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sexta-feira, junho 15, 2012

Redescobrir Romeu


Amanhã a professora Edite Condeixa, vai levar-nos "À Descoberta de Romeu Correia...", no "Espaço Doces da Mimi" (rua da Liberdade, 20, Almada).

Vou estar presente, porque é sempre agradável recordar o escritor, o dramaturgo e o amigo, que foi o meu primeiro "guia cultural" de Almada e me aproximou da Cidade, que aprendi a amar a partir das suas histórias memoráveis...

A melhor maneira de ilustrar este "post" é  revisitar esta imagem de Romeu, a olhar para o Ginjal do miradouro da Boca do Vento.

quarta-feira, setembro 21, 2011

A Ermelinda do Alexandre e do Romeu


No sábado à noite o Salão de Festas da Incrível Almadense foi palco do lançamento da peça de teatro, "Uma Sereia Chamada Ermelinda", da autoria de Alexandre Castanheira, baseada no romance, "Cais do Ginjal, de Romeu Correia, editada pela Junta de Freguesia de Almada.


A apresentação da peça foi antecedida pelas palavras do autor e ainda com a interpretação de um pequeno trecho, por Carlos Canhão (que fez o papel do reacionário Sabino Costa na peça), e por Alexandre Castanheira (que fez de Rómulo, o jovem protagonista da peça).

Luisa Basto subiu ao palco de seguida, para cantar (e encantar) alguns poemas de Romeu Correia e Alexandre Castanheira.

Na segunda parte do programa a obra foi apresentada pelo prof. Paulo Sucena, tendo também usado da palavra o presidente da Junta de Freguesia de Almada, eng. Fernando Mendes e o autor, prof. Alexandre Castanheira, que encerrou a sessão.

Eu, que assisti à representação da peça e li o texto, sei que ambas honram a memória de Romeu Correia, pois Alexandre Castanheira manteve bem viva a alma do "Cais do Ginjal", com as agruras da ditadura bem presentes, tal como a carga simbólica da Sereia, que se chamava Ermelinda...


sexta-feira, setembro 16, 2011

Sábado à Noite


No próximo sábado, dia 17 de Setembro, às 21 horas, será apresentada no Salão de Festas da Incrível Almadense a peça de teatro, "Uma Sereia Chamada Ermelinda", da autoria do prof. Alexandre Castanheira.


Esta obra editada pela Junta de Freguesia de Almada é baseada no livro, "Cais do Ginjal", da autoria de Romeu Correia e será apresentada pelo dr. Paulo Sucena.

O lançamento será antecedido por uma pequena apresentação da peça, por parte do autor, complementada pela interpretação de algumas canções, pela extraordinária voz de Luísa Basto, que cantará poemas de Romeu Correia e Alexandre Castanheira e também de um breve momento teatral, para dar um pouco a ideia do significado da peça no contexto de então.

É ou não é, uma boa maneira de terminar o sábado?

terça-feira, abril 12, 2011

Uma Sereia Chamada Ermelinda


No domingo fui ver a peça, "Uma Sereia Chamada Ermelinda", com muita curiosidade, para ver que volta Alexandre Castanheira tinha dado ao "Cais do Ginjal", obra literária da autoria de Romeu Correia.

Foi agradável ver a Ana fazer de Ermelinda, descobrir os dotes teatrais do pintor Carlos Canhão, numa boa encenação de Carlos Martins e numa dramaturgia feliz de Alexandre Castanheira. O jovem que fez de Rómulo também esteve muito bem.

O espectáculo faz parte da "Mostra de Teatro de Almada" e foi interpretado pelo Teatro da Associação Cultural Manuel da Fonseca.

sábado, fevereiro 26, 2011

Um Passo em Frente

Sempre tive alguma curiosidade em ler "Um Passo em Frente" de Romeu Correia. Há pelo menos duas razões para que tal acontecesse: ser um livro de contos e ser a sua primeira obra editada depois da Revolução de Abril.

