilhas...
Esta fotografia dos anos cinquenta é prova disso, mostra-nos o Largo povoado de carros ligeiros e de camionetas de carreira, à espera de clientes...

terça-feira, maio 08, 2007

Almada Recebe V Campus Euroamericano

O Concelho de Almada inaugurou esta tarde o V Campus Euroamericano de Cooperação Cultural, um espaço privilegiado de partilha, reflexão e aprendizagem entre os continentes Europeu e Americano (com uma predominância clara dos povos iberoamericanos).
Este encontro vai promover vários eventos, entre os dias 8 e 12 de Maio, fomentando o diálogo intercultural entre todos os participantes.
Almada sucede a grandes cidades e marca a estreia portuguesa na organização do Campus. A Primeira Edição teve lugar em Barcelona, Espanha, em 2000; no ano seguinte transferiu-se para Cartagena de Las Indias, Colômbia; a partir de 2003 o Campus passou a ser organizado com carácter bienal, primeiro em Sevilha, Espanha, e dois anos depois em Salvador da Bahia, Brasil. E em 2007, chegou a Portugal e a Almada.
Ainda é cedo para tecer comentários, positivos ou negativos, de qualquer forma, trata-se de uma grande iniciativa do Município de Almada, na tentativa de colocar a Margem Sul do Tejo no mapa-mundo da cultura.

segunda-feira, maio 07, 2007

Fonte da Alegria


Em 1933 um restaurante do Ginjal já publicitava a concorrência que fazia aos vizinhos de Lisboa.
Estou a falar da "Fonte da Alegria", que se situava onde hoje está o restaurante-marisqueira "Farol", próximo do cais de embarque dos cacilheiros.
O curioso são as palavras do anúncio, que nos dizem que é a única casa que rivaliza com as congéneres da Capital.

sexta-feira, maio 04, 2007

A Praia das Lavadeiras


Hoje tive o prazer de ver algumas fotografias antigas de Cacilhas, da autoria de um grande amigo, cacilhense de gema, que é o que se poderá chamar, um "renascentista" da cultura.
Estou a falar de Fernando Barão, Poeta, Escritor, Fotógrafo, Actor... além de ser uma das grandes referências do Associativismo do concelho de Almada.
Nesta fotografia dos anos cinquenta, descobrimos uma mulher a executar a tarefa que popularizou esta praia, junto a um poço natural, rodeada de alguidares com roupa branca. Uns metros mais à frente, encontramos alguma roupa estendida na areia a secar.

Nos edifícios que se vêem ao fundo existem hoje dois bons restaurantes, o "Atira-te ao Rio" e o "Ponto Final", que continuam a cativar turistas, apesar do abandono que tanto tem prejudicado o Ginjal...

quarta-feira, maio 02, 2007

Esta Tira Vale por Dez Mil palavras...


Os homens dos bonecos da nossa imprensa são quase todos muito bons. É por isso que conseguem transmitir com os seus desenhos, mensagens mais fortes que muitas das palavras difundidas nas páginas dos jornais...

O Bandeira deu-nos um bom exemplo na edição de ontem do "Diàrio de Notícias". A sua tira vale bem dez mil palavras...

terça-feira, maio 01, 2007

Primeiro de Maio


Um desejo?

Porque não dois ou três?

Que este dia não seja apenas um feriado,
Que o desemprego baixe, sem a habitual publicidade enganosa e aldrabosa dos governos,
Que os trabalhadores não precisem de trabalhar, vergados pelo capitalismo (como na imagem...)
E que se acabem os roubos descarados, aos bolsos dos trabalhadores, cada vez com mais deveres e menos direitos...

Bom Primeiro de Maio para todos!

segunda-feira, abril 30, 2007

Telma Monteiro Mais Perto de Pequim


A Judoca almadense, Telma Monteiro, continua a brilhar nas grandes competições internacionais. Desta vez conquistou a vitória na Taça do Mundo, disputada na Dinamarca, ficando cada vez mais perto dos Jogos Olímpicos de Pequim, onde é uma séria candidata à conquista de medalhas, na sua categoria.

Parabéns Telma.

domingo, abril 29, 2007

Festival Cantar Abril


Não sei de quem foi a ideia de se criar um Festival de homenagem aos grandes trovadores de Abril, em Almada. Sei sim que foi uma ideia excelente.
O Município está de parabéns, por ter tornado possível a realização da iniciativa, que segundo os números revelados, foi um êxito, já que teve 117 participantes e o 248 canções a concurso...
Foram entregues os prémios: Adriano Correia de Oliveira (melhor recriação, para a Tuna Académica de Lisboa. com "Homem na Cidade", de Ary dos Santos, cantada por Carlos do Carmo); José Afonso (melhor criação, para Teresa Gil, com "George"); Ary dos Santos (melhor poema, para Regina Guimarães, com o poema "Lengalonga", interpretado por Ana Deus); Carlos Paredes (prémio carreira, escolhido pela Autarquia, para Carlos do Carmo).
Fui convidado para assistir à final e fiz questão de estar presente na sala principal do Teatro Azul, por gostar deste género de música, e estar curioso, pela capacidade inventiva dos participantes.
O espectáculo foi uma agradável surpresa, e gostei bastante de sentir que houve unanimidade entre o júri e o público, na escolha dos premiados (o que, infelizmente, nem sempre acontece...)

