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quinta-feira, setembro 26, 2019

O "Capítulo Maldito"...


Há um capítulo do meu caderno "25, uma experiência associativa em almada (1994-2019)",  mais polémico que todos os outros, onde faço uma análise fria e objectiva sobre a relação do poder autárquico com o associativismo ("O Poder Local e o Associativismo").

Não tenho qualquer problema em apontar o dedo a quem em vez de distribuir "canas de pesca", distribuiu "caixas de peixe" (e não existe qualquer desculpa, para quem exerceu o poder durante mais de quatro décadas...) pelas colectividades almadenses.

Embora reconheça que já seja tarde para discutir o que quer que seja, gostava que as minhas palavras servissem para algo mais, que as habituais discussões de café...

Claro que também gostava que alguns amigos meus comunistas não tivessem ficado incomodados com as minhas palavras, que apenas dão "voz" ao meu olhar atento e à minha experiência associativa de 25 anos, mas...

sábado, julho 06, 2019

O Poder nunca Gostou do "Contraditório"


De longe a longe tenho algumas conversas que me fazem lembrar as discussões sobre o "sexo dos anjos". 

A última delas foi com alguém próximo da CDU, que desabafou sobre a falta de um bom jornal em Almada, capaz de denunciar todos os problemas que estão ser criados pela presidência actual socialista.

Talvez não estivesse à espera que eu lhe recordasse, que a CDU nunca apoiou o "Jornal de Almada", de forma a que este pudesse subsistir, porque este tentava exercer o "contraditório" (por vezes de forma excessiva...), o que não agradava a quem exercia o poder há décadas (e quase sempre com maiorias...).

A boca fugiu-lhe para a verdade quando disse que o "Jornal de Almada" sempre fora um "pasquim" da igreja.

Pois é, quando se dão notícias "contra nós", os jornais têm sempre todos os defeitos do mundo...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 13, 2019

Será que o Problema é Meu? Sou Eu que Sou Exigente?


Esta fotografia tem dois dias e retrata uma escadaria no centro de Almada (Rua D. Maria da Silva), por onde passo quase todos os dias e onde o exemplo do "abandono" é demasiado evidente, pelo que nem vale a pena tecer qualquer outro comentário...

Recordo apenas que durante a última campanha eleitoral autárquica um dos partidos que governa a cidade (PSD), encheu Almada de cartazes, onde dava mostras de se sentir escandalizado com o "lixo na rua" (mesmo onde ele não existia...) e defendia, muito bem, "Uma Cidade mais Limpa".

Só que a realidade é sempre outra coisa, e eu não me lembro de ver as ruas tão sujas e "abandonadas" como nos últimos tempos...

Mas como todos nós sabemos, a política alimenta-se do esquecimento e da falta de memória...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, maio 29, 2019

Uma Oficina Mais "Efémera" para os Almadenses...


Almada está a mudar, há já uns tempos, não para melhor, para outra coisa qualquer (tenho escrito por aqui sobre algum do "surrealismo" socialista...), que ainda não é completamente palpável, mas que é, no mínimo, estranho.

Agora foi a vez da Oficina de Cultura deixar o "fato de ganga azul" e vestir algo mais acetinado...

Oficina que está actualmente a receber a exposição individual de Beatriz Cunha, "Relicários Efémeros", que teve direito a catálogo e tudo (viva o luxo desta Oficina nova...).

Na apresentação do catálogo somos informados da mudança: [...] "Sempre aberta para receber em exposições colectivas os criadores almadenses, a Oficina de Cultura abalança-se agora, no ano em que completa 25 anos nestas instalações no centro da cidade de Almada, a acolher uma exposição individual, perseguindo deste modo uma prática que pretende incutir um espírito inovador  na sua programação. "[...]

O primeiro comentário que faço é este: «Que bom que é inovar, ignorando os artistas almadenses!»

Acho mesmo uma vergonha, que as três melhores galerias de arte de Almada, estejam praticamente vedadas aos artistas do concelho (Casa da Cerca, Galeria Municipal e agora, pelos vistos, a Oficina de Cultura...). 

E estranho o silêncio das Colectividades Culturais do Concelho de Almada, e sobretudo, dos seus artistas...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, maio 22, 2019

Tudo Igual, quase Três anos Depois...