Felizmente, graças à biblioteca da Incrível Almadense, tive a oportunidade de ler a obra publicada em 1976 e verificar que se trata de um "campo de ensaio" para livros de maior fôlego. Foi por isso que senti que já conhecia muitas daquelas histórias, provavelmente desenvolvidas em trabalhos editados posteriormente, ou então, contadas pelo próprio autor nos nossos passeios pelas ruas de Almada.

Outro aspecto curioso da obra é estar escrita num registo autobiográfico (tal como seu "Sábado sem Sol", obra de estreia também de contos). Nestes contos-crónicas Romeu fala-nos da sua infância, da sua profissão e das pessoas de Almada.

Graças à Incrível descobri mais um conjunto de histórias de Romeu Correia, que sempre escreveu sobre o mundo que o rodeava, com Almada quase sempre presente nas suas obras.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

As Palavras em Jogo de José do Carmo Francisco

A obra, "As Palavras em Jogo" da autoria de José do Carmo Francisco, já chegou às livrarias, editada pela Padrões Culturais.

Ao longo das suas 220 páginas são recuperadas do pó do relativo esquecimento 30 entrevistas e 1 memória, lembrando deste modo 30 anos de jornalismo do autor. No universo multifacetado dos entrevistados há um abrangente olhar sobre o Desporto e a Sociedade: Álvaro Cunhal, Américo Guerreiro de Sousa, António Alçada Baptista, António Roquete, Carlos Mendes, Clara Pinto Correia, Daniel Sampaio, David Mourão-Ferreira, Dinis Machado, E.M. Melo e Castro, Eduardo Guerra Carneiro, Eduardo Nery, Fausto, Francisco dos Santos, Francisco José Viegas, Helena Marques, Joaquim Pessoa, José Duarte, José Fernandes Fafe, José Manuel Mendes, José Nuno Martins, José Quitério, Lídia Jorge, Luís Filipe Maçarico, Mário Jorge, Matos Maia, Mia Couto, Nicolau Saião, Rita Ferro, Romeu Correia e Urbano Tavares Rodrigues.
As entrevistas e a memória de Francisco dos Santos (1878-1930), o primeiro português a jogar em Itália, foram publicadas entre 1992 e 1996 na Revista A BOLA MAGAZINE que entretanto cessou publicação. Algumas delas foram mais sintéticas devido à falta de espaço mas todas apresentam o interesse do depoimento das diversas figuras públicas sobre a sua relação com o Desporto. Apenas dois aspectos: primeiro – algumas trazem anexos em verso e em prosa do entrevistado que muito enriquecem o conteúdo final; segundo – a partir destes textos é possível organizar um perfil do futebol em Portugal no século XX desde a memória de Francisco dos Santos em Roma na primeira década ao Eusébio da década de setenta aqui recordado por José Duarte passando pelo Mário Jorge dos anos oitenta e sem esquecer António Roquete que jogou nas década de vinte e de trinta além de Francisco José Viegas que recorda Madjer e de Dinis Machado que lembra nomes dos anos 40, 50 e 60 como Araújo, Passos, Jesus Correia, Arsénio, Vasques, Travassos, Germano, Matateu, Jaime Graça, Hernâni, Águas, Humberto Coelho, Ian Rush, Yazalde, Carlos Gomes, Azevedo, Bento, Banks, Yashine, um nunca acabar de homens, de memórias e de mitos. Sem esquecer as motos de Eduardo Guerra Carneiro e as bicicletas de Lídia Jorge.
A presença de Romeu Correia, entre os 30 entrevistados, merece uma referência, não fosse ele cacilhense e também guardador das margens do Tejo e do Ginjal.

quarta-feira, setembro 02, 2009

As Palavras Bonitas da Contra-Capa...


