segunda-feira, janeiro 29, 2007

O Novo Jornalismo de Almada


Quando uma cidade deixa de possuir qualquer jornal de referência, passa-se uma coisa muito simples, as pessoas deixam de saber o que acontece de importante nas suas terras...

Porque não basta distribuir uma agenda informativa e um boletim municipal, gratuitamente, pelos cidadãos - à partida viciado e cheio de notícias felizes, da obra feita ou por fazer da Autarquia - , ou um semanário, mais preocupado em ganhar dinheiro com publicidade que em informar as pessoas. É preciso mais...

Infelizmente, o panorama informativo de Almada é este...

As cartas começam a ficar baralhadas porque, graças às novas tecnologias, a blogosfera começa a ocupar o lugar vago e a dar as notícias em cima da hora, que escapam aos jornais gratuitos e aos boletins das autarquias.

Sabem que mais? Hoje estavam a tapar com tapumes de madeira as janelas e portas da "Leitaria Estrela do Sul".

Adivinhem onde foi transmitida e discutida a notícia, em primeira mão? Claro, na blogosfera.
Parece que houve alguém que ficou com as orelhas a arder e resolveu fazer alguma coisa...
O texto está ilustrado com o óleo, "Alto de Santa Catarina", de João Abel Manta

quinta-feira, janeiro 25, 2007

E Agora, Qual vai ser a Desculpa?


Sim, e agora, qual vai ser a desculpa do Município, por ter arrancado com as obras do metro de superfície, sem existirem os tão falados parques de estacionamento para os moradores e utentes de Cacilhas?
Como disse, muito bem, o "Blackbird", no seu comentário ao "post" anterior: «Nunca deveriam ter arrancado estas obras, sem que os vários parques de estacionamento, que a Câmara tanto publicitou, estivessem a funcionar.»
Não percebo porque razão a nossa Autarquia não aproveitou todos estes meses de indefinições, para realizar as obras que só agora está a iniciar em Cacilhas (no alto da Margueira...).
Talvez culpe o governo central, ou então a MST...
Pois, capote, para que te quero, senão para sacudir, para cima de alguém?...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

O Pesadelo Aproxima-se...


Parece que desta vez é que é....
A confusão já está a começar.
Na Avenida 25 de Abril já suprimiram uma faixa de rodagem, com uma sinalética eloquente, de «inicio de obras» e ainda da redução do limite de velocidade de cinquenta para trinta, junto à Praça Gil Vicente.
Também já começaram a trocar sinais e sentidos de ruas (Rua Emília Pomar e Rua Romeu Correia), mas o pior ainda está para vir, como todos nós sabemos.
Só espero que este sacrifício dos almadenses valha a pena, que Almada se torne numa cidade melhor e que o cada vez mais famoso metro de superfície (pelas piores razões...) nos traga mais qualidade de vida.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Justiça Debaixo de Fogo


Se tivesse dúvidas de que os portugueses não confiam na nossa justiça, elas ficavam desfeitas com o desenrolar do processo complicado e delicado, que envolve o pretenso crime de sequestro e a condenação de um "pai-militar", a seis anos de prisão.
A comunicação social teve uma influência decisiva neste "acordar" generalizado das pessoas, ao dramatizar um caso, igual a tantos outros, que decorrem por este país fora (se exceptuarmos a pena do pai adoptivo, bastante exagerada...).
Todos nós sabemos que as razões do coração, por vezes afastam-nos da realidade, tiram-nos o discernimento e a capacidade de analisar os factos com a frieza necessária.
Provavelmente as pessoas envolvidas no processo já devem ter parado para pensar. Além de reviverem alguns dos seus actos, infelizes e repletos de erros (sim, este processo está cheio de erros, desde a forma como a mãe biológica entregou a filha, ao modo como os pais adoptivos e o pai biológico têm respondido aos inúmeros obstáculos que foram surgindo pela frente, nos últimos anos), devem ter consciência que a única pessoa que vai sair a perder com isto tudo, é uma menina com apenas cinco anos de idade, escondida algures, em parte incerta.
Há questões demasiado pertinentes que não têm sido trazidas para a praça pública, de uma forma clara. Por exemplo: qual era a ocupação da cidadã brasileira quando esteve entre nós; se a sua gravidez foi provocada por uma relação ocasional; se a mãe vendeu a criança aos pais adoptivos; se o pai biológico só accionou este processo, por causa do dinheiro que poderá receber de indeminização; desde quando é que o pai biológico quis ver a criança; porque razão os pais adoptivos não o permitiram, etc.
Este caso fez com que eu percebesse um pouco melhor como funciona a nossa justiça. Não acho que funcione mal, é sim, muito pouco flexível.
Os juizes fingem-se autómatos, como se fossem desprovidos de quaisquer sentimentos, restringindo-se apenas à lei. É preciso que os juizes se lembrem que além da sua função (demasiado séria e importante), também são seres humanos.
Quando isso acontecer, há casos que deixam de ser casos...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