Escrevi pela primeira vez sobre este atentado ao património cacilhense em Agosto de 2016.

Voltei a escrever sobre o assunto em Dezembro de 2016.

Mas a 22 de Maio de 2019, está tudo na mesma, como a lesma... Talvez os turistas até pensem que aquelas pinturas fazem parte da escultura...

É uma falta de respeito, de quem de direito, ao autor da obra e a todos os cacilhenses.

Talvez estejam à espera das próximas eleições autárquicas, ou então acham que assim o monumento fica mais giro...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, maio 10, 2019

O Poder Local nunca Olhou o Associativismo Almadense com "Olhos de Ver"...

A minha "coabitação" de 25 anos no Movimento Associativo Almadense, faz com que possa dizer, sem pestanejar, que o Poder Local nunca olhou o Associativismo Popular com "olhos de ver".

No longo reinado da CDU (e do vereador António Matos...) foi sempre mais fácil distribuir "caixas de peixe" que "canas de pesca" (contrariando o velho ditado chinês...) a uma boa parte de Colectividades do Concelho. 

Nunca houve qualquer preocupação em premiar quem trabalhava como devia ser, distante de uma postura associativa subsidiodependente. Ou seja, em vez de terem uma postura coerente e justa, passaram o tempo a "apagar fogos" e a alimentar velhos vícios (como se a "mama da teta da vaca do poder" desse sempre leite...) ao mesmo tempo que faziam concorrência desleal com muitas Colectividades (sem qualquer possibilidade de ombrear no quer que seja, com o poderio de um Município...), substituindo-as na sua função e ligação às comunidades.

Infelizmente o PS consegue fazer ainda pior, neste já mais de ano e meio que leva de mandato (sim, já não há espaço para desculpas...). Por um lado finge-se de "morto", por outro, faz de conta que o Movimento Associativo não existe, desrespeitando o passado e o presente das Colectividades e dos dirigentes voluntários, que apenas se movem pelo amor aos seus clubes.

Estou completamente à vontade para falar, porque as minhas colectividades (Incrível e SCALA) sempre trabalharam para o bem comum sem estar à espera de subsídios. Mas não existem milagres, e quem trabalha em prole da população almadense, tem de ser apoiado. 

Às vezes fico com a sensação que os governantes não percebem (acho que não querem é perceber...) que não estão a gerir o seu próprio dinheiro, mas sim o dinheiro de todos nós. Dinheiro esse que deve reverter para o bem comum de todos os cidadãos do Concelho e não para meros interesses pessoais...

(Fotografia de Luís Eme - que poderia ter como legenda: "basta termos o Cristo-Rei de costas voltadas para Almada"...)

quinta-feira, maio 09, 2019

A Incrível Almadense na SIC Notícias


Há dois dias a SIC Notícias transmitiu uma pequena notícia sobre a questão das rendas da sede social da Incrível Almadense, focando o seu aumento (100 vezes o valor antigo...). Ouviu a Incrível, o proprietário e também o Município de Almada.

O mais curioso da reportagem acaba por ser a resposta do Município, que afirmou não poder ajudar a Incrível (nem ter interesse...), por que se tratava de um edifício privado e apenas de serviços. De seguida acrescentou que as salas de espectáculos da Incrível serão classificadas como imóveis de interesse público, pela sua dimensão histórica.

A ajuda que a Incrível pediu ao Município em relação à sede social foi o levantamento das plantas do Cine-Incrível, por que também existe  um litígio com o senhorio sobre as áreas do edifício, pois há alguns espaços da Incrível que ele acha que são seus.

É no mínimo estranho que o Município não tenha verbas para ajudar a transformar o Salão de Festas da Incrível (aqui sim, houve um pedido de apoio monetário...) numa sala com condições para ser alugada, para qualquer tipo de espectáculo, mas que afirme que este será classificado como imóvel de interesse público.

O que a Incrível quer, é que um espaço que é seu, possa gerar receitas para ajudar a gerir o dia a dia da Colectividade, seja ele, ou não, de interesse público (que já o é, para todos os Incríveis, sem precisar de qualquer intervenção estatal...).

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, abril 29, 2019

A Incrível Precisa de Almada!