A foto que escolhi para ilustrar o texto foi retirada do boletim municipal, e pela sua qualidade, presumo que seja da autoria da Anabela Luís.

sábado, abril 28, 2007

A Mancha Azul do Tejo...


Nem de propósito...

Falei ontem da Maria de Medeiros, a actriz do mundo que reside em Paris, a propósito do cinema português. Pouco tempo depois folheio o rei dos gratuitos (Destak) e descubro uma reportagem sobre o primeiro álbum de música da artista, com um título sugestivo, "Um Pouco Mais de Azul", ou se preferir a versão oficial, "A Little More Blue"...
Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a frase escolhida para realçar a pequena entrevista: «Chego de Paris e, de repente, deparo-me com esta mancha azul do Tejo.»

Parece que só, por estes lados, nos corredores do poder, é que o Tejo, de tantas tonalidades, passa despercebido...

sexta-feira, abril 27, 2007

O Cinema Português e um Actor Generoso...


Não tenho autorização para revelar o nome, mas posso pelo menos anunciar, que um grande actor português, aceitou participar na primeira longa metragem do Gui, a custo zero.
A história, que ainda não começou a rodar (a sério...), fala de cruzamentos de uma Lisboa antiga, e de uma outra, a perder a identidade e as pessoas. Dos bairros onde toda a gente se conhecia à invasão dos estranhos, sem nome. Sou um dos três co-autores do argumento e dos diálogos.
O orçamento não é muito grande, mas os apoios resumem-se, quase todos, apenas a promessas verbais, nem sequer foram escritas na areia...
É uma pena, mas este, tal como outras dezenas de filmes portugueses, corre o risco de andar por aí, anos e anos, aos caídos, porque a Cultura é uma coisa muito estranha neste país...
O compadrio e os dados viciados, fazem com que a "teta" da vaca, só dê leite para meia dúzia de heróis, com passado e presente, como cineastas, mesmo que possa soar a duvidoso.
Queria falar de um actor e estou a alargar-me...
Mas também não posso dizer grande coisa deste actor. É reconhecido pelos seus excelentes desempenhos na televisão, teatro e cinema. E é extremamente culto e generoso...
Estivémos uma tarde à conversa, à beira do Tejo, falámos de tantas coisas. Aprendi tanto sobre as vidas que começam e acabam nos palcos...
Falámos muito de cinema, até chegámos à conclusão que temos realizadores e actores de grande qualidade, falta sim,o essencial, dinheiro suficiente para se fazerem bons filmes, e claro, a contrapartida, de poderem ser exibidos nas salas de cinema, cada vez mais "americanizadas"...
Pois foi, passaram pela mesa realizadores como: Fernando Lopes, José Fonseca e Costa, António Pedro Vasconcelos, Edgar Pêra, João Botelho, Joaquim Leitão, Margarida Gil, Pedro Costa, José Mário Grilo, Paulo Rocha, Teresa Vilaverde ou Ana Luísa Guimarães.
Os actores e actrizes foram mais: Luís Miguel Cintra, Nicolau Breyner, Diogo Infante, Margarida Marinho, Ana Medeiros, Rogério Samora, Vitor Norte, Alexandra Lencastre, Paulo Pires, Maria João Luís, Diogo Morgado, Inês Medeiros, Nuno Lopes, Teresa Madruga, João Perry, José Wallenstein, e outros tantos, que não guardei.
Também já não faltam histórias, começa a haver bastante gente a escrever ficção, que pode ser facilmente adaptada para a sétima arte... falta o resto, "aquilo" que é dado, sem reservas, a Manoel de Oliveira...

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril Sempre!