O Primeiro Olhar


Como sei que nem todos os visitantes do "Casario" têm a possibilidade de fazer um "cruzeiro" fluvial entre Lisboa e Cacilhas, mostro-vos o edifício que se vislumbra com o nosso "primeiro olhar", assim que deixamos o cais de desembarque.
A fotografia nem é muito contundente, já que só mostra o aspecto exterior da antiga Leitaria "Estrela do Sul", propriedade do Estado - desta vez não há espaço para as desculpas habituais, os sempre úteis, proprietários desconhecidos dos imóveis abandonados...
Quem passar a poucos metros das janelas e portas franqueadas, vê uma autêntica lixeira, no interior do antigo café da família Mendes.
Concerteza que não será com estes exemplos, que conseguiremos cativar mais turistas para a Margem Sul....

terça-feira, janeiro 16, 2007

A Recepção de Turistas em Cacilhas


Apesar de saber que o gosto "arqueológico" de muitos turistas, leva-os a adorarem as nossas cidades em ruínas e ao abandono, fico sempre na dúvida, sobre o que realmente pensam, das terras e gentes lusíadas...
É por isso que pergunto: o que será que estes visitantes pensarão da Margem Sul, assim que desembarcam dos cacilheiros e pisam o Largo de Cacilhas (oficialmente Largo Alex Dinis)?
Não consigo encontrar respostas muito animadoras...
Ao olhar para a antiga Leitaria "Estrela do Sul" - a primeira coisa que salta à vista assim que se pisa terra -, completamente vandalizada, penso que pior cartão de visita, não deve existir por estes lados.
Se me desviar um pouco para o lado, encontro o Ginjal, que poderá dar a entender que existe por ali, qualquer centro de exploração arqueológica, por se encontrar tão despido de cor e de vida, mas apenas num primeiro olhar... mas se começa a caminhar, percebe-se que o abandono é recente, não tem nada de romano ou muçulmano...
É por isso que me interrogo: «será que as excelências do Município não sabem que Cacilhas continua a ser a porta que recebe mais turistas de visita ao Concelho de Almada?»

domingo, janeiro 14, 2007

A Blogosfera é uma Mulher


Na minha opinião a Blogosfera, embora seja assexuada, possui, cada vez mais, o perfume de mulher. Digo isto por sentir que falo de um universo maioritariamente feminino, sem estar sequer a pensar no género da palavra (do qual não existem dúvidas que é feminino).
Sei que esta opinião pode ser considerada polémica e até falaciosa, mas trata-se apenas de uma apreciação, sem estar baseada em nenhum estudo estatístico. Os únicos dados em que me apoiei foram a minha experiência enquanto "viajeiro" e "navegador" pelas estradas, caminhos, rios e mares da blogosfera.
A maior parte dos blogues que conheço são de mulheres; a maior parte dos comentários que recebo são femininos; a maior parte dos comentários que leio noutros blogues continuam a ser de damas, de múltiplos encantos e opiniões.
Não sei explicar de uma forma conclusiva porque razão é que isto acontece. Quanto muito posso atirar para o ar várias pistas, mas como já disse, não me atrevo a chegar a conclusões. Aí vão elas:
1.
Este universo está longe de ser considerado um feudo masculino (como tantos outros na nossa sociedade...), pelo que acaba por ser um terreno mais apetecível e aberto para as mulheres.
2. As mulheres partilham e falam com mais facilidade dos seus problemas pessoais, que os homens.
3.
Há uma tradição maior na existência de diários femininos que masculinos (mesmo nos nossos dias, há uma maior tendência de oferecer diárias às meninas, que aos meninos - a oferta comercial é nitidamente feminina).
4.
As mulheres possuem mais sensibilidade que os homens, para apreciar as pequenas coisas da vida. Isso leva-as a comentar e a escrever com mais naturalidade neste mundo aberto e livre.
5.
A poesia (existem blogues excelentes de poesia...) ainda é olhada em muitos sectores da nossa sociedade como uma coisa de mulheres.
Não me alongo mais. Fico à espera das vossas palavras sobre este tema aparentemente banal, que será, sem qualquer dúvida, enriquecido com a vossas opinião.
Este texto está ilustrado com as "Les Demoiselles d'Avignon", óleo de Pablo Picasso de 1907.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