Ontem realizou-se mais uma Assembleia Geral Extraordinária da Incrível Almadense, infelizmente com pouca participação dos seus associados.

A lei por mais injusta que seja, é soberana. E a Incrível Almadense não é mais nem menos que as dezenas (provavelmente centenas...) de Colectividades lisboetas - algumas também centenárias - que foram desalojadas dos seus espaços graças à famosa "lei cristas", que protege de forma obscena os proprietários, em prejuízo dos inquilinos.

Foi por essa razão que a Incrível teve de pagar 13 mil euros na semana passada (as rendas atrasadas da sua sede desde Agosto de 2018, acrescidas de 20% do seu valor, exigidas pelo senhorio...), ainda que este valor tenha sido calculado sobre áreas que são pertença da Incrível Almadense (algo que terá de ser resolvido em tribunal...).

Neste período bastante complicado para a Colectividade mais antiga de Almada, não podemos deixar de registar a "ausência" do Município (nem sequer se dignou a responder aos vários pedidos de audiência com a vereadora do respectivo pelouro, apesar do apoio prometido. Salientamos que o apoio pedido não foi monetário, mas sim técnico...).

A Incrível Almadense está neste momento a lutar sozinha nesta "batalha", pelo que é imperioso que Almada acorde perante este problema, e seja solidária, com a Colectividade que mais contribuiu para o seu desenvolvimento cultural, sendo a grande pioneira do teatro, do cinema, da música e da literatura do Concelho.

Não temos dúvidas, que sem o trabalho desenvolvido ao longo de 170 anos, pela Incrível (e por outras colectividades, como por exemplo a SFUAP e a Academia), Almada não seria o que é hoje, tanto na qualidade como na oferta cultural.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 23, 2019

Almada, os Livros e os Escritores


Almada também é uma cidade de livros e de escritores (pois é, parece que  afinal não é só de Teatro...).

Digo mesmo que há poucos concelhos com tanta gente a escrever livros. E menos ainda a interessarem-se pela sua história. 

Sem me levantar da secretária, vou citar de memória, escritores almadenses que escreveram livros sobre história local, com o devido aplauso (mesmo que nem sempre tenham o apoio que deveriam ter a nível autárquico (quer do Município quer das Juntas de Freguesia).

Alexandre Castanheira, Alexandre M. Flores, António Correia, António Henriques, António Pereira Ramos, António Policarpo, Artur Vaz, Carlos Guilherme, Conde dos Arcos, Diamantino Lourenço, Edite S. Condeixa, Eduardo Alves, Eduardo M. Raposo, Elisabete Gonçalves, Fernando Barão, Francisco Silva, Henrique Mota, José Abrantes Raposo, Luís Alves Milheiro, Luís Bayó Veiga, Manuel Lima, Manuel Lourenço Soares, Orlando Laranjeiro, Raul H. Pereira de Sousa, Romeu Correia, Rui Mendes, Sebastião Caldeira Ramos, Victor Aparício, Victor Reis (entre outros que me escaparam da memória...).

Homenagear quem escreve apenas com o objectivo de partilhar o seu conhecimento foi a forma que escolhi para festejar o Dia Mundial do Livro, aqui no "Casario".

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, março 22, 2019

"Colisão" entre o Lazer e o Desporto na Sobreda...

Talvez por ter feito atletismo, senti próximas as inquietações relatadas por uma dirigente do clube de atletismo da Charneca de Caparica, no "Encontro do Movimento Associativo Almadense". Preocupações extensivas a todos os clubes que treinam as disciplinas técnicas na pista municipal da Sobreda (especialmente os lançamentos do disco e do martelo...).

Antes do Natal foram instalados rente à pista de atletismo um conjunto de diversões de inverno, sem que houvesse a preocupação de manter o normal funcionamento dos treinos, que se realizavam naquele espaço, especialmente o treino de lançamentos, pois com todas aquelas barracas brancas próximas do sector de lançamentos colocado fora da pista, é impossível treinar o disco ou o martelo ali, por questões de segurança.

O que estranhamos é que esta situação se arraste no tempo (praticamente não há clientes para a "pista de gelo" e deverá ser assim, até ao próximo Natal...) e não se tenha feito nenhuma tentativa de "deslocalizar" as diversões, para uma área segura, que permitisse uma convivência saudável entre as actividades de lazer e as desportivas...