Apesar de ter vários motivos para escrever de uma forma crítica, sobre as comemorações do 25 de Abril em Almada (o desperdício de dinheiro gasto em fogo de artificio, os discursos falsos como judas dos autarcas locais, a falta de espontaneidade na participação popular nos festejos...), vou enaltecer as três bandas de música das Colectividades mais antigas de Almada: Incrível Almadense, Academia Almadense e Filarmónica União Piedense, sempre presentes nos festejos populares.
Apesar dos tempos difíceis, estes baluartes do Associativismo continuam a manter as suas escolas de música e a recrutar jovens para as suas bandas, que foram a génese das suas fundações.
A foto que escolhi para ilustrar este pequeno texto é da Banda da Incrível Almadense, por ser a colectividade mais antiga de Almada (quase com 160 anos...) e também porque eu sou, orgulhosamente, um "Incrível".
Mesmo sendo um dia de festa, é bom não esquecermos, que devemos estar a enfrentar um dos períodos mais preocupantes, no que toca à perda de direitos sociais. A saúde talvez seja mesmo o caso mais preocupante. Mas há mais, como a precariedade do emprego e o congelamento de salários.
É por isso que continua a ser preciso gritar: 25 de Abril Sempre!
Quanto mais não seja, para lembrar aos falsos democratas que nos governam, que o 25 de Abril foi feito para tornar o nosso país num lugar mais justo e não um paraíso para os capitalistas.

segunda-feira, abril 23, 2007

Um Livro à Minha Escolha


"Bonecos de Luz" é um livro especial, que nos fala da magia do cinema nos seus primeiros tempos.
Romeu Correia escreveu-o de uma forma estupenda, ao ponto de nos conseguir colocar em frente do lençol branco, a assistir aos filmes cómicos do cinema mudo, que tiveram em Charles Chaplin a sua grande figura.
Além de homenagear os livros, abraço aquele que continua a ser o maior escritor do concelho e que foi sempre um grande apaixonado pelo Ginjal e pelo Tejo, lugares onde cresceu e deu as primeiras braçadas, ainda na companhia dos golfinhos...

sexta-feira, abril 20, 2007

A Ponte era Mais que uma Passagem...


Descobri esta imagem, hoje, quando estava a folhear alguns pequenos tesouros, do espólio de António Henriques, um grande coleccionador e apaixonado por tudo o que dizia respeito a Almada. Graças ao seu filho, Carlos Guilherme, todo o património que nos deixou tem sido preservado e, estamos certos que será uma preciosa ajuda para todos aqueles que se dedicam ao estudo da História de Almada.
Não sei quem é o autor do projecto arrojado e da pintura, mas não deixa de ser significativa a existência de uma marina (foi o que me chamou mais a atenção...), depois da ponte sobre o Tejo, nesta pobre Margem Sul...
Para variar, não passou de um mero projecto...

terça-feira, abril 17, 2007

A Árvore da Boa Sombra


Depois de visitar o Paul dos Patudos, achei que devia mostrar a "árvore da boa sombra" à Ana Paula, para que ela visse a beleza deste monumento, que foi arrancado à terra que o viu nascer, crescer e viver durante mais de dois séculos.

Não quero alimentar polémicas, até porque este tema foi debatido há pouco tempo no blogue Em Almada, com a minha participação. O que não me inibe de dizer, quase dois anos depois, que continua a ser um acto indesculpável e um atentado ao Património Almadense.

Na altura escrevi uma crónica no "Jornal de Almada", cujo texto teve o seguinte destaque na primeira página do semanário almadense: Era um ex-libris da cidade, um monumento que a natureza preservara, durante anos e anos, para alegria de todos os almadenses. Até que, pelos vistos, houve alguém que se achou com poder suficiente para decidir o futuro da árvore, que pertencia a todos nós, como se ela estivesse ali a mais e já fosse tempo de a transformar em lenha.

segunda-feira, abril 16, 2007

O Jornalismo e as Teorias de Conspiração


A recente condenação do "Público", por ter publicado uma notícia verdadeira, sobre as dividas do Sporting, é das coisas mais chocantes que têm acontecido no nosso jornalismo, nos últimos anos. Fica mesmo no ar a sensação de que a verdade deixou de ser uma coisa relevante para a justiça portuguesa.
É mais uma notícia para misturar no "tacho" das várias caldeiradas, que têm sido cozinhadas nos últimos tempos, no jornalismo, na política, na economia e na justiça, e que têm sido motivo de várias especulações.
Os peritos das "teorias de conspiração", que conseguem provar que dois e dois são cinco, desta vez nem precisaram de se esforçar muito para ligar os acontecimentos mais polémicos dos últimos tempos, desde a OPA da Sonae à Portugal Telecon que foi parar à gaveta, aos vários diplomas duvidosos de engenheiro de Sócrates, denunciados no "Público", à agora condenação do mesmo jornal, no tal processo chocante do Sporting .
Por muito bem intencionados que sejamos, são de facto coincidências a mais.
E o mais engraçado é terem como protagonistas, Belmiro de Azevedo, o homem mais rico de Portugal e dono do "Público", e José Sócrates, primeiro-ministro e um dos homens com mais poder do nosso país, que por acaso até é accionista do Benfica...
Será que o "Público" vai ter de pagar mesmo os 75.000 euros sentenciados pelo Supremo Tribunal de Justiça?
O desenho do nossso amigo "Zé", que acompanha o texto, é da autoria de Rui, que durante anos animou a "Visão" e "O Jornal".