A Avaliação na Função Pública

Preparava-me para sair de casa quando me senti quase seduzido pela conversa das funcionárias de limpeza do Município, que limpavam a minha rua e falavam das avaliações na função pública.
A afirmação de uma das mulheres foi sintomática: «Se o chefe não for com a tua cara, posso estar aqui de costas direitas, que tenho sempre melhores notas que tu. E se lhe fizer olhos bonitos, então, é que não tens a mínima hipótese...»
Esta visão feminina foi de uma clareza quase brutal.
Continuei a minha caminhava, perguntando aos meus botões: «Porque razão não confiamos nos nossos chefes?»
Vieram-me uma série de coisas à cabeça. A primeira foi que, provavelmente, a sua subida profissional não se deveu a uma maior competência, mas sim à capacidade de "bufar" e também à subserviência exagerada (ainda existe muito boa gente que parece ter coluna de contorcionista), ainda tão presentes no mundo do trabalho.
Também temos dificuldade em confiar em chefes, que têm a mania que são "garanhos", por sabermos que basta uma das nossas colegas passear junto dele de mini saia e com um decote apetecível, para que se derreta e fique a salivar (para não dizer outra coisa...), para ter melhor avaliação que nós.
A minha questão é esta: «É possível mudar este estado de coisas?»
Claro que é.
É preciso que as chefias na função pública se tornem mais competentes e profissionais. Só desta forma é que podem e devem exigir mais dos seus subordinados.
Mas ainda falta um longo caminho. Aquelas senhoras que conversavam à minha porta, sabem disso e parecem preparadas para a luta diária que se avizinha por aí...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Nostalgia pelos Campos Agricolas


Enquanto os grandes projectos da Almada do futuro não avançam, alguns espaços, quase abandonados, são utilizados por vários almadenses, que sentem uma grande nostalgia pela sua vivência campestre.
Estou a falar dos Morros de Cacilhas (junto ao moinho) e da Margueira (na encosta frente à Lisnave).
As searas destes agricultores urbanos, não variam muito: as batatas, as couves e outros legumes, têm sempre a primazia...
Acredito que o fazem mais por paixão que por necessidade.
Quem já teve o prazer de semear qualquer planta, de a ver nascer e crescer, e depois colher... sabe que fica sempre uma ligação especial a este ciclo de vida, tão simples e tão intenso...