Nota: faz-me confusão que o senhor Pedro Matias, tão diligente a defender o Município dos Associativistas, ainda não tenha tido a preocupação de arranjar uma solução para este problema, a contendo das duas partes, até porque se trata de uma questão localizada geograficamente na Freguesia que dirige...

(Óleo de Jean Metzinger)

quarta-feira, março 20, 2019

O Velho Hábito de "Atirar Areia para os Olhos" dos Outros...

O "Encontro do Movimento Associativo Almadense" foi de tal forma livre, que houve quem usasse a palavra para defender o indefensável. Falamos de um autarca do PS, presidente da União de Juntas da Charneca de Caparica e Sobreda, que até quis usar palavras caras, dizendo que os problemas do Associativismo são endógenos e não exógenos (internos e não externos...), tentado salvar a face do Município, como se o Encontro tivesse como único objectivo atacar a Câmara Municipal de Almada.

Os problemas internos que existem na generalidade das colectividades (e são vários...) foram quase sempre provocados por factores externos a estas, ou seja, pelas próprias mudanças da sociedade onde estamos inseridos, que se foi tornando, de ano para ano, mais egoísta e individualista, colidindo frontalmente com os princípios do Associativismo.

Não há nenhum modelo Associativo do século XIX, XX ou XXI. Há assim adaptações sócio-económicas, sócio-culturais e sócio-desportivas, que se fazem (ou devem fazer...) naturalmente ao longo dos anos. 

Neste caso em particular, se há alguém que está a abrir "trincheiras" (palavra de Pedro Matias...), é o Município, que nem sequer se dá ao trabalho de ouvir os dirigentes associativos do concelho de Almada.

É muito fácil falar na "urgência" de trazer os jovens e as mulheres para o Movimento Associativo, para desviar as atenções.  Difícil é alterar o rumo actual da sociedade, cada vez mais desigual, e que trata os jovens como se fossem cidadãos de segunda, apesar das suas qualificações, oferecendo-lhes na generalidade dos casos, trabalho precário e mal pago...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, março 18, 2019

A Falta de Respeito Institucional (e a Incompetência) do Município de Almada para com as Associações Almadenses


Um dos aspectos que mais me surpreenderam pela negativa no "Encontro do Movimento Associativo Almadense" foi o testemunho de três dirigentes, que denunciaram a resposta "mentirosa" dos serviços do Município aos seus pedidos de apoio, feitos através da respectiva Plataforma.

Pelo que percebemos foi enviado para todas as colectividades (ou para a sua maioria...) um ofício com o mesmo teor, informando que a não atribuição dos subsídios pedidos se devia à não entrega de toda a documentação obrigatória (os intervenientes afirmaram que os seus processos estavam completos...) e também ao facto de não terem a sua situação regularizada na Segurança Social e nas Finanças (algo que também foi negado pelos três...). Havia ainda uma alínea que dizia que já tinham pedido um apoio nos últimos três anos, mas um dos dirigentes que falou, referiu que o seu pedido, era o primeiro que a sua Associação fazia ao Município...

Já tínhamos conhecimento da situação, pois uma associação da qual somos associados, também recebeu o mesmo ofício. Mas não fazíamos ideia que a sua cópia tinha sido enviada para a generalidade das Colectividades que tinham pedido apoio, com os mesmos argumentos e pressupostos, errados, ou para sermos ainda mais claros, mentirosos.

Em 25 anos que já levo de prática associativa, nunca tinha ouvido algo semelhante. Revela uma falta de respeito, de seriedade e de responsabilidade, sem precedentes, do Município perante as Colectividades Almadenses e os seus dirigentes.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 17, 2019

Autarquia Almadense de Costas Voltadas para o Associativismo

Ontem estive presente no "Encontro do Movimento Associativo Almadense", que se realizou na Cova da Piedade, organizado pela Associação das Colectividades do Concelho de Almada, onde se abordaram, com alguma pertinência, alguns dos problemas que afectam o Movimento Associativo Popular do Concelho.

Estiveram presentes cerca de 100 pessoas, cuja maioria eram dirigentes associativos. Houve vinte intervenções, da mesa e da plateia, quase todas elas pertinentes, trazendo para a reunião problemas concretos e oferecendo também algumas pistas para a sua resolução.

