terça-feira, fevereiro 13, 2007

O Espião da Blogosfera


Não há nada como uma conversa de café, para colocar em revista o mundo que nos rodeia.
Foi o que aconteceu ontem, quando bebi uma bica com um rapaz conhecido do jornalismo, que o desemprego empurrou para o trabalho certo numa autarquia da Margem Sul.
Antes de falarmos de livros e jornais, ele começou logo por me dar os parabéns pelo meu blogue.
Fiquei meio desconfiado, por achar que a blogosfera ainda não era um tema de conversa de café generalizado, pelo menos entre pessoas pouco próximas.
E o mais curioso é que fiquei com a sensação que ele queria passar-me a mensagem de que o seu "patrão" está mais atento a estes novos espaços de notícias, que o que se pensa por aí.
Embora as pessoas às vezes também precisem de desabafar... como foi o caso dele.

Confessou não estar à espera que a “blogosfera” passasse a ser o seu trabalho (quase a tempo inteiro), e que o chefe quisesse, que olhasse diariamente para os "diários on line", e retirasse cópias de todos os artigos que se referissem ao Município.

O pior de tudo, é que esta actividade deixou-o tão farto da “blogosfera”, que nunca mais actualizou o seu blogue, nem sequer sente vontade de navegar na “net” em casa.
Às vezes acontece, as obrigações profissionais conseguem roubar-nos o prazer que temos em fazer algumas coisas...

Quem pensava que as “bocas” que partilhamos na rede caíam em saco roto, pelos vistos, está enganado. Segundo a versão deste "jornalista-espião", todas as notícias sobre este concelho estão arquivadas, em pastas temáticas, que são consultadas, sempre que é necessário, inclusive por vereadores.

Eu também não estava à espera, que a quase ausência de jornais locais e a proliferação de blogues, um pouco por todo o lado, provocassem o destacamento de um funcionário, como observador da "blogosfera" quase a tempo inteiro, para informar os "governantes", de como vai o mundo, na margem de cá do rio...

domingo, fevereiro 11, 2007

«Já Foste às Grávidas?»


Eu sei que as expressões valem o que valem...

Mas há frases que merecem ser partilhadas, especialmente pela sua singularidade, como a que dá título a este "post", escutada nas ruas de Almada, poucos minutos depois de ter votado para o Referendo.

Foi por isso que resolvi escrever este pequeno texto com a questão lançada por um sexagenário, a outro companheiro, com quem, se cruzou: «Já foste às grávidas?».

Esbocei um sorriso, pela forma, aparentemente simples, como este homem reduziu a consulta popular da despenalização do aborto e da opção da mulher, em poder escolher, se tem ou não condições para ser mãe, até às dez semanas.

Claro que esta questão pode e deve ter várias interpretações...
Este texto é acompanhado pelo bonito óleo, "Sol da Manhã", do almadense Albino Moura.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Chinesices ou Talvez Não...


Um antigo pronto a vestir na Praça Gil Vicente, ao lado do Café “Repuxo” está ser transformado em mais um bazar asiático.
Passo por ali todos os dias e tenho reparado que até a mão de obra usada nas obras é “made in china”.
Estes fulanos estão de tal forma organizados, pese o exagero, que funcionam quase como se fossem um estado dentro de outro estado.
Lembrei-me de várias coisas. A primeira foi que eles são os emigrantes mais independentes e menos incomodados pelas autoridades portuguesas, apesar de serem muitos. Calculo que grande parte sejam clandestinos.

A sua entrada no nosso país começou na restauração, aos poucos foram alargando o leque ao comércio. Comércio esse que também se tem alargado e já não reduz apenas às lojas de preços económicos.
Também me lembrei de um facto mais cómico ocorrido no mundo do futebol. Como parecem todos iguais, no célebre jogo do Mundial de 1966 de Inglaterra, em que Portugal venceu a Coreia por 5 a 3, correu o boato de que os nossos adversários tinham jogado quase com toda a equipa. Isto aconteceu muito pela forma como correram dentro de campo, deixando os nossos "craques" de olhos em bico... o azar deles foi termos na equipa alguém com sangue azul, o nosso Rei Eusébio...

Falando mais a sério, tenho a sensação de que eles não utilizam quase nada português (as excepções são a água, a luz e pouco mais...). Mandam vir tudo da China, desde a comida às roupas... pelo que nem sequer sei se têm grande importância para a nossa economia, apesar das vénias de Sócrates e das pérolas de Pinho, no Oriente...
Este texto está ilustrado com os "Alisadores de Soalho", óleo de Gustave Caillebotte

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Glória à Incompetência


Acho uma vergonha para a Justiça portuguesa a condecoração que o ex-procurador geral da República, Souto Moura, recebeu hoje, das mãos do Presidente da República.
Depois de todas as situações infelizes em que se deixou envolver, trocando tantas vezes as mãos pelos pés, ao ponto de ter merecido ser demitido, antes de terminar o mandato.
Sampaio preservou a sua imagem, a custo, descredibilizando a justiça portuguesa... e agora Cavaco, premiou-o hoje com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.

Penso que lhe assentava melhor a Grã-Cruz de Lata...

domingo, fevereiro 04, 2007

Salvar que Vidas?


Tinha pensado não trazer o referendo da despenalização do aborto para o "Casario".
No entanto é muito difícil ficar calado, com todas as "bombas" que têm sido lançadas por aí, inclusive por pessoas aparentemente acima de qualquer suspeita.

O papel da igreja neste últimos tempos nem sequer me merece qualquer comentário. Como o Carnaval está próximo, as frases do padre que deixará de fazer funerais a quem votar "sim", entre outras, do mesmo teor, ditas, inclusive, pelo Cardeal Patriarca, só poderão ser encaradas como brincadeiras de mau gosto.
Agora a carta que foi colocada nas mochilas das crianças dos infantários do Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciação de Setúbal, é grave demais para ser silenciada. Não sei onde está a decência e o respeito pela individualidade de cada um daqueles pais, sem falar nas crianças, que desde muito cedo, aprendem a questionar, quando se distribuem cartas onde um pretenso feto confronta a mãe com a sua própria morte, com frases como esta: «Mãe, Como foste capaz de me matar?...»

Claro que não é só a despenalização que está em causa neste referendo. Vai-se também referendar o direito das mulheres serem assistidas com os cuidados médicos adequados no Serviço Nacional de Saúde.

É por isso que estranho que os defensores da vida "ignorem" que esta lei permite, que as mulheres possam ser assistidas nos hospitais até às dez semanas, nas condições que devem ter direito, sem correrem riscos de vida ou sem voltar a ter filhos (como acontece tantas vezes...).
Talvez prefiram continuar a alimentar a rede de "parteiras" clandestinas (com e sem diploma), que auferem honorários quase de futebolístas e trabalham em lugares sem as condições mínimas de assistência...
O cartaz que ilustra o texto é bem elucidativo: «Ainda está a tempo de salvar muitas vidas.» É importante que, quando se fala em vida, além das discussões quase científicas sobre o óvulo e o feto, se deixem as hipocrisias para trás e se pense na saúde das mães deste país.
É por isso que eu voto SIM.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Quem Vier Atrás, Que Feche a Porta...


A Avenida 25 de Abril (continua a ser um belo nome...) está mais estreita e parte do seu alcatrão já começou a ser lavrado...
O que se deve dizer, sem se ser má língua?

O sonho existe, podemos e devemos acreditar numa cidade diferente, no futuro.

Por falar em futuro, não esqueço o que disseram hoje os cientistas. Disseram, muito claramente, «basta»!

A ONU tentou ser caixa de ressonância, mas não tem o mesmo peso e credibilidade. A impossibilidade de acabar com as guerras no Médio Oriente e em África, retirou-lhe espaço no mundo.

A verdade, é que, se continuarmos a emitir os gases do costume para a atmosfera, as consequências no futuro serão trágicas. Espera-nos mais calor, mais frio, mais tempestades, mais secas, mais cheias, mais incêndios, etc.