sábado, janeiro 06, 2007

Almada no Estudo das Melhores Cidades

O “Expresso” realizou um estudo curioso, sobre as melhores cidades portuguesas para se viver, que devemos analisar com alguma atenção.
Começo por achar extremamente duvidoso que Lisboa seja a melhor cidade para viver, embora este estudo tenha assentado em vinte critérios diferentes, aos quais foram atribuídas notas (penso que de 0 a 100...) que oscilaram entre o valor máximo de 85 e mínimo de 0.
Mas o que me interessa abordar é a posição de Almada (34º lugar entre as cinquenta escolhidas) e algumas aspectos merecedores de reparo.
Se fizesse parte da equipa de propaganda do Município, destacava o 1º lugar, entre todas as cidades estudadas, no desempenho económico (70), desempenho esse aliado às novas tecnologias, à «economia do conhecimento» (com destaque na revista “Única”, onde foi apresentado o estudo).
Como não gosto de esconder o sol com uma peneira, acho que foram anunciados aspectos preocupantes sobre a nossa cidade neste estudo. Como por exemplo: os espaços verdes (35); a qualidade urbanística (35); o comércio (30); a relação com a água e a paisagem (35); o alojamento turístico (30); o património (30); e a qualidade dos espaços públicos (30).
De entre estes problemas focados há alguns que têm sido debatidos no “Casario”, como a relação com a água e a paisagem e a qualidade dos espaços públicos.
São dois problemas de extrema importância, que poderão ser resolvidos no futuro, com os projectos que existem para a zona do Almaraz e do Ginjal e para os terrenos da Lisnave (Projecto Almada Nascente).
Mas como se tratam de projectos a médio e longo prazo... não se devem esperar melhorias nos próximos tempos...
Só espero que o Município não embandeire em arco com o seu destaque no desempenho económico, esquecendo as notas negativas recebidas...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A Estrela de Famoso

A fama continua a ser uma faca de dois gumes, nos dias que correm.
Levantam-se inclusive várias questões. A mais pertinente é: «mas afinal o que é que é isso de se ser famoso?
Não é fácil responder a esta questão, por sabermos que existe quase uma indústria que vive da "invenção" de celebridades instantâneas.
A participação de qualquer "manjerico" num programa televisivo mediocre, é suficiente para que receba a "estrela de famoso" e passe a ser explorado, até ao tutano, pelas produtoras e revistas que se alimentam de banalidades.
Este processo é de tal forma artificial, que assim que estas pessoas começam a perder o brilho, são enviadas à remetência, como se nunca tivessem existido.
Outro aspecto curioso é a forma como esta gente vive os momentos de glamour. Muitos afastam-se dos meios onde cresceram e mudam-se para bairros fantasiosos, como se tivessem nascido de novo.
Felizmente, no meio de toda esta confusão, ainda há quem se torne famoso por ter talento...
Um destes exemplos são os "Gato Fedorento". Começaram a escrever textos, criaram um blogue, iniciaram-se na SIC Radical e só depois é que começaram a ser reconhecidos pelo seu talento.
Este quarteto foi escolhido como exemplo porque fiquei a saber, através de uma conversa com uma amiga, que ela foi colega de escola de Ricardo Araújo Pereira, o "gato" mais famoso do nosso país. Além de ter confirmado que o tipo nessa época já tinha piada e era completamente maluco... alguns professores é que não achavam muita graça, disse que ele não tinha mudado quase nada.
A Marta embora não conheça o seu dia a dia, acha que ele se está borrifando para a fama e continua a relacionar-se com alguns dos seus amigos de infância, até porque precisa de estar em contacto com o mundo, ouvir anedotas e histórias sobre as personagens do nosso país.
Com um sorriso nos lábios, confidenciou-me que o bigode farfalhudo que o Ricardo usa num dos seus bonecos, fica-lhe a matar...
Com isto tudo, ficámos na mesma. «Mas afinal o que é que é isso de se ser famoso?»

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Como nos Tratam da Saúde em Almada...