sábado, abril 14, 2007

Almada no Olhar de Albino Moura


Foi inaugurada ontem ao fim da tarde, na Oficina de Cultura de Almada, uma exposição de Albino Moura, um excelente pintor e poeta cá da terra, cujo nome diz tudo, “Almada do Meu Olhar”.
A Câmara ofereceu a todos os presentes o livro-catálogo da exposição, com bonitas imagens de Albino Moura, que aparecem de mão dada com as palavras poéticas de Alexandre Castanheira.
Curiosamente o público presente fugia um pouco dos habituais convivas destas coisas das artes e letras. Estranhei mesmo ver tantos funcionários superiores das várias culturas do Município na inauguração. Ainda "entrei" com um amigo, sobre a provável obrigatoriedade de estarem presentes, ele sorriu de forma enigmática, com um mais ou menos...
Quem não pára de me surpreender é o Vereador da Cultura, o famoso engenheiro António Matos. Quando nos cumprimentámos mostrou-se impressionado com a minha capacidade de “bloguista”, por conseguir manter activos três blogues.
Depois vieram os discursos e já não tive oportunidade de lhe responder. Talvez ele apenas quisesse dizer que sabe das coisas "bonitas" que escrevo sobre o Município. Apenas queria acrescentar que, como muito bem diz o povo, quem corre por gosto não se cansa... até porque ele sabe do meu gosto de escrever, e, quem gosta das palavras tem mais facilidade em manter lugares como o "Casario", o "Largo" e as "Viagens", arejados e convidativos...
Claro que fiquei curioso sobre a sua opinião sobre a blogosfera.
Provavelmente, não está muito encantado, porque nesta cidade, actualmente sem um jornal de referência, só existem os blogues para abordarem os temas da actualidade e dizer algumas verdades sobre o que vai mal nesta Margem do Rio.
Voltando à exposição, ela merece uma visita de todos os almadenses, pela sua grande qualidade e diversidade temática.

sexta-feira, abril 13, 2007

Às Vezes Acontece...


Às vezes acontece, o dia treze cola-se à sexta-feira e somos invadidos por jogos de sorte e de azar, como se o mundo acabasse numa sexta-feira 13...

Não sei se há algum jakpot, mas acredito sim, que hoje o número de apostadores do "euromilhões" vai aumentar.

Porquê? Porque nestas histórias de azar os portugueses acreditam na possibilidade de se conseguir espreitar a sorte, mesmo que tenham de passar debaixo de alguma escada ou cruzarem-se com um gato escuro.

Para azarados, já basta sermos portugueses, ou antes, vivermos em Portugal...

terça-feira, abril 10, 2007

Vem aí o Filme "Pior é Impossível"


As obras do Metro estão a chegar à chamada zona “critica” de Almada, ou seja, ao coração da cidade. Coração esse, que parece bater calmamente, tal como o da maior parte das pessoas com quem nos cruzamos junto à praça da Renovação. São pessoas idosas, quase sem opinião sobre o futuro da Cidade com este meio de transporte inovador, que anda sobre carris. Apenas desejam que seja uma coisa boa...
Sobre as obras, abanam a cabeça, resignadas, é o preço que se tem de pagar pelo progresso. São pessoas que geralmente acreditam nas palavras e nos gestos de boa vontade da presidente, que afirmam, tem feito tantas coisas boas pela cidade.
Os jovens, estão noutras ondas... desligam o som por momentos e dizem que Metro talvez seja fixe...
Sobram os outros, a faixa produtiva que anda entre os trinta e os sessenta anos, e que já não embarca em cantigas, muito menos em falsas promessas. São estes que mais assustam este poder, cheio de vícios e truques. Porque são estes que mais reivindicam, que mais questionam, e pior ainda, são estes que aderiram à “moda dos blogues” que abordam estas coisas e escrevem palavras que deviam ser “proibidas”...
No meio da avenida estão alguns comerciantes, com cara de caso. Parecem ter acordado agora, ao constatarem que com o trânsito vai ser reduzido e não vão existir espaços para paragens ou estacionamentos. Pois, o negócio vai piorar ainda mais.
É terrível “acordar” com um título de um filme, “Pior é Impossível”, a rondar a Avenida do fundador da Nação...

quinta-feira, abril 05, 2007

Clássicos em Almada


Mesmo tendo em conta que a visita às "catedrais do consumo" está longe de ser um dos meus programas favoritos, não deixo de vos fazer um convite, especialmente para quem gosta de veiculos automóveis.

Visitem a Exposição de Clássicos que está patente no "Almada Fórum", nos seus vários pisos, digna de qualquer museu do género, sem ter de pagar bilhete...