A solução é consumir cada vez menos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás).

O problema maior é que os EUA pertencem a outro planeta... e os chineses para lá caminham...
As suas políticas são as do costume: quem vier atrás, que feche a porta!
Será que são países sem futuro?

segunda-feira, janeiro 29, 2007

O Novo Jornalismo de Almada


Quando uma cidade deixa de possuir qualquer jornal de referência, passa-se uma coisa muito simples, as pessoas deixam de saber o que acontece de importante nas suas terras...

Porque não basta distribuir uma agenda informativa e um boletim municipal, gratuitamente, pelos cidadãos - à partida viciado e cheio de notícias felizes, da obra feita ou por fazer da Autarquia - , ou um semanário, mais preocupado em ganhar dinheiro com publicidade que em informar as pessoas. É preciso mais...

Infelizmente, o panorama informativo de Almada é este...

As cartas começam a ficar baralhadas porque, graças às novas tecnologias, a blogosfera começa a ocupar o lugar vago e a dar as notícias em cima da hora, que escapam aos jornais gratuitos e aos boletins das autarquias.

Sabem que mais? Hoje estavam a tapar com tapumes de madeira as janelas e portas da "Leitaria Estrela do Sul".

Adivinhem onde foi transmitida e discutida a notícia, em primeira mão? Claro, na blogosfera.
Parece que houve alguém que ficou com as orelhas a arder e resolveu fazer alguma coisa...
O texto está ilustrado com o óleo, "Alto de Santa Catarina", de João Abel Manta

quinta-feira, janeiro 25, 2007

E Agora, Qual vai ser a Desculpa?


Sim, e agora, qual vai ser a desculpa do Município, por ter arrancado com as obras do metro de superfície, sem existirem os tão falados parques de estacionamento para os moradores e utentes de Cacilhas?
Como disse, muito bem, o "Blackbird", no seu comentário ao "post" anterior: «Nunca deveriam ter arrancado estas obras, sem que os vários parques de estacionamento, que a Câmara tanto publicitou, estivessem a funcionar.»
Não percebo porque razão a nossa Autarquia não aproveitou todos estes meses de indefinições, para realizar as obras que só agora está a iniciar em Cacilhas (no alto da Margueira...).
Talvez culpe o governo central, ou então a MST...
Pois, capote, para que te quero, senão para sacudir, para cima de alguém?...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

O Pesadelo Aproxima-se...


Parece que desta vez é que é....
A confusão já está a começar.
Na Avenida 25 de Abril já suprimiram uma faixa de rodagem, com uma sinalética eloquente, de «inicio de obras» e ainda da redução do limite de velocidade de cinquenta para trinta, junto à Praça Gil Vicente.
Também já começaram a trocar sinais e sentidos de ruas (Rua Emília Pomar e Rua Romeu Correia), mas o pior ainda está para vir, como todos nós sabemos.
Só espero que este sacrifício dos almadenses valha a pena, que Almada se torne numa cidade melhor e que o cada vez mais famoso metro de superfície (pelas piores razões...) nos traga mais qualidade de vida.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Justiça Debaixo de Fogo


Se tivesse dúvidas de que os portugueses não confiam na nossa justiça, elas ficavam desfeitas com o desenrolar do processo complicado e delicado, que envolve o pretenso crime de sequestro e a condenação de um "pai-militar", a seis anos de prisão.
A comunicação social teve uma influência decisiva neste "acordar" generalizado das pessoas, ao dramatizar um caso, igual a tantos outros, que decorrem por este país fora (se exceptuarmos a pena do pai adoptivo, bastante exagerada...).
Todos nós sabemos que as razões do coração, por vezes afastam-nos da realidade, tiram-nos o discernimento e a capacidade de analisar os factos com a frieza necessária.
Provavelmente as pessoas envolvidas no processo já devem ter parado para pensar. Além de reviverem alguns dos seus actos, infelizes e repletos de erros (sim, este processo está cheio de erros, desde a forma como a mãe biológica entregou a filha, ao modo como os pais adoptivos e o pai biológico têm respondido aos inúmeros obstáculos que foram surgindo pela frente, nos últimos anos), devem ter consciência que a única pessoa que vai sair a perder com isto tudo, é uma menina com apenas cinco anos de idade, escondida algures, em parte incerta.
Há questões demasiado pertinentes que não têm sido trazidas para a praça pública, de uma forma clara. Por exemplo: qual era a ocupação da cidadã brasileira quando esteve entre nós; se a sua gravidez foi provocada por uma relação ocasional; se a mãe vendeu a criança aos pais adoptivos; se o pai biológico só accionou este processo, por causa do dinheiro que poderá receber de indeminização; desde quando é que o pai biológico quis ver a criança; porque razão os pais adoptivos não o permitiram, etc.
Este caso fez com que eu percebesse um pouco melhor como funciona a nossa justiça. Não acho que funcione mal, é sim, muito pouco flexível.
Os juizes fingem-se autómatos, como se fossem desprovidos de quaisquer sentimentos, restringindo-se apenas à lei. É preciso que os juizes se lembrem que além da sua função (demasiado séria e importante), também são seres humanos.
Quando isso acontecer, há casos que deixam de ser casos...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

O Primeiro Olhar


Como sei que nem todos os visitantes do "Casario" têm a possibilidade de fazer um "cruzeiro" fluvial entre Lisboa e Cacilhas, mostro-vos o edifício que se vislumbra com o nosso "primeiro olhar", assim que deixamos o cais de desembarque.
A fotografia nem é muito contundente, já que só mostra o aspecto exterior da antiga Leitaria "Estrela do Sul", propriedade do Estado - desta vez não há espaço para as desculpas habituais, os sempre úteis, proprietários desconhecidos dos imóveis abandonados...
Quem passar a poucos metros das janelas e portas franqueadas, vê uma autêntica lixeira, no interior do antigo café da família Mendes.
Concerteza que não será com estes exemplos, que conseguiremos cativar mais turistas para a Margem Sul....

terça-feira, janeiro 16, 2007

A Recepção de Turistas em Cacilhas


Apesar de saber que o gosto "arqueológico" de muitos turistas, leva-os a adorarem as nossas cidades em ruínas e ao abandono, fico sempre na dúvida, sobre o que realmente pensam, das terras e gentes lusíadas...
É por isso que pergunto: o que será que estes visitantes pensarão da Margem Sul, assim que desembarcam dos cacilheiros e pisam o Largo de Cacilhas (oficialmente Largo Alex Dinis)?
Não consigo encontrar respostas muito animadoras...
Ao olhar para a antiga Leitaria "Estrela do Sul" - a primeira coisa que salta à vista assim que se pisa terra -, completamente vandalizada, penso que pior cartão de visita, não deve existir por estes lados.
Se me desviar um pouco para o lado, encontro o Ginjal, que poderá dar a entender que existe por ali, qualquer centro de exploração arqueológica, por se encontrar tão despido de cor e de vida, mas apenas num primeiro olhar... mas se começa a caminhar, percebe-se que o abandono é recente, não tem nada de romano ou muçulmano...
É por isso que me interrogo: «será que as excelências do Município não sabem que Cacilhas continua a ser a porta que recebe mais turistas de visita ao Concelho de Almada?»