Tudo o que o senhor ministro da saúde diz na televisão, soa-me a "tanga". Porque as suas teorias estão sempre a léguas da prática.
Podia dar vários exemplos, desde o preço dos medicamentos, as comparticipações do estado, ao fecho de urgências e maternidades dos hospitais, etc.
Quase pela surra, foram fechadas algumas unidades de saúde em Almada e alterados os horários do seu funcionamento (como foi o caso da Cova da Piedade e o SAP, que deixou de o ser, uma vez que agora fecha às 20.00 horas).
Depois de este senhor falar, nos seus primeiros tempos, de descentralização, da necessidade de não enchermos os hospitais, etc, está a apostar de novo na concentração. E com o fim do serviço permanente deste posto entre Almada e Cacilhas... resta-nos o Hospital Garcia de Orta, pela noite dentro.
Estas medidas são de uma cobardia política, que não deve ser silenciada.
Infelizmente, é graças a políticos destes que o país se encontra nesta situação de crise permanente.
Agora imaginem a confusão das pessoas que passam diariamente por este ex-SAP ( sei do que estou a falar porque estive lá ontem e esperei mais de duas horas, para ser mal atendido por um médico, que de certeza, se enganou na profissão. Lembrei-me a tempo de levar um livro para ler, cuja leitura acabou por atenuar estas vicissitudes...), que andam de fila em fila, de espera em espera... para serem atendidas por médicos, que já perderem há muito, o hábito de olhar os doentes nos olhos.
Quem acaba por ouvir as nossas reclamações e o nosso descontentamento, são os funcionários, também eles vitimas de um sistema, sempre em mudança, que todos sabemos como irá acabar: com o fim do Serviço Nacional de Saúde. Falta saber apenas quando...
Obrigado Senhor Ministro!
Ao menos que consiga poupar os tais milhões, com esta política, que pese o exagero, mais parece a favor da degradação humana e da morte, que da dignidade e da vida, de todos nós.

domingo, dezembro 31, 2006

Desejo Para o Casario do Ginjal


Este desejo de final de ano é mesmo para o verdadeiro Casario do Ginjal...
Era bom que a Câmara Municipal de Almada, a Administração do Porto de Lisboa e os proprietários de todo o casario abandonado, do Ginjal - cada vez mais em ruinas -, chegassem a acordo e decidissem, de uma vez por todas, "lavar a cara" e tornar toda esta zona num lugar aprazível para quem vive e também para quem visita o Ginjal.
O Tejo e os Guardadores das Margens do Rio agradecem...
Curiosamente este último dia do ano coincidiu com o meu centésimo "post" neste "Casario do Ginjal". Trata-se de uma mera coincidência, que registo com agrado.

sábado, dezembro 30, 2006

O Anonimato na Blogosfera


Eu tinha pensava escrever sobre o anonimato na blogosfera, só daqui a uns dias, mas acabei por reconsiderar. Porquê? Porque o tema é pertinente e não deve ser adiado.
Segundo a minha perspectiva, o anonimato da blogosfera deve ser dividido em duas partes completamente distintas.
A primeira refere-se à identidade dos donos dos blogues. Pelo minha experiência de "viajante bloguista", noto que a maior parte das pessoas escolhem um pseudónimo como elemento identificativo, preservando a sua verdadeira identidade.
Embora tenha optado por utilizar o nome próprio, não vejo mal nenhum em se usar qualquer outro nome ou mesmo iniciais. Não é isso que faz com que deixem de ter personalidade própria e defendam os valores e as coisas em que acreditam. Quem utiliza um pseudónimo tem duas vantagens muito importantes: maior liberdade de acção e um campo critico mais vasto nos seus "posts".
A minha opção pessoal obriga-me a ser mais comedido, porque além de ser alvo de uma maior exposição, estou sujeito a ter de "pagar" um preço pelo que digo, quando abordo temas polémicos, que envolvem segundas e terceiras pessoas (por exemplo, sei que no Município de Almada há quem não perdoe a minha pertinência no "Casario"...).
A segunda parte do anonimato, que tenho obrigatoriamente de referir, diz respeito aos comentários e aos comentadores. Este campo de acção é mais perigoso e faz com que algumas pessoas se defendam da gente mal formada que utiliza o espaço dos comentários para insultar e levantar suspeitas sobre os donos dos blogues (sei do que falo porque também já fui vitima de um cobarde que fez com que acabasse com os comentários anónimos nos meus blogues) e sobre quem comenta.
Mas estes problemas são próprios da liberdade (para alguns excessiva...) que existe na blogosfera.
Em jeito de conclusão, não vejo qualquer inconveniente em as pessoas utilizarem um pseudónimo nos seus blogues. É uma forma de se defenderem de possíveis represálias e até de visitantes obscuros que gostam de virar de pernas para o ar os comentários. Em relação a estes senhores que se escondem no anonimato e escolhem várias "caras" para espalharem veneno, como "cobras cuspideiras"... não deixam de ser um produto da tal liberdade, que existe, felizmente, na blogosfera.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