Não se descuidem porque a exposição só fica em Almada até ao dia 9 de Abril.

segunda-feira, abril 02, 2007

Em Abril Águas Mil


Hoje chove, e bem, pelas ruas de Almada.

Sinto-me um pouco confortado, por sentir que as mudanças climatéricas, ainda têm dificuldade em fintar a sabedoria popular...
Parece que em Abril ainda é tempo de águas mil.

sexta-feira, março 30, 2007

É Preciso Gostar do Mar e do Rio...


Quem tem filhos sabe que as crianças são pródigas em saídas invulgares, quase sempre oportunas.
Depois de todas as questões que se têm levantado sobre a Costa de Caparica e também de algumas conversas que vai ouvindo, sobre o Tejo, o Ginjal e a própria Cidade, o meu filhote tirou uma ilação clara e simples, bem ao nível da sapiência ds seus oito anos.
Disse-me que a Presidente da Câmara e os amigos não deviam saber nadar, e era por isso que não gostavam do mar e do rio....
Sorri e fiz-lhe uma festa na cabeça, para acrescentar de seguida, que não precisamos de saber nadar, para gostarmos do mar ou do rio.
Claro que as suas palavras não me sairam da cabeça. E, se analisarmos o tratamento que o Município tem dado à Costa de Caparica, à Trafaria e ao Ginjal... o Miguel até é capaz de ter alguma razão.
Se calhar eles até sabem nadar mas gostam mais de se banhar em piscinas, com água morna e sem ondas...

quarta-feira, março 28, 2007

O Adeus da Fonte Luminosa (II)


Perante o olhar de vários curiosos, as máquinas começaram o trabalho de "desconstrução" da Fonte Luminosa (ou Repuxo, que como muito bem disse o "Blackbird" até deu nome ao café que costumo frequentar).
Só desejo que daqui a uns tempos, não muito longinquos (provavelmente em ano de eleições...) a praça se erga de novo e grande parte de nós sinta, que imperou o bom gosto e que a Praça até é bonita...

segunda-feira, março 26, 2007

As Grandes Obras


António Barreto escreveu mais uma crónica emblemática no "Público" de ontem, no seu "Retrato da Semana".

António começa de uma forma brilhante, caracterizando quase todos os governantes deste país, desde o primeiro-ministro ao presidente de qualquer junta de freguesia, por mais insignificante que possa parecer, aos nossos olhos.
Não resisto a transcrever as palavras iniciais:

«Uma grande obra! É o sonho de qualquer governante banal. Ou de político achacado de narcisismo. Um monumento espantoso, uma barragem colossal, um aeroporto de encher o olho, uma catedral irrepetível, uma auto-estrada impossível, um "centro do Governo", uma "cidade judicial", um "parque tecnológico", a "maior doca do Mundo" ou o "maior lago artificial da Europa": são as grandes obras! São uma tentação! Permitem ao governante ficar na história. Deixar a sua impressão digital na pátria. dar nas vistas. Inaugurar. Descerrar uma lápide.»

Esta vaidade, este desejo de deixar obra, de descerrar uma lápide com o seu nome, tem sido uma imagem de marca de quase todos os políticos que têm exercido o poder, muitas vezes de uma forma perfeitamente inconsciente, deixando as suas Autarquias à beira da falência...
Almada não está à beira da falência mas também possui muitas obras, que têm mais de fachada que de utilidade, para todos nós.
Exemplos? O Teatro Azul (não precisava daquela magnitude para as funções que tem); o elevador da Boca do Vento (cada passageiro que sobe e desce deve dar um prejuízo assinalável ao Município); o Museu da Cidade na Cova da Piedade (a sua localização e programação não necessitavam de um investimento daquela natureza); o Fórum Romeu Correia (poderia ser muito mais funcional e menos para turista ver, quase ao estilo "Estado Novo" para as pessoas que passam por ali, diariamente).
Mesmo o Metro Sul do Tejo continua a ser uma incógnita. Será que vai servir mesmo os almadenses? Será que vai ser decisivo para o progresso da cidade? Era óptimo que assim fosse, mas com tanta polémica à sua volta, já nem sei o que pensar...

domingo, março 25, 2007

O Adeus da Fonte Luminosa


A Fonte Luminosa na Praça Gil Vicente, está cada vez mais próxima do fim.
No sábado de manhã surgiram as primeiras máquinas no terreno. Durante a semana já tínhamos assistido à presença de vários funcionários, que andaram a recolher e a transplantar as plantas menos sensíveis às mudanças.
Esta obra faz parte de uma Almada (pós Ponte sobre o Tejo) que se queria moderna e que vai ser “sacrificada” em nome de um outro progresso, que é cada vez mais incerto, tantas são as interrogações que se têm colocado aos almadenses, neste futuro próximo.
Interrogações provocadas por atrasos, teimosias e alterações de trânsito na cidade.
Basta olharmos para as polémicas que envolvem o célebre “Triângulo da Ramalha”, para percebermos que as múltiplas facilidades discursivas do Município - na voz da sua presidente e restante equipa - nas sempre “democráticas” sessões de participação pública, tal como as notícias felizes que enchem o boletim municipal, estão longe de reflectir a realidade almadense.