Percebemos que existe um problema comum, a falta de apoio e de sensibilidade, por parte do Município, perante a generalidade das Colectividades de cultura, desporto e recreio, que todos sabemos, continuarem a substituir o Estado nos seus deveres, expressos na Constituição...

A ausência de qualquer elemento do Município (foram convidados a Presidente do Município, o Presidente da Assembleia Municipal, os Vereadores e um Director de Serviços...), diz quase tudo sobre sobre a sua posição perante um parceiro, incontornável, em Almada.  

Sim, incontornável. As Associações são as responsáveis por quase tudo o que se faz na cultura, no desporto, no recreio, junto das populações. Nos últimos anos ainda têm ido mais longe, oferecendo apoio nos cuidados primários que são prestados, às pessoas mais idosas e carenciadas de Almada (todas as Freguesias do Concelho têm associações de reformados, às quais se juntam outras IPSS's que diariamente apoiam milhares de pessoas...).

Trabalho esse que sempre foi feito, maioritariamente, de forma voluntária e graciosa.

Durante a próxima semana irei escrever no "Casario" sobre algumas das coisas mais importantes que ouvi (algumas delas completamente incompreensíveis...).

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, março 14, 2019

Encontro do Associativismo Almadense


Se há alguém que tem razão de queixa do actual executivo camarário de Almada são as Colectividades Populares, de cultura, de desporto e de recreio, almadenses.

Uma fonte fidedigna  disse-nos que em 2018, houve mais de 200 pedidos de apoio que não foram atendidos e que nem sequer mereceram qualquer resposta ou justificação válida por parte do Município.

A realidade diz-nos que o Movimento Associativo, apesar das dificuldades de sobrevivência (cada vez maiores...), ainda continua a substituir o Estado, na formação desportiva e cultural da maior dos portugueses, que continuam a encontrar nas Colectividades o seu espaço primordial de convívio e de desenvolvimento físico e intelectual. 

Pelo que faz todo o sentido que o Associativismo seja apoiado (o que não é sinónimo de se ser "subsídiodependente"...), pelo Poder Local.

E faz ainda mais sentido que as Colectividades Almadenses se encontrem, para debater os problemas que mais as afligem, e colocam mesmo em causa, a sua sobrevivência no futuro próximo.

A Associação das Colectividades do Concelho de Almada, sensível a todas estas questões, promove no próximo sábado, às 15 horas, no pavilhão da SFUAP, Cova da Piedade o "Encontro do Movimento Associativo Almadense", com um tema bastante abrangente:  "Almada, uma atitude colectiva, viva e com futuro, que caminho?"

Pensamos que esta é a altura certa para as Colectividades e os seus dirigentes se encontrarem e discutirem de uma forma aberta e honesta, os seus verdadeiros problemas, e se possível, encontrarem o tal caminho, tão necessário...

domingo, março 10, 2019

A Aposta (oficial) na Transformação de Almada em "Cidade Satélite" de Lisboa


A entrevista de hoje da presidente do Município de Almada,  Inês Medeiros, à revista "Visão", acaba por ser positiva, pelo menos para mim.

Já tinha notado (e escrito...) que há a tentativa de "roubar" a identidade local do Concelho de Almada - e até a própria história -, fingindo não perceber que os almadenses não se envergonham do seu passado, das suas raízes operárias e associativas. 

Claro que acho muito bem que se aproveitem as potencialidades da nossa localização geográfica, do "boom" do turismo, mas sem termos de ser, necessariamente, uma "Mini Lisboa". 

Será que não podemos fazer todo esse aproveitamento e continuarmos a ser Almada?

Quando a presidente diz: «Quando chegamos de cacilheiro a Cacilhas, pomos os pés em terra e deixamos de ver Lisboa. Há uma espécie de muro, de muralha de aço [risos]. Não faz sentido sermos o município da resistência. Os próprios almadenses sentiam um desfasamento entre as potencialidades de Almada e a realidade. Tem de haver outra dinâmica.» Também sorrio.

Acho alguma graça a esta caracterização (muito perto da fabulação...). Talvez por nunca ter encontrado nenhum muro, muito menos uma muralha no Largo. 

