quarta-feira, junho 11, 2008

Tomar o Pulso ao País

O cavaquismo, de triste memória, começou a definhar com o bloqueio na Ponte 25 de Abril, em Junho de 1994, protagonizado pelos camionistas, de mão dada com os utentes desta entrada e saída de Lisboa.

Parece que vai acontecer o mesmo ao socratismo. Curiosamente ou não, também em Junho e pela mão dos camionistas, catorze anos depois...
Penso que nem eles próprios, camionistas, tinham consciência de que podiam mesmo parar o país, com a complacência das autoridades e com o silêncio do governo.
As pessoas, essas correm às bombas de gasolina e aos hipermercados, como se o mundo fosse acabar amanhã...
Além de o protesto ser ilegal, já provocou uma morte.
Compreendo a luta dos camionistas, porque sinto, que, cada vez mais, é preciso lutar contra estes governantes que acham que podem fazer tudo e que nós não passamos de bonecos.
Não me agradam os "piquetes" (são um atentado à liberdade individual de cada um de nós), embora reconheça que são um mal necessário. Se eles não existissem, o país não estava tão atento e até temeroso, com todo este movimento de contestação...

22 comentários:

  1. Muito lúcido o teu post.
    Concordo contigo em relação aos piquetes, malgré tout...
    Também não vou dar um passo para me precaver contra faltas de provisões.
    É verdade que no país aumenta a contestação e o empobrecimento e com toda a razão, mas acabei de ouvir que partiram hoje para Genebra dez aviões cheios da nossa "brava" gente para ver o jogo com a República Checa!
    Dá que pensar...

    Abraço

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  2. Sem dúvida este teu post aborda muito bem todos os pontos.

    E a esta hora, joga Portugal, os "piquetes" estão lá nos seus postos atentos?! Gostava de saber...


    Beijos.

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  3. Participo, a partir de ontem, num blog colectivo.Passa por lá. Deixo-te o link mas encontras o selo no template do meu blog.
    http://adlibitum2008.blogspot.com/

    Voltarei para te comentar. Desculpa.

    Beijinhos

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  4. Em 1994, aquando do bloqueio da ponte, estávamos a "aprender" a ser tecnocrats e bons cidadãos europeus, mas havia ainda alguma réstea de civismo e alguma capacidade de exercer aquilo que Mário Soares considerou o "direito à indignação". Penso que hoje andamos todos mais anestesiados e, por isso mesmo, duvido que este protesto tenha consequências relevantes.
    Vejo as pessoas a dizerem, num primeiro momento, que estão de acordo com o protesto dos camionistas - mas depois, quando começam a sentir as consequências do protesto (falta de combustíveis nas bombas, falta de alguns artigos nos mercados) lá se vai a solidariedade com os camionistas: «o protesto tem limites». Enquanto for só aquilo que a gente vê na TV, tudo bem. Mas, se nos incomoda, e se temos algo a ver com isso, alto e pára o baile!

    Gostava de estar enganado.

    Mas eu sou como o Senhor Presidente da República: nunca tenho dúvidas e raramente me engano (claro que estou a brincar, com esta última frase... mas não com o que escrevi antes).

    A.V.

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  5. Sim, Luís, é realmente complicado, porque ao mesmo tempo que afeta à população, e todo o resto que tu bem descreves, também há o outro lado, de quem usa o que tem para poderem ter uma conversa com os governantes.

    Agora, o que me assombra, ou não, é o governo se manter calado durante tantos dias, só observando o caos acontecer... isso é de uma imaturidade política sem tamanho.

    Ah... e concordo com o que diz o "debaixo do bulcão", as pessoas têm mesmo uma tendência típica do tipo "farinha pouca, meu pirão primeiro".

    Beijinhos

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  6. Devemos distiguir o direito à indignação contra a prepotência a arrogância e a autocracia , do poder caído na rua naqueles piquetes que ameaçavam de uma forma idadmissível quem por eles passava.

    Quem são esses individuos que tão diligentes e cheios de poder vimos nas câmara da TV?

    Vivi uma vez estas cenas em 1975 , revê-las em 2008 aflige-me!!!

    Desculpem, mas acho que Democracia, não é isto!

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  7. nada nos garante que o mundo não acabe amanhã... é lamentável! um beijo grande, luís.

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  8. Infelizmente é preciso chegar a certos extremos para se resolverem as coisas. Triste

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  9. Anota isto Luis:

    O primeiro-ministro, José Sócrates, admitiu hoje que "em alguns momentos" da paralisação das empresas de transportes sentiu "o Estado vulnerável" e garantiu que irão ser tomadas medidas.

    Isto tem algum significado, não?

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  10. - Senti algum receio nestes dias, uma coisa indefinida, uma sensação de insegurança.

    - Os camionistas podem parar o país se se unirem por 3 dias! Como diz o PM , retirar lições disto é preciso e concordo com o Miguel S Tavares qdo diz q uma das lições é 'afinal estamos tão dependentes dos transportes terrestres, não apostámos na REFER, só queremos o TGV' ; um dia destes temos o TGV e a seguir saímos temos um supermercado vazio.
    Gente burra!

    - Custou-me ver aquele leite todo a estragar-se, as toneladas de frangos, idem e outros bens perecíveis aspas aspas, e isto porquê?
    ______pq estamos nas mãos dos senhores camionistas.

    - Este país está a tornar-se um país de contrastes, o país do TGV e ao lado o supermercado vazio pq ninguém foi abastecer o supermercado.

    - Foi colocado demasiado poder nas mãos dos transportadores e nós efectivamente dependemos deles. PQ não re-apostar numa forma de transporte de mercadorias por comboio tb? Não a substituir, mas a complementar.

    - Acho q o PM esteve mal ao admitir perante o país q sentiu o Estado 'vulnerável'. É daquelas coisas que se engolem e não se apregoam. Se ele com o cargo q tem ele diz isso, imagina o q nós podemos pensar...

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  11. não gosto mto de catalogações, q falseiam a realidade mas se me quiserem à força inserir numa será nesta: cavaquista.

    o Cavaco para PM é q era! :)
    (estou aqui bem?... - : ))

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  12. assim como lúcido foi o teu comentário, Rosa...

    também me faz confusão a nossa crise não chegar ao "europeu" e aos "rocks com ou sem rio"...

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  13. boa pergunta, M Maria Maio...

    terão feito pausa para ver a selecção?

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  14. parabéns Sophiamar, já lá fui...

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  15. tens alguma razão, Vitorino, nas variações de solidariedade...

    mas continuo a não gostar de "piquetes", gosto tanto da liberdade...

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  16. também não percebi o silêncio e a complacência do governo e das autoridades.

    e percebi ainda menos o discurso de vitória do primeiro-ministro, Cris...

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  17. de certeza, Ponto Verde, que democracia não é isto...

    cortar pneus, furar depósitos de gasóleo, soltar fios, partir vidros, roubar chaves de ignição, etc.

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  18. o mundo sorri a tudo isto, Alice...

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  19. penso que se abusou, Lúcia...

    e pior, os camionistas perceberam que podem mesmo parar o país...

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  20. concordo praticamente com todo o teu primeiro comentário, Vague.

    em relação ao segundo, claro que estás bem aqui. aqui reina a liberdade e a democracia, com respeito pelas diferenças e escolhas de cada um de nós...

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  21. eu sabia mas quis certificar-me, mulher prevenida... : )

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