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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Nunca lhes Seremos Gratos

Ontem um amigo, "Capitão de Abril", teve a gentileza de me oferecer os três DVD's dos concertos comemorativos realizados pela "Associação 25 de Abril" em 2008, 2009 e 2010: "Vozes de Abril"; "Vozes que Abril Abriu" e "República de Abril"; com o apoio da RTP.
Pode ainda ser cedo para se fazer a história da Revolução de Abril, mas nunca é tarde para lhes agradecer o que fizeram pelo povo português.
Eu não esqueço a divida de gratidão que temos para com todos estes homens, que se uniram e fizeram a "Revolução dos Cravos" em 1974, libertando o país de uma longa agonia de 48 anos de ditadura.

Generosos e desapegados do poder, logo que lhes foi possível entregaram os destinos do país à sociedade civil, com a realização das primeiras eleições livres para o Parlamento, para as Autarquias e para a presidência da República, em 1976.

Apesar da sua generosidade e do seu valor como militares, foram quase todos preteridos nas promoções, por nunca terem prescindido dos seus valores e ideais. Contam-se pelos dedos de uma mão os "Capitães de Abril" que atingiram o posto de general.

É por isso que nunca lhes seremos gratos. A maioria de nós por não pudermos. A minoria que tem tomado conta do poder nos últimos trinta e quatro anos, por não conhecer a palavra gratidão, e claro, por olhar demasiado para o umbigo e para as suas contas bancárias, com os resultados que todos sabemos e sentimos...
Todos aqueles que estiverem interessados em obter esta colecção de DVD's memorável, devem dirigir-se à sede da Associação 25 de Abril, na rua da Misericórdia, nº 95, no Bairro Alto.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Vivas à República em Almada


Almada faz jus à sua situação geográfica, na Margem Esquerda do Tejo e sempre que pode antecipa-se às revoluções, foi assim a 23 de Junho de 1833 e também a 4 de Outubro de 1910. E se recuarmos mais algum tempo, em 1580 também vendeu cara a derrota aos espanhóis...

Voltando ao 4 de Outubro, de há exactamente cem anos, a presença de dois dirigentes republicanos e a acção dos agentes políticos locais, com realce para Bartolomeu Constantino, sapateiro de profissão e ainda mais revolucionário que os próprios republicanos, graças ao seu ideário, próximo do socialismo e do anarquismo, fizeram com que Almada se tornasse republicana, antes do tempo.

Bartolomeu Constantino tinha qualidade oratórias invulgares e foram as suas palavras, junto das fábricas, que conseguiram trazer para a rua cerca de oito mil operários, que percorreram as principais artérias de Almada, com vivas à República, e claro, com outros "mimos" muito menos agradáveis, em relação ao Rei, à Monarquia e à própria Igreja.

O cortejo revolucionário só parou em frente aos Paços do Concelho, ocupados pacificamente e onde se ergueu a Bandeira do Centro Republicano Capitão Leitão e se fizeram discursos inflamados pelas principais figuras da revolta.

O Castelo de Almada também foi ocupado, com a cumplicidade da guarnição, que viu ser içada a Bandeira do Centro Republicano Elias Garcia.

E mais uma vez se fez história em Almada, antes do tempo...

A ilustração mostra-nos Bartolomeu Constantino, que Romeu Correia apelidou de "Idealista sem Mácula" e cujo falecimento em 1916 foi um acontecimento nacional, com a presença de mais de vinte mil pessoas, tendo sido erguidas no Cemitério dos Prazeres oito tribunas para que usassem da palavra todos os oradores inscritos para lhe prestarem homenagem. O cortejo fúnebre contou ainda com a presença de três bandas filarmónicas: a Academia Verdi, de Lisboa e a S.F.U.A. Piedense e a Academia Almadense, de Almada.

sábado, maio 01, 2010

Um de Maio não é Um de Abril

Afinal não era nada assim, os gajos que mandam neste país não iam prescindir das ajudas de custo a que têm direito, nem dos prémios, muito menos dos carros e motoristas pagos pelo estado (sim esses, ministros, secretários de estado, deputados, gestores públicos, assessores políticos, etc).

Eles querem sim, é acabar com a "malandragem" que não quer fazer nada e vai para o Sol da Caparica e Carcavelos, ver se chove na praia, à custa do subsídio de desemprego "milionário". Até porque foram eles que "deitaram o país abaixo".
Ontem ao ver a reportagem/ sondagem televisiva sobre se as pessoas estavam dispostas a "oferecer" o décimo terceiro mês à crise, vi que nem toda a gente anda a dormir. Houve mais que uma pessoa a dizer, sim senhor, vamos lá sacrificar-nos (mais uma vez...) pelo país, mas os exemplos têm de começar de cima.
O problema é que esta "Ilha" solarenta não é a Irlanda, é outra coisa entre Angola, Brasil, Marrocos e Lusitânia (sem esquecer Roma e Nova Iorque, claro). E esta gente pensa que todas as crises têm de ser pagas pelo "povo"...
O óleo é de Edward Hopper.

domingo, abril 26, 2009

Certezas no Dia Seguinte

No dia 25 de Abril de 1974, apesar dos conselhos dados na rádio para que as pessoas permanecessem em casa, o povo de Lisboa saiu à rua e demonstrou estar de alma e coração com a Revolução.