quinta-feira, março 22, 2007

O Edital Não Passou de uma Miragem


Quando vi um Edital afixado junto ao portão de umas habitações degradadas e abandonadas, a caminho de casa, fiquei satisfeito. Pensei que o Município estava a fazer cumprir as novas leis dos senhorios, que entre outras coisas, os obrigam a manterem os edifícios dos quais são proprietários em condições de habitabilidade. Caso contrário terão de pagar coimas de valores significativos.
Ao lê-lo, não fiquei completamente satisfeito. Descobri que o vereador José Raposo Gonçalves, apenas notificava os proprietários a realizarem um limpeza geral e a removerem os resíduos naqueles anexos.
Mais por curiosidade que por outra coisa, passei pelo Ginjal, à procura de qualquer Edital, neste começo de Primavera.
Claro que não vi qualquer sinal, de um aviso ou notificação, para os vários proprietários dos edifícios completamente degradados, que vegetam por ali...
Pelo exemplo a lei continue a ser apenas para alguns...

quarta-feira, março 21, 2007

Zé Gomes, Príncipe dos Poetas


Zé Gomes Ferreira não é só um dos grandes poetas contemporâneos, é também um excelente contador de histórias do quotidiano lisboeta, do século XX.

Por se comemorar o Dia Mundial da Poesia e se iniciar a Primavera, ofereço-vos a minha homenagem a este grande senhor, que até era capaz de dançar com as palavras...


Zé Gomes,

Podias ser apenas um rei
das palavras e dos sonhos,
mas não...
És um irmão
e um companheiro
de todos os vagabundos,
e, sobretudo,
um «João sem medo»...
de navegar pelos mundos...

segunda-feira, março 19, 2007

Combateremos a Sombra


Gosto da Lidia Jorge e dos seus livros.
Já estava expectante em relação ao seu próximo romance "Combateremos a Sombra", mas depois de ler a sua entrevista no suplemento "Ipsilon" do "Público", de 16 de Março, fiquei quase convencido de que se trata de uma excelente obra.

Mas o que faz transportar para a Lidia Jorge para o "Casario", são algumas das suas palavras sobre o nosso país e sobre a sina de muitos portugueses, bastante pertinentes:

«Na sociedade portuguesa, o final nunca é esclarecido. Portugal é o país da obra em aberto, nunca temos finais claros. Vem da penumbra, vai para a penumbra, nunca ninguém sabe ao certo o que aconteceu.»

«O português vê que nada acontece àquele que explora e, ao mesmo tempo, vê o explorador transformado em herói. A mensagem que se passa é a de que vale a pena explorar. O falsário não só não é punido como é promovido. Acabamos por ficar impotentes, com o sentimento de que não vale a pena. Anos e anos de esmagamento conduziram os portugueses a uma postura depressiva.»

Felizmente, nem tudo são desilusões, já que ela também falou na entrevista das nossas virtudes: «Há as pessoas anónimas, que são os pilares salubres desta sociedade. Pessoas que agem por bem, que respeitam os outros, que cumprem o dever apesar de ninguém os elogiar, que nunca terão o nome no jornal. Gente circunspecta. Com um grau de fraternidade muito grande, sem esperar nada em troca.»

Curiosamente ou talvez não, Lidia Jorge, ofereceu-nos um facto real (o que se passa com a justiça...) e dois retratos do nosso país, em perfeito contraponto: o falsário que apesar de ser desonesto e se prestar a todo o tipo de papel, além de não ser punido, ainda é promovido (todos nós conhecemos exemplos destes...) e o anónimo, que age por bem, respeita os outros e é capaz de ajudar o próximo sem estar à espera de nada em troca (cada vez conhecemos menos pessoas assim...).

domingo, março 18, 2007

Cães que Ladram não Mordem...


Caminhava nas ruas de Almada, quando sou surpreendido por uma voz irritada e irritante que dizia: «Eu não tenho medo deles, Tenho é medo de mim!»

Olhei para trás sem dar muito nas vistas e vi um homem a rondar os quarenta anos, pequeno e franzino, acompanhado de uma mulher. Ele não desarmava com a mesma lenga-lenga. Alguns metros à frente já matava e tudo...

Apeteceu-me perguntar-lhe se estava ali bem, na rua. Claro que não o fiz. Além de não conhecer o homem "perigoso" de lado nenhum, estava sujeito a ser enxovalhado, por me meter onde não devia...