«Que sitio deslumbrante! Havia o lavadouro das mulheres, as escadinhas para o cais do Ginjal, e o rio e os barcos… O rio e os barcos, sobretudo! E metia-lhe uma confusão de encantar aquela enorme massa de água assim toda junta – porque tão depressa aquilo parecia estar no seu devido lugar, como ser um comprido pano azul ligado ao próprio céu!»

Romeu Correia, in “Os Tanoeiros”
A foto é de Romeu Correia a olhar para o Tejo e para o Ginjal...

terça-feira, junho 16, 2009

Livros Sobre o Ginjal - VII

Foi um prazer voltar a ler Romeu Correia, através do seu romance, "Os Tanoeiros" (nova versão da "Gandaia").
Embora a leitura tenha sido feita por "dever de ofício", devido ao novo livro que estou a escrever sobre Cacilhas, foi bom voltar a sentir todas aquelas movimentações no Ginjal e pelas ruas de Almada, com o realismo especial de Romeu, que nos consegue agarrar da primeira à última página...
Quase todos os livros de Romeu são documentos históricos, pela envolvência com que abordam o mundo do trabalho na Margem Sul.

domingo, dezembro 07, 2008

O Ginjal no Mural de Romeu Correia

Ontem foi inaugurado, em frente das piscinas da Academia Almadense, o Mural de azulejos da autoria de Louro Artur, que homenageia o escritor almadense Romeu Correia. Não estive presente porque à mesma hora havia o lançamento do livro de Diamantino Lourenço...

Sabemos que este painel tem estado armazenado em caixas, há já uns anos, nas instalações do Município.
Não conseguimos perceber o porquê. Porque razão se tem escondido este bonito Mural (gosto mais desta palavra que de painel...) dos almadenses...
Ainda menos percebemos que tenha sido colocado num lugar quase escondido, da Cidade...
Entre os muitos motivos escolhidos pelo autor da obra, lá está o Ginjal, lugar de predilecção de Romeu, na infância e adolescência...

segunda-feira, agosto 04, 2008

Os Portugueses na V Olimpíada



O escritor Almadense, Romeu Correia, descreveu muito bem, numa das suas obras, a epopeia dos portugueses na nossa primeira participação Olimpica, naquela que foi a quinta edição dos Jogos.
Além do drama de Francisco Lázaro, a primeira vitima mortal da competição desportiva, na prova da maratona, Romeu oferece-nos uma viagem pormenorizada a Estocolmo, além dos respectivos preparativos e das biografias dos nossos primeiros heróis olímpicos...

segunda-feira, novembro 19, 2007

O Teatro de Romeu


No passado sábado comemorou-se o 90º aniversário do nascimento de Romeu Correia.
Como tem acontecido nos últimos anos, alguns amigos e familiares reuniram-se junto à casa onde Romeu nasceu, em Cacilhas, e deixaram um ramo de flores e algumas palavras em sua homenagem.
Desta vez não vou fazer qualquer comentário sobre os "silêncios" em redor do escritor, embora não deixe de lamentar, que nesta cidade que se tem afirmado culturalmente com a Arte da Talma, e que fique encantada ao olhar os jornais de Julho, títulos como: "Almada Capital do Teatro", tenha passado ao lado do aniversário deste grande dramaturgo.
É que além da Companhia de Teatro de Almada e do Teatro Extremo, existe mais de uma dezena de grupos de teatro amador e Romeu é reconhecido como o autor português mais representado, de Norte a Sul, por companhias e grupos cénicos amadores...

terça-feira, outubro 02, 2007

Romeu Correia, Vida e Obra


"Romeu Correia, Vida e Obra", foi o nome escolhido para a exposição inaugurada no dia 28 de Setembro, no Arquivo Histórico de Almada.
Além de alguns livros da sua autoria, podemos encontrar testemunhos de amigos, transcrições de livros seus e também várias fotografias do escritor e dramaturgo almadense.
A exposição pode ser visitada até 30 de Novembro, de segunda a a sexta.

