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quinta-feira, janeiro 02, 2020

A Quase "Imortalidade" do Fernando...


Um dos meus melhores amigos de Almada faz hoje a bonita idade de 96 anos.

Felizmente, não se tem notado muito os anos a passarem por ele. Os únicos problemas que o acabam por limitar, são a perda de visão - que já não lhe permite fazer duas das coisas que mais gostava: ler e escrever - e a artrose nos joelhos, que lhe limita um pouco os movimentos. 

Continua com uma lucidez invejável e com a sua bonomia de sempre (tem sempre duas ou três anedotas novas "guardadas no bolso", para os amigos...). É sempre um prazer estar na sua companhia.

Às vezes sinto que ele "já não tem idade", que atingiu quase a "imortalidade". Sei que isto pode parecer estranho, mas as pessoas que conviveram com Manoel de Oliveira, devem perceber o que eu quero dizer.

Parabéns, Fernando.

(Fotografia de Luís Eme - Verdizela)

sexta-feira, novembro 01, 2019

O Pescador na Procissão de Cacilhas

Achei curiosa a presença de um pescador na Procissão de Cacilhas (com as canas aos ombros...), porque o "Milagre de Cacilhas" teve como principal protagonista um pescador (ou catraeiro...), que pegou numa imagem da Virgem Maria e dirigiu-se para as águas que invadiam a localidade, durante o "maremoto" de 1755 (que se seguiu depois do sismo...) e pediu à Virgem, para que acalmasse as águas e pusesse termo aquele "inferno"... 

O que viria a acontecer e fez com que a população de Cacilhas, passasse a realizar anualmente uma Procissão (que se realiza desde o século XVIII), como forma de agradecer este "Milagre".

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas) 

segunda-feira, setembro 30, 2019

Brincar com as Tradições


O protesto do Centro de Cultura Libertária, pode ter sido mais positivo do que se poderá pensar. E não estou a pensar nos animais, mas sim nas pessoas.

O que se organizou no passado domingo não tem nada que ver com as "burricadas" (a corrida sem burros é uma coisa mais carnavalesca que tradicional...).

É preferível manter os passeios (no fundo as burricadas eram isto, passeios de burro guiados, com vários percursos pelo Concelho) no Largo de Cacilhas e o comércio nas ruas, mas colocar de lado as "palhaçadas"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, setembro 27, 2019

As Burricadas em Cacilhas


Como já escrevi no meu "Largo", no dia 29 de Setembro (domingo) realizam-se as habituais "Burricadas", fazendo jus a uma velha tradição local, organizada pelos escuteiros de Cacilhas.

Quem não vai estar pelos ajustes, é o Centro de Cultura Libertária, com sede na rua Cândido dos Reis, por onde de faz o habitual percurso das "Burricadas", que divulgou no seu blogue que iria organizar uma "jornada de protesto" silenciosa, junto ao seu espaço, com o VOE (Veganismo de Oposição à Exploração).

O CCL irá colocar uma faixa com estas palavras: "Os animais não são um brinquedo" e farão ainda uma pequena performance "O burro triste".

Claro que há um excesso de proteccionismo aos burros, que contraria o uso que tradicionalmente se dá a estes animais domésticos (mesmo nos lugares onde existem associações de protecção dos Burros, é normal serem realizados passeios no seu dorso, quase sempre por crianças...). 

Mas todos os "radicalismos" acabam por nos fazer pensar... E neste caso particular, acho que os Escuteiros  deviam  ser alheios à organização, pois como defensores da natureza, deviam proteger todas as espécies animais...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 24, 2019

O Comércio no Largo de Cacilhas


Há meia-dúzia de dias quando saía do cacilheiro, vi mais bancas de venda que o costume, logo ali rente ao cais, quando as pessoas aceleram o passo para apanharem os transportes que as levam de volta a casa.

A diversidade de venda de produtos (frutas, legumes, queijos, roupas, malas...) fez com que pensasse pela primeira vez, na possibilidade de se criar um "mercadito de venda", com mais espaço para os vendedores e consumidores, ali naquele mesmo sítio...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, julho 03, 2019

A Solução do Costume...

Hoje passei por Cacilhas e descobri que a escultura de Jorge Pé-Curto, que homenageia Cacilhas, as crianças e as tradições (Burricadas), estava vedada.