No próximo cruzamento mudei de rua e deixei de assistir a este espectáculo, tão português. Claro que fui andando e pensando nesta maneira, mais de dizer que de fazer, tão portuguesa, do género, «Agarra-me, senão mato o gajo!»

Felizmente a maioria dos cães que ladram não mordem...

sexta-feira, março 16, 2007

A Vidinha de Empresário no Nosso País


O encerramento da Fábrica de Calçado Rohde, fez-me pensar numa prática, cada vez mais comum no nosso país, entre os muitos empresários, que não têm qualquer pejo em deixar de pagar os ordenados dos seus operários, sem contudo prescindirem das suas mordomias, donde se destacam os carros de gama alta em que se fazem deslocar, de preferência o último modelo das marcas do costume...

Quando fecha mais uma empresa, fala-se sempre de falta de competitividade e de mercado, esquecendo a incompetência e a má gestão...

Desta vez, são mais 1.300 trabalhadores, empurrados para o desemprego...

quarta-feira, março 14, 2007

Eusébio e Romeu Correia


Quando Clara me contou a história sobre a "perseguição" que lhe moveu o cineasta Arthur Duarte, lembrei-me de Romeu Correia.

Lembrei-me por uma razão muito simples. Romeu contou-me numa das nossas conversas literárias, que tinha escrito um guião para cinema, a pedido de Arthur Duarte, sobre a vida de Eusébio.

Ele teve o cuidado de me confessar, que o guião do filme era completamente diferente da fita mediocre realizada nos anos setenta, a qual assisti, no desaparecido "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", nas Caldas da Rainha.

Infelizmente, por falta de apoios, o filme de Arthur Duarte acabou por nunca ser realizado...

Nunca lhe perguntei o que era feito do guião. Mas cuidadoso como Romeu era, de certeza que tinha uma cópia guardada em casa...

Este episódio fez com que me recordasse que o espólio do escritor e dramaturgo almadense continua "fechado" na casa onde viveu, sem ter alguém especializado, a catalogar e a organizar, tudo o que ficou de uma vida extremamente rica, e que não deve ser nada pouco...

Nem sequer me vou dar ao trabalho de falar das "culpas" do Município e dos familiares do Romeu, para todo este silêncio, cada vez mais denso, à volta da maior figura da literatura de Almada.

A única coisa que adianto, é que compreendo, cada vez melhor, a posição dos descendentes de Romeu em todo este processo...

domingo, março 11, 2007

Domingo de Sol


A Costa de Caparica recebe milhares de visitantes durante os fins de semana, assim que o Sol começa a sorrir.

A Rua dos Pescadores enche-se, num vai-e-vem de gente, que quer espreitar as ondas do mar. Os mais corajosos descem mesmo à praia. Pisam a areia e experimentam a temperatura da água. Os amantes do "solário" natural, sentam-se e deitam-se nas pedras ou então enchem as esplanadas, à procura de uma cor, para fazer inveja aos colegas na segunda feira...

sábado, março 10, 2007

Luís Represas e João Gil ao Vivo


Acabei de chegar a casa, depois de ter assistido a um excelente espectáculo oferecido às mulheres de Almada (e acompanhantes claro...) pela Junta de Freguesia de Almada, no Salão da Academia Almadense.
O concerto a dois chama-se “Encontro”, um nome bem apropriado para este feliz reencontro musical entre Luís Represas e João Gil, companheiros de aventuras há quase três décadas.
Devo confessar que, já há algum tempo que não assistia, ao vivo, a um espectáculo tão intimista, com uma interacção tão próxima entre músicos e espectadores, muito por culpa da cumplicidade e profissionalismo destes dois excelentes músicos portugueses.

quinta-feira, março 08, 2007

O Dia da Mulher


Quando estamos entre homens, é normal ouvirmos a frase batida: «Para quê um dia da mulher? Elas não são iguais a nós? Aliás, cada vez têm a mania que são mais espertas e inteligentes que nós. »
Claro que na prática as coisas não são nada assim.
Infelizmente, quase trinta e três anos depois da Revolução de Abril, esta história dos direitos iguais entre homens e mulheres, continua a ser quase uma ficção.
Somos uma sociedade onde não se perdeu o hábito de fingir que está tudo bem, mesmo quando sabemos que o vizinho do segundo andar gosta de se encharcar em álcool e, vá-se lá saber porquê, deixa a mulher marcada a negro, tal como tantos cobardes, que escondem as frustrações e os complexos, dentro das quatro paredes, com a distribuição de porrada pela mulher e pelos filhos...
Se fossemos realmente todos iguais, nos direitos e deveres, podíamos apagar o Dia Internacional da Mulher do calendário...
Mas enquanto isso não passar de uma frase batida, beijem e abracem as mulheres que amam com ternura e ofereçam-lhe flores, sempre que vos apetecer, sem estarem à espera do dia 8 de Março...