segunda-feira, abril 23, 2007

Um Livro à Minha Escolha


"Bonecos de Luz" é um livro especial, que nos fala da magia do cinema nos seus primeiros tempos.
Romeu Correia escreveu-o de uma forma estupenda, ao ponto de nos conseguir colocar em frente do lençol branco, a assistir aos filmes cómicos do cinema mudo, que tiveram em Charles Chaplin a sua grande figura.
Além de homenagear os livros, abraço aquele que continua a ser o maior escritor do concelho e que foi sempre um grande apaixonado pelo Ginjal e pelo Tejo, lugares onde cresceu e deu as primeiras braçadas, ainda na companhia dos golfinhos...

quarta-feira, março 14, 2007

Eusébio e Romeu Correia


Quando Clara me contou a história sobre a "perseguição" que lhe moveu o cineasta Arthur Duarte, lembrei-me de Romeu Correia.

Lembrei-me por uma razão muito simples. Romeu contou-me numa das nossas conversas literárias, que tinha escrito um guião para cinema, a pedido de Arthur Duarte, sobre a vida de Eusébio.

Ele teve o cuidado de me confessar, que o guião do filme era completamente diferente da fita mediocre realizada nos anos setenta, a qual assisti, no desaparecido "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", nas Caldas da Rainha.

Infelizmente, por falta de apoios, o filme de Arthur Duarte acabou por nunca ser realizado...

Nunca lhe perguntei o que era feito do guião. Mas cuidadoso como Romeu era, de certeza que tinha uma cópia guardada em casa...

Este episódio fez com que me recordasse que o espólio do escritor e dramaturgo almadense continua "fechado" na casa onde viveu, sem ter alguém especializado, a catalogar e a organizar, tudo o que ficou de uma vida extremamente rica, e que não deve ser nada pouco...

Nem sequer me vou dar ao trabalho de falar das "culpas" do Município e dos familiares do Romeu, para todo este silêncio, cada vez mais denso, à volta da maior figura da literatura de Almada.

A única coisa que adianto, é que compreendo, cada vez melhor, a posição dos descendentes de Romeu em todo este processo...

sábado, novembro 18, 2006

O Teatro de Romeu


O Movimento Associativo de Almada escolheu o Salão de Festas da Incrível Almadense para evocar a vida e obra de Romeu Correia.
Alexandre Castanheira foi o guia perfeito da viagem efectuada desde os seus tempos de menino no Ginjal até aos seus últimos tempos, com a utilização de textos da sua autoria e de amigos do mundo das letras.
No final o Cénico da Incrível interpretou dois quadros de uma das suas peças, para satisfação de todos os presentes.
Esta excelente interpretação foi ao encontro das palavras de Fernando Barão, que levantara a questão de os grupos de Almada não levarem aos palcos as peças de Romeu. Questão reforçada por Alexandre Castanheira e por Carlos Alberto Rosado, que lançaram o repto de 2007 ser o ano do Teatro de Romeu Correia em Almada, com a exibição de várias peças da sua autoria pelos actores e encenadores do concelho.
Esta homenagem foi ilustrada com uma exposição de fotografias, recortes de jornais, capas de livros, cartazes de peças exibidas e também de uma verdadeira peça de museu: a cópia do auto de apreensão do seu primeiro livro de contos, "Sábado Sem Sol", pela PIDE (apesar dos seus esforços só apreenderam cinco livros...) nas bibliotecas da Academia e Incrível Almadense, que ilustra este texto.
Nota: A presença dos familiares directos de Romeu (filha, neto e genro) nesta evocação merecida contrastou com a ausência de qualquer elemento em representação do Município. Não deixa de ser triste a forma como os nossos autarcas tratam a memória de Romeu, tão bajulado e utilizado politicamente em vida, pela mesma força política que agora prima pelo silêncio e pela ausência...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Romeu Correia Homenageado em Almada