Como de costume, a solução para os problemas em Almada são placas de aviso (o Ginjal está cheio delas, embora muitas já estejam quase ilegíveis...) ou vedações a proibir a passagem das pessoas (que normalmente não são cumpridas, com a da escadas que vão dar ao parque de estacionamento do Morro de Cacilhas, com já mais de um ano...).

As obras de recuperação ou de melhoramentos, essas, normalmente são inexistentes...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, junho 05, 2019

Explorar a Maré Baixa no Ginjal...


Na manhã de ontem fiz uma coisa que nunca tinha feito.

Vim de Almada para Cacilhas pelo caminho mais distante, ou seja, pelo Ginjal.

Já à beira rio descubro que há muito tempo que não encontrava o Tejo "tão vazio". 

Foi por isso que desci à praia das Lavadeiras e me aventurei por caminhos "ainda não navegados". 

Caminhos que normalmente estão cobertos de água...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, maio 27, 2019

A Passagem do "Espanta-Peixes"...

Às vezes o cacilheiro aproxima-se ligeiramente da margem e os pescadores não acham muita piada.

Talvez por ser um bocado grande, alguns rapazes habituaram-se a chamar-lhe o "espanta-peixes"...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, maio 22, 2019

Tudo Igual, quase Três anos Depois...


Escrevi pela primeira vez sobre este atentado ao património cacilhense em Agosto de 2016.

Voltei a escrever sobre o assunto em Dezembro de 2016.

Mas a 22 de Maio de 2019, está tudo na mesma, como a lesma... Talvez os turistas até pensem que aquelas pinturas fazem parte da escultura...

É uma falta de respeito, de quem de direito, ao autor da obra e a todos os cacilhenses.

Talvez estejam à espera das próximas eleições autárquicas, ou então acham que assim o monumento fica mais giro...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 10, 2019

A Aposta (oficial) na Transformação de Almada em "Cidade Satélite" de Lisboa


A entrevista de hoje da presidente do Município de Almada,  Inês Medeiros, à revista "Visão", acaba por ser positiva, pelo menos para mim.

Já tinha notado (e escrito...) que há a tentativa de "roubar" a identidade local do Concelho de Almada - e até a própria história -, fingindo não perceber que os almadenses não se envergonham do seu passado, das suas raízes operárias e associativas. 

Claro que acho muito bem que se aproveitem as potencialidades da nossa localização geográfica, do "boom" do turismo, mas sem termos de ser, necessariamente, uma "Mini Lisboa". 

Será que não podemos fazer todo esse aproveitamento e continuarmos a ser Almada?

Quando a presidente diz: «Quando chegamos de cacilheiro a Cacilhas, pomos os pés em terra e deixamos de ver Lisboa. Há uma espécie de muro, de muralha de aço [risos]. Não faz sentido sermos o município da resistência. Os próprios almadenses sentiam um desfasamento entre as potencialidades de Almada e a realidade. Tem de haver outra dinâmica.» Também sorrio.

Acho alguma graça a esta caracterização (muito perto da fabulação...). Talvez por nunca ter encontrado nenhum muro, muito menos uma muralha no Largo. 

Encontro sim, um largo feio e pouco agradável para quem chega, sim (desde sempre...), embora perceba que a maior parte das pessoas que chegam do cacilheiro são habitantes da Margem Sul (esquecendo as horas mortas...) que querem apanhar os autocarros e o metro, para chegarem o mais rapidamente a casa... Ou seja, afastar os transportes do Largo, será um problema para toda aquela gente...

Mas basta andar uns metros em direcção ao Farol e apreciar o Tejo que chega a Lisboa (há bancos e tudo para nos sentarmos...).

Há uma outra frase, que diz muito da presidente: «Almada tem de sair do estado de bela adormecida e acordar para todo um fervilhar que existe na Área Metropolitana de Lisboa, assumindo a sua centralidade, tendo um espaço público mais qualificado, sendo um município de referência a nível universitário e criando um conjunto com a capital. Somos dois municípios que se olham nos olhos. Encaramo-nos de frente.»

No meu olhar, descubro uma lisboeta estrangeirada, apostada (são suas as palavras...) em criar um conjunto com a Capital. Isso explica em parte a aposta de tantos lisboetas em lugares-chave da Autarquia, em detrimento de almadenses. E explica também algum cosmopolitismo, que tem pouco a ver com a realidade do Concelho.