domingo, janeiro 14, 2007

A Blogosfera é uma Mulher


Na minha opinião a Blogosfera, embora seja assexuada, possui, cada vez mais, o perfume de mulher. Digo isto por sentir que falo de um universo maioritariamente feminino, sem estar sequer a pensar no género da palavra (do qual não existem dúvidas que é feminino).
Sei que esta opinião pode ser considerada polémica e até falaciosa, mas trata-se apenas de uma apreciação, sem estar baseada em nenhum estudo estatístico. Os únicos dados em que me apoiei foram a minha experiência enquanto "viajeiro" e "navegador" pelas estradas, caminhos, rios e mares da blogosfera.
A maior parte dos blogues que conheço são de mulheres; a maior parte dos comentários que recebo são femininos; a maior parte dos comentários que leio noutros blogues continuam a ser de damas, de múltiplos encantos e opiniões.
Não sei explicar de uma forma conclusiva porque razão é que isto acontece. Quanto muito posso atirar para o ar várias pistas, mas como já disse, não me atrevo a chegar a conclusões. Aí vão elas:
1.
Este universo está longe de ser considerado um feudo masculino (como tantos outros na nossa sociedade...), pelo que acaba por ser um terreno mais apetecível e aberto para as mulheres.
2. As mulheres partilham e falam com mais facilidade dos seus problemas pessoais, que os homens.
3.
Há uma tradição maior na existência de diários femininos que masculinos (mesmo nos nossos dias, há uma maior tendência de oferecer diárias às meninas, que aos meninos - a oferta comercial é nitidamente feminina).
4.
As mulheres possuem mais sensibilidade que os homens, para apreciar as pequenas coisas da vida. Isso leva-as a comentar e a escrever com mais naturalidade neste mundo aberto e livre.
5.
A poesia (existem blogues excelentes de poesia...) ainda é olhada em muitos sectores da nossa sociedade como uma coisa de mulheres.
Não me alongo mais. Fico à espera das vossas palavras sobre este tema aparentemente banal, que será, sem qualquer dúvida, enriquecido com a vossas opinião.
Este texto está ilustrado com as "Les Demoiselles d'Avignon", óleo de Pablo Picasso de 1907.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

A Avaliação na Função Pública

Preparava-me para sair de casa quando me senti quase seduzido pela conversa das funcionárias de limpeza do Município, que limpavam a minha rua e falavam das avaliações na função pública.
A afirmação de uma das mulheres foi sintomática: «Se o chefe não for com a tua cara, posso estar aqui de costas direitas, que tenho sempre melhores notas que tu. E se lhe fizer olhos bonitos, então, é que não tens a mínima hipótese...»
Esta visão feminina foi de uma clareza quase brutal.
Continuei a minha caminhava, perguntando aos meus botões: «Porque razão não confiamos nos nossos chefes?»
Vieram-me uma série de coisas à cabeça. A primeira foi que, provavelmente, a sua subida profissional não se deveu a uma maior competência, mas sim à capacidade de "bufar" e também à subserviência exagerada (ainda existe muito boa gente que parece ter coluna de contorcionista), ainda tão presentes no mundo do trabalho.
Também temos dificuldade em confiar em chefes, que têm a mania que são "garanhos", por sabermos que basta uma das nossas colegas passear junto dele de mini saia e com um decote apetecível, para que se derreta e fique a salivar (para não dizer outra coisa...), para ter melhor avaliação que nós.
A minha questão é esta: «É possível mudar este estado de coisas?»
Claro que é.
É preciso que as chefias na função pública se tornem mais competentes e profissionais. Só desta forma é que podem e devem exigir mais dos seus subordinados.
Mas ainda falta um longo caminho. Aquelas senhoras que conversavam à minha porta, sabem disso e parecem preparadas para a luta diária que se avizinha por aí...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Nostalgia pelos Campos Agricolas


Enquanto os grandes projectos da Almada do futuro não avançam, alguns espaços, quase abandonados, são utilizados por vários almadenses, que sentem uma grande nostalgia pela sua vivência campestre.
Estou a falar dos Morros de Cacilhas (junto ao moinho) e da Margueira (na encosta frente à Lisnave).
As searas destes agricultores urbanos, não variam muito: as batatas, as couves e outros legumes, têm sempre a primazia...
Acredito que o fazem mais por paixão que por necessidade.
Quem já teve o prazer de semear qualquer planta, de a ver nascer e crescer, e depois colher... sabe que fica sempre uma ligação especial a este ciclo de vida, tão simples e tão intenso...

sábado, janeiro 06, 2007

Almada no Estudo das Melhores Cidades

O “Expresso” realizou um estudo curioso, sobre as melhores cidades portuguesas para se viver, que devemos analisar com alguma atenção.
Começo por achar extremamente duvidoso que Lisboa seja a melhor cidade para viver, embora este estudo tenha assentado em vinte critérios diferentes, aos quais foram atribuídas notas (penso que de 0 a 100...) que oscilaram entre o valor máximo de 85 e mínimo de 0.
Mas o que me interessa abordar é a posição de Almada (34º lugar entre as cinquenta escolhidas) e algumas aspectos merecedores de reparo.
Se fizesse parte da equipa de propaganda do Município, destacava o 1º lugar, entre todas as cidades estudadas, no desempenho económico (70), desempenho esse aliado às novas tecnologias, à «economia do conhecimento» (com destaque na revista “Única”, onde foi apresentado o estudo).
Como não gosto de esconder o sol com uma peneira, acho que foram anunciados aspectos preocupantes sobre a nossa cidade neste estudo. Como por exemplo: os espaços verdes (35); a qualidade urbanística (35); o comércio (30); a relação com a água e a paisagem (35); o alojamento turístico (30); o património (30); e a qualidade dos espaços públicos (30).
De entre estes problemas focados há alguns que têm sido debatidos no “Casario”, como a relação com a água e a paisagem e a qualidade dos espaços públicos.
São dois problemas de extrema importância, que poderão ser resolvidos no futuro, com os projectos que existem para a zona do Almaraz e do Ginjal e para os terrenos da Lisnave (Projecto Almada Nascente).
Mas como se tratam de projectos a médio e longo prazo... não se devem esperar melhorias nos próximos tempos...
Só espero que o Município não embandeire em arco com o seu destaque no desempenho económico, esquecendo as notas negativas recebidas...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A Estrela de Famoso

A fama continua a ser uma faca de dois gumes, nos dias que correm.
Levantam-se inclusive várias questões. A mais pertinente é: «mas afinal o que é que é isso de se ser famoso?
Não é fácil responder a esta questão, por sabermos que existe quase uma indústria que vive da "invenção" de celebridades instantâneas.
A participação de qualquer "manjerico" num programa televisivo mediocre, é suficiente para que receba a "estrela de famoso" e passe a ser explorado, até ao tutano, pelas produtoras e revistas que se alimentam de banalidades.
Este processo é de tal forma artificial, que assim que estas pessoas começam a perder o brilho, são enviadas à remetência, como se nunca tivessem existido.
Outro aspecto curioso é a forma como esta gente vive os momentos de glamour. Muitos afastam-se dos meios onde cresceram e mudam-se para bairros fantasiosos, como se tivessem nascido de novo.
Felizmente, no meio de toda esta confusão, ainda há quem se torne famoso por ter talento...
Um destes exemplos são os "Gato Fedorento". Começaram a escrever textos, criaram um blogue, iniciaram-se na SIC Radical e só depois é que começaram a ser reconhecidos pelo seu talento.
Este quarteto foi escolhido como exemplo porque fiquei a saber, através de uma conversa com uma amiga, que ela foi colega de escola de Ricardo Araújo Pereira, o "gato" mais famoso do nosso país. Além de ter confirmado que o tipo nessa época já tinha piada e era completamente maluco... alguns professores é que não achavam muita graça, disse que ele não tinha mudado quase nada.
A Marta embora não conheça o seu dia a dia, acha que ele se está borrifando para a fama e continua a relacionar-se com alguns dos seus amigos de infância, até porque precisa de estar em contacto com o mundo, ouvir anedotas e histórias sobre as personagens do nosso país.
Com um sorriso nos lábios, confidenciou-me que o bigode farfalhudo que o Ricardo usa num dos seus bonecos, fica-lhe a matar...
Com isto tudo, ficámos na mesma. «Mas afinal o que é que é isso de se ser famoso?»

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Como nos Tratam da Saúde em Almada...