As Relações na Blogosfera

Quando alguns amigos me colocam questões sobre a blogosfera, percebo que sentem mais curiosidade em saber quem está do lado de lá, como se processam as relações, que nos seus conteúdos.
Penso que isso acontece porque já conhecem o que é divulgado nestes diários ou semanários pessoais, e também por saberem que este é um dos meios mais fáceis para publicar aquilo que queremos e que, muitas vezes, nunca tivemos coragem para divulgar (isto acontece sobretudo nos blogues sobre poesia, que são cada vez mais e com bastante qualidade).
Como disse anteriormente, uma das coisas que vêm logo para a mesa, é quem são as pessoas que escrevem e que espécie de relação existe entre elas, porque é notória a fidelidade nos comentários dos blogues.
Claro que é difícil estabelecer padrões numa coisa tão gigantesca e com uma temática tão diferente.
Em primeiro lugar, todos nós temos amigos com blogues, e é normal que os visitemos e deixemos algumas palavras, por graça e por gosto. Isto explica em parte a questão da fidelidade.
Por outro lado, acho que não é preciso conhecermos as pessoas pessoalmente para criarmos laços de amizade e de admiração sobre o que dizem. Isso sempre aconteceu nos meios artísticos e literários. Por exemplo, quando gostamos de um livro, temos tendência a ler toda a obra desse autor, criando obviamente alguma empatia com o escritor ou escritora. Nos jornais acontece a mesma coisa. Quando gostamos de um cronista, somos capaz de comprar uma revista ou jornal, só para ler as suas palavras.
É por isso que considero perfeitamente natural visitar alguns sítios, quase diariamente. Até porque há quase sempre interacção nas visitas que fazemos e isso vai criando alguns laços, reforçados pela empatia e admiração que existe sobre o que elas escrevem e sentem.
Claro que isto tem pano para mangas...
Prometo voltar brevemente ao tema, com outra questão pertinente abordada frequentemente: o anonimato na blogosfera.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Dar Largas à Imaginação


O "Diário de Notícias" lançou hoje um desafio aos seus leitores: O que fazer para 2007 ser um ano melhor?
Só pode ser entendido como uma brincadeira, onde se pode discretear sobre o que nos apetecer (conforme consta no convite...).
O problema é que depende muito pouco de nós fazermos de 2007 um ano melhor...
Claro que não estou a falar no civismo, na protecção do ambiente que nos rodeia e nas várias questões familiares que enfrentamos diariamente, que aí sim, podemos marcar a diferença e contribuir para que o Ano Novo seja melhor.
Estou falar da governação, dos "homens do leme", que têm revelado vezes de mais, parcos conhecimentos de "navegação", para nos levaram a bom porto...
Estou a falar da ausência de qualquer ponta de humanismo dos grandes capitalistas, que fecham fábricas a torto e a direito, sem se preocuparem com o rasto de pobreza e miséria que deixam para trás, porque a única coisa que lhes interessa é o "vil metal".
É por isso que digo que os senhores da direcção do "DN" são os brincalhões...

terça-feira, dezembro 26, 2006

Um é Mais que Zero

Estou convencido de que a maior virtude da época natalícia é ser um espaço de reunião e convívio entre as pessoas.
Vou mesmo mais longe, se não existisse o Natal estávamos anos sem falar com familiares e amigos de quem gostamos, porque a "vida" está sempre a criar distâncias e barreiras entre nós, levando-nos, por vezes, para países diferentes e distantes...
Até mesmo um simples telefonema ou uma mensagem, é melhor que nada. E provavelmente, se não existisse o Natal, não seria feito...
É por isso que digo que um é sempre mais que zero, mesmo que a religião seja relegada para quarto ou quinto lugar, ou que o Menino Jesus e o Pai Natal não passem de meros figurantes de uma festa, que pode e deve ter os significados que quisermos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Boas Festas


Desejo um Feliz Natal e um excelente Ano Novo (este 2006 deixou muito a desejar a grande parte dos portugueses...), para todos os frequentadores deste "Casario", especialmente para os habituais comentadores, cujas palavras são o melhor estímulo para continuar atento a tudo aquilo que rodeia o Ginjal...