Os militares, ainda antes da rendição de Marcelo Caetano, tinham percebido que não havia qualquer hipótese de se voltar atrás ou do golpe militar ser mal sucedido, com todo aquele apoio popular.
Quase todas as operações decorreram conforme tinha sido planeado, e até como menos oposição do que se esperava.
A única excepção foi (para variar...) a sede da PIDE na António Maria Cardoso, onde houve tiroteio e vitimas inocentes...
No dia 26 de Abril, todos tinham a certeza de que a ditadura marcelista era passado, que vinha aí um Portugal Novo.

A fotografia que escolhi é de Eduardo Gageiro, do Largo do Carmo no dia 25 de Abril de 1974.

sábado, abril 25, 2009

Rostos da Liberdade - 3


O verdadeiro Capitão da Revolução de Abril, que nunca quis ser poder, nem tão pouco se "vendeu" aos muitos interesses partidários que invadiram as Forças Armadas...

sexta-feira, abril 24, 2009

Indefinições no Dia da Véspera

24 de Abril de 1974 foi um dia que nasceu igual a tantos outros, cheio de indefinições, para muitos portugueses.

Milhares de jovens viam aproximar-se a chamada idade adulta, em que teriam de "defender a pátria" nas "nossas áfricas" e não sabiam o que fazer. Fugir ou ficar, era quase a mesma coisa que levantar ou baixar os braços ao país...
Pelo menos uma centena de homens e mulheres encontravam-se na clandestinidade, a lutarem contra a ditadura marcelista, com os olhos despertos para qualquer movimento estranho, logo que acordavam e com a mala feita, preparada para qualquer eventualidade...
Milhões de trabalhadores mal pagos sonhavam com a possibilidade de mudarem de vida, de emigrarem para conseguir ter aquilo que não lhes era permitido na terra onde nasceram...
Eram muito poucos os que acreditavam (e sabiam) que a Revolução estava tão perto, que ia sair à rua no dia seguinte...
A foto é de Rui Esteves.

terça-feira, novembro 25, 2008

Uma Data Sem Consensos

O 25 de Novembro de 1975, continua a ser uma data pouco consensual.

Para a verdadeira esquerda é um dia triste, significa o fim do sonho, o regresso ao passado, com a porta de novo aberta ao capital (e de facto eles começaram a regressar às suas casas no Restelo, vindos principalmente do Brasil)...
Para o centro e esquerda democrática continua a ser um marco histórico da Revolução de Abril, porque simbolizou o regresso da democracia e da liberdade, sem qualquer tipo de ameaça ditatorial...
Para a direita foi quase um "milagre". Foi a possibilidade de voltarem a respirar e a sonhar com o país desigual que tinham ajudado a construir (e a destruir...) até 24 de Abril de 1974, e continuarem a obra, com os resultados que todos conhecemos, trinta e quatro anos depois...
Claro que esta pequena análise, é demasiado simplista. Mas é difícil fazer história, a uma distância tão curta e com tantos intervenientes ainda vivos, cada um a puxar a "brasa à sua sardinha"...
A escolha do cartaz da autoria de Vespeira, não é inocente. O MFA, tal como no 25 de Abril de 1974, voltou a ser o principal protagonista do 25 de Novembro de 1975, como garante da Liberdade...

sexta-feira, abril 25, 2008

O Melhor da Noite de Abril


O 25 de Abril é sempre comemorado com festa de arromba em Almada.
Há boa música, discursos e muito fogo de artíficio...
Já conhecia os The Gift. Eles são de facto um espectáculo, uma banda de nível internacional.
Foram sem sombra dúvida o melhor da noite...
O único momento próximo foi o coro anónimo colectivo habitual, que cantou, "Grandola Vila Morena", ainda com emoção, trinta e quatro anos depois da Revolução...

quinta-feira, abril 24, 2008

Conversas de Café (6)

- Lembras-te do teu 24 de Abril de 1974?
- Não... não deve ter sido muito diferente do 23... casa, trabalho, trabalho, casa...
- Não tinhas nenhum amigo que soubesse da Revolução?
- Não... acho que depois do 16 de Março, a malta não acreditava em golpes militares, pensava que estava tudo controlado pelos generais, nos quartéis. E que os revolucionários estavam todos na prisão.
- É no mínimo curioso...
- Sabíamos que o Estado estava podre, velho, caduco, mas como tinha a PIDE a segurar as pontas...
- A PIDE, sempre a PIDE...
- Era o que mais nos assustava, sabíamos do que eram capazes. Eram o garante da ditadura...
O desenho é de Alberto de Sousa.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O Povo de Timor

Nunca estive em Timor e sempre evitei tecer grandes comentários sobre este pequeno país, que fez parte do nosso império colonial, porque um amigo que esteve por lá, durante seis meses, nos tempos de transição, no começo do século XXI, em que havia um força multinacional que governava a Ilha (com militares portugueses) ofereceu-me um retrato pouco positivo do povo timorense.