Tudo o que o senhor ministro da saúde diz na televisão, soa-me a "tanga". Porque as suas teorias estão sempre a léguas da prática.
Podia dar vários exemplos, desde o preço dos medicamentos, as comparticipações do estado, ao fecho de urgências e maternidades dos hospitais, etc.
Quase pela surra, foram fechadas algumas unidades de saúde em Almada e alterados os horários do seu funcionamento (como foi o caso da Cova da Piedade e o SAP, que deixou de o ser, uma vez que agora fecha às 20.00 horas).
Depois de este senhor falar, nos seus primeiros tempos, de descentralização, da necessidade de não enchermos os hospitais, etc, está a apostar de novo na concentração. E com o fim do serviço permanente deste posto entre Almada e Cacilhas... resta-nos o Hospital Garcia de Orta, pela noite dentro.
Estas medidas são de uma cobardia política, que não deve ser silenciada.
Infelizmente, é graças a políticos destes que o país se encontra nesta situação de crise permanente.
Agora imaginem a confusão das pessoas que passam diariamente por este ex-SAP ( sei do que estou a falar porque estive lá ontem e esperei mais de duas horas, para ser mal atendido por um médico, que de certeza, se enganou na profissão. Lembrei-me a tempo de levar um livro para ler, cuja leitura acabou por atenuar estas vicissitudes...), que andam de fila em fila, de espera em espera... para serem atendidas por médicos, que já perderem há muito, o hábito de olhar os doentes nos olhos.
Quem acaba por ouvir as nossas reclamações e o nosso descontentamento, são os funcionários, também eles vitimas de um sistema, sempre em mudança, que todos sabemos como irá acabar: com o fim do Serviço Nacional de Saúde. Falta saber apenas quando...
Obrigado Senhor Ministro!
Ao menos que consiga poupar os tais milhões, com esta política, que pese o exagero, mais parece a favor da degradação humana e da morte, que da dignidade e da vida, de todos nós.

domingo, dezembro 31, 2006

Desejo Para o Casario do Ginjal


Este desejo de final de ano é mesmo para o verdadeiro Casario do Ginjal...
Era bom que a Câmara Municipal de Almada, a Administração do Porto de Lisboa e os proprietários de todo o casario abandonado, do Ginjal - cada vez mais em ruinas -, chegassem a acordo e decidissem, de uma vez por todas, "lavar a cara" e tornar toda esta zona num lugar aprazível para quem vive e também para quem visita o Ginjal.
O Tejo e os Guardadores das Margens do Rio agradecem...
Curiosamente este último dia do ano coincidiu com o meu centésimo "post" neste "Casario do Ginjal". Trata-se de uma mera coincidência, que registo com agrado.

sábado, dezembro 30, 2006

O Anonimato na Blogosfera


Eu tinha pensava escrever sobre o anonimato na blogosfera, só daqui a uns dias, mas acabei por reconsiderar. Porquê? Porque o tema é pertinente e não deve ser adiado.
Segundo a minha perspectiva, o anonimato da blogosfera deve ser dividido em duas partes completamente distintas.
A primeira refere-se à identidade dos donos dos blogues. Pelo minha experiência de "viajante bloguista", noto que a maior parte das pessoas escolhem um pseudónimo como elemento identificativo, preservando a sua verdadeira identidade.
Embora tenha optado por utilizar o nome próprio, não vejo mal nenhum em se usar qualquer outro nome ou mesmo iniciais. Não é isso que faz com que deixem de ter personalidade própria e defendam os valores e as coisas em que acreditam. Quem utiliza um pseudónimo tem duas vantagens muito importantes: maior liberdade de acção e um campo critico mais vasto nos seus "posts".
A minha opção pessoal obriga-me a ser mais comedido, porque além de ser alvo de uma maior exposição, estou sujeito a ter de "pagar" um preço pelo que digo, quando abordo temas polémicos, que envolvem segundas e terceiras pessoas (por exemplo, sei que no Município de Almada há quem não perdoe a minha pertinência no "Casario"...).
A segunda parte do anonimato, que tenho obrigatoriamente de referir, diz respeito aos comentários e aos comentadores. Este campo de acção é mais perigoso e faz com que algumas pessoas se defendam da gente mal formada que utiliza o espaço dos comentários para insultar e levantar suspeitas sobre os donos dos blogues (sei do que falo porque também já fui vitima de um cobarde que fez com que acabasse com os comentários anónimos nos meus blogues) e sobre quem comenta.
Mas estes problemas são próprios da liberdade (para alguns excessiva...) que existe na blogosfera.
Em jeito de conclusão, não vejo qualquer inconveniente em as pessoas utilizarem um pseudónimo nos seus blogues. É uma forma de se defenderem de possíveis represálias e até de visitantes obscuros que gostam de virar de pernas para o ar os comentários. Em relação a estes senhores que se escondem no anonimato e escolhem várias "caras" para espalharem veneno, como "cobras cuspideiras"... não deixam de ser um produto da tal liberdade, que existe, felizmente, na blogosfera.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

As Relações na Blogosfera

Quando alguns amigos me colocam questões sobre a blogosfera, percebo que sentem mais curiosidade em saber quem está do lado de lá, como se processam as relações, que nos seus conteúdos.
Penso que isso acontece porque já conhecem o que é divulgado nestes diários ou semanários pessoais, e também por saberem que este é um dos meios mais fáceis para publicar aquilo que queremos e que, muitas vezes, nunca tivemos coragem para divulgar (isto acontece sobretudo nos blogues sobre poesia, que são cada vez mais e com bastante qualidade).
Como disse anteriormente, uma das coisas que vêm logo para a mesa, é quem são as pessoas que escrevem e que espécie de relação existe entre elas, porque é notória a fidelidade nos comentários dos blogues.
Claro que é difícil estabelecer padrões numa coisa tão gigantesca e com uma temática tão diferente.
Em primeiro lugar, todos nós temos amigos com blogues, e é normal que os visitemos e deixemos algumas palavras, por graça e por gosto. Isto explica em parte a questão da fidelidade.
Por outro lado, acho que não é preciso conhecermos as pessoas pessoalmente para criarmos laços de amizade e de admiração sobre o que dizem. Isso sempre aconteceu nos meios artísticos e literários. Por exemplo, quando gostamos de um livro, temos tendência a ler toda a obra desse autor, criando obviamente alguma empatia com o escritor ou escritora. Nos jornais acontece a mesma coisa. Quando gostamos de um cronista, somos capaz de comprar uma revista ou jornal, só para ler as suas palavras.
É por isso que considero perfeitamente natural visitar alguns sítios, quase diariamente. Até porque há quase sempre interacção nas visitas que fazemos e isso vai criando alguns laços, reforçados pela empatia e admiração que existe sobre o que elas escrevem e sentem.
Claro que isto tem pano para mangas...
Prometo voltar brevemente ao tema, com outra questão pertinente abordada frequentemente: o anonimato na blogosfera.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Dar Largas à Imaginação


O "Diário de Notícias" lançou hoje um desafio aos seus leitores: O que fazer para 2007 ser um ano melhor?
Só pode ser entendido como uma brincadeira, onde se pode discretear sobre o que nos apetecer (conforme consta no convite...).
O problema é que depende muito pouco de nós fazermos de 2007 um ano melhor...
Claro que não estou a falar no civismo, na protecção do ambiente que nos rodeia e nas várias questões familiares que enfrentamos diariamente, que aí sim, podemos marcar a diferença e contribuir para que o Ano Novo seja melhor.
Estou falar da governação, dos "homens do leme", que têm revelado vezes de mais, parcos conhecimentos de "navegação", para nos levaram a bom porto...
Estou a falar da ausência de qualquer ponta de humanismo dos grandes capitalistas, que fecham fábricas a torto e a direito, sem se preocuparem com o rasto de pobreza e miséria que deixam para trás, porque a única coisa que lhes interessa é o "vil metal".
É por isso que digo que os senhores da direcção do "DN" são os brincalhões...