terça-feira, março 06, 2007

Certezas & Utopias


É notório que estes socialistas, que estão no poder, levam cada vez menos à letra, o significado do nome do partido, o simbolismo do punho fechado e até os estatutos do próprio partido.
Isto não me incomodava muito se eles hoje não se confundissem com o próprio Estado. Estado esse que prefere “navegar” em águas demasiado turvas, onde as mudanças e a confusão são uma constante, por razões que escapam, quase sempre, ao cidadão comum...
Não gosto de gente assim, sempre carregada de meias mentiras nos bolsos, e pior, com intenções pouco claras de reformas, na saúde, educação, justiça e segurança.
A próxima “batalha” de Sócrates, para nos roubar mais espaço, é fundir todas as polícias, deixando-as com um único chefe (desculpem lá mas isto é tão revoltante que me faz lembrar os tempos de Salazar, em que o major Silva Pais, director da PIDE, ia a despacho directamente com o presidente do conselho de ministros...).
A criação de um único cartão de identidade, já me tinha feito pensar numa ideia praticamente utópica, de podermos comprar a nossa liberdade, com o compromisso de não beneficiarmos, do que quer que seja do Estado, e se fosse preciso, até pagarmos uma quota para pudermos circular livremente no país...
Tenho a sensação de que estão a querer roubar-nos a Liberdade de Sermos Quem Quisermos.
Quase que me apetece emigrar, para qualquer país do terceiro mundo, mesmo onde existam ditaduras e ditadores, quase com a certeza, de conseguir olhar para tudo o que me rodeia, com muito mais claridade...
Este desenho de Rui, com Agostinho da Silva e um dos seus gatos, simboliza a liberdade individual de todos nós, através deste grande pensador que nunca teve cartão de contribuinte, apesar de ser obrigatório, num claro desafio ao Estado Português...

domingo, março 04, 2007

Naide Gomes Campeã Europeia


A excelente atleta almadense Naide Gomes sagrou-se ontem Campeã Europeia de salto em comprimento em pista coberta, com a excelente marca de 6,89 metros, que passou a ser simultaneamente recorde nacional e a melhor marca mundial do ano.
Esta vitória, que nos encheu de felicidade, lembrou-me quase de imediato o meu saudoso amigo Henrique Mota, praticamente o único elemento da “tertúlia cacilhense do Repuxo” , com quem falava de atletismo e cujo saber enciclopédico era digno de registo.
Sei que se ele ainda estivesse por cá, hoje, tínhamos conversa pela manhã dentro nas mesas do “Repuxo”, sobre a nossa campeã, perante a perplexidade dos outros companheiros, que não fazem ideia o que é um salto de tesoura ou um salto de extensão...

sexta-feira, março 02, 2007

O Triângulo da Discórdia


O Triângulo da Ramalha continua a fazer correr tinta, pelo menos em alguns blogues de Almada.

Há realmente coisas muito mal explicadas em todo este processo. Não tenho dúvidas que há no mínimo falta de transparência na explicação e resolução deste caso. Depois de ler esta notícia, apeteceu-me levantar algumas questões:

- Será que a Autarquia de Almada vai mesmo levar a sua teimosia até ao fim, fazendo valer os seus argumentos, contra os moradores da zona da Ramalha e o próprio estudo técnico efectuado pelo Governo?

- Há mesmo vários órgãos de comunicação social, a fazerem o jogo do Município?

- Se há, o que ganham com tudo isto?

quinta-feira, março 01, 2007

Uma Mulher de Sonho


Uma cacilhense, quase octagenária, contou-me uma história deliciosa, quando foi convidada por um realizador para participar num filme português.

Clara foi descoberta numa viagem de cacilheiro por Arthur Duarte (realizador de dezenas de filmes, dos quais destaco "O Leão da Estrela", o "Costa do Castelo" e "A Menina da Rádio"), no final da década de cinquenta.

Arthur não sabia muito bem o que queria, sabia só que queria alguém que não fosse profissional e tivesse uma beleza especial. Atravessou o rio por acaso, para almoçar no "Gonçalves". Assim que viu a mulher de cabelos e olhos claros, percebeu que era ela, que procurava...

O mais curioso foi que ao fim de uma semana, já tinha esquecido o filme, queria era conquistar aquela mulher, de pouco mais de trinta anos. Claro que não o conseguiu. Por várias razões.

Porque Clara estava bem casada com o João e porque não gostava de homens mais velhos. Além disso, apesar de gostar de se vestir bem e ser vistosa, era uma mulher séria, que nunca pensou ser actriz, nem mesmo nos palcos amadores...
Este retrato pintado por Eduardo Malta foi a imagem mais parecida que encontrei da Dona Clara, uma mulher que continua bonita, por dentro e por fora...