Encontro sim, um largo feio e pouco agradável para quem chega, sim (desde sempre...), embora perceba que a maior parte das pessoas que chegam do cacilheiro são habitantes da Margem Sul (esquecendo as horas mortas...) que querem apanhar os autocarros e o metro, para chegarem o mais rapidamente a casa... Ou seja, afastar os transportes do Largo, será um problema para toda aquela gente...

Mas basta andar uns metros em direcção ao Farol e apreciar o Tejo que chega a Lisboa (há bancos e tudo para nos sentarmos...).

Há uma outra frase, que diz muito da presidente: «Almada tem de sair do estado de bela adormecida e acordar para todo um fervilhar que existe na Área Metropolitana de Lisboa, assumindo a sua centralidade, tendo um espaço público mais qualificado, sendo um município de referência a nível universitário e criando um conjunto com a capital. Somos dois municípios que se olham nos olhos. Encaramo-nos de frente.»

No meu olhar, descubro uma lisboeta estrangeirada, apostada (são suas as palavras...) em criar um conjunto com a Capital. Isso explica em parte a aposta de tantos lisboetas em lugares-chave da Autarquia, em detrimento de almadenses. E explica também algum cosmopolitismo, que tem pouco a ver com a realidade do Concelho.

Acredito que a presidente ainda vai perceber que as coisas não mudam apenas por "decreto", ou porque achamos que estamos certos e os outros estão todos errados...

(Fotografia de Luís Eme - o Largo de Cacilhas, sem qualquer muro ou muralha, o Tejo está logo ali, a dizer-nos olá...)

quinta-feira, março 07, 2019

Regras Ambientais Diferentes em Almada...


No sábado o meu filho andou a cortar alguns ramos da nespereira da avó. Passei por lá no fim e ajudei a arrumar num canto do quintal o que se cortara, contrariando a ideia e vontade de colocar tudo junto aos contentores do lixo. Disponibilizei-me a contactar a União de Juntas de Almada, para depois recolherem o "lixo verde" do quintal e não no passeio, em nome das regras de higiene e civismo.

Quando contactei telefonicamente a Junta para a "recolha", acabei por ser surpreendido, pela negativa, para variar. O funcionário que me atendeu disse que a União de Juntas não fazia recolhas em quintais e aconselhou-lhe a ir colocando, ao cair da noite, os ramos da nespereira, junto ao contentor do lixo, que depois seriam recolhidos durante a manhã.

Como se costume dizer "quem manda pode" e mesmo a contragosto, lá colocámos as folhas e os bocados de troncos junto ao contentor mais próximo.

Curiosamente, hoje acabei por achar piada a este placard informativo do Município, que até fala de "coimas", para quem deixar "monos" e outro lixo, junto aos contentores...

Parece-me que era boa ideia, que se entendessem sobre este assunto. Não faz qualquer sentido que o Município diga uma coisa e a União de Juntas outra... Até porque estou de acordo com o placard informativo, quero uma Almada mais limpa...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 01, 2018

Um Ano no Mínimo Estranho...

Este último ano em Almada, governado pelo PS, coligado com o PSD, tem sido no mínimo estranho.

Como já tenho dito, achava a mudança  política benéfica (mais de 40 anos no poder, mesmo da CDU, fazem sempre mal à democracia...), embora não tivesse a expectativa de que se realizassem grandes melhorias.

Infelizmente as coisas têm corrido pior do que eu pensava, pelo menos na Cultura e no Associativismo, que são as áreas que melhor conheço.

Até posso oferecer alguns exemplos: sobrevalorização e desinvestimento dos espaços culturais existentes do Município; "dança de cadeiras" quase permanente nas chefias, com a nomeação de demasiados "lisboetas", sem que tenham qualquer ligação ou conhecimento da realidade local; diminuição drástica dos apoios ao movimento associativo; desleixo informativo em relação aos almadenses (a agenda cultural tem saído quase sempre a meio do mês, ou seja, depois de metade das coisas terem acontecido...); e o pior de tudo, ausência de qualquer informação e esclarecimento às muitas dúvidas que persistem em relação ao presente e futuro, nos meios culturais e associativos. 