terça-feira, dezembro 26, 2006

Um é Mais que Zero

Estou convencido de que a maior virtude da época natalícia é ser um espaço de reunião e convívio entre as pessoas.
Vou mesmo mais longe, se não existisse o Natal estávamos anos sem falar com familiares e amigos de quem gostamos, porque a "vida" está sempre a criar distâncias e barreiras entre nós, levando-nos, por vezes, para países diferentes e distantes...
Até mesmo um simples telefonema ou uma mensagem, é melhor que nada. E provavelmente, se não existisse o Natal, não seria feito...
É por isso que digo que um é sempre mais que zero, mesmo que a religião seja relegada para quarto ou quinto lugar, ou que o Menino Jesus e o Pai Natal não passem de meros figurantes de uma festa, que pode e deve ter os significados que quisermos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Boas Festas


Desejo um Feliz Natal e um excelente Ano Novo (este 2006 deixou muito a desejar a grande parte dos portugueses...), para todos os frequentadores deste "Casario", especialmente para os habituais comentadores, cujas palavras são o melhor estímulo para continuar atento a tudo aquilo que rodeia o Ginjal...

terça-feira, dezembro 19, 2006

A Beleza Feminina

Eu sei que o "Casario" tem sido um lugar demasiado temático, afastando-se poucas vezes da Margem do Tejo. Foi uma opção inicial, embora saiba que de vez em quando é bom mudar de "disco"...
Apesar de alguns "blogues" - mesmo sabendo que o objectivo principal é provocar a malta, não é Isabela? -, tentarem esbater algumas desigualdades reinantes, têm feito com que perceba com nitidez que o mundo continua a ser pintado (não dominado, porque no fundo as mulheres sempre nos dominaram, embora no tempo dos nossos avós e pais, fosse tudo mais subtil...) com as cores masculinas, como o azul, o cinzento e o castanho...
Falo em cores como podia falar em desenhos e quadros, que continuam muito iguais, se os compararmos com outros tempos.
Estou a referir-me à mulher-objecto que continua a fazer furor e atinge os patamares mais altos, nos mundos da moda e da publicidade. Pois é, quem diria que para se vender um carro, ainda é preciso despir quase uma mulher (que é sempre um carrão...).
Esta procura da beleza feminina acaba por influenciar comportamentos, com a cumplicidade da própria mulher.
Ao olhar uma jovem almadense, bonita, que ainda não atingiu os quarenta anos, notei que perdera a luminosidade no olhar e até a beleza corporal. Estava mais magra e descuidada. Quase que me apeteceu dizer-lhe: «Cresceste, deixaste de ser uma boneca...».
Apesar de muitas mudanças na sociedade - e de se ter inventado uma coisa estranha, que chamam "metrossexuais"... -, ao homem continua a não ser exigido o mesmo patamar da beleza feminina.
O melhor exemplo é o facto de podermos engordar e haver sempre alguém que ache a nossa barriguinha sexy. Podia dizer o mesmo em relação ao cabelo começar a branquear e a cair. Até há uma canção que diz que é dos carecas que elas gostam mais, embora esta não seja tão convincente, até para alguns homens, que não dispensam o capachinho...

sábado, dezembro 16, 2006

Contra a Corrente

Raramente concordo com as opiniões de Pulido Valente e Pacheco Pereira. Exageram sempre, quando se tentam demarcar da "opinião geral".
Em jeito de piada, até escrevi num dos meus cadernos, que não sabia, como é que tanto um como o outro, ainda não tinham sido apanhados a circular em sentido contrário, em qualquer autoestrada do nosso país...
Aliás, aquela sua vontade imensa de contrariar o senso comum, é de tal maneira exagerada, que os obriga a dizerem autênticas barbaridades (especialmente o Valente, muito pouco Pulido quando lhe dá para inventar...). Mas na sua crónica de ontem, o Vasco falou muito bem sobre a corrupção no nosso país. Quando ele diz que, «A corrupção no futebol é, além disso, a corrupção mais popular. Não a mais grave, não a mais comum, nem sequer, coitada, a mais prejudicial. Os "negócios" fazem coisas com que nunca sonhou o pior aldrabão do futebol. Mas fazem o que fazem discretamente, sem um nome à vista e em operações tão complicadas que ninguém percebe», retrata bem este país, cheio de gente que tem enriquecido, sobretudo à custa do próprio Estado.
Histórias sobre os dinheiros que vieram da Europa, existem quase para todos os gostos. Algumas envolvem ministros, outras banqueiros, mas a maior parte tem como actores principais, empresários, especialmente da construção civil, que tiveram no cavaquismo, a sua "galinha dos ovos de ouro"...
É por isso que estranho que o Pacheco Pereira ataque tanto o futebol e se esqueça destas negociatas, feitas nas suas barbas, quando era um dos guardiões do cavaquistão.
É pena que muitos dos que sabem destes episódios não sejam mais concretos (inclusive jornalistas)...
Pulido Valente até conseguiu terminar a sua crónica de uma forma brilhante: «A Corrupção no futebol é uma ínfima parte da corrupção geral do país. E serve sobretudo para a esconder.»

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Lugares da Margem Sul

Descobri à pouco tempo o pintor João Vaz (1859-1931), um setubalense que pintou de uma forma especial as margens do Sado, do Tejo e do Atlântico.
Encontrei diversos óleos da Margem Sul... o maior problema é identificá-los, colocá-los no seu verdadeiro sitio.
As coisas mudaram muito nos últimos cem anos, nas margens do Tejo (embora não se note muito), pelo que são compreensíveis, algumas das minhas dúvidas.
Por exemplo o quadro que reproduzo com o título "Rio Tejo", pintado nos finais do século dezanove, poderá ilustrar as Margueiras e o Caramujo (onde se encontram hoje a Lisnave e a Cova da Piedade), onde já existia alguma indústria, como se pode ver pelas chaminés, especialmente ligada à cortiça...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

As Conversas são Como as Cerejas...

Quase, de ano a ano, encontro-me com um amigo especial, jornalista desportivo e um grande contador de histórias sobre essa gente que anda por aí na ribalta do mundo do futebol (dirigentes, árbitros, treinadores, futebolistas e até jornalistas...).
Claro que a maior parte destas histórias sempre foram, e são, dificeis de provar. Os corruptores e corruptos além de andarem quase sempre de mão dada, mentem com os dentes todos (esta deve ser a maior dificuldade da investigação...) e, imaginem só, nos últimos anos até aprenderam a falar em código...
Foi por isso que nós, desta vez, desviámo-nos dos "apitos" e falámos de coisas mais "filosóficas", como a irracionalidade dos espectadores que ainda vão aos estádios (são cada vez menos...), capazes de querer ganhar com um "penalty" fantasma ou com um fora de jogo demasiado visível, que escapou ao olhar do fiscal de linha. E pior ainda, ficam satisfeitos com as agressões à margem das leis, que colocam em causa a integridade fisíca do adversário, dizendo com um sorriso nos lábios: «estavas a merecê-las, cabrão!».
Como devem calcular, não conseguimos chegar a conclusão nenhuma, sobre estes problemas de irracionalidade futebolística...
Depois de almoçarmos em Cacilhas, demos uma volta pelo Ginjal. Foi então que em tom jocoso nos referimos à Carol, novel escritora, que bem podia entrar para o "guinesse", como a única moçoila de programa nocturno, que foi recebida em audiência pelo Papa...
Ao passarmos por uma janela de grades, o Tozé disse: «se a justiça funcionasse, grande parte destes gajos que foram e são dirigentes desportivos, nos últimos vinte anos, estavam presos...»
Eu repliquei: «então, e os outros?»
Pois, ele estava a esquecer-se dos empresários peritos em falências fraudolentas; dos gestores públicos reis das gestões danosas; dos autarcas com preço escrito a marcador na testa; dos contabilistas especialistas em jogos "como enganar o fisco", etc.
A única conclusão que chegámos foi que se a justiça portuguesa funcionasse, não havia prisões que chegassem...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

