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quarta-feira, julho 04, 2007

Histórias de Vida...


Estamos sempre a descobrir coisas novas...
Ontem, aconteceu mais uma tertúlia, em Almada. Além de todo o saber transmitido pelo professor Manuel Lima, sobre a história de Corroios, desde os tempos em que toda aquela área era composta por quintas de frades, pertencentes a várias irmandades de Lisboa, que semeavam e colhiam os produtos para a sua subsistência, nas suas ordens e conventos da Capital, houve algo mais que ficou...
Quase a leste do tema da tertúlia, a descoberta de um simples nome, Brites, pouco feminino, que nem sequer imaginava que existisse (embora fosse o nome verdadeiro da Padeira de Aljubarrota), fez com que me intrometesse na conversa de algumas mulheres da geração da minha mãe, que me contaram a história triste desta senhora, que infelizmente teve muito pouco de "padeira de aljubarrota"...
O marido era mau como as cobras (foi a expressão usada, claro que as cobras não têm nada a ver com isto...) e batia-lhe praticamente todos os dias, deixando-a toda negra e ela, pequenina, aceitava tudo aquilo como se fizesse parte do seu quotidiano.
Disse-lhes o que senti, o quanto devia ser triste ser propriedade de um homem, e fazer parte de uma sociedade que assistia impávida e serena a estes casos de violência, como se fosse algo natural.
Elas acenaram que sim, que era muito triste...
Felizmente as coisas mudaram, a mulher dos nossos dias já não é propriedade de ninguém, seja ele pai, marido ou irmão, tem os mesmos direitos e deveres do homem.
Claro que há muita "besta" por aí à solta, que ainda não assimilou isso. É a única explicação que encontro, para o número de casos de violência doméstica que ainda acontecem no nosso país, alguns com consequências mortais...

Escolhi a ilustração da Padeira de Aljubarrota, porque há muita gente por aí, a precisar de levar com umas pazadas de uma mulher com a energia e a força da Senhora Dona Brites de Almeida...

quarta-feira, junho 13, 2007

As Tertúlias de Café Cor de Rosa

Descobri hoje que estava enganado na forma como olhava as tertúlias. Sempre pensei que as tertúlias de café eram coisa de homem, que tanto podiam estar viradas para o intelecto, com discussões quase filosóficas, ou para o futebol, com conversas mais acesas, a muitos tons e cores...
Foi preciso estar sentado numa esplanada, ao lado de uma mesa de cinco senhoras com mais de meia idade, para descobrir uma verdadeira tertúlia cor de rosa, quase choque. As senhoras falavam com desenvoltura, quer dos temas do dia das revistas de actualidades femininas e do "24 Horas", quer das últimas aventuras das suas ruas.
As conversas eram bastante pormenorizadas, e tanto falavam da operação à "peida" da Merche Romero como da neta de não sei quem, que ia colocar silicone nas "tetas"...
Consegui sorrir várias vezes, com as expressões usadas, naquele "jornal" colectivo, onde se desfiaram histórias de várias ruas de Almada e até do país.
Abençoadas mulheres que ainda se encontram nas mesas de café para colocar a "escrita em dia". Elas vão quase sempre mais longe que nós e raramente usam palavrões...
É com esta pequenas coisas que descobrimos o quanto somos sexistas...

Pablo Picasso ilustra este texto com as suas "banhistas".