No dia em que se comemora a data do nascimento de Romeu Correia (17 de Novembro de 1917), três colectividades de Almada - Incrível Almadense, Academia Almadense e Farol -uniram-se para homenagear o almadense, que melhor soube transpor para o papel as histórias da sua terra, como romancista e dramaturgo.
Claro que a vida de Romeu não se resumiu ao mundo literário.
Foi um grande desportista, que fez parte de uma geração fantástica de atletas almadenses, donde se destacaram Francisco Bastos e António Calado, ambos campeões, recordistas nacionais e atletas internacionais. Foi um grande associativista, com uma predilecção natural para a sua Academia. Foi um democrata assumido, mesmo quando tal era proibido. E foi sobretudo um grande apaixonado pela sua terra.
A fotografia que ilustra este texto foi tirada no miradouro, onde hoje se encontra o elevador. Lugar onde o ouvi contar histórias maravilhosas sobre as suas aventuras de rapaz no Ginjal...

sexta-feira, outubro 27, 2006

Romeu Correia Recordado nas Caldas


O cinquentenário da fundação do Conjunto Cénico Caldense foi motivo para uma série de actividades culturais, com o objectivo de recordar alguns dos melhores momentos desta colectividade artística. Uma dessas actividades foi uma exposição bio-bibliográfica, no histórico e renovado Café Central das Caldas da Rainha.
Nesta exposição encontrei uma pequena pérola: uma das vitrines prestava homenagem a Romeu Correia, o nosso grande escritor e dramaturgo de Cacilhas, com recortes da peça, o programa e também o livro “O Vagabundo das Mãos de Ouro”.
A peça foi representada nas Caldas da Rainha pelo CCC em 1968 (tinha apenas quatro anos...) e disseram-me que foi um sucesso na época...
Os anos sessenta foram os anos de ouro de Romeu como dramaturgo. As suas peças estiveram em cena um pouco por todo o lado, com dezenas de encenações, quer por grupos amadores quer por companhias profissionais. Houve inclusive, várias peças suas transmitidas na Televisão.
Nas muitas conversas que travámos, Romeu confidenciou-me, mais que uma vez, que uma das suas mágoas foi ter sido muito mais vezes representado no tempo da ditadura (com os olhos bem atentos dos censores), que em plena democracia.
Agradeço desde já a amabilidade de Natacha Narciso e da "Gazeta das Caldas", que me cederam a imagem que ilustra este "post".

segunda-feira, outubro 23, 2006

Dia Internacional das Bibliotecas Escolares


Hoje comemorou-se o Dia Internacional das Bibliotecas Escolares.
Esta comemoração lembrou-me de imediato um projecto literário que tinha delineado para as escolas do meu concelho e que, infelizmente, acabou a marcar passo logo no começo, graças à falta de interesse e apoio da Escola Cacilhas – Tejo, candidata a sede da primeira edição.
Estou a falar do “Prémio Literário Romeu Correia” subordinado à nossa História Local e destinado aos alunos do secundário.
Além de termos como grande objectivo um melhor conhecimento dos alunos sobre a história da terra onde vivem e estudam, tínhamos também em atenção a distribuição de livros sobre Almada pelas Bibliotecas Escolares do Concelho, com o apoio das Autarquias Locais (praticamente inexistentes porque não existe uma boa política de distribuição e colaboração entre a Biblioteca Municipal e as suas congéneres escolares...)
Embora saiba que há escolas e escolas, professores e professores, fiquei extremamente desiludido com este virar de costas do “Mundo Escolar” ao “Mundo Associativo”...
O que me anima é verificar, através da “blogosfera”, que existem escolas e professores que não deixam passar em branco estas datas festivas.

terça-feira, junho 20, 2006

Ainda a Propósito de Romeu: "Somos um País de Analfabetos"