A Arrábida é um Lugar Especial



A Serra da Arrábida é um lugar cuja beleza é única no nosso país.
Não digo isto apenas por estar encostada ao Oceano e ser um miradouro fabuloso; por possuir uma flora rara, curta e densa (que dificulta bastante a progressão, fora dos caminhos...); mas sim por guardar inúmeros segredos e mistérios, que fabricaram várias histórias curiosas ao longo dos anos e nos permitem dar passeios recheados de aventuras, pelos seus caminhos estreitos, que nos levam à descoberta de fendas, grutas, ruinas, enquanto descemos na direcção das suas pequenas praias rochosas, cuja água transparente e profunda, é mais fresca que o habitual.
O ar que se respira, também é mais forte, graças à feliz conjugação entre o Mar e a Serra...
É por isso que me faz muita confusão esta teimosia socrática em utilizar a cimenteira de Outão (que está ali a mais, desde sempre...) como central de co-incineração.
Como é óbvio, tenho de me juntar ao numeroso coro descontente e dizer: «Co-incineração em Outão, Não!»
Este texto está acompanhado de um bonito óleo do pintor naturalista João Vaz (1859 - 1931), natural de Setúbal, que tem o nome de "Forte de Outão", pintado no final do século XIX.

sábado, dezembro 09, 2006

Mar Alto na Costa de Caparica

O mar da Costa de Caparica tem-se excedido nos últimos dias, gerando o pânico nas zonas mais baixas e desprotegidas rente à praia (quase engolida pela fúria das ondas...).
Como já é hábito, S. João de Caparica é o primeiro alvo da linha de ataque traçada pelo Oceano, que consegue explorar muito bem as suas fragilidades.
Provavelmente para chamar a atenção da acção humana, muito mais devastadora e complexa que a sua revolta, quase natural, nesta época do ano...

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Vidas com e sem Poesia



A tendência de tentarmos decifrar os mistérios do mundo segundo os nossos pontos de vista é perfeitamente natural, o que não quer dizer que estejamos certos...
É bom perceber, por exemplo, que há quem viva de costas voltadas para o Tejo, e não sinta a sua falta para nada, tanto em Lisboa como em Almada.
Foi por isso que quando ouvi alguém dizer mal dos Açores, não fiquei chocado - embora tenha expressado a minha opinião.
Sinto que há pelo menos três permissas, para se gostar do Arquipélago: gostar do Mar; adorar os campos verdes e floridos; e sobretudo, ter alma de poeta...
Quando eu disse que adorava os Açores, e que nem sequer me importava de lá viver, a pessoa em causa arranjou outro argumento. Começou a dizer que se comia mal nas Ilhas... lembrei-me imediatamente de alguns excelentes restaurantes do Fayal, São Miguel e Terceira...
A única coisa que deixei escapar, foi que, podemos comer bem ou mal em qualquer parte do mundo, é apenas uma questão de escolha...
Desta vez abriu a boca apenas para engolir em seco, à espera que alguém mudasse de assunto...

terça-feira, dezembro 05, 2006

O Dragoeiro de Cacilhas

Quando rebuscava alguns papeis, descobri uma fotografia com história, datada da Primavera de 1997. Estou a falar do retrato do Dragoeiro de Cacilhas.
Esta árvore seria retirada algum tempo depois, da Rua António Feio, com destino ao Jardim Botânico da Cidade, na Casa da Cerca...
Infelizmente este cacto exótico - da família dos dragoeiros, originários das Canárias -, depois de uma longa permanência nas traseiras de alguns prédios de Cacilhas (segundo os entendidos, tinha mais de duzentos anos...), acabou por não se dar bem com os ares do Jardim Botânico e morreu, lentamente ...
Penso que o seu "esqueleto" (o tronco e os braços...) ainda se mantém no jardim, para quem quiser imaginar a grandeza desta árvore exótica, cuja beleza pode ser testemunhada através desta minha fotografia, tirada no lugar onde nasceu, cresceu e viveu, durante longos anos...

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Um Mundo Cheio de Barreiras e Obstáculos

Tenho alguma alergia aos dias mundiais, internacionais ou nacionais do que quer que seja, porque são sempre aproveitados por um número incontável de demagógicos e hipócritas, que adoram espreitar e falar para as câmaras e microfones. Prometem mil e uma coisa, no ano seguinte, fazem a mesma coisa... com o mesmo sorriso nos lábios e a mesma "falsa" boa vontade.
Vou abrir uma excepção e falar do dia dos deficientes, quase sempre tão mal tratados e amados no nosso país. Apesar de darem provas de serem uns grandes campeões (e não estou a falar apenas das suas proezas olímpicas), no dia a dia, tal é a força de vontade com que lutam diariamente contra todas as barreiras e obstáculos colocados em lugares chave das suas vidas.
São esquecidos e ignorados nas ruas, nos prédios, nas escolas, nos centros de saúde, nas repartições públicas, etc, como se não existissem, ou os seus lugares se confinassem às suas casas...
Almada, além de ter os passeios mais desnivelados e esburacados que conheço, é uma cidade cheia de obstáculos e perigos, para quem anda de cadeira de rodas.
É por isso que me apetece gritar: «Já chega! Basta de palavras vãs e sem sentido! Parem e olhem para todos os lados!»

sábado, dezembro 02, 2006

Dezembro Trouxe o Frio


Dezembro rasgou Novembro do calendário e trouxe o frio e a chuva... para não nos esquecermos que este mês não é só das luzes decoradas com estrelas, velas, anjos e árvores de Natal... é também do Inverno, que pode ser do nosso contentamento ou descontentamento...

quinta-feira, novembro 30, 2006

O Fascínio da Pesca


Não tenho dúvida que os pescadores são os melhores companheiros do Ginjal, pelo menos nestes tempos de abandono e de placas intimidatórias...
Nem sequer sei se existe muito peixe na nossa margem do Tejo. Existe sim o prazer em "dar banho à minhoca" (adoro esta expressão), dos pescadores de todas as idades, e às vezes algumas mulheres, também de diferentes idades, entretidos na pescaria e na contemplação das águas do rio que banha o Ginjal.
Houve uma altura que pensei em experimentar esta actividade, por a achar poética. Claro que se o fizesse, teria de levar um caderno ou bloco, misturado com os apetrechos de pesca, para registar aquelas coisas que surgem, de momento. Acabei por não experimentar...
Por falar em pesca e pescadores, lembrei-me de um cacilhense, que não passava sem as suas pescarias no Tejo, mas como não gostava de peixe, oferecia todo o seu pescado aos companheiros de pescaria ou à vizinhança. Falo de Jaime Feio, uma grande figura da cultura almadense, do século XX.

terça-feira, novembro 28, 2006

Avenida Sul do Tejo

Já falámos mais que uma vez, do sub-aproveitamento que se tem feito de toda a Margem Sul, especialmente do espaço entre Cacilhas e a Trafaria.
É por isso que achámos importante referir aqui a existência do opúsculo "Avenida Sul do Tejo, Cacilhas-Trafaria", publicado em 1933, da autoria de Agro Ferreira (1879-1943), um grande empreendedor e defensor do desenvolvimento da Outra Banda, que exerceu as funções de vereador no Município de Almada.
Nestas páginas Agro Ferreira diz com entusiasmo: [...] «Uma avenida que, partindo de Almada, fosse até à Trafaria, transformava magicamente a perspectiva inteira do porto. Dava, em pouco tempo, uma outra vida e uma outra animação ao rio. Modificava em meia dúzia de anos, e com todas as vantagens, a própria fisionomia da capital do País.[...]»
Mas vai mais longe: [...] «Só quem não tenha entrado a barra, a bordo dalgum transatlântico é que desconhece a impressão humilhante de ver desaproveitada a margem sul do Tejo, a "margem interdita". É uma vergonha, com franqueza!... [...]»
O único comentário que nos apraz registar é este: Passados setenta e três anos a vergonha continua...

segunda-feira, novembro 27, 2006

Os Poetas são Imortais



Mário Cesariny despediu-se ontem de nós,
mas a sua poesia e a sua arte

vão continuar presentes
durante longos anos...
porque os poetas são imortais...