Uma das coisas que mais me irritava na governação da CDU, eram os tiques "autocráticos" de alguns vereadores (o poder de largos anos tem esse efeito nas pessoas...). Tiques que se mantêm neste novo quadro governativo, a começar pela Presidente...

É por isso que acho pertinente a colocação desta faixa em vários lugares de Almada pela CDU (ao contrário de um amigo comunista, com quem conversei há dias...), quanto mais não seja para "abrir olhos" a quem está no poder...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 27, 2018

Quando a Democracia Fica Doente...


Em entrevista dada à "Gazeta das Caldas" (edição de 19 de Outubro) Luís Patacho, líder local do PS e da oposição disse algo sobre as Caldas da Rainha, que se poderia perfeitamente encaixar no poder local de Almada, antes das últimas eleições:

«Em Ciência Política, quando uma força política está mais de 20 anos consecutivos a gerir, seja um país, seja uma câmara municipal, seja uma região autónoma, já não se considera tecnicamente uma Democracia. Chama-se a isso um regime híbrido. Porquê? Porque o próprio sistema não é capaz de se regenerar, de criar alternância e portanto a Democracia estará como um doente.»

Concordo com as palavras de Luís Patacho. E mesmo estando próximo do PCP (ideologicamente...), sabia que era bom para a democracia e para Almada, que a CDU perdesse as últimas eleições. Mais de 40 anos de poder, acabam por provocar uma grande incapacidade de se olhar à volta e de se fazer  autocrítica...  Além de clientelismo, compadrio, etc.

Não acredito que Almada ganhe algo de substancial com a coligação do PS e do PSD (pelo contrário...).  Acredito sim, que a CDU, quando voltar ao poder, irá ter uma  postura diferente, vai voltar a olhar para os almadenses.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 12, 2018

O Associativismo é Outra Coisa...


Faz-me confusão esta coisa de duas ou três pessoas se juntarem, para beneficiarem de apoios (como por exemplo conseguirem expor os seus trabalhos ou lançar os seus livros...), como se fossem um "colectivo".

Mas faz-me ainda mais confusão algumas instituições irem na cantiga...

Eu sei que está tudo a mudar muito rapidamente, mas o Associativismo que conheço, e pratico, é outra coisa...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 08, 2018

Ecos da "Revolução" Política em Almada (2)


A parte que considero mais desagradável das mudanças políticas dos governos (locais e nacionais), são as exonerações, que muitas vezes não passam de saneamentos políticos. Se algumas são necessárias e outras razoáveis, há muitas completamente injustas.

Normalmente os visados são colocados em lugares pouco compatíveis com a sua experiência e competência. Em alguns casos há mesmo a tentativa de "humilhar" e de "destruir", todo um passado construído com anos de dedicação e conhecimento, colocando-os nas chamadas "prateleiras".

Ferreira Fernandes numa das suas crónicas do "DN" (29 de Dezembro de 2010) explica o fenómeno:

«Um profissional faz carreira, chega a um patamar e um dia sabe que já não o querem mais ali. Seja porque ele atingiu o seu patamar de Peter (não exerce bem o cargo) ou porque é vítima de injustiça - não interessa o facto e que quem de direito o quer demitir. O normal seria mandarem-no para cargo compatível com o que ele sabe fazer ou despedirem-no. Em Portugal há uma terceira via: a prateleira. A empresa ou a repartição poupa um pouco nos gastos, mas fica também com um peso absolutamente morto. O ex-chefe de qualquer coisa passa a ser o mais inútil dos empregados, não faz nada. Nem de conta. É o pegar de cernelha aplicado aos nossos recursos humanos.»

Se por um lado, compreendo perfeitamente as mudanças em lugares de chefia e de confiança política, já não percebo muito bem, outras, a nível intermédio. Mesmo sabendo que existem algumas pessoas capazes de "causar mais danos" com as suas "sindicâncias" e proliferação de boatos, no seio dos trabalhadores, que muitos chefes competentes e com brio profissional...

E há outros exemplos que não deixam qualquer dúvida, pelo menos na minha cabeça. Quando um funcionário municipal, que é também deputado, vai para as assembleias insultar a presidente da Câmara ou os vereadores, com meias verdade e meias mentiras, não tem condições para exercer qualquer cargo de responsabilidade no Município...

(Fotografia de Luís Eme)