
Estamos sempre a descobrir coisas novas...
Ontem, aconteceu mais uma tertúlia, em Almada. Além de todo o saber transmitido pelo professor Manuel Lima, sobre a história de Corroios, desde os tempos em que toda aquela área era composta por quintas de frades, pertencentes a várias irmandades de Lisboa, que semeavam e colhiam os produtos para a sua subsistência, nas suas ordens e conventos da Capital, houve algo mais que ficou...
Quase a leste do tema da tertúlia, a descoberta de um simples nome, Brites, pouco feminino, que nem sequer imaginava que existisse (embora fosse o nome verdadeiro da Padeira de Aljubarrota), fez com que me intrometesse na conversa de algumas mulheres da geração da minha mãe, que me contaram a história triste desta senhora, que infelizmente teve muito pouco de "padeira de aljubarrota"...
O marido era mau como as cobras (foi a expressão usada, claro que as cobras não têm nada a ver com isto...) e batia-lhe praticamente todos os dias, deixando-a toda negra e ela, pequenina, aceitava tudo aquilo como se fizesse parte do seu quotidiano.
Disse-lhes o que senti, o quanto devia ser triste ser propriedade de um homem, e fazer parte de uma sociedade que assistia impávida e serena a estes casos de violência, como se fosse algo natural.
Elas acenaram que sim, que era muito triste...
Felizmente as coisas mudaram, a mulher dos nossos dias já não é propriedade de ninguém, seja ele pai, marido ou irmão, tem os mesmos direitos e deveres do homem.
Claro que há muita "besta" por aí à solta, que ainda não assimilou isso. É a única explicação que encontro, para o número de casos de violência doméstica que ainda acontecem no nosso país, alguns com consequências mortais...
Escolhi a ilustração da Padeira de Aljubarrota, porque há muita gente por aí, a precisar de levar com umas pazadas de uma mulher com a energia e a força da Senhora Dona Brites de Almeida...