A pintura que ilustra esta pequena homenagem a Mário Cesariny de Vasconcelos (1923 - 2006) é da sua autoria.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Poesia Amável


«Se não tivesse sido a esquadra americana, que fez esgotar a cerveja na cidade, eu não teria ido à outra banda beber um fino... Não nos teríamos encontrado, por conseguinte.
Mas, também, se o teu isqueiro não se tem avariado e a tua voz não fosse - até na adversidade! - manselinha (« - Por favor...» Nas comissuras dos lábios, tanto destino cruzado! « - Muito obrigado, Senhor...») sequer teria reparado em ti...
Qual é a explicação da tua voz? Herdaste-a de teus pais? De teus avós? De que Senhora Aónia és descendente?
« Poeta desempregado...» espalham para aí os teus. Mas se não fosse um poeta... quem te houvera de amar, ó minha feia? E empregado... como é que eu poderia, às quatro horas - numa quinta-feira - estar, digam-me lá, na outra banda?
Os marujos... e se eles eram cupidos... (crescidos, americanos, vestidos à marinheira...) que nos feriram com uma seta, teleguiada certeira...
.........................................................
Foram as manobras da NATO...
Foi um isqueiro empanado...
Foram as voltas do Mundo...
Foi uma loucura (dizem os amigos)
... que engendrou - cegamente - o nosso encontro em Cacilhas.
Coisa tão bela e absurda como o aparecimento do homem!
Este poema prosaico de José Fernandes Fafe, chama-se "Metafísica do Encontro" e faz parte do seu livro "Poesia Amável", que deu o título a este "post", a pensar também no José do Carmo Francisco, poeta e amigo dos grandes, que me fez chegar esta viagem de um outro poeta a Cacilhas...

quarta-feira, novembro 22, 2006

O Vinho do Ginjal


Um das indústrias que floresceram no Ginjal, no seu período áureo, foi o armazenamento e distribuição de vinhos, dos quais ainda existem alguns vestígios na Quinta da Arealva.
É por isso que a fotografia que ilustra este texto tem de ser considerada uma preciosidade, com uma carrinha volkswagen a fazer publicidade ao "Vinho do Ginjal", na longínqua Vila de João Belo, em Moçambique, quando este ainda fazia parte do nosso território ultramarino...
A publicidade não engana (até rima...): «Se aprecia bom vinho prefira Ginjal, é do melhor que produz Portugal.»

domingo, novembro 19, 2006

Dores do Povo Português


Este ano tem sido um ano muito proveitoso para mim, especialmente por ter ficado a conhecer algumas partes ocultas de pessoas que me eram relativamente próximas.
Percebi que somos realmente um povo dorido (e nem estou a falar dos frequentadores crónicos dos Centros de Saúde do nosso país...), que sofre muito, da maneira mais parva e estúpida...
Além das dores nas costas, das dores de cabeça e de dentes... sofrem especialmente de dor de Corno e de dor de Cotovelo...
Este "povinho dorido" consegue transformar a sua pobre vidinha numa encruzilhada, refém da inveja, da hipocrísia, do cinismo e do despeito, em relação aos outros.
Uma das frases mais secas e brilhantes, que li, sobre este tipo de gente, foi dita por José Miguel Júdice, numa entrevista ao extinto e brilhante "DNA", de Pedro Rolo Duarte, de 22 de Abril de 2005. Ele dizia assim:
«Nós gostamos de dizer mal pelas costas e bem pela frente. Nós gostamos de ser amigos de toda a gente e de não gostar de ninguém. Nós gostamos de ser manhosos e, passe a palavra, gostamos de ser merdosos. E eu não gosto disso. É um lado da alma portuguesa que me irrita profundamente.»
A mim também me irrita profundamente, José Miguel Júdice, mas temos de levar com eles...
Este texto está ilustrado com o "Segredo", uma bonita escultura do mestre Lagoa Henriques.

sábado, novembro 18, 2006

O Teatro de Romeu


O Movimento Associativo de Almada escolheu o Salão de Festas da Incrível Almadense para evocar a vida e obra de Romeu Correia.
Alexandre Castanheira foi o guia perfeito da viagem efectuada desde os seus tempos de menino no Ginjal até aos seus últimos tempos, com a utilização de textos da sua autoria e de amigos do mundo das letras.
No final o Cénico da Incrível interpretou dois quadros de uma das suas peças, para satisfação de todos os presentes.
Esta excelente interpretação foi ao encontro das palavras de Fernando Barão, que levantara a questão de os grupos de Almada não levarem aos palcos as peças de Romeu. Questão reforçada por Alexandre Castanheira e por Carlos Alberto Rosado, que lançaram o repto de 2007 ser o ano do Teatro de Romeu Correia em Almada, com a exibição de várias peças da sua autoria pelos actores e encenadores do concelho.
Esta homenagem foi ilustrada com uma exposição de fotografias, recortes de jornais, capas de livros, cartazes de peças exibidas e também de uma verdadeira peça de museu: a cópia do auto de apreensão do seu primeiro livro de contos, "Sábado Sem Sol", pela PIDE (apesar dos seus esforços só apreenderam cinco livros...) nas bibliotecas da Academia e Incrível Almadense, que ilustra este texto.
Nota: A presença dos familiares directos de Romeu (filha, neto e genro) nesta evocação merecida contrastou com a ausência de qualquer elemento em representação do Município. Não deixa de ser triste a forma como os nossos autarcas tratam a memória de Romeu, tão bajulado e utilizado politicamente em vida, pela mesma força política que agora prima pelo silêncio e pela ausência...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Romeu Correia Homenageado em Almada


No dia em que se comemora a data do nascimento de Romeu Correia (17 de Novembro de 1917), três colectividades de Almada - Incrível Almadense, Academia Almadense e Farol -uniram-se para homenagear o almadense, que melhor soube transpor para o papel as histórias da sua terra, como romancista e dramaturgo.
Claro que a vida de Romeu não se resumiu ao mundo literário.
Foi um grande desportista, que fez parte de uma geração fantástica de atletas almadenses, donde se destacaram Francisco Bastos e António Calado, ambos campeões, recordistas nacionais e atletas internacionais. Foi um grande associativista, com uma predilecção natural para a sua Academia. Foi um democrata assumido, mesmo quando tal era proibido. E foi sobretudo um grande apaixonado pela sua terra.
A fotografia que ilustra este texto foi tirada no miradouro, onde hoje se encontra o elevador. Lugar onde o ouvi contar histórias maravilhosas sobre as suas aventuras de rapaz no Ginjal...

quinta-feira, novembro 16, 2006

Fonte da Pipa


A chuva que continua a cair de Norte a Sul, deu-me vontade de falar de um monumento do século XVII, na zona do Ginjal, construído para aproveitar uma das nascentes de água que se perdiam, misturadas com o Tejo. Estou a referir-me à Fonte da Pipa.
A Fonte da Pipa fica situada entre o Ginjal e o Olho de Boi, junto ao espaço ajardinado onde foi erguido o moderno elevador, à beira rio.
O chafariz reconstruído recentemente foi inaugurado em 1736, no reinado de D. João V.
Apesar da sua proximidade com o rio, a água tinha muita boa qualidade e além abastecer a vila de Almada, dava apoio a muitos dos navios que aportavam em Lisboa e enchia ainda o lavadouro público, na sua parte inferior.
Hoje é apenas um monumento, já sem a função de chafariz de quatro bicas...

terça-feira, novembro 14, 2006

Nevoeiro no Ginjal


Pois é, parece que o nevoeiro veio para ficar, para as bandas do Ginjal...
Dias como o de hoje, com neblina de manhã à noite, são raros. Normalmente quando se aproxima a hora do almoço, o Sol enche-se de brio e expulsa o nevoeiro para longe... Depois brilha com mais intensidade, como se gritasse vitória perante o "feitiço" cinzento...
Quem costumava aproveitar estes dias fechados era o meu amigo Fernando, quanto ainda tinha a sua ourivesaria em Cacilhas. Pegava na máquina fotográfica e saia para a rua, na direcção do Cais do Ginjal, à procura de bons motivos para disparar a sua "reflex", agradecido pelos "efeitos especiais" destes dias mais sonoros, graças às buzinadelas de aviso dos Cacilheiros - ainda sem radar- durante as travessias do Tejo...