Durante esses tempos já era visível a luta de interesses entre as principais potências da região. O povo, esse, balançava ao sabor dos "doces" que lhe acenavam, tal como grande parte dos políticos timorenses, divididos em cada vez mais partidos...
Eu nessa época desculpei o povo timorense, pela pobreza e exploração de que sempre fora vitima, quer durante a nossa ocupação, quer com a ocupação indonésia. Pobreza que também chegava ao espírito...
Quando duas figuras cimeiras da luta pela independência, como Xanana Gusmão e Ramos Horta, que ocupam os principais cargos governamentais da Ilha, são alvo de atentados (dos quais o primeiro escapou ileso e o segundo ficou ferido com alguma gravidade), tenho de dar razão ao meu amigo João, há realmente muito volubilidade, muita intoxicação e também muita falta de memória do povo timorense.
Infelizmente, talvez nunca consigam ser completamente independentes, como todos nós gostávamos...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A Filha de Alfredo Costa Viveu em Cacilhas


Hoje todos os jornais (e certamente muitos blogues...) falam do regicídio, com algum saudosismo, à boa maneira portuguesa.
Como não partilho desse sentimento, prefiro falar de alguns descendentes dos responsáveis directos pela morte do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe, aqui no "Casario" e também nas "Viagens".
Na primeira metade do século vinte, Ermelinda Costa, filha de Alfredo Costa, um dos autores materiais dos assassínios dos dois elementos da casa real, que ocorreram no Terreiro do Paço, vivia em Cacilhas. Era dona de uma Chapelaria na rua Cândido dos Reis.
Apesar de vivermos num regime republicano, os familiares de Costa e Buiça, não tiveram uma vida fácil, até ao 25 de Abril de 1974. Apesar de tentarem manter o anonimato, não deixavam se ser apontados a dedo e vitimas de alguma perseguição política, pelo regicidio e também pela ligação umbilical a movimentos extremistas, como a Carbonária, o braço armado da Maçonaria.
Este postal do primeiro quartel do século vinte, mostra-nos a rua Cândido dos Reis, próximo do local onde existiu a Chapelaria de Ermelinda Costa.

domingo, junho 24, 2007

O Princípio do Fim do Cavaquismo...

O princípio do fim do cavaquismo começou a desenhar-se numa sexta-feira, dia 24 de Junho de 1994, quando os utentes da Ponte 25 de Abril, liderados pelos camionistas, bloquearam os acessos a Lisboa e à Margem Sul, numa das maiores - senão a maior - manifestações de descontentamento popular, contra o aumento das portagens.
Só conseguiram dispersar a multidão com duas grandes cargas policiais do corpo de intervenção, que indignaram e envergonharam milhões de portugueses...

Treze anos depois, é importante não esquecermos a vitima que ficou para a história, Luís Miguel, um jovem almadense que estava a assistir aquele espectáculo degradante e acabou por ficar tetraplégico, devido a uma bala perdida, disparada cobardemente contra a multidão...

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril Sempre!


Apesar de ter vários motivos para escrever de uma forma crítica, sobre as comemorações do 25 de Abril em Almada (o desperdício de dinheiro gasto em fogo de artificio, os discursos falsos como judas dos autarcas locais, a falta de espontaneidade na participação popular nos festejos...), vou enaltecer as três bandas de música das Colectividades mais antigas de Almada: Incrível Almadense, Academia Almadense e Filarmónica União Piedense, sempre presentes nos festejos populares.
Apesar dos tempos difíceis, estes baluartes do Associativismo continuam a manter as suas escolas de música e a recrutar jovens para as suas bandas, que foram a génese das suas fundações.
A foto que escolhi para ilustrar este pequeno texto é da Banda da Incrível Almadense, por ser a colectividade mais antiga de Almada (quase com 160 anos...) e também porque eu sou, orgulhosamente, um "Incrível".
Mesmo sendo um dia de festa, é bom não esquecermos, que devemos estar a enfrentar um dos períodos mais preocupantes, no que toca à perda de direitos sociais. A saúde talvez seja mesmo o caso mais preocupante. Mas há mais, como a precariedade do emprego e o congelamento de salários.
É por isso que continua a ser preciso gritar: 25 de Abril Sempre!
Quanto mais não seja, para lembrar aos falsos democratas que nos governam, que o 25 de Abril foi feito para tornar o nosso país num lugar mais justo e não um paraíso para os capitalistas.