terça-feira, dezembro 19, 2006

A Beleza Feminina

Eu sei que o "Casario" tem sido um lugar demasiado temático, afastando-se poucas vezes da Margem do Tejo. Foi uma opção inicial, embora saiba que de vez em quando é bom mudar de "disco"...
Apesar de alguns "blogues" - mesmo sabendo que o objectivo principal é provocar a malta, não é Isabela? -, tentarem esbater algumas desigualdades reinantes, têm feito com que perceba com nitidez que o mundo continua a ser pintado (não dominado, porque no fundo as mulheres sempre nos dominaram, embora no tempo dos nossos avós e pais, fosse tudo mais subtil...) com as cores masculinas, como o azul, o cinzento e o castanho...
Falo em cores como podia falar em desenhos e quadros, que continuam muito iguais, se os compararmos com outros tempos.
Estou a referir-me à mulher-objecto que continua a fazer furor e atinge os patamares mais altos, nos mundos da moda e da publicidade. Pois é, quem diria que para se vender um carro, ainda é preciso despir quase uma mulher (que é sempre um carrão...).
Esta procura da beleza feminina acaba por influenciar comportamentos, com a cumplicidade da própria mulher.
Ao olhar uma jovem almadense, bonita, que ainda não atingiu os quarenta anos, notei que perdera a luminosidade no olhar e até a beleza corporal. Estava mais magra e descuidada. Quase que me apeteceu dizer-lhe: «Cresceste, deixaste de ser uma boneca...».
Apesar de muitas mudanças na sociedade - e de se ter inventado uma coisa estranha, que chamam "metrossexuais"... -, ao homem continua a não ser exigido o mesmo patamar da beleza feminina.
O melhor exemplo é o facto de podermos engordar e haver sempre alguém que ache a nossa barriguinha sexy. Podia dizer o mesmo em relação ao cabelo começar a branquear e a cair. Até há uma canção que diz que é dos carecas que elas gostam mais, embora esta não seja tão convincente, até para alguns homens, que não dispensam o capachinho...

sábado, dezembro 16, 2006

Contra a Corrente

Raramente concordo com as opiniões de Pulido Valente e Pacheco Pereira. Exageram sempre, quando se tentam demarcar da "opinião geral".
Em jeito de piada, até escrevi num dos meus cadernos, que não sabia, como é que tanto um como o outro, ainda não tinham sido apanhados a circular em sentido contrário, em qualquer autoestrada do nosso país...
Aliás, aquela sua vontade imensa de contrariar o senso comum, é de tal maneira exagerada, que os obriga a dizerem autênticas barbaridades (especialmente o Valente, muito pouco Pulido quando lhe dá para inventar...). Mas na sua crónica de ontem, o Vasco falou muito bem sobre a corrupção no nosso país. Quando ele diz que, «A corrupção no futebol é, além disso, a corrupção mais popular. Não a mais grave, não a mais comum, nem sequer, coitada, a mais prejudicial. Os "negócios" fazem coisas com que nunca sonhou o pior aldrabão do futebol. Mas fazem o que fazem discretamente, sem um nome à vista e em operações tão complicadas que ninguém percebe», retrata bem este país, cheio de gente que tem enriquecido, sobretudo à custa do próprio Estado.
Histórias sobre os dinheiros que vieram da Europa, existem quase para todos os gostos. Algumas envolvem ministros, outras banqueiros, mas a maior parte tem como actores principais, empresários, especialmente da construção civil, que tiveram no cavaquismo, a sua "galinha dos ovos de ouro"...
É por isso que estranho que o Pacheco Pereira ataque tanto o futebol e se esqueça destas negociatas, feitas nas suas barbas, quando era um dos guardiões do cavaquistão.
É pena que muitos dos que sabem destes episódios não sejam mais concretos (inclusive jornalistas)...
Pulido Valente até conseguiu terminar a sua crónica de uma forma brilhante: «A Corrupção no futebol é uma ínfima parte da corrupção geral do país. E serve sobretudo para a esconder.»