segunda-feira, novembro 13, 2006

Da Azinhaga à Babilónia



A proximidade do Natal faz com as principais editoras apostem no lançamento de novas obras dos seus escritores mais mediáticos.
António Lobo Antunes e José Saramago não escapam a estas encomendas, que significam mais vendas e mais dinheiro (sim, nisto dos livros, também há quem ganhe bom dinheiro...) por se tratar de uma época de consumismo, em que há o bom hábito de se oferecerem prendas.
Apesar de se tratarem dos nossos escritores mais próximos da Lua, estou à vontade para dizer que ambos estão longe de serem os mais lidos (apesar do seu sucesso nas vendas) no nosso país.
Digo isto porque conheço a sua prosa difícil, mesmo para leitores experimentados, o que me leva a imaginar os "amadores" na leitura a ficarem-se pelas primeiras páginas e a espreitar o fim...
A explicação do sucesso das suas vendas? Os seus livros são uma espécie de "bibelot", que segundo consta (provavelmente nas revistas rosa frouxo...) dá algum estatuto intelectual ter na estante...
Embora ache a literatura de Lobo Antunes superior, estou mais inclinado para comprar "As Pequenas Memórias", que "Ontem não Te Vi na Babilónia", por uma razão simples, gosto bastante deste género de livros de memórias. E este tem a particularidade de que nos ajudar a conhecer um outro país, dos anos trinta, quarenta.
Pelo que tenho lido nas críticas e também nos "doces" pré-publicados, o doutor António está a caminhar para terrenos perigosos, com demasiados espelhos á sua volta. Nem mesmo o facto de colocar Pragal no mapa, me desperta curiosidade de espreitar Babilónia...

sexta-feira, novembro 10, 2006

Outra Placa Intimidatória...


Não gosto nada de placas intimidatórias e tenho algum medo do que possa vir a seguir...
Talvez sejamos mesmo proibidos de passear pelo Ginjal, porque é mais fácil fechar o passeio ribeirinho ou colocar um guarda, que "lavar a cara" (mesmo que fosse à gato...) e cuidar das casas em ruínas abandonadas.
Todos aqueles que conhecem o Ginjal sabem que as suas casas e armazéns têm a altura de apenas dois pisos (rés de chão e primeiro andar). Pela minha experiência pessoal (ainda ontem passeei pelo velho paredão do Ginjal...) noto que há exagero do Município neste acumular de placas ao longo do passeio ribeirinho.
Não pretendo branquear esta situação, cuja degradação começa a ser bastante preocupante. Mas mantenho, que este perigo de desmoronamento é relativo, e poderia ser rapidamente solucionado com os mesmo tijolos e cimento, com que construiram um muro, nos lugares em pior estado...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Muitos Meses Depois Fez-se um Muro...


Toda a gente sabia que uma comunidade romena (composta por profissionais da mendicidade) tinha ocupado alguns dos armazéns abandonados do Ginjal...
Neste grupo de "toda a gente" encontrava-se o Município, a Junta de Freguesia, as Autoridades Policiais (PSP e Polícia Marítima), os Bombeiros, e claro, a população almadense...
Finalmente, muitos meses depois, as Autoridades abriram os olhos e resolveram por termo a esta situação degradante (como devem imaginar, as cerca de seis dezenas de emigrantes viviam sem condições mínimas de habitabilidade, já que água, luz ou saneamento só existiam em sonhos. A única companhia certa que tinham era o lixo que já por ali estava e o que trouxeram e fizeram...).
Segundo as notícias de hoje, tratou-se de uma acção conjunta entre o Município e as várias autoridades, acabando com a transfiguração do Ginjal em "vila" de emigrantes clandestinos. Os "ocupas" foram identificados e convidados a partirem para outras paragens, num espaço de vinte dias...
Claro que esta viagem anunciada pode ser apenas de alguns quilómetros (ou nem tanto...), porque barracões não faltam por ai, ao abandono... e daqui a vinte dias já ninguém se lembra de nada.
Feio, feio é o muro que foi erguido no Ginjal, a lembrar outros muros da vergonha...

terça-feira, novembro 07, 2006

Outono em Cacilhas


Esta fotografia não passa de um "postal" festivo (dia 1 de Novembro), em que as pessoas aproveitam para sair à rua, para ver ou acompanhar a procissão da Nossa Senhora do Bom Sucesso.
A presença de vendedores em Cacilhas faz com que juntem o útil ao agradável e comam uma fartura ou uma dúzia de castanhas assadas, admiradas com o cheiro a povo que invade a antiga Rua Direita e o Largo de Cacilhas neste dia.
Claro que dias não são dias... no domingo seguinte, volta tudo à pasmaceira do costume. O Largo volta a contar apenas com a meia dúzia de pessoas apressadas para apanharem o cacilheiro ou o autocarro, porque o Cais de Cacilhas volta a ser apenas um ponto de passagem...

sábado, novembro 04, 2006

Arte com Sabor em Cacilhas


O aparecimento de um novo café em Cacilhas, com um nome já de si bastante apelativo (Café com Letras), no começo de 2003, marcou o início de várias actividades culturais como: exposições, tertúlias, colóquios, apresentações de livros, debates, até se chegar às sessões animadas de "Poesia Vadia".
Embora isso faça comichão a algumas pessoas, o sucesso destas iniciativas está associado a uma senhora, cujo nome era praticamente desconhecido no panorama cultural local (Ermelinda Toscano). Ela conseguiu fazer em meia dúzia de meses o que alguns programadores culturais não fazem em anos...
Fizeram-se coisas muito bonitas naquele espaço, sem qualquer dúvida. A que considero mais brilhante foi a edição da colecção INDEX POESIS, "Uma Dúzia de Páginas de Poesia", um pequeno caderno, que marcaria a estreia poética de dezenas de autores. Esta colecção chegou ao número 47, uma coisa admirável, se pensarmos que estamos a falar num espaço de apenas dois anos.
Por razões que não interessa dissecar, o entusiamo foi arrefecendo e o "Café com Letras", acabou mesmo por fechar.
Foi bom o antigo café ser substituído por um outro café (" Sabor & Art") e não por outra coisa qualquer.
Melhor ainda, é o facto de os novos gestores do espaço terem demonstrado vontade de voltar a "explorar" a vertente cultural, tão bem sucedida durante algum tempo, por aquelas bandas.
A entrada em cena vai começar já no próximo dia 25 de Novembro, com a tão popular sessão de "Poesia Vadia".
Espero que este regresso seja um sucesso, porque Cacilhas precisa de mais portas abertas à Cultura.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Nossa Senhora do Bom Sucesso


O primeiro dia de Novembro é uma data especial em Cacilhas.
Isto acontece praticamente desde o fatídico Terramoto de 1755, quando as águas do Rio Tejo avassalaram todo o povoado, deixando atrás de si um rasto de destruição e morte. Segundo as lendas locais, o rio só se acalmou quando alguém se lembrou de ir buscar a imagem da Nossa Senhora do Bom Sucesso ao que restava da Capela e mostrá-la ao Tejo. Os sobreviventes ao verem o rio voltar ao seu nível normal sentiram que tinha acontecido algo de divino e associaram de imediato esta mudança repentina a um Milagre.
Como prova de reconhecimento pela acção apaziguadora da Santa, os cacilhenses prometeram realizar todos os anos uma procissão que percorreria as principais artérias de Cacilhas.
Apraz-nos dizer que, 251 anos depois, a tradição mantém-se. E além da habitual procissão que percorre as principais ruas da Freguesia, a Nossa Senhora do Bom Sucesso desce até à margem do Rio, para abençoar as suas águas. De seguida o Largo de Cacilhas acolhe uma celebração religiosa comemorativa.