Por José do Carmo Francisco
O texto de Luís Milheiro sobre Romeu Correia e a sua posteridade almadense veio chamar a atenção para esta pecha dos portugueses: embora o seu Dia Nacional recorde um poeta a verdade é que o povo, enquanto tal, trata muito mal os seus poetas e escritores. Desde logo Camões morreu à fome embora muita gente encha a barriga à sua custa e dos seus versos. Mas a ignorância é transversal à sociedade. Não basta lembrar que a secretária de Santana Lopes recebeu a incumbência de agradecer um livro ao escritor Machado de Assis. Eu próprio vivi durante cinco anos muito perto do escritor Alves Redol em Vila Franca de Xira mas, mesmo entre as pessoas da «oposição», a verdade é que a figura de proa da família Mota Redol era, para essas pessoas a Dona Inocência porque tinha um colégio de meninas. O escritor Alves Redol era apenas um homem que escrevia uns livros, o primeiro dos quais é um texto antropológico chamado "Glória - Uma Aldeia do Ribatejo".
Sobre as autarquias só uma «história» absolutamente terrível: um investigador e bibliotecário morreu mas teve o cuidado de deixar toda a sua vasta e valiosa biblioteca ao Município alentejano onde tem raízes. Só que, de repente, alguém descobre que a biblioteca desse senhor, instalada num determinado lugar do concelho, iria fazer muita «sombra» à modesta biblioteca municipal dirigida por um familiar de um indivíduo ligado à Câmara local. Então, para proteger o «tacho» da miúda, toca de desfazer tudo e arranjar maneira de aquele valioso espólio ser entregue à Câmara Municipal da vila de onde esse senhor era originário mas nunca, ou quase nunca, viveu nem trabalhou. Ora aí está. Esses ao pé destes são aprendizes...

sexta-feira, junho 16, 2006

Romeu e as Conotações do Mundo Literário...



Romeu Correia ao longo da sua carreira literária nunca se livrou do epiteto de "autodidacta", que raramente era pronunciado de uma forma positiva. Em boa verdade nunca se mostrou incomodado com isso. Ele próprio fazia questão de dizer que era um produto do povo, sem nunca renegar as suas origens humildes e que "licenciaturas", só mesmo nas "Universidades do Povo de Almada".
Ao nível local esteve sempre acima das quezílias que existiram, e ainda existem, entre os "doutores" e os "autodidactas". A sua obra colocava-o num patamar superior aos dos "ditos doutos", que se dobravam e o enchiam de adjectivos e palmadinhas nas costas, para se valorizarem, como é óbvio...
Eu, felizmente tenho passado ao lado desta questão, porque embora não seja licenciado, a minha frequência universária e o curso de jornalismo do Cenjor, não tem permitido que seja qualificado de "autodidacta". Mas sempre senti que é uma grande injustiça as pessoas serem qualificadas, enquanto escritores ou poetas, pelas suas habilitações literárias e não pelo seu valor, enquanto autores. Até porque sei que há pessoas com a 4ª classe mais cultas e com melhor português que muitos doutores (sem falar no talento...).
Esta crónica deve-se também ao desabafo do meu amigo Zé do Carmo Francisco, poeta dos bons, que também não deixa de ser olhado de lado por alguns " doutos falhos" falsamente letrados, como o fulano diplomado que disse ao poeta Nicolau Saião, que escrevera uma crónica sobre a sua qualidade poética: «Não ponha esse indivíduo tão alto... ele nem é licenciado!»
É por isso que eu digo: bem hajam os "autodidactas" deste país, que têm subido a pulso a "corda da literatura", muitas vezes agarrados com todas as partes do corpo, porque é a única forma de conseguirem resistir aos muitos empurrões traiçoeiros, dados pelos pretensos "donos" deste mundo literário - que infelizmente não são tão poucos como isso...
Encerro a "Semana de Romeu Correia" com alguma polémica, mas agradado porque este grande senhor - que tive a oportunidade de conhecer -, não vai cair no esquecimento, como parece ser vontade de quem está no poder.