Acredito que a presidente ainda vai perceber que as coisas não mudam apenas por "decreto", ou porque achamos que estamos certos e os outros estão todos errados...

(Fotografia de Luís Eme - o Largo de Cacilhas, sem qualquer muro ou muralha, o Tejo está logo ali, a dizer-nos olá...)

sábado, dezembro 15, 2018

A História de Cacilhas Está mais Rica


As "Crónicas d'agora sobre Cacilhas d'outrora (Vol.II)" do Luís Bayó Veiga vieram enriquecer, ainda mais, a já fecunda, literatura cacilhense.

Apesar da sua aparente simplicidade, é um livro que oferece algo de novo à história da localidade ribeirinha, devido à riqueza de uma boa parte das biografias de figuras cacilhenses que constam neste volume. Algumas ainda não tinham merecido a atenção de nenhum escritor local, outras nunca tinham sido tão aprofundadas, como neste conjunto de crónicas históricas, muito bem ilustradas.

quinta-feira, novembro 01, 2018

Dia da Senhora do Milagre


Hoje em Cacilhas é dia de procissão, dia de festa para a Senhora do Bom Sucesso, a padroeira da localidade ribeirinha.

A procissão realiza-se desde o século XVIII e recorda de uma forma simbólica o "milagre" que ocorreu durante o Terramoto de 1755, em que rezam as crónicas que foi um pescador, curiosamente também ele Pedro, que pegou na imagem da Santa e ao ergue-la aos céus e a pedir ajuda divina, foi atendido... as águas que ameaçavam destruir a então Aldeia de pescadores...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 29, 2018

A "Love Vintage" de Cacilhas



Esta é uma das lojas mais curiosas de Cacilhas (fica a meio na Avenida 25 de Abril...), onde abunda o bom gosto, na forma como se utilizam objectos de outros tempos, que muito boa gente gosta de voltar  a trazer aos nossos dias, colocando-os na decoração das suas casas, lojas, bares ou ateliers.

Uma das suas últimas inovações foi a transformação da sua fachada numa "televisão dos anos setenta"...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 22, 2018

Júlio Pomar, Cacilhas e o Tejo...


Júlio Pomar, um dos maiores artistas plásticos do nosso país, deixou-nos hoje.

Na meninice passou por Cacilhas várias vezes, para visitar a  tia, a poetisa Emília Pomar. E deixou-nos o seu testemunho da localidade ribeirinha desse tempo:

«Viver em Lisboa quando era miúdo era perfeitamente infernal. Quando atravessava o rio para visitar uma tia com a minha mãe, o que era o desembarque em Cacilhas? Há um poema de António Nobre sobre os pobrezinhos nas procissões e nas romarias, pedem tanto, os coitadinhos.»

(Fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, maio 17, 2018

Romeu Correia, entre dedicatórias & aproximações


Um dos poemas do caderno, "romeu correia, entre dedicatórias & aproximasções", é a "visita guiada", num percurso familiar ao "Casario":


visita guiada

a visita começou em Cacilhas
a bonita terra dos “orelhudos”
e de tantas outras maravilhas
que não davam espaço a sisudos

com a tua arte de contador de histórias
falaste do Arrobas, do Elias Garcia
e de tanta gente de felizes memórias
utilizando alguns pós de fantasia

depois vieram os lugares mágicos
que não trouxeram apenas encanto
focaste os acontecimentos trágicos
salvos por um ou outro “santo”

quando abriste a porta dos restaurantes
sentimos o aroma das belas caldeiradas
convocaste mais personagens apaixonantes
que na tua voz se tornaram encantadas

depois caminhámos em direcção ao “Rio-Mar”
era ali que começava e acabava o Ginjal
com tantas aventuras para contar
e quase sem darmos por isso,
estávamos no Ponto Final

Luís [Alves] Milheiro


quinta-feira, fevereiro 15, 2018

"São Ronaldo" em Cacilhas...


Esta é uma das duas fotografias sobre Cacilhas da minha exposição de fotografia, que será inaugurada no sábado, em Almada, na sede da SCALA.

Em primeiro plano surge o monumento que honra a importância do burro em Cacilhas, da autoria do escultor Pé Curto, que foi vandalizado há mais de um ano, e continua igual... 

O "São Ronaldo" apareceu nas paredes depois da nossa vitória no Europeu de 2016, mas não conseguiu fazer qualquer "milagre" na limpeza do monumento cacilhense...

(Fotografia de Luís Eme)